Red Wolf

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Programa busca ampliar capacidade de ataque em larga escala com armamentos mais acessíveis e de longo alcance

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) planeja investir mais de US$ 12,6 bilhões nos próximos cinco anos para adquirir cerca de 28 mil mísseis de cruzeiro de baixo custo, como parte do programa Family of Affordable Mass Munitions (FAMM). A iniciativa visa ampliar significativamente a capacidade de ataque em cenários de conflito de alta intensidade, com foco em adversários como a China.

Produção em escala e aumento progressivo

De acordo com documentos orçamentários recentes, a aquisição será gradual, começando com um pedido inicial de US$ 355 milhões para mil mísseis em 2027, seguido por um aumento expressivo nos anos seguintes:

  • 2028: US$ 1,85 bilhão (5.300 mísseis)
  • 2029: US$ 2,3 bilhões (5.920 mísseis)
  • 2030: US$ 4,03 bilhões (7.700 mísseis)
  • 2031: US$ 4,13 bilhões (7.990 mísseis)

O objetivo é garantir volume suficiente para sustentar operações prolongadas e atingir um grande número de alvos — potencialmente mais de 100 mil em um conflito de grande escala.

Mísseis mais baratos e versáteis

O programa FAMM busca complementar os armamentos de alta tecnologia — e alto custo — já existentes, como o JASSM-ER, com alternativas significativamente mais baratas. Enquanto mísseis avançados podem custar cerca de US$ 1,5 milhão por unidade, os novos modelos têm como meta preços na faixa de US$ 100 mil por unidade.

Os mísseis serão divididos em duas categorias:

  • Munições “lugged”: transportadas por caças e bombardeiros
  • Munições paletizadas: lançadas em lote a partir de aeronaves de transporte

A versão paletizada é considerada prioridade inicial pela USAF.

Alcance ampliado e novos requisitos

Inicialmente, o programa prevê mísseis com alcance entre 250 e 500 milhas (400 a 800 km). No entanto, a Força Aérea já sinaliza interesse em versões futuras com alcance superior a 1.200 milhas (cerca de 1.900 km).

Um aviso recente do Air Force Life Cycle Management Center solicita propostas da indústria para um míssil de cruzeiro capaz de:

  • atingir velocidades superiores a 537 mph (cerca de 860 km/h)
  • receber atualizações de navegação em voo
  • engajar alvos marítimos e terrestres

Além disso, o armamento deverá ser compatível com múltiplas plataformas — incluindo aeronaves, navios e lançadores terrestres do Exército.

Integração multidomínio

O conceito do FAMM prevê uma arma única, modular e adaptável, capaz de operar em diferentes domínios. Isso inclui lançamentos:

  • de caças e bombardeiros
  • por meio de pallets em aeronaves de transporte
  • a partir de navios da Marinha
  • e de sistemas terrestres

Essa flexibilidade busca simplificar a logística e ampliar o emprego em operações conjuntas.

Base em programas experimentais

A abordagem paletizada deriva do programa experimental Rapid Dragon, que demonstrou a capacidade de transformar aeronaves de transporte, como C-130 e C-17, em plataformas de lançamento de mísseis.

Testes anteriores comprovaram a viabilidade do lançamento de mísseis JASSM-ER a partir de pallets lançados por paraquedas, com ignição em voo e engajamento de alvos.

Corrida industrial

O programa já impulsiona uma intensa competição entre empresas de defesa, com diversos projetos de mísseis de baixo custo sendo apresentados, incluindo:

  • Barracuda (Anduril)
  • Red Wolf (L3Harris)
  • Black Arrow (Leidos)
  • Rusty Dagger (Zone 5)
  • RAACM-ER (CoAspire)

Alguns desses modelos já prometem alcance superior a 1.200 milhas e lançamento a partir de múltiplas plataformas.■

RAACM-ER (CoAspire)
Rusty Dagger (Zone 5)
Black Arrow (Leidos)
Barracuda (Anduril)

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Luciano

Imagine o KC-390 sendo usado como lançador de misseis de cruzeiro!

JuggerBr

100 mil por míssil, é um valor bem mais acessível, resta saber se vão conseguir manter este custo, os EUA são conhecidos por custos sempre bem acima do orçamento previsto.

Hamom

Creio que vc se enganou na leitura e fez a conta com o valor de 2,6 bilhões, em vez de 12,6…

US$ 12,6 bilhões / 27.910 mísseis = US$ 451,4 mil por míssil.
*(Valor de uma média geral, só levado em conta os números totais)

Last edited 1 dia atrás by Hamom
Felipe M.

Esse valor “próximo a U$ 100 mil” é citado no texto.

Hamom

 “…os novos modelos têm como meta preços na faixa de US$ 100 mil por unidade.”

Parece uma meta futura, porque não bate com o valor do programa e numero total de mísseis divulgados.

Ou talvez os mísseis mais baratos sejam 100 mil e outros bem mais caros , resultando nos números totais divulgados pela matéria. sei lá…

BlackRiver

OFF
Relatório aponta que França ainda é potência militar mas depende cada vez mais de aliados, principalmente dos EUA
Risco crescente de dependência militar externa na França também acende alerta estratégico na Europa.

JCuritiba

US$100.000,00 sendo considerado pela baixo custo pela USAF. Obviamente em termos de custos militares o ceu é o limite e entendemos as engrenagens da industria de lá, mas… coitado do contribuinte estadunidense.

curisco

O bom e velho complexo militar felicíssimo

JPC

Na verdade são empresas novas, oferecendo uma solução 60% a 80% mais barata que os mísseis de cruzeiro tradicionais.

curisco

continua o mesm complexo

JPC

Complexo militar querendo ganhar dinheiro a todo custo não é privilégio dos EUA. Existe em outros países, não dizem no YouTube porque não interessa para eles que o público saiba.

JPC

É baixo para um míssil de cruzeiro. Drones são mais baratos, porém, a maioria é derrubada. Frequentemente são necessários 10 ou 12 unidades para atingir um alvo, drone custa 50 mil cada mas na verdade custa 400 mil ou 500 mil porque precisa de muitos. Até helicópteros derrubam drones iranianos com metralhadoras.

Last edited 1 dia atrás by JPC
Mauricio R.

É, mas vai ficar somente na imaginação.

Rodrigo F.

O FAMM é uma das iniciativas mais importantes da USAF em anos, não porque cria uma “superarma”, mas porque tenta resolver o problema que mais assombra as forças ocidentais: como sustentar uma guerra de alta intensidade sem esgotar munições de precisão em poucas semanas. Uma arquitetura de massa, saturação e reposição industrial.

E não podemos confundir “affordable” com “cheap”. Em procurement militar, “affordable” não significa necessariamente barato; significa produzível em massa dentro de uma curva orçamentária aceitável.

Last edited 2 dias atrás by Rodrigo F.
BlackRiver

👏 👏 👏

JPC

E comparado com outros mísseis que custam acima de um ou dois milhões são baratos mesmo. Além muito mais fáceis de produzir.

ricardo

é….. a guerra com o Irã fez muita gente mudar.

José Joaquim da Silva Santos

O resumo disso que vc falou em poucas palavras:

O Irã estava certo !

Quero crer quem tem pessoas aqui no Brasil que estão atentas a nova realidade.

Rinaldo Nery

Atentas estão. Só não têm a chave do cofre.

JPC

Na verdade foi a guerra da Ucrânia e a China.

JPC

Já estavam trabalhando nisso há alguns anos.

Cassini

É a tendência. A guerra russo-ucraniana e a agressão contra o Irã demonstraram que grandes e pesados mísseis de cruzeiro e balísticos duram só até os primeiros meses da guerra de alta intensidade, sendo essencial complementar tal armamento estratégico com outros menores e mais baratos e de finalidade tática: bombas, drones, foguetes e todo tipo de munição guiada.

José Joaquim da Silva Santos

Meses ?! Hahaha

curisco

Boa e velha guerra assimétrica.

EUA sempre querem equipamentos high-high-high .

A China está comprando 1 milhão de drones de 10k dolares cada. Isto é, pelo mesmo custo, 40x mais armas.

Obs: sei que drones e mísseis tem perfis de missão e operação diferentes. MAs 40 x 1 ainda faz diferença quando se sabe que parte considerável dos alvos nem valem o custo de serem acertados.

JPC

Só que drones são mais fáceis de abater e os americanos operam longe de casa. Transportar milhares de drones para saturar as defesas do inimigo é um problema logístico. Isso não acontece com quem luta no próprio território.

curisco

pois é. mas os conflitos modernos mostraram que vitórias estratégicas como está sendo a do Irã podem ser obtidas assim. E guerra se vence com tropas no chão.

JPC

Depende do que se considera vitória. Irã vai vencer, mas ao mesmo tempo foi arrasado e tem uma crise econômica fortíssima. Ninguém quer isso. Vai ter vitória estratégica por erro estratégico do Trump só que a situação deles é péssima.