Relatório do GAO aponta riscos no programa de satélites de alerta de mísseis dos EUA
Washington, janeiro de 2026 — Um novo relatório do Government Accountability Office (GAO) alerta que a Space Development Agency (SDA) enfrenta riscos significativos de custo, cronograma e capacidade no desenvolvimento da nova constelação de satélites de alerta e rastreamento de mísseis em órbita baixa da Terra (LEO), pilar central da Proliferated Warfighter Space Architecture (PWSA) do Department of Defense.
Segundo o GAO, a SDA pretende implantar rapidamente centenas de satélites por meio de ciclos incrementais chamados tranches, com contratos a cada dois anos e vida útil estimada de cinco anos por satélite. No entanto, a agência tem superestimado a maturidade tecnológica de elementos críticos — como plataformas espaciais adaptadas, sensores infravermelhos e comunicações ópticas a laser — o que levou a trabalhos não planejados, atrasos e maior complexidade na integração entre os segmentos espacial e terrestre.
O relatório destaca que, embora a SDA reporte marcos iniciais cumpridos, esses indicadores não refletem adequadamente os riscos ao cronograma. O GAO observa que a agência continua a adjudicar novos contratos em tranches, independentemente do desempenho das anteriores, e não mantém um cronograma em nível de arquitetura, o que dificulta a visualização do impacto de atrasos na entrega global das capacidades.
Outro ponto crítico é a falta de transparência no processo de requisitos. Comandos combatentes relataram ao GAO insuficiente visibilidade sobre como as exigências operacionais são definidas e priorizadas, o que aumenta o risco da constelação não atender plenamente às necessidades dos usuários militares quando entrar em serviço.
No campo financeiro, o GAO afirma que o Pentágono ainda não dispõe de uma estimativa confiável dos custos de ciclo de vida das capacidades de alerta e de rastreamento de mísseis. A SDA exigiu dados de custos limitados nos primeiros contratos, o que dificulta projeções robustas para as próximas fases de um programa que pode alcançar cerca de US$ 35 bilhões até o ano fiscal de 2029.
Como resultado, o GAO emitiu seis recomendações, incluindo: avaliações mais rigorosas da maturidade tecnológica; maior colaboração com os combatentes na definição de requisitos e capacidades diferidas; desenvolvimento de um cronograma integrado em nível de arquitetura; e exigência de dados de custo mais completos e frequentes nos contratos futuros. O Departamento de Defesa concordou com a maioria das recomendações, sinalizando ajustes, mas reconhecendo que os riscos à entrega pontual das capacidades permanecem elevados.
O relatório reforça que, diante do avanço de ameaças como mísseis hipersônicos, a modernização do alerta espacial é essencial — porém, velocidade sem realismo técnico e gerencial pode comprometer a prontidão do sistema que sustenta uma das missões mais críticas da defesa dos Estados Unidos.■
O Government Accountability Office (GAO) é o órgão independente de auditoria, fiscalização e avaliação do Congresso dos Estados Unidos, responsável por supervisionar a forma como o governo federal utiliza recursos públicos e implementa políticas e programas. Criado em 1921, o GAO analisa gastos, contratos, programas civis e militares, avalia riscos, eficiência, custos e resultados, investiga má gestão e desperdícios e emite relatórios e recomendações técnicas para apoiar decisões legislativas e fortalecer a transparência, a responsabilização (accountability) e a boa governança em todo o governo federal norte-americano.
O GAO empregava cerca de 3.000 profissionais em equivalentes de tempo integral (FTE), segundo dados recentes disponíveis, incluindo auditores, analistas e especialistas que realizam pesquisas e fiscalizações para o Congresso dos Estados Unidos. O orçamento anual mais recente do órgão foi de aproximadamente US$ 637 milhões no ano fiscal de 2019, refletindo os recursos destinados às suas atividades de auditoria, avaliação e investigação de programas federais — embora números mais atuais e completos só sejam confirmados em relatórios oficiais específicos.


O risco maior é de breguice… Golden Dome… Piada…
Se está ruim para eles você imagina para nos (Brasil) que não temos nada.
Quem assistiu “Casa de Dinamite” sabe o que é isso!