Uzbequistão avalia compra de 24 caças chineses J-10CE em movimento que desafia influência russa na Ásia Central

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Aquisição modernizaria uma força aérea ainda baseada em aeronaves soviéticas e ampliaria a presença militar-industrial da China na região; até o momento, porém, Tashkent e Pequim não divulgaram confirmação pública conclusiva do contrato

O Uzbequistão estaria planejando adquirir 24 caças multifunção chineses Chengdu J-10CE, em um dos programas de modernização militar mais importantes da Ásia Central desde o fim da União Soviética.

A possível compra permitiria substituir progressivamente aeronaves antigas de origem soviética, especialmente os caças MiG-29 e Su-27, e reduziria a dependência uzbeque de peças, manutenção, armamentos e assistência técnica provenientes da Rússia.

Relatos publicados em 29 de julho afirmam que Tashkent considera a aquisição de duas dezenas de J-10CE, versão de exportação do J-10C empregado pela Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China. Algumas fontes chegaram a noticiar que aeronaves já teriam sido entregues ao país.

As informações, entretanto, precisam ser tratadas com cautela. Até o momento, não foi localizado um comunicado oficial verificável dos governos do Uzbequistão ou da China anunciando a assinatura definitiva de um contrato para 24 aviões.

Também circulam alegações de que quatro J-10CE teriam chegado ao Uzbequistão em julho de 2026. Essas informações surgiram inicialmente em contas chinesas especializadas em assuntos militares e não foram acompanhadas por imagens claramente identificáveis, números de série, fotografias de satélite ou confirmação das autoridades uzbeques.

Compra ainda não foi confirmada oficialmente

A diferença entre uma negociação, uma carta de intenção e um contrato assinado é particularmente importante no mercado de defesa.

Uma aquisição de 24 caças exigiria não apenas a fabricação e a entrega das aeronaves, mas também acordos sobre armamentos, treinamento de pilotos, simuladores, equipamentos de apoio, manutenção, peças de reposição e infraestrutura de bases aéreas.

Fontes especializadas afirmam que o Uzbequistão já teria iniciado a formação de pilotos na China e que as entregas ocorreriam em etapas. Entretanto, essas afirmações ainda não podem ser confirmadas por documentação pública oficial.

O cenário mais prudente é considerar que existe um processo avançado de avaliação ou negociação envolvendo o J-10CE, mas que a composição final, o cronograma e o valor do programa permanecem desconhecidos.

Em 2025, a imprensa regional já havia noticiado que Tashkent analisava diferentes opções para modernizar sua aviação de combate, incluindo o J-10C, o sino-paquistanês JF-17 Block III e o francês Dassault Rafale. Naquele momento, também não havia anúncio formal de uma escolha.

Frota ainda é baseada em aviões soviéticos

A Força Aérea e de Defesa Aérea do Uzbequistão herdou uma grande quantidade de aeronaves depois da dissolução da União Soviética, em 1991.

Seu inventário passou a incluir caças MiG-29 e Su-27, aviões de ataque Su-25, bombardeiros Su-24, treinadores L-39 e diferentes modelos de helicópteros e aeronaves de transporte soviéticas.

Os números disponíveis em fontes abertas variam consideravelmente. Alguns inventários registram dezenas de MiG-29 e Su-27, mas parte dessas aeronaves estaria armazenada, retirada de serviço ou disponível apenas em quantidade limitada devido à idade e às necessidades de manutenção.

Mesmo os exemplares que passaram por revisões preservam uma arquitetura desenvolvida durante a Guerra Fria. Os primeiros MiG-29 uzbeques foram produzidos há mais de três décadas, e sua operação depende de oficinas, componentes, motores e armamentos pertencentes ao ecossistema técnico russo ou de antigas repúblicas soviéticas.

O problema não está apenas na idade cronológica dos aviões. A disponibilidade de uma frota depende da capacidade de obter peças, realizar revisões estruturais, manter motores e atualizar radares, sistemas eletrônicos e armamentos.

A guerra na Ucrânia aumentou a demanda da própria Rússia por componentes e serviços aeronáuticos, ao mesmo tempo que sanções e restrições industriais prejudicaram sua capacidade de atender alguns clientes estrangeiros. Esse ambiente abriu espaço para fornecedores chineses, turcos e europeus em mercados anteriormente dominados por Moscou.

J-10CE representaria salto tecnológico

O J-10CE é a versão de exportação do J-10C, caça monomotor com asas em delta e superfícies dianteiras do tipo canard.

Embora não seja uma aeronave furtiva, o modelo incorpora sensores e sistemas muito mais modernos do que aqueles encontrados nos primeiros MiG-29 e Su-27 herdados pelo Uzbequistão.

A configuração normalmente associada ao J-10CE inclui radar de varredura eletrônica ativa, sistemas de guerra eletrônica, enlace de dados, cockpit digital e capacidade para empregar armamentos chineses de curto, médio e longo alcance.

Entre as armas oferecidas para exportação está o míssil ar-ar PL-15E, destinado ao combate além do alcance visual. O conjunto permitiria ao piloto detectar, acompanhar e atacar alvos a distâncias maiores do que seria possível com as versões originais dos mísseis soviéticos ainda disponíveis em parte da região.

A China também procura vender não apenas a aeronave, mas um sistema integrado que pode incluir mísseis, radares terrestres, aviões de alerta antecipado, redes de comunicação, treinamento e apoio logístico. Representantes da indústria aeronáutica chinesa defendem publicamente a passagem da simples exportação de produtos para a oferta de sistemas completos de combate.

Essa abordagem seria especialmente relevante para o Uzbequistão. Ao adotar o J-10CE, o país não substituiria somente um avião por outro: começaria a migrar de uma arquitetura operacional soviético-russa para uma estrutura chinesa de sensores, armamentos, comunicações e planejamento de missões.

Experiência paquistanesa aumentou interesse pelo caça

J-10CE do Paquistão

O Paquistão é o operador estrangeiro confirmado do J-10CE e recebeu seus primeiros exemplares em março de 2022.

A Força Aérea Paquistanesa utiliza o modelo juntamente com o JF-17, o F-16 e aeronaves de alerta antecipado. Essa estrutura permitiu à China demonstrar que o J-10CE pode ser integrado a uma força aérea que já opera equipamentos de diferentes origens.

A indústria chinesa passou a promover mais intensamente o avião depois dos combates entre Índia e Paquistão em maio de 2025. Islamabad afirmou que seus caças e mísseis chineses derrubaram aeronaves indianas, embora a quantidade, as circunstâncias e a atribuição de cada perda continuem sendo objeto de disputa.

A imprensa estatal chinesa transformou o episódio em argumento comercial para o J-10CE e passou a apresentar o caça em diferentes eventos internacionais como uma plataforma testada em combate.

Para o Uzbequistão, a experiência paquistanesa também oferece uma possível fonte adicional de treinamento, doutrina e intercâmbio operacional, reduzindo a dependência exclusiva de instrutores chineses.

China avança sobre mercado tradicionalmente russo

Durante grande parte das três décadas posteriores ao fim da União Soviética, a Rússia permaneceu como principal fornecedora militar das repúblicas da Ásia Central.

A predominância russa era favorecida pelo inventário já existente, pelo uso do idioma russo, pela formação comum dos oficiais e pela presença de oficinas preparadas para atender equipamentos soviéticos.

Comprar mais aeronaves russas parecia a opção logística mais simples: pilotos, mecânicos, armamentos e infraestrutura já estavam adaptados à mesma família de sistemas.

A China, durante muitos anos, concentrou sua influência regional no comércio, em projetos de energia, no financiamento de infraestrutura e na iniciativa do Cinturão e Rota. Sua participação no mercado de armamentos da Ásia Central era limitada.

Esse cenário começou a mudar. Pequim forneceu veículos aéreos não tripulados à região, ofereceu sistemas de defesa antiaérea e passou a disputar encomendas de aviões de combate. A retração das exportações militares russas desde o início da guerra na Ucrânia criou oportunidades para China, Turquia, Belarus e fabricantes europeus.

Se o contrato uzbeque for concluído, o J-10CE será o sistema de combate aéreo chinês mais avançado exportado para uma antiga república soviética da Ásia Central.■



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21 Comentários
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Marotus

Esse é um dos aviões mais sorridentes que há !

Claudio Moreno

Filho do Levi. Por isso na época os EUA deram um basta em Israel, pois o aparelho iria roubar mercado do F16.

Sgtº Moreno

José de Souza

Lavi

SteelWing

Acredito que os Chineses vão ocupar todos os clientes russos enquanto estes não resolverem o problema com a Ucrânia.

Heli

Quem comprar algo da Rússia vai sofrer sanções econômicas dos EUA.

Deadeye

Aquelas sanções sem efeito prático?

Rafael Oliveira

Não só os chineses.
A Embraer já emplacou o KC-390 para o próprio Uzbequistão, por exemplo.
Europeus e sul-coreanos também devem abocanhar umas vendas para a Ásia Central.

Victor Hugo

Bom e barato além de ser um ótimo substituto para os velhos e obsoletos caças soviéticos e dar acesso ao mercado de armas Chinesas.

Fabio Araujo

E a China segue avançando nis usuários antigos de armas soviéticas!

Hamom

Outra vende chinesa,
informada por matéria da Reuters e negada pela China…A compra pelo Iran de entre 300 e 400 MANPADS chineses (mísseis QW-12 e FN-16).
Me chamou atenção o valor do pacote: Entre US$ 60 e 70 milhões.

Lembrei da oferta “generosa” dos EUA…que aprovou a venda de um pacote com 100 mísseis Stinger, por US$ 330 milhões!

Last edited 14 dias atrás by Hamom
SteelWing

Eh que os militares aqui preferem serem feitos de troux… pelos EUA que comprar algo equivalente e bem mais barato, pois não se pode comprar nada do malvadao comunismo…

ASantana

A China mostrando que está ocupando o lugar que já foi da URSS, enquanto a Russia se torna a nova França.

LUIZ

“enquanto a Russia se torna a nova França.”

Porquê a nova França ?

comenteiro

Ìsaac Asimov chamava essa nação de potência de segunda classe. Mas se a Rússia vai ser a nova França dos armamentos, os gauleses vão subir de divisão?

Cassini

Mais fácil os franceses descerem.

Ademais, a comparação dele é ambígua.

Joanderson

Mais fácil ser a nova Reino Unido,já está oe4deu posto de maior potência para os EUA e se tornaram potência de segunda classe.

BlackRiver

J-10CE o “F16” chines que vai absorber grande parte do mercado russo

Antunes 1980

O único ponto fraco desse excelente vetor é o seu canhão, o Gryazev-Shipunov GSh-23L. Praticamente nenhuma aeronave russa ou chinesa de alto desempenho o utiliza mais.

Atualmente, os caças modernos, principalmente os da família Flanker, empregam o poderoso canhão GSh-30-1, de 30 mm.

Last edited 13 dias atrás by Antunes 1980
A6MZero

Os chineses usam ele no J-17 também …

FRITZ PILSEN

Excelente avião, testado em combate e com ótima relação custo x benefício. O Brasil deveria comprar equipamentos militares chineses também. Já que viramos nação non grata dos EUA, vamos assumir nossa aliança com a China e nos equipar com equipamentos bons, bonitos e baratos.

TJ Lopes

O Brasil deveria comprar 24 desses, nem que fosse só pra enfurecer o laranjão.