Kratos apresenta míssil de cruzeiro de baixo custo ‘Ragnarök’ com alcance de 500 milhas náuticas
Close-up do Ragnarök LCCM armazenado com segurança no compartimento interno do XQ-58 Valkyrie
A Kratos Defense & Security Solutions, Inc. anunciou oficialmente o lançamento do Ragnarök LCCM (Low-Cost Cruise Missile), um novo míssil de cruzeiro de baixo custo que promete redefinir a relação entre custo, alcance e capacidade de ataque de precisão. A apresentação ocorreu durante o Miramar Air Show, na Califórnia, com destaque para sua integração com a plataforma XQ-58A Valkyrie.
O Ragnarök possui alcance operacional de 500 milhas náuticas, capacidade de voo a 35.000 pés de altitude e velocidade de cruzeiro superior a Mach 0,7. Pode transportar uma carga útil de 80 libras, sendo projetado para missões de ataque tático de alta precisão. Com custo estimado de US$ 150 mil por unidade em produção em série, o sistema busca oferecer poder de fogo estratégico a um custo significativamente menor do que mísseis de cruzeiro tradicionais.
“O Ragnarök representa nosso compromisso com soluções de ataque acessíveis e de alto desempenho, compatíveis com aeronaves tripuladas e não tripuladas”, afirmou Steve Fendley, presidente da divisão de sistemas não tripulados da Kratos. “Sua modularidade permite múltiplas opções de integração e lançamento, maximizando o valor operacional.”
O design do Ragnarök incorpora fuselagem em compósito de carbono, sistema de propulsão otimizado para missões de ataque e mecanismo dobrável de asas, permitindo transporte e armazenamento facilitados. A compatibilidade com racks padrão de 14 polegadas garante flexibilidade para uso em compartimentos internos, externos ou lançamentos paletizados.

Eric DeMarco, CEO da Kratos, destacou a velocidade no desenvolvimento do projeto: “Este é mais um exemplo da capacidade da Kratos de investir com recursos próprios, avançar rapidamente e entregar um sistema pronto para produção em massa. Não é conceito — é produto real e pronto para fabricar em larga escala.”
A empresa também destacou que o Ragnarök oferece integração complementar ao Lumberjack, da Northrop Grumman Corporation, representando uma nova geração de armas acessíveis para forças aéreas modernas.
Com o desenvolvimento inicial concluído, a Kratos iniciou conversas com parceiros e forças armadas para explorar oportunidades de implantação em múltiplos cenários operacionais, incluindo ataques de precisão, saturação de defesas aéreas e integração com CCAs (aeronaves de combate colaborativas).
A empresa, sediada em San Diego, é referência global em sistemas não tripulados, propulsão avançada, veículos hipersônicos e soluções de defesa de custo reduzido. O Ragnarök LCCM consolida essa posição ao trazer ao mercado um míssil de cruzeiro que alia alta capacidade de ataque a um preço competitivo, com potencial para uso em grande escala por forças armadas aliadas.■

500 milhas náuticas = 926 km
80 libras = aproximadamente 37 kilos
Não é muito, mas se esse míssil cumprir a promessa de ser tão barato quanto um drone, é uma excelente alternativa pra ataques de saturação.
PS: enquanto isso, o MTC…
Gosto da Kratos e da Andurill, estão botando as tradicionais no chinelo, mas 40Kg de explosivo parece pouco, posso estar enganado
Carlos,
É semelhante à letalidade de um projétil de 155 mm. Mais que suficiente para a imensa maioria dos alvos , com exceção de estrutura fixas de grande porte. (bunkers, pontes, etc)
Vale salientar que não são 40 kg de explosivos. Em geral , se for uma ogiva HE (semiperfurante) menos da metade seria material explosivo e o resto a “carapaça” de aço (envolto ou não com um manta de fragmentos pré-formados).
Como exemplo, o projétil HE de 155 mm padrão (M785) pesando 47 kg tem somente 10 kg de material explosivo.
Obrigado Bosco, então é uma ogiva de poder interessante, minha perspectiva fica comprometida pela comparação com bombas por exemplo, que levam bem mais explosivos
Um Delilah (israelense) tem uns 30kg de ogiva (de explosivo eu não sei, mas é boa parte dela) e um ou dois são suficientes pra derrotar alguns sistemas antiaéreos (em matéria de tamanho de explosão) mais comuns do lado de lá, tipo Pantsir etc. São cabeças, propósitos e formas de operar diferentes, mas o tamanho da explosão em si se for bem preciso dá pra fazer muita coisa contra uns alvos bem específicos.
O artigo traz uma inconsistência ao afirmar que um míssil com quase 1000 km de alcance foi projetado tendo em vista o ataque tático. O ataque a alvos táticos se dá dentro do chamado “campo de batalha” que se estende de um lado ao outro da linha de frente, tipicamente dentro do alcance da artilharia inimiga. Um míssil eminentemente tático tem curto alcance. Hoje, chuto na casa de não mais que 100 km. *Um míssil “tático” pode realizar um ataque estratégico, desde é claro que o avião vetor penetre no espaço aéreo inimigo. Muito provavelmente o artigo se referiu a… Read more »
Cuidado com a redução de tático/estratégico ao parâmetro “distância”. É mais que isso.