O segundo avião MS-21 com sistemas russos inicia testes de voo para certificação

O segundo protótipo do avião russo de médio alcance MS-21, equipado com sistemas nacionais e desenvolvido pela PJSC Yakovlev (parte da UAC da corporação estatal Rostec), iniciou voos no âmbito do programa de testes de certificação.

O voo inaugural ocorreu a partir do aeródromo do Instituto de Pesquisa de Voos Gromov, em Zhukovsky, onde foram avaliadas a estabilidade e a controlabilidade da aeronave utilizando atuadores do sistema de controle produzidos na Rússia.

A aeronave foi pilotada por uma equipe composta pelo piloto de testes e Herói da Rússia Oleg Mutovin; pelos principais engenheiros e operadores de testes de voo Oleg Berezin, Anton Kuznetsov e Grigory Kudryashov; e por Nikolai Grigoriev, piloto de testes de primeira classe do Registro de Aviação da Rússia (organização subordinada à Agência Federal de Transporte Aéreo).

“A inclusão de uma segunda aeronave nos voos de certificação nos permitirá intensificar o programa de testes atualmente em andamento em Zhukovsky para outro protótipo do MS-21, parcialmente equipado com novos sistemas e componentes russos. Nosso objetivo principal é concluir todos os testes no âmbito do programa de substituição de importações e obter a aprovação correspondente para a grande modificação, possibilitando as entregas subsequentes às companhias aéreas”, destacou Anatoly Gaidansky, primeiro vice-diretor-geral e diretor do Centro de Engenharia da PJSC Yakovlev.

No dia 13 de novembro, esta aeronave realizou um voo sem escalas de Irkutsk até o aeródromo do Instituto de Pesquisa de Voos M.M. Gromov. Voos de desenvolvimento em fábrica bem-sucedidos precederam o início dos testes de certificação.

Os componentes e sistemas importados da aeronave foram substituídos por versões produzidas na Rússia. Especificamente, foram substituídos: comandos do cockpit, atuadores do sistema de controle, sistema hipersustentador das asas, mecanismo de compensação do estabilizador, suíte de aviônicos, sistema integrado de ar-condicionado, sistema integrado de coleta, monitoramento, processamento e registro de dados de voo, sistema de frenagem das rodas, unidades de potência principal e auxiliar, sistema de combustível, rodas, pneus e outros componentes.

O MS-21 é uma aeronave de passageiros de nova geração para voos de médio alcance. O projeto utiliza as mais recentes tecnologias e é voltado para o segmento mais demandado do mercado de transporte aéreo. Aerodinâmica avançada, motores PD-14 produzidos pela United Engine Corporation (Rostec) e sistemas de última geração garantem o desempenho superior do modelo.■


 


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EduardoSP

Essa versão tem MTOW quase 6 toneladas maior, a mesma capacidade de combustível e carga paga 1,3 toneladas menor do que versão com equipamentos ocidentais. O alcance também é cerca de 2.000km menor.

É todo feito na Rússia, mas o desempenho é bem inferior ao da versão com equipamentos ocidentais. Só vai comprar quem não tem opção.

Sergio Machado

Posta pra gente os resultados entre os desempenhos.

EduardoSP
Abymael2

Caramba, 2000km a menos é complicado, perdeu praticamente 1/3 do alcance planejado.

Chris

Certamente existem motivos pra antes, eles optarem por tantos componentes importados.

Mas o maior problema russo, é em tecnologia de semicondutores… Estão uns 20 anos atrasados (Ja a China, cheia de grana, uns 2 anos, e ninguém duvida que irão ultrapassar o ocidente em breve).

E considerando que não sabemos fazer chips nem pra calculadora… Melhor ficarmos quietos… rs

Marcelo

O desenvolvimento russo é lento mais constante.
Os russos estão reduzindo a gap tecnológica de décadas nos aviões comerciais.
Esses aviões para uso dentro da Rússia já será um passo enorme.

EduardoSP

A questão é que o desenvolvimento tecnológico fora da Rússia também é constante, mas é mais rápido.

Iran

Exato, o pessoal vê a evolução pequena (mas constante) da Rússia e se admiram (o que comparado conosco e com a LATAM no geral é um grande feito mesmo), mas esquecem que EUA, China, União Europeia, Japão, Coréia do Sul etc que são os players que a Rússia compete, ou tenta competir, evoluem também, e geralmente em ritmo muito mais rápido por conta da indústria de alta tecnologia já bem estabelecida, população, economia mais estável etc

E conforme essa guerra se arraste, mais difícil vai ficar pra Rússia acompanhar as demais potência relevantes.

A6MZero

Não há uma redução significativa nesse gap em aeronaves comerciais, pelo contrario, quando as companhias russas tiveram opção de modelos ocidentais elas trocaram na hora. O Superjet é um exemplo disso enquanto modelos ocidentais estavam disponíveis suas vendas mesmo dentro da Rússia eram pífias, o TU-214 nunca consegui emplacar e só agora parece estar sendo ressuscitado, mas em mais de 35 anos de existência nunca chegou a 100 unidades o Ilyushin-96 foi outro que nunca consegui emplacar tendo pouco mais de duas dúzias de unidades construídas. A indústria aérea russa produziu e produz grandes aeronaves militares mas no mercado civil… Read more »

BVR

Seria um ótimo mercado para o E-195E2, mas as sanções afetariam pesadamente os negócios mundiais da Embraer.

Às vezes tenho impressão que acertar a mão na construção de um motor de avião é mais difícil do que construir sistema datalink.

Heli

Motores a jato são o que há de mais dificil em avioes, até mesmo pelo custo de um projeto novo. India ta na luta ha 40 anos e nada do seu turbofan. PS90 da russia é da categoria do GE CF6 e do PW4000 que equipam o Boeing 767, daí a dificuldade na gestação dum motor de nova geração como o PD14

Gabriel BR

Aos poucos eles ( russos )estão chegando ! Concorrência é sempre bom para o comprador

A6MZero

Esses aviões não vão chegar para o mercado fora da Rússia, até lá eles só estão conseguindo vender por causa das sanções até mesmo a Aeroflot nos anos 90 quando teve a primeira oportunidade abandonou as aeronaves comerciais russas.

Hoje não existem ninguém para bater de frente com o duopólio e Boeing e Airbus, os únicos com chance real de encarar o desafio são a Embraer se tentar arriscar no mercado de aeronaves maiores (no seu nicho ela é a maior) e a Comac (o C919 tem um carteira forte mas não conseguiu ainda firmar no ocidente).

JHF

A COMAC vai focar no mercado interno (gigante), depois vai expandir pela Ásia enquanto melhora seus produtos e em 10 anos estará pronta para roncar de player menor no nicho da dupla Airbus-Boeing. Se virar o desenvolvimento para o nicho de médio porte, a Embraer vai ter problemas sérios no final da próxima década.

Fábio Mayer

Eles tem o mercado interno, algumas repúblicas antigamente soviéticas que viraram países independentes e, talvez, Paquistão, Índia, Síria e Venezuela.

É muito pouco para uma indústria como esta se desenvolver. Farão sucesso interno, porque imposto.

Gabriel BR

tem os paises africanos e do sul da Ásia também

Leandro Costa

A maioria dos quais tem companhias que operam jatos da Embraer.

SteelWing

Parabéns a Rússia pela independência, poucos países no mundo tem essa capacidade. Claro que nem todos precisam, pra países pequenos não faz sentido ter todo tipo de indústria. Mas a Rússia é um país com PIB menor e menos população que o Brasil e é totalmente independente.

André

Exatamente! O avião é todo feito na Rússia. Não existe nenhuma país que faça isso! E este modelo poderá tranquilamente atender vários países que buscam independência da pressão política/econômica anglo-saxã-sionista.

João Fonseca

A Rússia é uma nação heróica. Sempre foi. Sempre produziu sozinha tudo que era realmente estratégico. Não é todo mundo que tem condições de recomeçar (ou simplesmente começar) a fazer algo sem qualquer ajuda externa. Mas os russos conseguem.

André

Excelente notícia! A Rússia ganha independência para voar em seus próprios céus! E com as aquisições e operações, o projeto se tornará maduro e mais evoluído.

Cassini

Viram-se obrigados a voltar a desenvolver aeronaves comerciais de uma hora para outra por conta das sanções econômicas e ainda assim conseguem, em pouquíssimo tempo, criar uma aeronave com tal desempenho.

É de se admirar a determinação russa.

Felipe Augusto Batista

Este é o tipo de capacidade que eu queria que o Brasil tivesse. Não preciaa fabricar tudo, se é mais barato e eficiente comprar fora que compre, mas que se mantenha um know how e uma capacidade mínima de produção para que em uma emergência seja possível o país substituir componentes estrangeiros por nacionais.