EUA avaliam ampliar compartilhamento nuclear da OTAN para o flanco leste, com Polônia como principal candidata
F-35A lança bomba nuclear B61 durante testes
Os Estados Unidos estão avaliando a possibilidade de expandir a rede de compartilhamento nuclear da OTAN para países adicionais da Europa, em uma mudança que poderia deslocar parte da infraestrutura de dissuasão da Aliança para mais perto das fronteiras da Rússia pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria.
A possibilidade foi revelada pelo Financial Times e ocorre em meio à revisão da postura militar convencional dos Estados Unidos na Europa. Washington discute reduções de efetivos e capacidades no continente, mas busca preservar a credibilidade da dissuasão nuclear da OTAN diante de uma Rússia mais assertiva após a guerra na Ucrânia.
Segundo a Reuters, que reproduziu o relato do jornal britânico, autoridades norte-americanas sinalizaram abertura para ampliar os arranjos existentes para além dos atuais países europeus que participam da missão nuclear da OTAN. A discussão envolveria o eventual emprego de aeronaves de dupla capacidade, conhecidas como DCA (sigla em inglês para Dual-Capable Aircraft), capazes de realizar missões convencionais e nucleares.
A Polônia aparece como a candidata mais provável em uma eventual expansão. Varsóvia combina forte apoio político à dissuasão nuclear da OTAN, investimentos crescentes em infraestrutura militar e a incorporação de caças furtivos F-35A, aeronaves que, em versões certificadas, podem integrar missões nucleares com bombas B61 norte-americanas.
A expansão para o leste, caso aprovada, não implicaria necessariamente um aumento no número total de armas nucleares dos Estados Unidos na Europa. O objetivo seria ampliar a flexibilidade operacional da OTAN, reforçar a presença dissuasória no flanco oriental e dificultar o planejamento militar russo em caso de crise.
Atualmente, a missão de compartilhamento nuclear da OTAN envolve países europeus que abrigam ou apoiam a operação de bombas nucleares táticas norte-americanas sob controle dos Estados Unidos. Em tempos de paz, as armas permanecem sob custódia norte-americana. Em caso de conflito, seu emprego dependeria de decisões políticas na estrutura da Aliança e da autorização dos Estados Unidos.
O debate ganhou força em um momento de incerteza quanto ao papel tradicional dos Estados Unidos na defesa europeia. A administração norte-americana discute a retirada de aproximadamente 5.000 militares da Alemanha, o que provocou preocupação entre aliados e parlamentares dos EUA por seu possível impacto na dissuasão contra a Rússia.
Para Washington, uma eventual expansão do compartilhamento nuclear poderia funcionar como compensação estratégica parcial a uma presença convencional menor. A lógica seria manter o guarda-chuva nuclear norte-americano como elemento central da defesa da OTAN, enquanto os aliados europeus assumem maior responsabilidade por forças convencionais, defesa aérea, artilharia de longo alcance, logística e mobilidade militar.
A Polônia tem defendido, há anos, uma postura mais robusta da OTAN no leste europeu. O país ampliou significativamente seus gastos militares, comprou sistemas norte-americanos e sul-coreanos, modernizou sua força aérea e tornou-se um dos principais apoiadores da Ucrânia desde a invasão russa de 2022. Em março, o primeiro-ministro Donald Tusk afirmou que Varsóvia não pretende permanecer passiva em matéria de segurança nuclear e que busca maior autonomia futura nessa área.
A chegada dos F-35A poloneses fortalece a posição de Varsóvia no debate. A Polônia encomendou 32 aeronaves F-35A, batizadas localmente como “Husarz”, para substituir gradualmente parte de sua frota de combate herdada da era soviética e complementar os F-16 já em operação. Embora a compra polonesa tenha sido anunciada originalmente como parte da modernização convencional da Força Aérea, o F-35A é uma das plataformas centrais da futura arquitetura nuclear da OTAN.
Uma eventual participação polonesa na missão nuclear exigiria, contudo, decisões políticas sensíveis, certificações técnicas, treinamento específico, adaptação de bases aéreas, instalação de sistemas de segurança e aprovação pela estrutura aliada. Também provocaria uma forte reação de Moscou, que há anos acusa a OTAN de avançar sua infraestrutura militar em direção às fronteiras russas.
A Rússia já utiliza a presença militar da OTAN no Leste Europeu como justificativa para reforçar seu próprio dispositivo estratégico. A movimentação de armas nucleares táticas russas para Belarus e a militarização de Kaliningrado aumentaram a percepção de vulnerabilidade entre os aliados orientais da Aliança, especialmente na Polônia, Lituânia, Letônia e Estónia.
Do ponto de vista militar, a transferência de parte da infraestrutura nuclear para o leste poderia reduzir os tempos de resposta, ampliar opções de dispersão e tornar mais difícil para a Rússia neutralizar a capacidade nuclear aérea da OTAN em um primeiro ataque. Por outro lado, críticos alertam que a medida também poderia aumentar os riscos de escalada, encurtar distâncias estratégicas e transformar bases no flanco leste em alvos prioritários em caso de crise.■

A Rússia não vai gostar nada disso
A Polônia será atacada.
Os russos não vai aceitar um país nuclear na sua fronteira.
como não aceitaram a Turquia…
Mas os EUA possuem armas nucleares na Turquia…..
ironia…
A Polônia ganhou um belo alvo nas costas…
Os Estados Unidos vão fazer com a Polônia o mesmo que fizeram com a Ucrânia. Os ucranianos estão pagando um preço altíssimo pela rivalidade entre os EUA e a Rússia; viraram bucha de canhão. Os EUA nem cócegas sentiram ou sentem. Os poloneses precisam ficar muito atentos para não sofrerem o mesmo destino.
houveram dois senhores que pensaram dessa forma em 1939. Um lá conseguiu passar pelos pingos da chuva, o outro não teve a mesma sorte.
Pode desenvolver um pouco mais o seu pensamento? Confesso não ter entendido.
Uma excelente noite a todos os senhores camaradas do Forte e Trilogia.
Bem…a Bielorussia já tem as suas, agora corre o risco, ainda que pequeno de Moscou ofertar algumas nukes paraCazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão. A final de contas eu já não duvido mais nada da humanidade e seus governantes ou inertes ou agitados demais e a sociedade como um todo preocupada digamos…com a Copa do Mundo de futebol e outras banalidades.
Sgtº Moreno
O problema é que se a Rússia entregar artefatos nucleares para países de sua esfera de influência como os da Ásia Central, é ela que perde poder nesses países,tipo se is países saírem da linha não tem como ela fazer oque fez na Ucrânia.
Agora nada empede de Moscou repassar armas nucleares, para Mianmar,Irã, Argélia, arábia saudita, emirados arabes,aí sim esses atinge os EUA e otan,ninguém atacaria Irã se essa já tivesses Nukes e meios de lançamento.