SJ-100 PD-8

SJ-100 com motor PD-8

MOSCOU — A agência federal de transporte aéreo da Rússia (Rosaviatsiya) avalia instalar motores PD-8, de produção nacional, na frota existente de jatos regionais Sukhoi Superjet 100 (SSJ100), diante da falta de vida remanescente dos atuais turbofans SaM146 (franco-russos). O chefe da agência, Dmitry Yadrov, afirmou que a proposta está sendo discutida com companhias aéreas e lessores.

Segundo Yadrov, o SJ-100 (versão com substituição de importações) equipado de fábrica com PD-8 tem entregas previstas a partir de 2026, mas isso não resolve o problema da frota já em operação. “Acabaremos precisando remotorizá-los, instalando PD-8 e trocando o sistema de controle e as naceleiras”, disse. Para ele, os Superjet têm baixa idade média e potencial para 20 anos ou mais de serviço, tornando preferível o retrofit à retirada de operação.

Certificação e cronograma

O PD-8 está nas etapas finais de ensaios; a campanha crítica de 150 horas começará em breve e será determinante para a certificação de tipo, que, por sua vez, define quando a remotorização poderá iniciar.

Frota, sanções e extensão de vida

A frota russa do SSJ100 soma cerca de 160 aeronaves. Produzido com ampla participação de componentes estrangeiros, o jato teve a produção em série encerrada em 2022 após as sanções. Operações comerciais começaram em 21 de abril de 2011 (Armavia). Entre 2018 e 2019, o uso intensivo acelerou o consumo de vida dos SaM146; cerca de 20 aeronaves correm risco de retirada. Autoridades aprovaram extensões de vida para sustentar operações até 2028–2029.

Viabilidade econômica em debate

A United Aircraft Corporation (UAC) já havia questionado, em fev/2023, a viabilidade econômica da remotorização: o custo do kit PD-8 (motor + acessórios) se aproxima ou supera o valor residual do Superjet, estimado em ~500 milhões de rublos (US$ 5–6 milhões). “Tecnicamente é possível, mas há pendências no campo econômico”, disse à época Yury Slyusar (hoje governador de Rostov).

Mesmo assim, companhias aéreas sinalizam interesse. A Red Wings vê a remotorização de forma positiva desde 2022, e operadores esperam oportunidades de upgrade — decisões finais dependem do modelo de financiamento entre governo, fabricante e companhias.

Objetivo: manter aeronaves voando

A UAC estabeleceu como meta manter a aeronavegabilidade do Superjet na configuração dependente de importações pelo maior tempo possível, considerando a remotorização uma ferramenta dentro desse plano. A execução dependerá da certificação do PD-8 e de uma arquitetura financeira que torne o projeto sustentável.■


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4 Comentários
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BlackRiver

Seria a industria aeronautical russa a mais independente de todas?
Será mesmo que não tem nenhum componente estrangeiro numa máquina dessas?

Cassini
Eromaster

Esse tipo de erro acontece numa guerra. Uma vez no ar, o míssil pode detectar colar de um avião civil e interpreta-lo como alvo, aí já era.

Eromaster

Os russos sempre dão jeito em tudo com simplicidade.