Nigéria conclui aceitação dos três primeiros caças leves M-346FA na Itália
Delegação da Força Aérea Nigeriana verificou requisitos técnicos e de aeronavegabilidade na fábrica da Leonardo em Venegono; aeronaves deverão ser entregues ao país até dezembro
A Força Aérea Nigeriana concluiu os testes de aceitação em fábrica dos três primeiros aviões de combate leve Leonardo M-346FA, abrindo caminho para a transferência das aeronaves à Nigéria nos próximos meses.
O procedimento foi realizado entre 29 de junho e 9 de julho de 2026 nas instalações da Divisão de Aeronaves da Leonardo em Venegono, no norte da Itália. A delegação reuniu representantes da Força Aérea Nigeriana, do Ministério da Defesa do país e da fabricante italiana.
Os aviões foram identificados como NAF 01, NAF 02 e NAF 03. Segundo o comunicado nigeriano, os três exemplares cumpriram os requisitos contratuais, técnicos e de aeronavegabilidade estabelecidos para sua aceitação.
A conclusão do chamado Factory Acceptance Test não significa que os aviões já tenham sido entregues fisicamente à Nigéria. O procedimento certifica que o fabricante concluiu os trabalhos previstos e que as aeronaves estão liberadas para a fase de transferência. Uma fonte da Força Aérea Nigeriana informou ao jornal Punch que os três primeiros M-346FA deverão chegar ao país até dezembro de 2026.
Entregas sofreram atraso em relação ao cronograma inicial
A Nigéria encomendou 24 aeronaves M-346, destinadas ao treinamento avançado e a missões operacionais de combate. Quando o programa foi apresentado oficialmente em 2024, a previsão era receber os três primeiros aviões no início de 2025, com as entregas restantes concluídas até meados de 2026.
O cronograma não foi cumprido. Os primeiros exemplares somente começaram a aparecer em ensaios de voo com as cores nigerianas em 2026. Em abril, uma das aeronaves foi fotografada retornando de um voo de testes em Venegono, já com a insígnia da Força Aérea Nigeriana e a bandeira nacional aplicada na deriva.
A conclusão da aceitação em julho representa, portanto, o avanço mais concreto do programa desde o início da produção. Ainda não foi divulgado um cronograma atualizado para a entrega dos 21 aviões restantes.
A encomenda foi originalmente organizada em quatro lotes de seis unidades. Entretanto, nesta primeira etapa, somente três aeronaves concluíram formalmente o processo de aceitação.
Substituição gradual dos Alpha Jet
Os M-346FA deverão assumir progressivamente parte das funções exercidas pelos antigos Dassault-Dornier Alpha Jet, utilizados há décadas pela Nigéria em treinamento, apoio aéreo aproximado e ataques contra grupos insurgentes.
O programa não deverá resultar necessariamente na retirada imediata de todos os Alpha Jet. A própria Força Aérea Nigeriana buscou recentemente exemplares usados e componentes na França, indicando que pretende manter parte da frota antiga em atividade durante o período de transição.
A chegada do M-346FA permitirá, porém, transferir para uma plataforma mais moderna missões de maior complexidade, incluindo ataques de precisão, interdição aérea, reconhecimento tático e treinamento de pilotos destinados a caças de nova geração.
A Nigéria emprega sua aviação de combate contra o Boko Haram e a Província da África Ocidental do Estado Islâmico no nordeste do país, além de grupos armados e redes de sequestro que atuam principalmente nas regiões noroeste e central.
Treinador avançado com capacidade de combate
O M-346FA deriva do treinador avançado M-346 Master, mas recebeu sensores, armamentos e sistemas de autoproteção para atuar como caça leve multifuncional.
A versão é equipada com o radar multimodo Grifo-M346, desenvolvido pela Leonardo para missões ar-ar e ar-solo. O sensor pode realizar busca e acompanhamento de alvos, produzir imagens de radar de alta resolução e apoiar o emprego de armamentos guiados.
O avião possui sete pontos externos para transportar mísseis ar-ar, armamentos ar-superfície, bombas guiadas por laser ou GPS, casulos de canhão, equipamentos de reconhecimento, designadores de alvos e sistemas de guerra eletrônica. A capacidade de carga externa supera duas toneladas.
Entre os equipamentos incorporados estão um enlace tático de dados, rádios seguros, sistema de identificação amigo-inimigo e um conjunto defensivo destinado a alertar a tripulação sobre ameaças e auxiliar no emprego de contramedidas. O avião também pode receber capacidade de reabastecimento em voo.
A configuração com dois assentos permite que o M-346FA seja empregado tanto no treinamento avançado quanto em operações nas quais o segundo tripulante atua como operador de sistemas de armas ou controlador aéreo avançado.
Segundo a Leonardo, a plataforma foi projetada para missões de apoio aéreo aproximado, contrainsurgência, interdição, policiamento do espaço aéreo, defesa territorial, reconhecimento e apoio a operações marítimas.
Treinamento e manutenção fizeram parte da aceitação
Durante a visita à Itália, a delegação nigeriana também avaliou os sistemas destinados à formação de pilotos e técnicos.
O grupo inspecionou um simulador completo de missão, equipamentos de treinamento com realidade virtual e instalações terrestres destinadas à preparação das tripulações. Representantes da Nigéria e da Leonardo discutiram ainda a formação de pilotos, a manutenção, o apoio logístico e a sustentação da frota durante sua vida operacional.
A estrutura de treinamento é um dos elementos centrais do programa. Além de operar como avião de combate, o M-346 foi concebido para preparar pilotos para aeronaves de quarta e quinta gerações, reproduzindo sensores, ameaças e armamentos por meio de simulação embarcada.
O contrato prevê pelo menos 25 anos de suporte de manutenção, segundo informações divulgadas pela Força Aérea Nigeriana quando a compra foi confirmada. Abuja também manifestou interesse na criação de um centro de manutenção no próprio país, reduzindo a dependência de instalações europeias para o apoio de rotina.
Reforço para uma frota diversificada
Os M-346FA integrarão uma frota de combate formada por plataformas de diferentes origens e categorias.
A Nigéria recebeu 12 aviões A-29 Super Tucano dos Estados Unidos em 2021 e opera os caças sino-paquistaneses JF-17, além dos Alpha Jet e de aeronaves remotamente pilotadas empregadas em reconhecimento e ataque.
O M-346FA ocupará uma posição intermediária. É mais rápido e possui sensores e armamentos mais sofisticados que um turboélice de ataque, mas apresenta custos de operação inferiores aos de caças supersônicos mais pesados.
Essa combinação poderá permitir que a Força Aérea Nigeriana preserve seus caças de maior desempenho para missões de defesa aérea, enquanto utiliza o M-346FA em treinamento, patrulhamento, ataques de precisão e apoio às forças terrestres.
O chefe do Estado-Maior da Força Aérea Nigeriana, marechal do ar Sunday Kelvin Aneke, afirmou que a capacidade dupla da aeronave deverá ajudar o país a formar tripulações prontas para o combate e, ao mesmo tempo, ampliar sua capacidade de executar missões de ataque de precisão, apoio aéreo aproximado e interdição.
A chegada dos três primeiros aviões será o início da fase operacional de um dos maiores programas recentes de aquisição de aeronaves de combate da África Ocidental. O desafio seguinte será cumprir o cronograma das demais entregas e construir a infraestrutura logística necessária para manter uma frota de 24 unidades disponível durante as próximas décadas.■




Quando eu vejo as notícias sobre a Nigéria e sua aquisição de aeronaves M-346FA,chego a ter vontade de rir ao ver que tal país africano tem capacidade de adquirir tais aeronaves enquanto o Brasil fica procurando “moedas no cofrinho”, e o máximo que a FAB pode fazer são aquelas visitas tipo “pobre em loja de Grife em domingo no Shopping”… Olha, olha, olha, prova e no final agradece a atenção e sai com sorriso amarelo A Nigéria comprou 24 jatos de ataque e treinamento avançado M-346 Master (na versão M-346FA – Fighter Attack). O acordo histórico foi fechado pelo valor… Read more »
Basta dar uma olhada no mapa para ver que a Nigéria está cercada de problemas, desde guerrilheiros separatistas muçulmanos que entram pelo Niger e Chad até a atuação interna de células do Estado Islâmico promovendo atentados e matanças no atacado.
Sem falar na atuação de contrabandistas e traficantes que usam zonas do litoral como entreposto de drogas para outros países africanos.
Volta e meia acontece motim de militares corruptos e a situação costuma chegar perto de golpe de estado.
Portanto, problema externos e internos é o que não falta na Nigéria.
Grande partes desses conflitos são também por terras. Povos pastorais vs sedentários. “Quero passar com meu gado aqui, essa entia que pratica agricultura não deixa. Eles tem outra religião? São meus inimigos ?”
Nigeria nunca deveria ter sido um pais só, uma separação em linhas religiosas como a Índia e Paquistão deveria ter ocorrido antes da independência.
Não podendo esquecer a Indonésia, que nunca sabe oque quer da vida:
Se quer KF-21,KAAN ou até SU-57…
E que mesmo sendo caloteiros, estão embarcando no projeto turco…
A Força Aerea nigeriana é uma das mais bem equipadas da Africa Subsaariana, olha o inventário deles: – 12 AlphaJets – 8 F-7 – 3 JF-17 – 24 M346 (em fase de entrega) – 12 SuperTucanos – 12 helis de ataque AH1 Vipers (ja comprados ainda nao entregues) – 15 helis de ataque Mi35 Hind – 12 helis de ataque T129/mangusta turcos – 43 drones turcos Bayratakar TB2 – 10 drones chineses de ataque Wing Loong Parece q comprariam 25 JF17 porém a aproximação com o atual governo trump parece ter melado o negócio, Trump esta ajudando os nigerianos contra… Read more »
Não é por acaso que estão no Top 10 das potências militares no continente africano… O ranking das maiores potências militares da África é liderado por Egito, Argélia e Nigéria, com base no índice anual do Global Firepower. Top 10 das Potências Militares Africanas 1. Egito (19ª posição global) – Possui o maior efetivo e o orçamento mais robusto do continente, com forte apoio em equipamentos aéreos e navais. 2. Argélia (26ª/27ª posição global) – Destaca-se por grandes investimentos em defesa e por um arsenal blindado e submarino de tecnologia avançada. 3. Nigéria – Conta com a maior força de… Read more »
Em drones e Helis de ataque eles dão uma surra no Brasil.
Esses caças vão trabalhar muito como os A-29 trabalham contra os grupos insurgentes!
Esse radar Grifo 346 é uma versão mais moderna e de alcance um pouco maior do radar Grifo de nossos F-5, é um radar de pulso doppler mecânico. Pelo que li o alcance do radar é em torno de 111Km.
Pois é….
Entao as torcidas de plantão, preciso isa ficar claro que a Nigéria está investindo quase US$ 58 milhões por aeronave para ter:
A) um radar similar embora mais moderno ao EL Elta 2032 dos AF1M da MB
B) uma aeronave com alcance menor que o A4 e o AMX
C) Velocidade similar aos A4 e AMX
Ou seja…valor de combate muito questionável para um investimento de 58 pratas…o que sempre digo…e repito…
O que se pode fazer com 58 pratas a unidade?
Mas o radar tem um alcance maior e é mais moderno e apesar da Nigéria dificilmente comprar esses tipo de mísseis esse caça pode usar o AIM-120 e o IRIS-T, o que leva a ser capacidade de combate ar-ar do M-346 superior ao A-1M, mas inferior em ataque ar-terra por levar menos bombas..
J10 era uma opção melhor, mas a Nigéria sempre foi mais alinhada com o ocidente
A Nigéria possui caças F-7 NI ( Mig-21 de fabricação chinesa ) e JF-17 Block II de fabricação sino-paquistanesa, eles não tem problema em comprar armas chinesas. Só que o J-10 é outra categoria e não compete com o M-346FA, o J-10 é um caça de superioridade aérea e o M-346FA é um caça LIFT e avião de treinamento avançado!
Fabio, está sendo redundante. M-346FA é um caça leve baseado em um LIFT (o ‘T’ significa ‘Trainer’)
Não teria sido uma melhor opção o FA-50 Bloco 20?