MiG-29 Alemanha

Concebido para enfrentar a nova geração de caças ocidentais dos anos 1970, o “Fulcrum” combinou elevada manobrabilidade, sensores infravermelhos e armamento avançado de curto alcance. Suas limitações de autonomia e aviônicos estimularam uma extensa linhagem de versões modernizadas, navais e multifunção

Poucos aviões militares simbolizam tão claramente a fase final da Guerra Fria quanto o Mikoyan MiG-29. Com suas duas derivações verticais, grandes extensões da raiz das asas, motores separados e entradas de ar posicionadas sob a fuselagem, o caça tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da aviação soviética.

Desenvolvido inicialmente como um caça tático de linha de frente, o MiG-29 evoluiu para uma extensa família composta por interceptadores, treinadores, versões de exportação, aeronaves adaptadas aos padrões da OTAN, caças multifunção e modelos embarcados. Materiais históricos da fabricante afirmavam que mais de 1.600 unidades haviam sido fornecidas e que diferentes variantes chegaram a operar em mais de 25 países — números que colocaram o projeto entre os caças de quarta geração mais difundidos fora do Ocidente.

A resposta soviética ao F-15 e ao F-16

MiG-29 em 1987

As origens do MiG-29 remontam ao início da década de 1970, quando a União Soviética procurava responder à nova geração de aviões de combate norte-americanos representada pelo McDonnell Douglas F-15 Eagle e pelo General Dynamics F-16 Fighting Falcon.

O escritório Mikoyan recebeu a tarefa de desenvolver um caça frontal relativamente leve, destinado aos regimentos de aviação tática soviéticos. O MiG-29 deveria atuar ao lado do maior e mais pesado Sukhoi Su-27, em uma combinação semelhante à formada no Ocidente pelo F-15 e pelo F-16.

O primeiro protótipo voou em 6 de outubro de 1977, pilotado por Alexander Fedotov. Satélites de reconhecimento norte-americanos identificaram o novo avião pouco depois, e a OTAN atribuiu-lhe o nome de código “Fulcrum”. A produção começou em 1982, e as primeiras entregas às unidades da Aviação Frontal soviética ocorreram em 1983.

O MiG-29 representava uma ruptura significativa em relação a caças soviéticos anteriores, como o MiG-21 e o MiG-23. Em vez de depender principalmente da velocidade, da orientação por controladores em terra e de ataques rápidos contra alvos previamente designados, o novo avião foi projetado para realizar combates aéreos manobrados e repetir ataques após o primeiro confronto.

Dois motores e uma célula construída para manobrar

MiG-29 da Polônia

A configuração aerodinâmica integrada fazia com que as extensões da raiz das asas e a parte central da fuselagem produzissem uma parcela importante da sustentação. Esse desenho contribuía para o controle em elevados ângulos de ataque e para a capacidade de executar curvas apertadas em velocidades relativamente baixas.

Os dois motores turbofan Klimov RD-33 proporcionavam ao caça uma elevada relação empuxo-peso. Em determinadas configurações de combustível e armamento, o empuxo combinado podia superar o peso da aeronave, favorecendo acelerações rápidas e subidas acentuadas.

A adoção de dois motores também aumentava a possibilidade de sobrevivência após danos ou falhas. Em contrapartida, elevava o consumo de combustível, a complexidade da manutenção e o custo operacional em comparação com caças monomotores da mesma categoria.

Uma característica incomum das primeiras versões era o sistema de proteção das entradas de ar. Durante a movimentação no solo e a decolagem, grandes portas podiam fechar os dutos principais, enquanto os motores recebiam ar por aberturas auxiliares situadas na parte superior da fuselagem. A solução reduzia a ingestão de pedras e outros objetos, permitindo a operação em pistas pouco preparadas — uma exigência importante para a doutrina soviética de dispersão de forças.

Radar, sensor infravermelho e mira montada no capacete

O conjunto de sensores do MiG-29 original combinava o radar Doppler N019, um sistema eletro-óptico com busca e acompanhamento por infravermelho, telêmetro laser e uma mira de designação instalada no capacete do piloto.

Essa arquitetura permitia ao caça localizar e atacar alvos sem depender exclusivamente do radar. O sensor infravermelho podia acompanhar uma aeronave adversária de maneira passiva, sem emitir energia que denunciasse imediatamente a presença do MiG-29.

Para combates além do alcance visual, o armamento principal era formado por versões do míssil de médio alcance R-27, conhecido pela OTAN como AA-10 “Alamo”. Em distâncias menores, o caça empregava o R-73, ou AA-11 “Archer”, além de possuir um canhão interno GSh-30-1 de 30 mm.

A combinação entre o R-73 e a mira Shchel-3UM montada no capacete transformou o MiG-29 em uma ameaça particularmente perigosa no combate aproximado. O piloto não precisava apontar todo o nariz da aeronave para o adversário: bastava olhar em sua direção para orientar o sensor do míssil dentro de determinados limites angulares. O Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos reconhece que esse recurso oferecia ao Fulcrum uma vantagem importante em engajamentos de curto alcance.

O MiG-29A e o treinador MiG-29UB

MiG-29 ao largo do Alaska, 1989

A primeira versão de produção, conhecida internamente como Produto 9.12 e no Ocidente como MiG-29A ou Fulcrum-A, foi concebida primordialmente para destruir aeronaves inimigas em diferentes altitudes e condições meteorológicas.

Embora pudesse atacar alvos terrestres com bombas e foguetes não guiados, sua capacidade ar-solo era limitada quando comparada à de caças multifunção ocidentais. A cabine utilizava grande quantidade de instrumentos analógicos, e o piloto precisava administrar um volume considerável de tarefas durante combates complexos.

O MiG-29UB, ou Produto 9.51, começou a ser produzido em série em 1985 como versão de treinamento e conversão operacional. A inclusão do segundo assento exigiu o alongamento da seção dianteira da fuselagem.

Para preservar espaço e controlar custos, o MiG-29UB não recebeu radar. O treinamento para o emprego de armamentos guiados por radar era realizado com modos de simulação e apoio de outros sistemas da aeronave.

As versões destinadas aos países do Pacto de Varsóvia e a outros compradores recebiam configurações de aviônicos e identificação que podiam diferir das aeronaves soviéticas. Isso se tornaria um fator importante quando o MiG-29 fosse empregado em guerras contra forças dotadas de maior apoio de alerta antecipado, guerra eletrônica e comando e controle.

MiG-29S e MiG-29SE ampliaram o armamento

MiG-29SE do Peru

O potencial de crescimento previsto na célula permitiu o aparecimento de sucessivas modificações. O MiG-29S, associado ao Produto 9.13S, incorporou mudanças no sistema de controle de voo, melhorias eletrônicas e um radar mais capaz.

A versão de exportação MiG-29SE recebeu maior capacidade interna de combustível, radar N019ME com novo computador e uma variedade ampliada de armamentos. Além das versões de maior alcance do R-27, podia empregar o míssil RVV-AE — versão de exportação do R-77 — equipado com buscador de radar ativo.

A carga externa máxima também foi ampliada para aproximadamente 4.500 quilos. Essas mudanças procuravam corrigir duas limitações das primeiras aeronaves: a autonomia relativamente pequena e a dependência de mísseis que exigiam iluminação ou apoio contínuo do radar lançador.

Quando a OTAN colocou as mãos no Fulcrum

MiG-29 alemão visita EUA em 2003

A reunificação da Alemanha, em 1990, proporcionou à OTAN uma oportunidade sem precedentes. A Luftwaffe incorporou os MiG-29 anteriormente operados pela Alemanha Oriental e passou a utilizá-los em exercícios contra F-15, F-16, F-14 e F/A-18.

Os testes confirmaram a elevada manobrabilidade do caça e a eficácia da combinação entre a mira no capacete e o R-73. Pilotos ocidentais descobriram que permitir ao MiG-29 aproximar-se o suficiente para um combate visual podia colocá-los em séria desvantagem.

Ao mesmo tempo, a avaliação revelou limitações no radar, na consciência situacional, na apresentação das informações ao piloto, nas comunicações e na autonomia. Em combates além do alcance visual, as aeronaves ocidentais normalmente conseguiam explorar melhor seus radares, enlaces de dados e mísseis AIM-120 AMRAAM.

Os MiG-29 alemães foram empregados durante anos como “agressores” em treinamentos da OTAN. Posteriormente, a maior parte da frota foi transferida à Polônia, prolongando a carreira desses aviões dentro da própria aliança militar para a qual haviam sido originalmente concebidos como adversários.

MiG-29 da Alemanha treinando com F-16

A reputação em combate enfrentou a realidade

A imagem construída nas exibições aéreas e nos exercícios não se repetiu de forma plena nos conflitos reais. MiG-29 iraquianos e iugoslavos enfrentaram forças ocidentais dotadas de maior disponibilidade, treinamento, guerra eletrônica, aviões de alerta antecipado e armamentos além do alcance visual.

Durante a campanha da OTAN contra a Iugoslávia em 1999, seis MiG-29 sérvios foram abatidos em combates aéreos. Todos os abates ocorreram além do alcance visual, principalmente com o emprego de mísseis AIM-120 lançados por F-15 e F-16.

Um estudo histórico da Força Aérea dos Estados Unidos atribuiu o resultado não apenas às aeronaves, mas também às diferenças de treinamento, estado dos equipamentos, apoio operacional e tecnologia dos sistemas empregados. Os MiG-29 sérvios não conseguiram derrubar aviões da OTAN durante a campanha.

Esses resultados demonstraram que a capacidade de um caça não pode ser avaliada isoladamente. Um avião altamente manobrável e bem armado pode continuar vulnerável quando opera sem uma rede eficiente de radares, alerta antecipado, comunicações seguras, guerra eletrônica e planejamento integrado.

MiG-29SD: adaptação ao mundo da OTAN

MiG-29 da Eslováquia

A dissolução do Pacto de Varsóvia criou um problema para países que possuíam o MiG-29, mas passaram a aproximar-se da OTAN. Suas aeronaves precisavam operar com novas frequências de rádio, sistemas de navegação civil e militar ocidentais e equipamentos de identificação amigo-inimigo compatíveis com a aliança.

A proposta MiG-29SD foi desenvolvida para atender a essa necessidade. O pacote podia incluir computador de missão adicional, novos rádios, equipamentos de navegação, transponders e sistemas de identificação fornecidos por empresas como BAE Systems e Rockwell Collins.

O escopo variava conforme as necessidades de cada cliente e podia compreender reforço estrutural, aumento da vida útil, maior capacidade de combustível e instalação de sonda para reabastecimento em voo. Parte dos trabalhos poderia ser executada no próprio país operador, sem o envio das aeronaves à Rússia.

A Eslováquia utilizou MiG-29 modernizados para os padrões da OTAN e da Organização da Aviação Civil Internacional a partir de meados da década de 2000. O programa demonstrou a capacidade da célula soviética de receber equipamentos ocidentais sem uma reconstrução completa.

MiG-29SM transformou o caça em aeronave multifunção

Enquanto o MiG-29SD privilegiava interoperabilidade, o MiG-29SM procurava aumentar a capacidade de combate com o menor custo possível.

A modernização incorporava um computador adicional ao radar N019, novo sistema de apresentação de dados com tela multifuncional colorida, receptor de navegação por satélite e barramento digital compatível com o padrão MIL-STD-1553B.

Mais importante, o sistema de armas passava a aceitar armamentos ar-solo de precisão. Entre as opções oferecidas estavam os mísseis Kh-29, Kh-31A antinavio e Kh-31P antirradiação, além das bombas guiadas KAB-500.

Com designação externa ou iluminação laser, o MiG-29SM também podia empregar armas guiadas a laser. O antigo caça de defesa aérea aproximava-se, assim, do conceito ocidental de aeronave verdadeiramente multifunção.

A modernização podia ser realizada nas instalações do cliente ou com participação de empresas de terceiros países, uma estratégia destinada a tornar o pacote comercialmente atraente para operadores que não podiam adquirir novos caças.

MiG-29SMT: a modernização mais profunda

MiG-29SMT

O MiG-29SMT representou uma transformação mais abrangente. O primeiro protótipo dessa versão realizou seu voo inaugural em abril de 1998, em um período no qual a indústria aeronáutica russa procurava sobreviver principalmente por meio das exportações.

Uma das alterações mais visíveis era a grande seção dorsal elevada, utilizada para acomodar combustível adicional e novos equipamentos. O aumento da capacidade interna e a instalação de sistema de reabastecimento em voo ampliaram significativamente a permanência da aeronave em missão.

O cockpit recebeu duas telas multifuncionais coloridas e comandos do tipo HOTAS, permitindo ao piloto operar sensores e armamentos sem retirar as mãos do manche e da manete de potência.

MiG-29SMT

O radar multimodo Zhuk-ME introduziu melhores capacidades de detecção e acompanhamento, modos ar-solo e maior confiabilidade. De acordo com a configuração divulgada pela fabricante, podia acompanhar até dez alvos aéreos e engajar simultaneamente quatro deles.

A arquitetura aberta baseada em um computador de missão permitia integrar sistemas e armamentos russos ou estrangeiros. O SMT aproximava a capacidade das células antigas daquela oferecida por aeronaves novas da família MiG-29M.

Entretanto, o aumento de combustível, equipamentos e peso também alterava as características de voo. O SMT não era apenas um MiG-29A com novos instrumentos: tratava-se de um compromisso entre a reutilização de células existentes, maior alcance e a necessidade de preservar o máximo possível da infraestrutura logística anterior.

Índia criou uma das modernizações mais abrangentes

MiG-29UPG da IAF

A Índia, um dos mais importantes operadores estrangeiros do MiG-29, adotou um programa próprio de modernização e extensão da vida útil. As primeiras aeronaves foram modificadas na Rússia, enquanto o restante do trabalho foi transferido para instalações da Força Aérea Indiana.

Segundo o Ministério da Defesa da Índia, os aviões modernizados receberam novos aviônicos, capacidade de reabastecimento em voo e armamentos inteligentes ar-ar e ar-solo. As aeronaves retornaram aos esquadrões de primeira linha após a conclusão das principais etapas do programa.

Em 2024, Nova Délhi contratou a produção local de motores RD-33 destinados a sustentar a frota de MiG-29 por mais 15 anos. A decisão mostra que, apesar da idade do projeto, alguns operadores continuam considerando economicamente viável manter versões modernizadas em serviço.

Do convés dos porta-aviões ao MiG-35

MiG-29KUB operando no navio-aeródromo indiano Vikramaditya

A linhagem também originou o MiG-29K/KUB, desenvolvido para operações embarcadas. O modelo recebeu estrutura reforçada, asas dobráveis, gancho de parada, trem de pouso naval e proteção adicional contra corrosão.

As versões terrestres MiG-29M/M2 incorporaram uma célula redesenhada, maior capacidade de combustível, controles digitais e novos aviônicos. Apesar do nome, esses aviões são consideravelmente diferentes dos primeiros MiG-29 produzidos durante a União Soviética.

MiG-29M do Egito

O passo seguinte foi o MiG-35, apresentado pela United Aircraft Corporation como um caça de geração 4++ derivado diretamente dos MiG-29K/KUB e MiG-29M/M2. O projeto acrescentou sistemas de informação mais recentes, sensores aperfeiçoados, novos armamentos e um complexo integrado de autoproteção.

MiG-35
MiG-35

Assim, a designação MiG-29 passou a representar duas grandes linhagens: as células soviéticas modernizadas por meio dos padrões S, SE, SD, SM e SMT; e uma nova geração estrutural formada pelos MiG-29K, MiG-29M e, posteriormente, pelo MiG-35.

O MiG-29 na guerra da Ucrânia

MiG-29 da Ucrânia

Quase meio século depois do primeiro voo, o MiG-29 voltou ao centro de um conflito de alta intensidade na guerra entre Rússia e Ucrânia.

A Força Aérea Ucraniana empregou seus aviões em missões de defesa aérea, escolta e ataque. Parte da frota foi adaptada para utilizar armamentos ocidentais, incluindo o míssil antirradiação AGM-88 HARM, apesar das diferenças entre a arquitetura soviética da aeronave e os sistemas norte-americanos.

Polônia e Eslováquia transferiram aeronaves e peças para reforçar a aviação ucraniana. Documento publicado pelo Escritório de Segurança Nacional polonês em 2026 registra a doação de 14 MiG-29 à Ucrânia, com as primeiras unidades entregues em março de 2023.

O emprego desses caças contra a própria Rússia é uma das ironias históricas da família: aeronaves concebidas para defender a União Soviética e enfrentar a OTAN passaram a operar com armamentos ocidentais contra forças russas.

MiG-29 ucraniano lançando míssil HARM

Um projeto marcado por qualidades e contradições

O MiG-29 original reunia soluções avançadas e limitações evidentes. Era extremamente perigoso no combate aproximado, possuía excelente desempenho aerodinâmico e podia operar a partir de bases austeras. Ao mesmo tempo, apresentava alcance relativamente limitado, elevada carga de trabalho na cabine e menor eficiência em combates conectados por redes.

Suas perdas em guerras não apagaram suas qualidades, mas demonstraram que manobrabilidade e desempenho individual não substituem treinamento, manutenção, comando e controle, apoio de inteligência e superioridade informacional.

MiG-29S do Uzbequistão – Foto: Anthony Pecchi

As modernizações procuraram responder exatamente a essas deficiências. O SD tornou o avião interoperável com a OTAN; o SM adicionou armas de precisão; o SMT ampliou combustível, radar e aviônicos; o K levou o projeto aos porta-aviões; e o MiG-35 transportou sua herança para uma célula profundamente redesenhada.

Mais do que um único modelo, o MiG-29 tornou-se uma família capaz de refletir diferentes momentos históricos: o poder industrial da União Soviética, a crise econômica russa dos anos 1990, a expansão da OTAN para o Leste Europeu, o crescimento do mercado de modernizações e o retorno da guerra aérea de alta intensidade ao continente europeu.■

Operadores da família de caças MiG-29
Países que receberam, herdaram ou operaram aeronaves da família Fulcrum
País / Estado Período de operação Quantidade recebida ou operada Principais versões Situação e observações
Europa e antiga União Soviética
União Soviética 1983–1991 Mais de 900 MiG-29 9.12, 9.13, MiG-29S/9.13S, MiG-29UB; protótipos MiG-29M e MiG-29K Operador original. A frota foi dividida entre Rússia, Ucrânia, Belarus, Cazaquistão, Moldávia, Turcomenistão e Uzbequistão.
Alemanha Oriental / Alemanha 1988–2004 24
20 monopostos + 4 bipostos
MiG-29A/9.12A, MiG-29UB; posteriormente MiG-29G e MiG-29GT Herdados pela Luftwaffe após a reunificação. Vinte e duas aeronaves foram transferidas à Polônia.
Belarus 1992–presente Cerca de 100 herdados
+ 4 da Rússia
9.12, 9.13, MiG-29UB e MiG-29BM Parte da frota foi vendida ou transferida para Argélia, Peru, Eritreia e Sérvia.
Bulgária 1989–presente 22
18 + 4 UB
MiG-29A/9.12A e MiG-29UB/9.51 Retirada gradual com a incorporação dos F-16 Block 70. A frota remanescente continua recebendo recursos de manutenção.
Cazaquistão 1992–2023 Pelo menos 36 MiG-29A/9.12 e MiG-29UB Herdou pelo menos 14 e recebeu aproximadamente 22 aeronaves adicionais da Rússia. Retiradas do serviço ativo em 2023.
Cchecoslováquia 1989–1992 20
18 + 2 UB
MiG-29A/9.12A e MiG-29UB A frota foi dividida igualmente entre República Tcheca e Eslováquia.
Eslováquia 1993–2022 24
10 herdados + 14 russos
MiG-29A, MiG-29UB, MiG-29AS e MiG-29UBS Doze aeronaves foram modernizadas para os padrões de comunicação, navegação e identificação da OTAN. Remanescentes enviados à Ucrânia em 2023.
Hungria 1993–2010 28
22 + 6 UB
MiG-29B/9.12B e MiG-29UB Recebidos da Rússia como pagamento de dívidas soviéticas. Substituídos pelo Saab Gripen.
Moldávia 1992–c. 1998 34 herdados MiG-29A/9.12, MiG-29C/9.13 e MiG-29UB Vendeu 21 aos Estados Unidos, seis ao Iêmen e uma aeronave à Romênia. As unidades restantes deixaram de ter capacidade operacional.
Polônia 1989–2026 44
36 monopostos + 8 UB
9.12A, MiG-29UB, MiG-29G e MiG-29GT, com modernizações polonesas Recebeu 12 da URSS, dez da República Tcheca e 22 da Alemanha. Parte foi transferida à Ucrânia; retirada final em curso.
República Tcheca 1993–1995 10 herdados 9 MiG-29A e 1 MiG-29UB Trocados com a Polônia por helicópteros PZL W-3 Sokół.
Romênia 1989–2003 22
21 originais + 1 moldavo
MiG-29A/9.12A e MiG-29UB Retirados por custos de operação e falta de recursos para modernização. O projeto MiG-29 Sniper não avançou.
Rússia 1992–presente Centenas
quantidade cumulativa não divulgada
9.12, 9.13, MiG-29S, SMT, UBT, MiG-29K e MiG-29KUB Herdou a maior parcela da frota soviética e recebeu aeronaves novas ou modernizadas. Opera versões terrestres e embarcadas.
Sérvia 2006–presente 15 no total
pico de 14 simultâneos
9.12A, 9.12B, 9.13, MiG-29UB e versões modernizadas Herdou cinco aeronaves iugoslavas, recebeu seis da Rússia e quatro de Belarus. Uma unidade foi perdida em acidente.
Turcomenistão 1992–presente 24 herdados 10 MiG-29A/9.12, 12 MiG-29/9.13 e 2 MiG-29UB Aeronaves originalmente pertencentes a unidades soviéticas de treinamento e combate estacionadas no país.
Ucrânia 1992–presente Cerca de 230–240 herdados
+ aeronaves da Polônia e Eslováquia
9.12, 9.13, MiG-29UB, MiG-29MU1 e MU2; exemplares ex-poloneses e ex-eslovacos Recebeu pelo menos duas dezenas adicionais de aliados da OTAN a partir de 2023. Parte da frota foi adaptada para armamentos ocidentais.
Uzbequistão 1992–presente 36 herdados 30 MiG-29A/9.12 ou 9.13 e 6 MiG-29UB Aeronaves provenientes do antigo 115º Regimento de Aviação de Caça soviético.
Iugoslávia 1987–2006 16
14 + 2 UB
MiG-29B/9.12B — L-18; MiG-29UB — NL-18 Empregados nas guerras dos Bálcãs e contra a OTAN em 1999. Cinco remanescentes passaram para a Sérvia.
Ásia
Bangladesh 1999–presente 8
6 + 2 UB
MiG-29SE/9.12SE e MiG-29UB Frota submetida a programas de revisão e extensão da vida útil em Belarus.
Coreia do Norte 1988–presente Cerca de 30 MiG-29/9.12B, MiG-29/9.13 e MiG-29UB Incluiu aeronaves entregues completas e kits montados localmente na fábrica de Panghyon.
Índia 1987–presente Cerca de 115
aprox. 70 terrestres + 45 navais
MiG-29/9.12B, MiG-29UB, MiG-29UPG, MiG-29K e MiG-29KUB Primeiro cliente estrangeiro. A Força Aérea modernizou 69 sobreviventes para o padrão UPG; a Marinha recebeu 45 aeronaves embarcadas.
Malásia 1995–2017 18
16 + 2 UB
MiG-29N e MiG-29NUB Configuração específica com equipamentos adaptados às necessidades malaias. Retirados devido aos custos de sustentação.
Mongólia 2019–presente 6 MiG-29UB Duas aeronaves doadas pela Rússia em 2019 e quatro unidades adicionais recebidas em 2021.
Myanmar 2001–presente Cerca de 31–32 MiG-29B, MiG-29SE, MiG-29SM(mod) e MiG-29UB Primeiro lote de aproximadamente 12 aeronaves, seguido por contrato para outras 20.
Oriente Médio e Cáucaso
Azerbaijão 2007–presente 15
12 + 3 UB
MiG-29/9.13 e MiG-29UB, com modernização ucraniana Adquiridos da Ucrânia e modificados antes da entrega.
Irã 1990–presente Cerca de 31–33 MiG-29/9.12B e MiG-29UB Comprou 20 monopostos e quatro treinadores. Incorporou entre sete e nove aeronaves iraquianas que fugiram para o Irã em 1991.
Iêmen 1994–c. 2015 Cerca de 24 MiG-29, MiG-29SE, MiG-29SMT, MiG-29UB e UBT Incluiu aeronaves moldavas e novos lotes russos. A frota foi paralisada e parcialmente destruída durante a guerra civil.
Iraque 1987–1995 37 MiG-29/9.12B e MiG-29UB Sofreu pesadas perdas em 1991. Sete ou mais aeronaves refugiaram-se no Irã; os sobreviventes foram retirados por falta de manutenção.
Síria 1987–2024 48 confirmados
algumas fontes citam até 64
MiG-29A/9.12B, MiG-29UB e aeronaves modernizadas ao padrão MiG-29SM Recebeu lotes nos anos 1980 e possivelmente aeronaves adicionais nos anos 1990. Grande parte da frota foi destruída após a queda do governo Assad.
África
Argélia 1999–presente Cerca de 45 MiG-29S/9.13, MiG-29UB e 14 MiG-29M/M2 Recebeu aproximadamente 31 aeronaves usadas e 14 MiG-29M/M2 novos. Um lote separado de SMT foi devolvido à Rússia e não é contado.
Egito 2017–presente 46 MiG-29M e MiG-29M2 Maior encomenda pós-soviética de uma versão avançada da família MiG-29.
Eritreia 1998–c. 2016 Cerca de 9 MiG-29/9.12, MiG-29SE e MiG-29UB Empregados contra os Su-27 etíopes. Pelo menos duas aeronaves foram abatidas; a capacidade posterior tornou-se incerta.
Sudão 2003/2004–presente 12 confirmados
fontes citam até 24
10 MiG-29SE/9.13B e 2 MiG-29UB; possível segundo lote A condição da frota é incerta devido às perdas, à manutenção limitada e à guerra civil sudanesa.
América Latina
Cuba 1989–c. 2024 14 confirmados
12 + 2 UB
MiG-29/9.12B e MiG-29UB A disponibilidade caiu progressivamente por falta de peças. Diretórios recentes deixaram de registrar exemplares ativos.
Peru 1997–presente 21
18 usados + 3 novos
MiG-29/9.13, MiG-29SE, MiG-29SMP e MiG-29UBP Dezoito aeronaves adquiridas de Belarus e três MiG-29SE comprados da Rússia. Oito foram modernizados para o padrão SMP/UBP.
Aquisição para testes e avaliação
Estados Unidos Desde 1997 21 14 MiG-29C/9.13, 6 MiG-29A/9.12 e 1 MiG-29UB Comprados da Moldávia para impedir possível transferência ao Irã e destinados à exploração técnica, inteligência e avaliação.
Israel 1997 3 emprestados MiG-29A/9.12, segundo relatos; configuração exata não divulgada Aeronaves temporariamente cedidas por um país do Leste Europeu para avaliação contra caças israelenses. Não constituíram frota operacional.
Notas metodológicas: os totais representam aeronaves recebidas, herdadas ou operadas ao longo de todo o período, e não o inventário atual. Os mesmos aviões podem aparecer em mais de uma linha após a dissolução de um país ou uma transferência internacional. Quantidades aproximadas refletem divergências entre registros públicos, perdas em combate, acidentes, armazenamento, canibalização e transferências não divulgadas.
Não incluídos: aeronaves russas apenas estacionadas em países terceiros, como os MiG-29 baseados na Armênia; aparelhos mobilizados na Líbia sem transferência comprovada à força aérea local; e vendas anunciadas, como as destinadas ao Sri Lanka e ao Vietnã, cuja entrega ou entrada em serviço não foi confirmada de forma independente.


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18 Comentários
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Fábio CDC

Sorte e Azar são coisas que não existem mas se existissem, bem, o MiG-29 seria o mais azarado caça de 4º Geração da história… Uma pena, é lindo, potente, tremendamente manobrável, dentre outras diversas qualidades!
.
E uma das suas infelicidades foi concorrer justamente com o soberbo F-16, ai sim partiu de vez a correia do chinelo.

Angus

Lembro ainda hoje da inveja que senti do Peru, quando adquiriu o Mig-29, sendo que a FAB na época utilizava o F-5 original e o Mirage III, quase “cegos”. Não sei nem se a FAB já tinha recebido pelo menos os Python III.

Antunes 1980

Não sei por quê, mas sempre tive a impressão de que o MiG-29 nunca esteve à altura da tradição da aviação de caça russa.

Na minha opinião, o Su-27 e todas as suas variantes representam muito melhor a essência da Rússia: são imponentes, intimidadores e transmitem a ideia de pura força bruta.

É uma pena que o MiG-29 tenha atravessado sua história cercado por tantos reveses e oportunidades perdidas.

Last edited 18 dias atrás by Antunes 1980
Cristiano ciclope

Mas é isso mesmo, por isso os Russos derem preferência aos SU-27 e derivados, o MiG só continuou devido necessidade de diversificar e manter os treinadores e o MIG-31 esse sim excepcional, na ativa!

Leonardo

O elevado número de MiG-29 abatidos devia-se ao deficiente treinamento de combate aéreo que os soviéticos e russos forneciam aos seus clientes. Embora houvesse necessidade de criar uma escola ao estilo “Top Gun” — ou *Topgunsky*, hehe 😎 — a liderança soviética tinha uma visão muito limitada e não demonstrava interesse na ideia; isto era muito semelhante à situação na Força Aérea dos EUA a partir da década de 1950 com o famoso Comando Aéreo Estratégico (SAC), que sempre priorizou as esquadrilhas de bombardeiros, enquanto minimizava ou subestimava as unidades de caça…

Antunes 1980

Será que procede a história que pilotos soviéticos durante uma das guerras árabes israelenses, levaram uma surra dos pilotos de Israel?

Fabio Araujo

Sim procede na ” Guerra de Atrito” e os israelenses na Operação Rimon 20 prepararam uma cilada em 30 de julho de 1970 e abateram 5 Mig-21 pilotados por soviéticos.

Leonardo

Posteriormente, o comando egípcio ficou decepcionado com os soviéticos. Após sofrerem pesadas baixas nas mãos dos israelenses, haviam solicitado ajuda aos soviéticos — mas, bem, a assistência prestada não foi muito eficaz.

Groosp

Os soviéticos criaram a Topgunsky, a unidade 1521º sediada no Turcomenistão. Inicialmente voavam MiG 21 e 23 e depois chegaram a voar MiG 29. Iriam receber Su-27 mas a URSS colapsou antes. A base ficava fora da Rússia e vários instrutores foram para as forças aéreas de suas repúplicas natais. Não sei se atualmente a Rússia tem algum esquadrão agressor. Os esquemas de pintura dos caças dessa unidade eram bem legais com direito a boca de tubarão.

Leandro Costa

Os Soviéticos nem sempre acertaram na aparência de seus aviões, mas quando acertam também, acertam em cheio! O MiG-29 é lindo demais!

E é um excelente avião. Nunca operou em condições nas quais pudesse realmente mostrar sua capacidade, mas ainda precisa ser muito respeitado.

Fabio Araujo

Teve os confrontos dos Mig-29 da Eritréia contra os SU-27 da Etiópia no conflito entre os dois países durante a Guerra de Badme (1998-2000), com ampla vantagem dos SU-27!

Clésio Luiz

Eu costumo valorizar caças pela eficiência da engenharia, independente da procedência. No caso do MiG-29, embora eu ache ele um caça muito atraente, considero uma oportunidade perdida. Ele é grande demais e caro demais (dentro da realidade soviética) para o papel de caça leve e barato, quando comparado com o primo Su-27. Não é a toa que após o colapso da URSS, quase todo mundo decidiu investir no Flanker, enquanto o Fulcrum foi o culpado do fim do domínio da MiG nas exportações de aeronaves soviéticas. Talvez se a MiG tivesse feito um monomotor menor e mais leve ele teria… Read more »

Groosp

Dizem que o Flanker custava pouca coisa a mais e por isso o Fulcrum era preterido. Os Fulcrum vendia na época da URSS porque o Flanker não estavam a venda. Com o fim da URSS essa restrição foi levantada. Um dos problemas do Fulcrum era o alcance muito curto nas versões iniciais, praticamente um caça de defesa de ponto.

Ivan Nascimento

Bom dia!

O problema das aeronaves soviéticas -russas , não é a aerodinâmica, design ; sempre foi a tecnologia embarcada e a conectividade com a estrutura externa, com outras aeronaves.

Pra mim , o MIG-29 e suas versões atualizadas ao longo dos anos 80, 90 e década de 2000, teve como adversarios o LOCKHEED MARTIN F-16 e DASSAULT AVIATION MIRAGE 2000.

O McDonell Douglas BOEING F-15 Eagle , foi uma resposta ao MIG-25 Foxbat, que após o caso da deserção de Viktor Belenko pro Japão, os americanos verificaram que na verdade, era um interceptador de grande velocidade e altitude.

Abraço!

Antunes 1980

Estima-se que haja entre 700 e 750 unidades do MiG-29 em operação no mundo, somando todas as variantes (como MiG-29A, UB, SMT, K, UPG e SMP). Dados do relatório World Air Forces 2026, da FlightGlobal, apontam aproximadamente 728 aeronaves ativas, posicionando o modelo como o sexto caça mais numeroso em serviço globalmente. Além disso, a previsão é de que algumas versões continuem operacionais até 2035.

José Gregório

Que lindas fotos!!!!! Adoro esse avião.
OFF-TOPIC: F-16 ucraniano abate Su-35 russo pela primeira vez e Pentágono confirma vitória histórica em combate aéreohttps://x.com/KpsZSU/status/2074835884944277907
Argentina na frente, comprou o melhor que dava no momento e acertou em cheio.

Alecs

Off topic: https://www.yahoo.com/news/us/articles/top-us-general-says-ukraines-142931739.html

Vai começar o mi mi mi. Aja lenço para enxugar tanto choro!

Ivan Nascimento

Bom dia AEREO JOR!

Sempre entendí que o MIG-29 ( e suas evoluções ), foi e é adversario e da mesma geração do LOCKHEED MARTIN F-16 Fighting Falcon e DASSAULT AVIATION MIRAGE 2000.

O McDonnell Douglas BOEING F-15 Eagle foi uma resposta ao , até então “sombrio’ MIG-25 FoxBat.

Quando em 1976 , Viktor Belenko apresentou ao ocidente no Japão um aparelho fantástico, mas não um caça puro, e sim um interceptador para engajar o LOCKHEED MARTIN SR-71 BlackBird.

Abraço