KIZILELMA

Aeronave de combate não tripulada da Baykar empregou as munições TEBER-82 e TOLUN contra alvos terrestres, avançando na validação de sua capacidade de ataque com menor assinatura radar

A aeronave de combate não tripulada Bayraktar KIZILELMA realizou, pela primeira vez, lançamentos reais de munições guiadas transportadas em seu compartimento interno de armas. Os testes foram conduzidos no Centro de Treinamento e Ensaios de Voo de Çorlu, na província turca de Tekirdağ, e envolveram uma bomba TEBER-82, produzida pela Roketsan, e uma munição planadora TOLUN, desenvolvida pela Aselsan.

Segundo a fabricante Baykar, as duas armas atingiram diretamente os alvos designados. A campanha utilizou o exemplar S2, descrito pela empresa como uma aeronave representativa da configuração de produção em série do KIZILELMA.

Dois testes realizados em julho

O primeiro lançamento ocorreu em 25 de julho de 2026, quando o KIZILELMA empregou a TEBER-82 a partir do compartimento interno. Três dias depois, em 28 de julho, a aeronave repetiu o procedimento com a TOLUN. Em ambos os casos, o jato não tripulado decolou de Çorlu, seguiu para a área de tiro e abriu o compartimento para liberar a munição contra o alvo terrestre.

Imagens divulgadas pela Baykar mostram o fechamento das portas do compartimento antes da decolagem e os momentos de liberação das armas durante o voo. Um drone Bayraktar AKINCI acompanhou a aeronave durante parte da campanha de testes.

A TEBER-82 é baseada em uma bomba convencional equipada com um conjunto de guiagem de precisão. No teste, a munição utilizou designação laser contra o alvo. Já a TOLUN pertence à categoria das bombas planadoras compactas, empregando navegação inercial e por satélite para alcançar o ponto programado.

Compartimento interno reduz exposição ao radar

A integração de armamentos dentro da fuselagem representa uma etapa importante para o conceito operacional do KIZILELMA. O transporte externo de bombas e mísseis em pilones sob as asas aumenta o arrasto aerodinâmico e pode ampliar a assinatura radar de uma aeronave.

Ao manter as armas dentro da fuselagem, o projeto procura preservar sua configuração de baixa observabilidade, além de reduzir o arrasto durante missões de penetração em áreas protegidas por sistemas de defesa antiaérea. Segundo a Baykar, o compartimento interno também contribui para conservar velocidade e eficiência aerodinâmica.

Isso não significa que a aeronave se torne invisível ao radar. A capacidade de sobrevivência dependerá da assinatura efetiva do conjunto, dos sensores adversários, do planejamento da missão, da guerra eletrônica e das condições do engajamento. O ensaio confirma, contudo, que o KIZILELMA pode liberar armamentos sem depender exclusivamente dos pontos externos sob as asas.

Até oito TOLUN no compartimento

A Aselsan informou que a integração utilizou o lançador múltiplo inteligente SADAK-4T, desenvolvido para transportar quatro munições TOLUN em uma única estação. A empresa afirma que essa configuração poderá permitir ao KIZILELMA levar até oito bombas TOLUN no compartimento interno.

A capacidade de transportar várias armas compactas permitiria atacar diferentes alvos em uma única missão ou concentrar vários impactos contra uma mesma área. A configuração definitiva, entretanto, poderá variar conforme a versão da aeronave, o tipo de munição e os requisitos operacionais das Forças Armadas turcas.

O compartimento também deverá receber outras armas nacionais, incluindo mísseis ar-ar, munições guiadas por laser, armamentos de longo alcance e pequenos mísseis de cruzeiro. A ficha técnica divulgada pela Baykar prevê uma capacidade total de carga útil de até 1.500 quilogramas.

Programa amplia integração de armamentos turcos

Antes dos testes internos, o KIZILELMA já havia empregado diferentes armamentos transportados externamente. A campanha de integração inclui a TEBER-82, a TOLUN, munições guiadas por laser e o míssil ar-superfície supersônico JET-230. Em 15 de julho, o exemplar S2 atingiu um alvo com o JET-230 instalado sob a asa.

A Baykar também informou que a aeronave realizou um disparo com o míssil ar-ar GÖKDOĞAN, orientado pelo radar AESA MURAD produzido pela Aselsan. O desenvolvimento dessa capacidade busca permitir que o KIZILELMA execute tanto missões de ataque contra alvos terrestres quanto tarefas de combate aéreo.

A integração de sensores e armamentos fabricados na Turquia é uma das prioridades do programa. O objetivo é reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e permitir que novas armas sejam incorporadas sem limitações impostas por países exportadores.

Aeronave foi projetada para missões de combate

O KIZILELMA é uma aeronave a jato não tripulada desenvolvida para missões de ataque, defesa aérea, reconhecimento e operação conjunta com aviões tripulados. A Baykar divulga velocidade máxima de Mach 0,9, autonomia superior a três horas e raio de combate de aproximadamente 500 milhas náuticas.

O modelo possui 14,5 metros de comprimento, dez metros de envergadura e peso máximo de decolagem de 8,5 toneladas. O projeto prevê decolagem, pouso, cruzeiro e táxi autônomos, além de comunicações dentro e além da linha de visada.

A empresa também trabalha para permitir operações a partir de navios com pistas curtas, incluindo plataformas semelhantes ao navio de assalto anfíbio TCG Anadolu. Variantes subsônicas, transônicas e supersônicas aparecem no planejamento divulgado pela fabricante.

Marco para a configuração de produção

O lançamento das duas munições representa mais do que a simples abertura do compartimento em voo. O ensaio precisou validar a sequência de acionamento das portas, separação segura da arma, comunicação entre a aeronave e a munição e ausência de interferência aerodinâmica durante a liberação.

Com os testes, a Baykar demonstrou que o exemplar S2 pode empregar armas guiadas transportadas internamente, recurso central para a proposta de baixa assinatura radar do KIZILELMA.

A campanha ainda não significa que todas as configurações estejam certificadas ou prontas para emprego operacional. Novos testes deverão avaliar diferentes velocidades, altitudes, condições de voo e tipos de armamento. O resultado divulgado em Çorlu, porém, aproxima o programa de uma configuração capaz de combinar autonomia, sensores avançados e ataques de precisão sem comprometer o perfil aerodinâmico da aeronave.■


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