FCAS

BERLIM/PARIS — O ambicioso programa europeu de desenvolvimento de um caça de nova geração, Future Combat Air System (FCAS), enfrentou um duro revés político nesta semana, com o chanceler alemão Friedrich Merz reconhecendo que o projeto pode não resultar na produção de um avião de combate comum entre Alemanha e França — a pedra angular original da cooperação bilateral.

Falando em Berlim, Merz afirmou que, embora os parceiros europeus continuem comprometidos com o desenvolvimento de sistemas e capacidades conjuntos no âmbito do FCAS, permanece incerta a viabilidade de um caça fabricado conjuntamente pelas indústrias alemã e francesa. Uma decisão política final sobre o futuro do projeto foi adiada para o final de fevereiro de 2026, segundo ele.

A declaração alemã surge após um confronto público entre os principais atores industriais envolvidos — a francesa Dassault Aviation e a alemã Airbus Defence and Space — sobre liderança, divisão de responsabilidades e desenho do futuro caça. A Airbus chegou a indicar que renunciou à ambição de desenvolver o caça em conjunto com a Dassault, devido a divergências persistentes que, segundo executivos, se tornaram “irreconciliáveis”.

O FCAS — estimado em cerca de 100 bilhões de euros — foi concebido como um programa que iria além de um simples caça: incluiria drones, soluções de comando e controle e uma rede integrada de combate. O elemento central, contudo, sempre foi o Next Generation Fighter (NGF), aeronave de sexta geração destinada a substituir caças como Rafale, Eurofighter Typhoon e outros modelos na Europa.

Historicamente, tensões quanto a quem teria autoridade de projeto, propriedade intelectual e liderança industrial marcaram as negociações. A França defendia um modelo em que a Dassault detivesse a liderança do projeto de aeronave, enquanto a Alemanha buscava uma participação mais equitativa para a Airbus — um ponto de conflito que agora ameaça diluir ou até descartar a ideia de um caça comum.

Apesar da incerteza sobre o avião em si, autoridades alemãs garantem que aspectos colaborativos do FCAS — como sistemas compartilhados, sensores e redes de comando — continuarão a ser desenvolvidos, mesmo que o projeto seja redimensionado ou reformulado sem um caça conjunto como peça central.

O futuro do programa, considerado um pilar da soberania tecnológica e estratégica europeia em defesa aérea, permanece agora nas mãos de decisões políticas e industriais a serem tomadas nos próximos meses, com possíveis implicações para a cooperação entre Paris e Berlim nas décadas vindouras.■


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Rogério Loureiro Dhierio

Essa “Torre de Babel” existente na Europa beneficia quem a tem como mercado comprador.

Enquanto eles não se entendem, ficam submetidos a quem à eles vendem caças e todo o mais de aparatos militares.

Marcelo

A Fuselagem furtiva pode ser igual para todos,mais a Aviônica (recheio eletrônica) será todo francês (Thales) para fuselagem (aviões) franceses.
A fuselagem sera construída pela Dassault e a Thales colocara sua aviônica modernas para força aérea francesa.
A França sabe muito bem que tem varias força aéreas (cliente garantido) pelo mundo que preferem a tecnologia moderna francesa .

Luciano

Ninguém tem o poder econômico dos EUA e da China. Ninguém consegue sozinho. Se a França ou a Alemanha tentarem de forma independente, vão sofrer, e talvez até, não conseguir.

Para nós, mortais, é preciso encontrar uma alternativa, porque não vai rolar um caça de 6a ou 5a geração, sem mais de um parceiro. Talvez a idéia dos suecos, em focar em uma aeronave não tripulada e uma evolução continua do Gripen, possa ser uma solução. Só sei que a partir de 2040, as aeronaves de 4.5 geração estarão superadas, se não forem acompanhadas de sistemas no mínimo, stealths.

Joanderson

Rússia conseguiu um 5 geração, Turquia pelo jeito tá perto ou pelo menos tá tentando, países como Alemanha e Japão conseguem qualquer coisa se saírem do comodismo,França também bem é resilientes,se tiver vontade política se consegue.

Sensato

Ainda existe controvérsia para o quão bons são ou não os dois modelos que citou.

José Gregório

O Gripen vai ficar por aqui uns 50 anos, desse mesmo jeito, perca a esperança, é um caça geração 3,5 (no máximo) barato e de fácil manutenção, os únicos aviões que serão modernizados continuamente são os do GTE, para defesa da democracia;

Flávio Cardoso

4.5 geração **

Carlos Campos

Gripen 3,5G no máximo kkkkkkkkkkkkkk cada coisa que a gente lê

Alexandre Costa

Eu imagino que esse 3,5 tenha sido erro de digitação, só pode.

Marcelo

O governo francês sempre injetou muita grana $$ na Dassault para desenvolver aviões.
Agora não será diferente, o Governo francês esta colhendo as informações do projeto europeu e com essas informações a Dassault vai desenvolver um produto melhor.
Governo frances vai bancar o novo caça de 5 geração 100% francês desenvolvido pela Dassault.

Carlos Campos

eles consguem, o problema é dinheiro para que termine tudoe venham as aquisições

fewoz

Contra grandes potências, as aeronaves 4.5 estão superadas. Se a Venezuela tivesse Gripens, duvido muito que teria alguma capacidade contra os F-35.

Sensato

Contra grandes potências, mesmo que tivéssemos F22, de quantos precisaríamos? 32 certamente não seriam suficientes.

Samuka

Contra grandes potências n tem mto o que fazer, o melhor a fazer é focar em capacidades assimétricas e alguma dissuasao pontual

José Joaquim da Silva Santos

“Contra grandes potências n tem mto o que fazer” – Tem sim: virar uma delas !

Sensato

Votando do jeito que votamos? Sendo passivos do jeito que somos? Nenhum de nós verá essa utopia se tornar real.

Carlos Campos

Acredito que a França pensa que não precisa dos outros, como todo mundo sabia, ou não, teve gente que acreditava nessa união, bom pra Espanha que se aliar a Alemanha pode ter uma participação maior, ou Suécia que pode embarcar com a Alemanha em um caça comum……..enquanto Isso UK, Itália Japão vão seguindo em frente com seus projetos, que eu acho que resultará em 2 caças, um Europeu UKItalia, e outro Japonês

Marcelo

O parque industrial aeronáutico francês $$ é enorme e o lobby para um avião furtivo 100% francês é voto vencido.
https://www.defesanet.com.br/aviacao/rafale-300o-produzido-533-vendidos/

Sensato

Todo mundo sabe que se associar com qualquer um dos dois dá BO. França sempre quer ser a estrela do baile e Alemanha faz tanto doce pra exportar as coisas que muita gente desiste.

fewoz

Nenhuma novidade. A Europa é uma colcha de retalhos: dezenas de países, economias, culturas, políticas e idiomas diferentes. Por isso, mesmo com uma economia conjunta tão grande, continua a ser um continente lacaio aos interesses dos EUA. Sempre, sempre estão divididos. Nunca haverá unidade.

Leandro Costa

Troca o seu avatar. Depois desse post, você simplesmente não merece ter o Spock no avatar. Não faz sentido.

Parece que você andou dormindo esses últimas duas semanas.

fewoz

Prezado Leandro, elabore mais. Conheço bem o que aconteceu aqui na Europa nas últimas duas semanas e não vi nada muito grandioso. Pode ser que façam alguma ameaça pontual contra os EUA, mas nunca passa disso.

Uriel PR

Kkk mais uma vez as brigas internas atrasando os europeus, os caras não fizeram nem caça de quinta geração e estavam já pensando nesse ambicioso plano, enfim essa semana mesmo foi observado nos céus da China o quarto protótipo do J-36.

Sensato

A impossibilidade da Dassault não exigir ser a única estrela do baile é tão óbvia que não entendo porque eles ainda tentam fazer algo do tipo em parceria com ela. O pior é ver que ainda tem gente que acha uma boa a Embraer se associar com eles pra projetar e construir um concorrente pra faixa do 737 e A320.

Leandro Costa

Uma parceria dessas não faria mesmo o menor sentido. A Dassault fica fora desse mercado porque é da Airbus e, em compensação, a Airbus não entra no mercado de jatos executivos, no qual a Dassault está inserida e é concorrente da Embraer.

A França chegou à fazer parcerias que renderam alguma coisa, como o Jaguar, por exemplo, mas o exemplo mais ‘recente’ é a parceria que azedou e acabou gerando o Rafale e Eurofighter.

João Bosco

A EUROPA sendo a EUROPA. Os franceses vão mandar os alemães se lascarem e vão construir seu próprio caça de 6ª geração. Fizeram isso quando construíram o Rafale e nem se importam com o barulho. Resultado: o Rafale é muito bem vendido e com tecnologioa 100% francesa. Simples assim.

Last edited 9 dias atrás by João Bosco
DomValero

Tomara que seja um fracasso , A Europa que se exploda.

David

O cancelamento do noivado esperado.
Mas como em qualquer novela, há sempre outras relações à espreita.
Vejo os alemães a casarem-se com os suecos, e os franceses são capazes de ficar com os belgas.
Isso deixa Portugal à espera, como deve ser. Quem nos oferecer mais e melhor é o nosso melhor amigo.
Relações a três é sempre complicado… especialmente quando 2 dos membros são possessivos.

Fabrício B Aguirre

Sem os Ingleses fica difícil.