Reino Unido, Itália e Japão assinam novo contrato de £4,6 bilhões para o desenvolvimento do caça GCAP
O programa internacional para desenvolver o caça de nova geração do Reino Unido, Itália e Japão recebeu um novo impulso com a assinatura de um contrato de £4,6 bilhões com a Edgewing, joint venture trinacional responsável pelo projeto da aeronave no âmbito do Global Combat Air Programme (GCAP).
O contrato foi concedido pela GCAP Agency, organização que administra o programa em nome dos três governos, e terá duração de 18 meses, de 1º de julho de 2026 a 31 de dezembro de 2027. O acordo permitirá concluir a fase avançada de conceito e avaliação, além de aprofundar os trabalhos conjuntos de desenho detalhado e desenvolvimento da aeronave.
Este é o segundo contrato internacional conjunto do GCAP. Em abril de 2026, a GCAP Agency já havia firmado um primeiro contrato de £686 milhões com a Edgewing, voltado a atividades iniciais de engenharia e desenho. A nova etapa amplia significativamente o financiamento e dá continuidade ao desenvolvimento integrado do caça.
O GCAP foi lançado em 2022 por Reino Unido, Itália e Japão com o objetivo de colocar em serviço, por volta de 2035, um caça furtivo de sexta geração. A aeronave deverá substituir o Eurofighter Typhoon na Royal Air Force e na Aeronautica Militare italiana, além de suceder o Mitsubishi F-2 na Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF).
A Edgewing reúne a britânica BAE Systems, a italiana Leonardo e a japonesa Japan Aircraft Industrial Enhancement Co. (JAIEC), apoiada pela Mitsubishi Heavy Industries. A empresa tem sede no Reino Unido e atua como contratante principal trinacional e autoridade de projeto da aeronave.
O novo contrato ocorre poucos dias depois de Londres confirmar £8,6 bilhões para o GCAP ao longo de quatro anos no novo Defence Investment Plan. A decisão britânica era considerada essencial para destravar a próxima fase do programa, depois de meses de incerteza orçamentária que preocupavam os parceiros italiano e japonês.
Segundo o ministro britânico de prontidão de defesa, Luke Pollard, a assinatura do contrato ao lado de Itália e Japão representa “um grande passo” rumo à entrega de um caça furtivo de ponta para os pilotos dos países participantes.
O CEO da GCAP Agency, Masami Oka, afirmou que o novo acordo permitirá ao programa continuar avançando em todas as áreas de entrega, compartilhando custos, vantagens tecnológicas e criando empregos altamente qualificados nos três países. O CEO da Edgewing, Marco Zoff, destacou que o contrato reflete a confiança dos governos na estrutura trinacional criada para conduzir o projeto.
O futuro caça deverá incorporar tecnologias de baixa observabilidade, sensores avançados, integração de dados, comunicações seguras, maior alcance e capacidade de operar em conjunto com plataformas não tripuladas. Segundo a Reuters, a BAE Systems já indicou que o GCAP deverá ser de três a quatro metros mais longo que o Typhoon e projetado para voar a distâncias maiores.
O programa também é visto como um instrumento industrial e geopolítico. Ao dividir custos e riscos, os três países buscam preservar competências nacionais em aviação de combate, ampliar oportunidades de exportação e criar uma alternativa ao domínio norte-americano e aos programas europeus rivais.
Na Itália, o Parlamento já aprovou €8,77 bilhões para as fases iniciais do GCAP, com recursos previstos até 2037. Estimativas italianas apontam que os custos iniciais do programa poderão chegar a €18,6 bilhões, refletindo o aumento das despesas com maturação tecnológica, testes, desenvolvimento e projeto.
O avanço do GCAP ocorre em um momento de incerteza em outros programas europeus de combate aéreo de nova geração. A Reuters observa que a turbulência em torno do projeto franco-alemão de caça do futuro pode tornar mais provável o interesse de outros países em se aproximar do GCAP. Alemanha, Arábia Saudita e Canadá já foram citados como possíveis interessados em diferentes níveis de participação.
Para o Japão, o programa tem importância estratégica particular. O Ministério da Defesa japonês afirma que a superioridade aérea é essencial para a defesa do país e que depender totalmente de outros Estados nesse domínio poderia comprometer a iniciativa operacional. O desenvolvimento conjunto com Reino Unido e Itália também é visto por Tóquio como forma de preservar sua base industrial e tecnológica de caças.
Com o contrato de £4,6 bilhões, o GCAP entra em uma fase mais estruturada de desenvolvimento. A próxima etapa será transformar conceitos, tecnologias e requisitos nacionais em um projeto comum viável, capaz de atender às necessidades operacionais de três forças aéreas diferentes e manter o cronograma de entrada em serviço em 2035.
O desafio será conciliar ambição tecnológica, custos crescentes e governança trinacional. Mas a assinatura do novo contrato indica que Reino Unido, Itália e Japão pretendem acelerar o programa e consolidar o GCAP como um dos principais projetos globais de aviação de combate da próxima década.■

€18,6 bilhões só para Italia?
Isso.
O custo total da coisa pode superar os E$ 40 bi.
Obrigado foi o que eu pensei.
As estimativas indicam que o custo total de desenvolvimento do F47 pode chegar a US$ 100 bi.
do F35 foi cercade 40 bilhões, que salto hein
Em dinheiro de hoje seriam U$ 75 bi para o F-35. Se somarmos o desenvolvimento do Block 4 (U$ 16 bi), os custos de desenvolvimento do F-35 passa de U$ 90 bi, mas ai já incluiria atualizações ao longo da vida. A Itália declarou 18,6 bi de euros o que da cerca de U$ 21 bi. Considerando que a divisão da joint venture é igualitária (33,3% para cada país), poderíamos estimar o custo total sendo 3x isso. Mas considerando que a Itália pretende comprar uma frota menor, podemos estimar 20 à 25% dos custos de desenvolvimento para a Itália e… Read more »
Daí vc tem uma noção de que retenção de recursos para o Gripen é um nada.
É a saída: somar capacidades, dividir custos e multiplicar resultados.
Esse aviãozinho já nasce com um mercado potencial de no mínimo umas 300 unidades, sem falar em outros países que possam adquirí-lo a longo prazo.
Ninguém pode (nem deve) fazer nada sozinho.
Falta a Alemanha entrar.
Penso que o timing foi justamente por causa da Alemanha. Com o fim do FCAS, a Alemanha se verá pressionada a aderir e as partes do GCAP assinam este acordo para marcar posição quanto ao percentual industrial de suas indústrias. Se os alemães de fato aderirem, sua indústria provavelmente terá uma participação menor que a dos parceiros originais de primeira hora.
Alemanha ia agregar em quê? Nada, só tem dinheiro, a questão do Dinheiro aperta, mas os alemães iam querer uma fatia do bolo, e até entre os 3 existe briga por fatias
Santa ignorância, chega a ser cómica, essa pergunta/resposta.
Troque a Inglaterra pela Alemanha e tristes lembranças retornarão…
Um é pouco, dois é bom, três é o máximo para administrar, comandar e decidir em uma sociedade dessa magnitude. Esse trio Inglaterra, Itália e Japão é altamente tecnológico, perfeiro, excelente e suficiente. Se quiserem adicionar mais, só como participantes financeiros no máximo com direito a preferência prioritária nas aquisições dos aparelhos mas sem direito a participação na administração, decisões ou operações. Cada participante associado poderia até participar só e apenas como “conselheiro” e sem direito a interferências. Vejam o que aconteceu com o projeto da França, Alemanha e Espanha, sem entendimento e coerência nas opiniões acabou antes de começar.… Read more »
“Reino Unido, Itália e Japão assinam novo contrato de £4,6 bilhões para o desenvolvimento do caça GCAP”.
Aparentemente parece um grupo menos problemático do que Alemães,franceses e espanhois com seu programa conjunto FCAS (Future Combat Air System)…
Só faltaria nesse Grupo os suecos e sua Saab.
Já tem países demais nesse barco. Somar muitos parceiros significa diminuir a participação industrial das partes.
Além dos três citados? Você acha que é suficiente para um projeto com essa ambição?
Considerando apenas a disputa industrial entre as partes, é gente demais. Se considerar os desafios de um caça de 6ta geração, pode ser que necessitem mais parceiros. Porém, quanto mais gente, menor a lucratividade pra indústria dos respectivos países. Se Alemanha, e talvez Espanha, vierem a compor o massa, mais complicado fica. Imagino que uma situação análoga ao A400 possa se repetir, onde os países disputam á tapas entre si cada parcela de fabricação da aeronave.
Era pra termos programas conjuntos desse jeito na América do Sul, mas sabemos que é muito complicado por causa das instabilidades políticas e econômicas. Não há projetos de Estado, mas planos que mudam de acordo com o novo governo.
Se juntasse Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Peru (deixando de lado pequenas diferenças e disputas), poderiam surgir projetos interessantes de fragatas, caças e carros de combate. Os altos custos de desenvolvimento e produção seriam diluídos pela maior quantidade de pedidos e pelo financiamento conjunto.
Não creio que nem os 5 países juntos tenham a disponibilidade de recursos necessários para projetar e desenvolver um caça, principalmente considerando que nem a Embraer tem essa capacidade. Mesma coisa para um navio tipo “fragata”. Talvez um carro de combate médio possa sair do papel. Mesmo assim os países da América do Sul não são confiáveis ao ponto de se acreditar que um projeto de 20/30 anos tenha o resultado esperado. Basta lembrar da “participação da Argentina” no KC-390. A solução para o Brasil é seguir no caminho feito com o Guarani, Tamandaré e Gripen, projetos prontos, nacionalizando uma… Read more »
Recursos tem. Falta é vergonha na cara da classe política, entendimento da necessidade pela população e outros fatores nessa linha.
Creio que ao menos de canhões e obuses deveriamos ter, e de forma autônoma, sem depender da boa vontade de cooperação dos vizinhos.
Qual país fabrica motores, aviônicos, radares, etc na América do Sul? Mesmo o Brasil, que tem de longe a indústria aeronáutica mais avançada, não domina tecnologias críticas nestes aapectos.
“Se juntasse Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Peru (deixando de lado pequenas diferenças e disputas), poderiam surgir projetos interessantes de fragatas, caças e carros de combate”. Eu convidaria Guiana, economicamente eles estão se desenvolvendo bastante. A Guiana é a economia que mais cresce no mundo. Impulsionada por descobertas massivas de petróleo em 2015 e extração iniciada em 2019, a produção chegou a quase 930.000 barris diários. O PIB quadruplicou desde 2020, projetando-se um crescimento real do PIB de 2\% em 2026 O país registrou taxas de crescimento anuais expressivas, como 3% em 2022, 8% em 2023,8% em 2024 e estabilizou-se… Read more »
Você quer somar a Guiana em projetos de desenvolvimento de caças de nova geração, MBTs, mísseis etc?
Enquanto países de primeiro mundo olham para futuro nossas forças amadas ficam no discurso e protocolo de entendimento! Quando que sistema de segurança responsável vai olhar para futuro?
A realidade é uma só : continuamos dormindo em berço esplêndido .
Kkkkkk só pra roubar, kkkkkk praque gastar milhões enquanto o mais barato é eficiente, basta ter qualidade.
Os custos são astronômicos mesmo para países desenvolvidos, que ao contrário da gente, optaram (como estratégia de defesa) por forças enxutas e altamente equipadas.