Aeronaves russas MS-21, SJ-100 e Il-114 concluem testes de certificação em condições reais de gelo

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UAC - 2

A estatal russa United Aircraft Corporation (UAC), parte do conglomerado Rostec, concluiu o programa adicional de testes de certificação em condições naturais de formação de gelo para três de suas principais aeronaves: o MS-21, o SJ-100 e o Il-114-300.

Os ensaios foram realizados entre 12 e 30 de março a partir do Aeroporto Internacional de Talagi, em Arkhangelsk, no norte da Rússia, região escolhida por oferecer condições meteorológicas ideais para testes em gelo natural. Durante esse período, as aeronaves operaram por várias horas sobre áreas como o Mar Branco, a Península de Kola e Naryan-Mar.

Segundo a Rostec, o programa foi concluído integralmente, com nove voos realizados pelo SJ-100, seis pelo MS-21 e oito pelo Il-114. Os resultados indicaram conformidade total com os requisitos russos e internacionais para operação em condições de gelo, incluindo critérios de estabilidade, de controlabilidade e de funcionamento dos sistemas de bordo.

Os testes seguiram um perfil específico: as tripulações identificavam adequadamente nuvens com base em dados meteorológicos, ingressavam nessas áreas e monitoravam o acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave com equipamentos especializados. Após atingir níveis definidos de gelo, as aeronaves subiam para altitudes onde eram avaliadas suas performances operacionais nessas condições adversas.

No caso do SJ-100, foram realizados voos adicionais para avaliar aproximações com arremetida e o funcionamento do sistema de alerta de estol. Representantes dos centros russo de certificação e de registro aeronáutico acompanharam a análise dos dados coletados.

O MS-21, considerado um avião de médio curso de nova geração, incorpora avanços em aerodinâmica e utiliza motores PD-14, desenvolvidos pela United Engine Corporation. Já o SJ-100, versão atualizada do Superjet, integra o programa de substituição de importações, sendo equipado com motores PD-8 e sistemas nacionais.

Por sua vez, o Il-114-300, um turboélice regional, foi projetado para operar em aeródromos com infraestrutura limitada, incluindo pistas curtas e não preparadas, e é equipado com motores TV7-117ST-01.

A conclusão bem-sucedida dos testes representa um passo importante no processo de certificação dessas aeronaves, especialmente em um contexto em que a indústria aeronáutica russa busca ampliar sua autonomia tecnológica e reduzir a dependência de componentes estrangeiros.■


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JuggerBR

Se tem uma coisa que russo entende é de gelo…

Vertigo9

Também ouvi dizer que entendem de Vodka.

fewoz

É impressionante o quanto a Rússia vem conseguindo se independizar do Ocidente. O número de projetos em áreas sensíveis e complicadíssimas onde eles alcançaram ou vem alcançando independência cresce a cada dia. Setores de aeronáutica (incluindo motores e aviônicos), espacial, software, saúde, infraestrutura, trens, militar, Glonass… E esta semana lançaram satélites como os da Starlink.

marcelo

A Rússia sempre foi uma potência no desenvolvimento tecnológico, o problema foi que o governo russo diminui muito o investimento em tecnologia.
Jã na época da união soviética não faltava grana para desenvolver novos armamentos,equipamentos militares e tecnologia.
Foi só o governo russo liberar o financiamento (grana $$) que o avião 100% russo foi construído.

JOÃO de Souza Ferreira

Tudo, na base da espionagem industrial !

Eromaster

Eles estão fazendo de tudo pra não depender de ninguém na área de tecnologias sensíveis.

Brasil poderia trilhar esse caminho. È uma vergonha um país como Brasil ainda envia o seu petróleo para ser refinado no exterior, para depois comprar de volta dolarizado.

Esteves

O Brasil exporta petróleo cru e importa combustíveis prontos (principalmente diesel). As refinarias são insuficientes + tipo de petróleo + demanda interna alta.

As refinarias brasileiras foram projetadas para petróleo pesado e ácido. Grande parte do petróleo brasileiro é leve e de alta qualidade.

O Brasil precisa modernizar as refinarias. Com a palavra a Petrobras.

Rinaldo Nery

O que fizeram na Abreu e Lima? COMPERJ?

Chris

95% do nosso petróleo é grosso.

Seu refinamento é caríssimo… Por isso exportamos para outros fins (asfalto, por exemplo). E importamos pra misturar e facilitar o refinamento.

Mas o problema industrial existe… Importamos tbem combustível pronto, pois nossas refinarias nao dao conta.

Abymael

È uma vergonha um país como Brasil ainda envia o seu petróleo para ser refinado no exterior, para depois comprar de volta dolarizado.
Mas como fazer isso num país em que a maioria achou ótima a recente doação, digo privatização, das refinarias da Petrobras e da BR Distribuidora? O próprio brasileiro se sabota.

Rinaldo Nery

O Petrolão explica tudo. Maior escândalo de corrupção do MUNDO OCIDENTAL!

Abymael

“petrolão” kkkkkk descansa amigo

Chris

Nao é tão simples assim como nosso Presidente, formado.na 4a serie, gosta de pregar.

Nosso petróleo é grosso e tem custo alto pra refinar (Venezuela tbem enfrenta esse problema)..

Geralmente é mais vantagem exportar nosso óleo pesado para outros fins (Como asfaltar ruas). Assim como muitas vezes é melhor importar óleo leve (produção nacional é de apenas 5%).

Ao sabor da cotação… Refinar esse petróleo grosso aqui, pode ate sair mais caro que importar.

Last edited 9 dias atrás by Chris
BlackRiver

Obrigado por terem trazido essa matéria aqui, como comentei em outro post, não é comum ver os bastidores, embora sejam poucas fotos, é possível ver vários sensores e configurações.

E que painel limpo em, belas imagens