Glory Trip 254: o teste do punho nuclear norte-americano
Por Sérgio Santana*
O Comando de Ataque Global da Força Aérea dos Estados Unidos testou um ICBM (Inter Continental Ballistic Missile, míssil balístico intercontinental) Boeing LGM-30G Minuteman III na madrugada de 5 de novembro. A ogiva W87 do projétil, com potência variando entre 300 e 475 quilotons, foi substituída por equipamento de telemetria.
O teste, o mais recente de uma série que foi realizada em intervalos regulares por décadas, ocorreu quando o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou o desenvolvimento de duas novas armas nucleares do seu arsenal e o presidente Donald Trump sugeriu nos últimos dias que os EUA poderiam retomar os testes das armas nucleares norte-americanas em resposta.
Após ter sido selecionado do arsenal de 450 exemplares ativos, o ICBM – retirado da prontidão na Base da Força Espacial F.E. Warren, no estado do Wyoming – foi lançado da Base da Força Espacial Vandenberg, Califórnia, às 1h35min pelo horário do Oceano Pacífico (5h35min no horário de Brasília) e percorreu uma distância de 4.200 milhas náuticas (7.778km) até o “Ronald Reagan Ballistic Missile Defense Test Site” (Campo de Teste de Defesa de Míssil Balístico Ronald Reagan), nas Ilhas Marshall, depois de receber ordens de lançamento emitidas pelos militares do 625º Esquadrão de Operações Estratégicas a bordo de um Boeing E-6B Mercury, operado pela US Navy.
Esse tipo de teste, conhecido como Glory Trip ou GT, acontece regularmente para certificar-se de que os Minuteman III podem ser lançados pelo E-6B no caso de um ataque nuclear ou outro incidente que poderia desativar um centro de controle de lançamento terrestre, apresentando-se ainda mais crítico num momento em que o míssil Northrop Grumman LGM-35A Sentinel, proposto como a arma substituta do Minuteman III tem demonstrado atrasos, provocando uma extensão do tempo operacional deste para até 2050.
O sistema de armas Minuteman foi concebido no final da década de 1950 e Minuteman I foi implantado no início da década de 1960.
O Minuteman é um sistema de armas estratégicas que usa um míssil balístico de alcance intercontinental. Mísseis são dispersos em silos endurecidos como proteção para contra-ataque e conectados a um centro de controle de lançamento subterrâneo através de um sistema de cabos protegidos. Equipes de lançamento, compostas por dois oficiais, realizam alerta ininterrupto no centro de controle de lançamento.
Uma variedade de sistemas de comunicação fornece ao presidente e secretário de defesa um contato direto altamente confiável e praticamente instantâneo com cada equipe de lançamento. Caso a capacidade de comando seja perdida entre o centro de controle de lançamento e as instalações de lançamento de mísseis remotos, é repassada às aeronaves Boeing E-6B Mercury
A atual força do ICBM consiste em 400 mísseis Minuteman III localizados na 90ª Ala de Mísseis na já mencionada Base F.E. Warren, Wyoming; na 91ª Ala de Mísseis na Base Aérea de Minot, Dakota do Norte; e na 341ª Ala de Mísseis em Montana.
Os Minuteman III possuem três estágios com motores de combustível sólido: o primeiro produz 92.150 kg de empuxo, o segundo 27.575 kg e o terceiro 15.914 kg de empuxo. A arma pesa 36.030 kg no lançamento, tem diâmetro de 1,67 m, comprimento de 18,2 m, alcance superior a 9,663 km, teto operacional de 1,120 km e velocidade final de 24.000 km/h.
*Bacharel em Ciências Aeronáuticas (Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL), pós-graduado em Engenharia de Manutenção Aeronáutica (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/MG). Colaborador de Conteúdo da Shephard Media. Colaborador das publicações Air Forces Monthly, Combat Aircraft e Aviation News. Autor e co-autor de livros sobre aeronaves de Vigilância/Reconhecimento/Inteligência, navios militares, helicópteros de combate e operações aéreas



São três ogivas por míssil?
Sim. Esse é um míssil com capacidade MIRV, em que cada ogiva pode ser alocada para um alvo diferente.
Adriano e Santamariense, Apesar do Minuteman III ter capacidade de levar 3 RVs (veículos de reentrada) devido ao tratado New START ele só leva 1 RV sob pena de ultrapassar a quantidade de ogivas estratégicas (de ICBMs e SLBMs) determinadas pelo tratado, que é de 1500. Com o término do tratado ocorrendo em fevereiro de 2026 e não havendo nenhum prolongamento ou um novo tratado , aí pode ser que os americanos decidam voltar a instalar os 3 RVs em cada ou pelo menos em parte deles. Como os mísseis ICBMs guardados em silos fixos dos americanos têm a função… Read more »
Sim, caro Bosco. Atualmente, eles não operam com 3 ogivas, mas tem essa capacidade.
Caro mestre, o que seria essa “função ‘esponja'”?
Grato
Respondendo pelo Bosco
Os 450 silos dos EUA, dos quais 50 não são usados, teriam função de absorver um ataque massiço da Rússia.
Pois a localização dos silos, espalhados pelos estados de Montana, North Dakota, Wyoming, Colorado e Nebraska é conhecida.
A retaliação dos EUA seria basicamente através dos SLBM.
De uma forma simplificada, esta é a “Função Esponja”.
Só complementando, como há uma número limitado de ogivas estratégicas devido ao tratado New START (1500 ogivas para cada país) , os americanos trataram de colocar 450 silos sob alvo das ogivas russas sendo que cada silo demanda pelo menos uma ogiva para ser neutralizado. Num hipotético ataque inicial russo, de contra-força (contra a capacidade nuclear) , os russos teriam que gastar uma grande quantidade de suas ogivas estratégicas para neutralizar os ICBMs instalados em silos subterrâneos, o que sobrariam uma quantidade menor de ogivas para os outros alvos (bases de submarinos, bases aéreas, centros de comando e controle, etc.)… Read more »
Só o nome do teste tá errado, devia ser algo como most perfect golden marvelous biggest missile pra ficar adequada a esta era trumpiana…
Todo mundo fazendo testes nucleares. Rapaz, nunca antes na história deste planeta a frase daquela grande pensadora contemporânea fez tanto sentido:
“Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.”
Grande filosofa, coloca Sócrates no chinelo!
Mundo se preparando para 3 guerra…
Só de curiosidade, para os que acaso não saibam, para um míssil ter uma ogiva MIRV e portanto, ser capaz de atingir alvos diversos, o míssil tem que ter capacidade de “ejetar” um veículo de reentrada (com a ogiva nuclear dentro), denominado de RV, num determinado ponto; manobrar para outro ponto no espaço e ejetar outro RV; manobrar para outro ponto e ejetar outro, etc, etc. Assim fará quantas vezes forem os RVs e quantas forem os alvos. Quanto mais ogivas o míssil tiver mais tempo ele irá demorar até ejetar todas, o que só ocorre depois que o último… Read more »
Glory Hole !