Militares de F-35 são condecorados por operações de combate no Irã e no Iêmen
Mais de uma dezena de militares da Força Aérea dos Estados Unidos foi condecorada por ações de combate realizadas no Oriente Médio em 2025, durante as operações Midnight Hammer e Rough Rider. Ao todo, 18 integrantes da 388th Fighter Wing, unidade baseada na Hill Air Force Base, em Utah, receberam seis Distinguished Flying Crosses e 15 Bronze Star Medals por sua participação nas campanhas.
As medalhas foram entregues, em sua maioria, em 21 de maio, durante cerimônia realizada na Hill Air Force Base, sede da ala equipada com caças F-35A Lightning II. Entre os homenageados estão pilotos, mantenedores e militares de apoio que atuaram em missões de ataque, sustentação operacional e resposta a ameaças em bases avançadas.
A Força Aérea divulgou poucos detalhes sobre as ações específicas que motivaram as condecorações. A Distinguished Flying Cross é concedida por heroísmo ou realização extraordinária em voo e está entre as mais importantes honrarias militares norte-americanas por bravura em operações aéreas. Já a Bronze Star Medal reconhece atos heroicos ou serviço meritório em combate contra inimigo armado.
Segundo a 388th Fighter Wing, as Distinguished Flying Crosses concedidas a pilotos de F-35 envolveram missões tanto na Operação Midnight Hammer, os ataques contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025, quanto na Operação Rough Rider, campanha aérea conduzida contra os houthis no Iêmen durante a primavera daquele ano.
A 34th Expeditionary Fighter Squadron foi enviada ao Oriente Médio com curto prazo de preparação no fim de março de 2025 para participar da Rough Rider. Menos de 24 horas após chegar ao teatro de operações, seus F-35 já estavam realizando missões de combate.
Durante a campanha de 52 dias contra os houthis, as forças norte-americanas enfrentaram um ambiente de ameaça crescente. Os rebeldes lançaram mísseis superfície-ar que derrubaram mais de meia dúzia de drones MQ-9 Reaper e chegaram perto de atingir dois pilotos de F-16, posteriormente condecorados com a Silver Star por escaparem de seis mísseis durante uma missão de proteção a bombardeiros B-2 que atacavam posições de mísseis balísticos houthis.
Também houve outros incidentes envolvendo caças norte-americanos e mísseis superfície-ar durante a campanha. A Força Aérea afirmou anteriormente que a 388th Fighter Wing contribuiu para ataques que destruíram sistemas de defesa aérea houthis, instalações de comando e controle, depósitos de armas, mísseis superfície-ar e capacidades de mísseis balísticos.
Os F-35A da unidade também obtiveram os primeiros abates de drones de ataque unidirecionais registrados pelo modelo, reforçando o papel da aeronave em missões de defesa aérea, proteção de forças e combate contra ameaças assimétricas.
Pouco depois, os F-35 da 34th Expeditionary Fighter Squadron participaram de uma das missões aéreas mais sensíveis do ano: a Operação Midnight Hammer. Segundo oficiais da Força Aérea, os caças foram as primeiras aeronaves norte-americanas a entrar no espaço aéreo iraniano durante a escolta de sete bombardeiros furtivos B-2 Spirit, encarregados de atacar instalações nucleares em Fordow e Natanz em 22 de junho de 2025.
A missão dos F-35 era suprimir defesas aéreas inimigas e proteger o pacote de ataque. O comandante do esquadrão, tenente-coronel Aaron Osborne, afirmou que os caças empregaram armamentos com grande efeito contra posições de mísseis superfície-ar enquanto eram alvo de sistemas avançados iranianos. Segundo ele, a operação demonstrou a capacidade do F-35 de detectar, neutralizar e derrotar ameaças para as quais foi projetado.
Um oficial de armamentos da 34th Expeditionary Fighter Squadron, cuja identidade não foi divulgada publicamente, atuou como comandante geral da missão Midnight Hammer. De acordo com oficiais da ala, os F-35 da Hill Air Force Base também foram os últimos jatos norte-americanos a deixar o espaço aéreo iraniano.
Embora autoridades militares dos EUA tenham afirmado que as aeronaves norte-americanas não foram atingidas por fogo inimigo durante o ataque, as forças no teatro se prepararam para uma provável retaliação iraniana com mísseis balísticos ou drones. Após a operação, unidades norte-americanas passaram a operar sob condições de alerta, dispersando aeronaves e pessoal e preparando resposta a possíveis ataques, inclusive evacuações médicas.
O Irã acabou retaliando contra a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, uma das principais instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.
A Midnight Hammer mobilizou cerca de 125 aeronaves. Além dos F-35A, participaram da missão caças F-22 Raptor, F-16 Fighting Falcon, aeronaves-tanque e outros meios de apoio. Os B-2 lançaram 14 bombas penetrantes GBU-57 Massive Ordnance Penetrator, usadas contra alvos subterrâneos fortificados.
Pilotos de F-16 da 20th Fighter Wing, baseada na Shaw Air Force Base, na Carolina do Sul, e militares da 92nd Air Refueling Wing, de Fairchild Air Force Base, no estado de Washington, também receberam Distinguished Flying Crosses por suas ações na operação.
Além da escolta aos bombardeiros, os F-35 também forneceram cobertura aérea para navios da Marinha dos Estados Unidos operando na região, segundo oficiais da 388th Fighter Wing.
Das 15 Bronze Stars concedidas a militares da ala, três pilotos receberam tanto a Distinguished Flying Cross quanto a Bronze Star. Outros pilotos, mantenedores e militares de apoio, em sua maioria praças, foram homenageados pelo papel desempenhado na sustentação das operações.
De acordo com a 388th Fighter Wing, os mantenedores e equipes de apoio receberam as Bronze Stars por viabilizarem missões críticas de ataque durante a Operação Rough Rider e por apoiarem a Midnight Hammer. As medalhas também reconhecem o serviço em locais avançados não divulgados e a atuação sob ameaça de ataques inimigos.
A 34th Fighter Squadron já havia recebido anteriormente o Raytheon Trophy, concedido ao melhor esquadrão de caça da Força Aérea dos EUA, por seus desdobramentos ao Oriente Médio e por ações realizadas no Indo-Pacífico no mesmo período.
Durante a cerimônia de premiação, o coronel Christopher Hubbard, comandante interino da 388th Fighter Wing, afirmou que as medalhas reconhecem a bravura e o sacrifício dos militares, mas também o trabalho coletivo necessário para tornar essas missões possíveis. Segundo ele, as conquistas dos pilotos só ocorreram porque uma equipe inteira garantiu a prontidão, a sustentação e a execução das operações.■



