F-35 em manutenção

F-35 em manutenção

Senadores norte-americanos alertaram a Força Aérea dos EUA (USAF) sobre os baixos índices de prontidão e os custos crescentes de manutenção do caça furtivo F-35A Lightning II, durante a sabatina de Gen. Kenneth Wilsbach, indicado para assumir o cargo de Chefe do Estado-Maior da Força Aérea.

O presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, Sen. Roger Wicker, afirmou que “o F-35 continua sendo o caça mais avançado do mundo, mas muitos estão parados nas pistas. As taxas de prontidão continuam abaixo das metas do Pentágono. A Força Aérea não pode projetar poder se sua aeronave mais avançada não consegue decolar.”

De acordo com relatórios recentes do U.S. Government Accountability Office (GAO), a taxa de aeronaves disponíveis para missão entre 2019 e 2023 variou de apenas 71% a 51%, enquanto os custos de sustentação dispararam. A Lockheed Martin, fabricante da aeronave, também foi criticada por atrasos nas entregas e falta de atualizações essenciais.

Peças ausentes e orçamento insuficiente

O general Wilsbach reconheceu que a falta de peças no estoque tem prejudicado a disponibilidade das aeronaves e defendeu mais recursos para as contas de manutenção. “Precisamos investir para que as peças estejam nas prateleiras quando a aeronave precisar voar. Hoje, é necessário esperar a entrega, e todo esse tempo parado é tempo perdido de treinamento”, afirmou.

O senador Jack Reed advertiu que pilotos “passando o dia inteiro em simuladores” enfraquecem a retenção de aviadores. O orçamento de Defesa para 2026 prevê a aquisição de 47 F-35, sendo 24 da versão A para a Força Aérea, mas sem recursos adicionais além dos já aprovados no pacote orçamentário de reconciliação.

China no centro das preocupações estratégicas

A audiência também tratou de questões estratégicas. Pressionado por parlamentares, Wilsbach afirmou que China representa uma ameaça significativa à segurança nacional e que a Força Aérea deve manter capacidade para projetar poder no Pacífico Ocidental. “A defesa do território nacional é nossa prioridade número um. Ao mesmo tempo, devemos preservar a prontidão de alto nível para desafios estratégicos, como o representado pela China”, afirmou em documento encaminhado ao Senado.

Embora não tenha se comprometido a seguir integralmente a reestruturação organizacional lançada por seu antecessor, Gen. David Allvin, Wilsbach deixou claro que investimentos no Indo-Pacífico continuarão sendo uma prioridade estratégica.

O debate reforça o crescente desconforto no Congresso com os custos e limitações operacionais do programa F-35 — o mais caro da história militar dos EUA — e antecipa uma pressão maior sobre a Força Aérea e a Lockheed Martin para melhorar desempenho e disponibilidade da frota.■



Redes Sociais

A Trilogia Forças de Defesa também está presente nas redes sociais. Para comentar e discutir as matérias com os editores e outros leitores, entre no nosso grupo no WhatsApp e no Facebook. Para correções, críticas e sugestões de pauta, contate os editores: redacao@fordefesa.com.br.
Subscribe
Notify of
guest

30 Comentários
oldest
newest most voted
José 001

O exemplo perfeito do quanto o marketing da LM é sensacional.

Décadas de promessas, orçamentos astronômicos (US$1.7 trilhões é que foi revelado até agora) e discursos sobre “a supremacia aérea do futuro”, e o resultado é um avião que passa mais tempo no hangar do que no céu.

Um programa que nasceu para substituir praticamente tudo, desde F-16, F/A-18, A-10, e AV-8B, mas acabou não fazendo nada direito.

Pato ao menos voa.

Mas ele tem SAC.

Augusto

É tão ruim que já foram entregues mais de 1.200 até agora ao redor do globo, com longa fila de espera. Tão ruim que os israelenses rasgaram elogios após o usarem para obliterar as defesas antiaéreas iranianas. Imagine se fosse bom!

Uriel PR

E tu acha que se compra um caça apenas pela questão técnica

LUIZ

Os israelenses usaram homens em terra dentro do Irã pra neutralizar as defesas antiaéreas. A vantagem de Israel sobre os seus adversários é o setor de inteligência e espionagem que atuam dentro dos países. Isso da uma vantagem tremenda pra os ataques certeiros diferentes do Irã que é fraquissimo nesses quesitos. Não adianta ter a melhor arma pic@ das galáxias se dorme no ponto.

Last edited 9 meses atrás by LUIZ
José 001

Somente no Brasil foram vendidos 71.606 Fiat Marea de todas as versões.

Todos que leram material sério sobre como as defesas defasadas do Irã foram em sua maioria “obliteradas” sabem que o mérito foi do Mossad.

E na matéria fala do nível de disponibilidade dos mais de 1.200 F-35.

Sergio

Augusto, fazer um exemplar maravilhoso de qualquer coisa não é o mais difícil, mas esta maravilha estar disponível em condições de serviço por custo de aquisição e manutenção adequados é o grande problema. Por isso o T-34 foi o tanque mais importante da segunda guerra mundial, não era o melhor mas era bom, robusto, efetivo, fácil de fabricar, manter e operar. O Panzers Pantera e Tiger eram melhores nas condições ideais ( que não são o normal na guerra) mas não podiam concorrer com 6 ou 7 x mais oponentes que em 10 min com arame, bombril e durex eram… Read more »

Rinaldo Nery

Ter vendido 1 ou 1 milhão não esconde os problemas logísticos e consequente baixa disponibilidade. Pra USAF, disponibilidade de 51% é um absurdo. Nas frotas vendidas deve ser o mesmo. Se fosse aqui, estariam todos no chão.

Fernando Vieira

Imagino que se a USAF não consegue as peças para manter sua frota voando, os clientes de exportação devem sofrer mais ainda porque as peças de reposição que forem sendo produzidas irão prioritariamente para a USAF

Maurício Veiga

Vender é uma questão, voar é outra…

Last edited 9 meses atrás by Maurício Veiga
EduardoSP

O NH-90 tem uma situação parecida. Tem gente que comprou e repetiu a compra (França, Alemanha, Itália) e tem gente (Austrália e Noruega) que comprou e preferiu jogar fora e partir para outro aparelho.

O caso do F-35 é parecido. Israel comprou, usou e comprou mais. Outros países compraram e repetiram a compra. Mas ainda não apareceu quem comprou e desistiu do aparelho.
Então não é só marketing.

No caso do F-35

gordo

Custos crescentes e ações na bolsa sempre em alta, simples assim.

Eromaster

F-35 Baleia foi projetado para ser caro e drenar dinheiro dos contribuintes.

O titio do Norte consegue empurrar esse baleia para aos aliadas a base de pressão e chantagens para eles comprarem.

juggerbr

Os senadores tinham que ir atrás dos malucos que assinaram esse contrato com a LM…

Henrique A

Interessante como lá existe esse tipo de discussão detalhada e cobrança da classe política enquanto aqui é simplesmente os comandantes vindo com o pires na mão sem prestar contas ou ideias sem fundamento como bomba nuclear.

Fernando Vieira

Político no Brasil só tem interesse em encher o próprio bolso e ser reeleito. Não é muito diferente dos políticos americanos. A diferença é que os eleitores dos americanos cobram seus políticos por isso. Aqui, basta o político bancar um churrasco, fazer uma quadra poliesportiva e ele garante os votos de todo mundo da região.

Rodrigo Maçolla

Criticas e cobranças validas por parte dos Senadores Norte Americanos , pois é um avião realmente com muitas capacidades, mas também realmente muito caro de adquirir e manter., mas com retorno duvidoso até agora porque pesa muito contra todo o projeto essa baixa disponibilidade que o torna pouco confiável também.

Nei

Simples, se tem aumento de custos astronômicos, processe a LM, culpa é dela.
Se as peças não aguentam, culpa de quem as fabricam.

SteelWing

Aaiiiinnn, mas a logística da russia eh terrível….

Uriel PR

Que ridículo, o projeto de caça mais caro da história kkk

Heinz

Deve ser muito bom ter políticos que se preocupam com a defesa do seu país.

Maurício Veiga

Quando começa errado acaba errado, todos sabiam que nao daria certo, mas continua vendendo, só não pode voar…

Abymael2

Consertar os problemas desse avião deve ser mais difícil que achar cabeça de bacalhau.

GBento

Que diferença dos políticos tupiniquins que não devem saber a diferença entre um IA2 do EB e um Meteor da FAB.

Rodrigo

Os especialistas querendo criticar o maior sucesso de venda da história bélica…se a reposição de peças e difícil paravo F35 que tem uma centena de fornecedores. Imagina para os demais que fabricam entre 4 a 10 caças por ano. Problema do F35 que a demanda e gigante, nem a LM imaginava que seria esse sucesso de vendas…e com a aumento do gastos militares no mundo e normal essa elevação de despesas…lei da oferta e demanda. Pois além do F35 a Lm fornece peças para milhares de F16 e outras aeronaves.

Rinaldo Nery

Esse argumento não justifica nada.

Alexandre Galante

Não adianta vender muito se depois o avião vira rainha de hangar.

Carlos Campos

Vergonha para a LM, e para as forças armadas que empurraram nessa empresa um contrato de gastos sem limites, metade da frota sempre parada no chão, o lado positivo é que ele ainda é o melhor caça do mundo

Heli

E Portugal quer entrar nesse clube, quando o Gripen E estaria mais que de bom tamanho.

Euris Morato

Tecnologia e custos altos na guerra nem sempre resolveem. Lembremos que um país pobre o Vietnam cujos soldados descalços usavam apenas calções facas e fuzis e atacavam saídos de buracos na terra uma nação sem poder aéreo e nem naval, venceu a guerra contra a maior potência militar do mindo os EUA , Pov exemplo , um enorme Porta Avioes nuclear com 5.000 homens de bilhões de dólares e cerca de 100 avioes dos mais modernos pode ser de repente destruido ou afundado com um simples foguete supersônico de 10 mil dolares. .

Rinaldo Nery

Uma pequena correção: o Vietnã tinha um poder aéreo, e deu trabalho pros EUA. Abateram muitos norte americanos.