Força Aérea dos EUA prevê novo cargueiro estratégico para 2038; C-17 poderá voar até 2075
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) divulgou seu novo plano de recapitalização da frota de transporte estratégico, confirmando que pretende desenvolver um Next-Generation Airlifter (NGAL) — aeronave de nova geração que substituirá simultaneamente os cargueiros pesados C-5M Super Galaxy e C-17A Globemaster III. O cronograma, no entanto, prevê uma transição lenta, o que forçará a permanência dos modelos atuais em serviço por décadas.
Segundo a estratégia, o NGAL deve começar a ser entregue a partir de 2038, atingindo capacidade operacional inicial em 2041. Contudo, devido ao ritmo de aquisição planejado — 7,4 aeronaves por ano —, os C-5 e C-17 deverão continuar operando até 2045 e 2075, respectivamente.
Ao todo, o plano projeta a compra de 274 novos cargueiros ao longo dos próximos 50 anos.
Substituição lenta e custos elevados
A substituição dos 52 C-5M e 222 C-17A será realizada um por um, sem redução da frota de transporte estratégico. O processo lento, semelhante ao ritmo de produção do bombardeiro B-21 Raider, significa que o C-17 — cuja produção terminou em 2015 — poderá alcançar 75 anos de operação antes de sua aposentadoria final.
Para prolongar a vida útil, a USAF já estuda um programa de extensão estrutural (SLEP) para o C-17, embora descarte qualquer modificação drástica, como o alongamento da fuselagem — intervenção que foi feita no antigo C-141 Starlifter. A expectativa é reforçar componentes estruturais críticos e possivelmente renovar parte do revestimento.
C-5M enfrenta desafios de confiabilidade

A aeronave mais antiga da frota, o C-5M, passou por uma ampla modernização na década de 2010, que substituiu motores, aviônicos e reforçou a estrutura. O programa custou US$ 10 bilhões em dez anos, mas não conseguiu atingir a meta esperada de disponibilidade.
Hoje, o C-5 apresenta uma taxa de prontidão de 48,5%, longe dos 70% projetados. A Força Aérea agora tenta elevar esse índice com o plano “Drive to 55”, que busca alcançar 55% de disponibilidade até meados da década.
Novo cargueiro poderá ter variantes furtivas e multimissão
Documentos anexados a uma solicitação no site governamental sam.gov revelam que o NGAL poderá:
- ter assinatura reduzida para operar em espaço aéreo contestado;
- incluir uma versão para operações especiais;
- dividir a mesma base estrutural com o futuro Next-Generation Aerial Refueling System (NGAS), substituto dos reabastecedores;
- adotar novas geometrias, possivelmente abandonando o formato tradicional de tubo e asa.
A USAF investe atualmente US$ 235 milhões no demonstrador tecnológico JetZero Z4, um avião de blended-wing-body (BWB), desenvolvido com apoio da Northrop Grumman, que oferece maior sustentação, volume interno e potencial de redução de assinatura radar. O primeiro voo está previsto para 2027, embora a Força Aérea não confirme se o modelo servirá de base para o NGAL.
Próximas etapas
A análise formal de alternativas para o novo cargueiro será acelerada e está programada para 2027. As respostas da indústria ao pedido de informações devem ser enviadas até 30 de janeiro de 2026.
A estratégia ressalta que atrasos orçamentários ou técnicos obrigariam a USAF a investir ainda mais na manutenção dos C-5 e C-17 para preservar sua certificação e viabilidade operacional até que o NGAL entre totalmente em serviço.■

Entregas a partir de 2038, capacidade operacional inicial em 2041, 7 aeronaves por ano.
Outro exemplo: levou uns 11 anos para o F-35 atingir o FRP depois da primeira entrega.
E olha que estamos falando de uma Força com orçamento infinito.
Mas o público leigo acha que as coisas acontecem em um estalar de dedos. Influência de Hollywood.
La eles tem orcamento alto e levam a defesa muito mais a sério que nós. Aqui cortam dinheiro da defesa para “economizar”, e depois rasgam dinheiro com futilidade. Exemplos e o que nao falta.
Se aqui fosse levado um pouco mais a sério, o FX, prosuper e Tamandarés estariam finalizados e muito provavelmente com mais encomendas.
Portanto nao e só questao de ser leigo, e a má vontade do governo, que depois vai em reuniões (encontros com outros países) dizes que a “soberania é inegociável.”
Eles não levam a defesa a sério, eles levam o ataque a sério. É a máquina que gera dinheiro por lá.
Entao Rússia e China tem mesma lógica?
Os EUA se aproximaram de 01 trilhão de dolares em gastos de defesa pela primeira vez esse ano.
Mas considerando o investimento em termos de percentual do PIB os EUA gastam menos que outros paises.
EUA = 3,4%
Arabia Saudita = 7,3%
Israel = 8,8%
Argelia = 8,0%
Polonia = 4,2%
Russia = 7,1%
Ucrania = 34%
Dados de 2024
Rússia? 7%???
Surpreendente né?
A gente pensa que com a guerra e tudo o mais estão gastando mais…
Mas a verdade é que o esforço financeiro da Russia é comedido.
Um esforço maior que 7% para uma economia sancionada impactaria em qualidade de vida.
Um esforço até 7% normalmente pode ser absorvido e costuma impactar positivamente no pib.
O orçamento de defesa do Brasil é de 150 bilhões de reais. Um dos maiores destinos de dinheiro público do país. Agora, esse montante é usado para pagar penduricalhos e pensão para milico.
Exemplo: até hoje o ex-presidente recebe penduricalho do Exército. Acumula duas aposentadorias.
Pior, é o caso do ex-presidente Médici, que, no leito de morte, adotou a neta como filha, para que esta “herdasse” sua pensão vitalícia após a morte dos avós-pai-e-mãe.
Neta adotada como filha por ex-presidente ganha direito a pensão militar | Jusbrasil
A maior despesa do orçamento brasileiro é a rolagem da divida. Em 2025: foram gastos R$ 1,313 trilhão com juros e amortizações até 4 de junho, representando 53,4% do orçamento federal no período. Em 2024: o custo anual estimado com juros ultrapassou R$ 750 bilhões. Nos últimos 24 anos: a dívida pública custou R$ 12,6 trilhões em juros. O valor gasto com a dívida em 2024 (R$ 750 bilhões) é mais que o triplo do orçamento da saúde e quase quatro vezes o da educação. O que falta no Brasil não é dinheiro. Esse o governo arrecada aos montes. Toda a questão é… Read more »
Boa tarde, uma dúvida, o que seria a “rolagem da divida”? Significa que o país não paga a totalidade das contas? Igual ao do cartão de crédito? O Governo faz o “pagamento mínimo” e deixa para o ano seguinte?
De forma simplificada e resumida: o governo emite títulos da dívida pública, que alguém compra hoje por um valor X. Esses títulos valerão mais em uma data futura, quando o governo recomprar esses títulos. Acontece que quando chega nessa data, o governo não tem dinheiro para pagar. Assim, emite novos títulos para pagar esses que estão vencendo. E assim sucessivamente. É um círculo vicioso e que come grande parte do orçamento.
Nenhuma dívida faz um orçamento de R$ 150 bilhões se transformar em pouco dinheiro. Em comparação, o programa do Gripen não recebe nem 1% disso anualmente. Infelizmente. Essa explicação simplifica demais, mas está correta. Muita gente ganha com esse rentismo e com a taxa de juros artificialmente alta. O Brasil não é nem de longe o país com a maior dívida no mundo. Os EUA têm uma dívida tão grande que é “impagável”: +130% do PIB. Os EUA não têm superávit há décadas. O Japão então tem dívida de mais de 200% do PIB. Boa parte da Europa está no… Read more »
Realmente. Por isso Economia é mais Ciências Humanas do que Exatas. Existe a questão da credibilidade e da resiliencia. Se uma economia é julgada pelos humanos como resiliente e credível ela tolera parâmetros ruins melhor do que uma economia que é considerada não resiliente e não credível. Esses parâmetros e como eles são vistos variam em função de fatores culturais, além dos puramente econômicos. O tamanho da economia da nação ou bloco também importa muito. Normalmente são toleradas dividas em percentuais maiores em grandes economias, enquanto que em pequenas essa tolerância é menor. Outro fator importante é a trajetória da… Read more »
Só mais um exemplo de planejamento estratégico de longo prazo.
“Novo cargueiro poderá ter variantes furtivas e multimissão”…
Cargueiro Stealth?! Se forem da LM,virá aí mais um sagador de dinheiro do contribuinte…
No geral, contribuinte americano nao reclama disso, pois a lavagem cerebral é tão perfeita que eles sempre acham que estão com um inimigo perigoso prestes a ameaça-los. Se amanha disserem que a Venezuela produz fentanyl e que vai invadir a Florida, eles acreditam. Além disso, eles são patriotas a ponto de se orgulhar das suas maquinas de matar exibidas por Hollywood. Quem reclamar do programa do F35, das fragatas Constellation, etc pode ser chamado de comunista antipatriota
Eles de fato sempre tem, assim como Roma, ou os Britânicos tiveram um dia, é assim que eles mantém o hegemon, sem contar a armadilha de Tucídetes, seja com a URSS, China ou qualquer outro país que venha ameaçar a hegemonia deles.
Só para esclarecer: A “Armadilha de Tucídides” é um conceito das relações internacionais que descreve a tendência de uma guerra surgir quando uma potência emergente ameaça destronar uma potência dominante e estabelecida. Popularizado pelo cientista político Graham T. Allison, o termo se baseia na análise do historiador grego Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, onde o temor causado pela ascensão ateniense foi um fator crucial. O conceito sugere que essa dinâmica, impulsionada por interesses, temor e honra, pode levar a conflitos inevitáveis, embora não sejam sempre o desfecho
São máquinas como essas (ou semelhantes) que tambem mantem alguns afastados de outros países. Se Taiwan nao tivesse nada disso, ja nem existiria mais, assim como a Ucrânia.
Eles “comfiam no governo deles” e sempre achasm que estão dizendo a verdade…
Um dia , se Deus quiser, os EUA será como a China e a Rússia onde não existe corrupção e exploração dos cidadãos.
Oremos!
Hahahahaha
Me parece que esse demonstrador, se por fim for viável, é mais interessante pra cargas grandes e volumosas, como a USAF está planejando.
É muita loucura achar que um mesmo avião pode ao mesmo tempo substituir um monstro do tamanho do C-5 para transporte estratégico e um C-17 pra transporte tático.
O C-17 é tanto tático como estratégico. Sua capacidade de carga e alcance o qualifica como um transporte estratégico.
Planejamento para o próximo meio século…E faz sentido do ponto de vista do desenvolvimento do projeto, viabilização financeira para o governo e econômica para as empresas.
Conceitos de asa voadora ou blended-wing-body (BWB) que em tese são mais eficientes em termos aerodinâmicos, p/ passageiros tem o complicador do tempo limite p/ evacuação total da aeronave (menos de 90 segundos) pois serão muitos assentos montados lado a lado e na confusão seria um caos p/ encontrar as saídas de emergência, mas p/ transporte de carga não teríamos esse problema. Quanto a ideia de um único tipo substituir o C-5 e o C-17, creio que não se deve levar isso ao pé da letra, me parece ser algo mais p/ um conceito de família c/ principais características de… Read more »
Projetos e Aquisições militares são sempre impressionantes, as futuras aeronaves cargueiras quando operacionais, as mentes pensantes que as conceberam, ou terão falecido ou estarão aposentadas, isto é política de estado e não de governo, seria ótimo se nosso país tivesse este tipo de maturidade, certamente nos colocaria em uma posição mais confortável a nível de segurança nacional do que nos acostumamos a viver desde sempre!
Fazem esses planos mirabolantes. Aí os custos começam a ir às alturas e no fim das contas…vão comprar 777 de segunda mão e converter para cargueiro militar.