A320neo

A Airbus conquistou um marco histórico nesta terça-feira: sua família de jatos A320 ultrapassou a linha de entregas da Boeing 737, tornando-se o avião comercial mais entregue em toda a história da aviação. O recorde ocorreu com a entrega de um A320neo à companhia saudita Flynas, alcançando a marca de 12.260 aeronaves entregues desde o início das operações do A320 em 1988.

De acordo com o banco de dados britânico Cirium, referência no setor aeronáutico, o A320 agora lidera o ranking global de entregas acumuladas, quebrando décadas de domínio do 737 da Boeing.

História de sucesso e os fatores do avanço da Airbus

A família A320 entrou em serviço em 1988 e ao longo de quase quatro décadas consolidou-se como pilar da aviação comercial de fuselagem estreita. A versão neo, lançada em 2016, trouxe melhorias significativas de eficiência de combustível — com motores mais modernos e aprimoramentos aerodinâmicos — o que ajudou a intensificar a demanda por esse tipo de aeronave.

Outro ponto determinante para sua ascensão foi a forte adesão de companhias aéreas de baixo custo, que buscaram operar com eficiência em rotas de curta e média distância. Além disso, a Airbus conseguiu manter uma cadência de produção elevada nos últimos anos, apoiada por estrutura de montagem descentralizada, inclusive em locais como os EUA e a China.

O que muda para a Boeing?

A Boeing, que durante décadas manteve o 737 como o mais entregue do mercado, agora enfrenta o desafio simbólico de reconquistar essa liderança. O 737 permaneceu no topo por muitos anos, mesmo após transformações das versões NG e MAX. Alguns analistas apontam que os problemas enfrentados pela Boeing nos últimos anos — especialmente os acidentes do 737 MAX em 2018 e 2019 — contribuíram para uma contração na produção e para a perda de mercado para a concorrente europeia.

No evento ISTAT em Praga, executivos de ambas as empresas afirmaram que não pretendem lançar um novo modelo de avião comercial de fuselagem estreita tão cedo, aguardando avanços tecnológicos, especialmente no domínio de novos motores.

Sobre a Airbus

Primeiro voo do A300

A Airbus teve sua gênese em um esforço de cooperação europeia entre empresas aeronáuticas da França e da Alemanha, com a adesão posterior da Espanha e do Reino Unido, visando quebrar o domínio americano no segmento de aviões comerciais. Em 1972 foi realizado o primeiro voo do A300, o primeiro modelo de produção da empresa. Ao longo das décadas seguintes, a Airbus expandiu suas capacidades, consolidando-se como um dos dois grandes fabricantes de aviões comerciais do mundo.

No ano 2000, a estrutura original de consórcio deu lugar a uma nova configuração societária: a EADS (European Aeronautic Defence and Space Company) foi criada para agrupar os negócios aeronáuticos, espaciais e de defesa europeus, incorporando a Airbus como uma de suas divisões.

Em 2001, foi transformada também numa sociedade anônima, com ações distribuídas entre os principais acionistas europeus. Com o tempo, a identidade “EADS” foi suprimida e o nome “Airbus” prevaleceu como marca-guia, e hoje a empresa opera sob o nome Airbus SE, com sede legal nos Países Baixos e listagem nas bolsas da França, Alemanha e Espanha.

Atualmente, os governos de França, Alemanha e Espanha mantêm participações acionárias significativas na Airbus SE, via holding companies estatais.

Segundo dados públicos:

  • O governo francês, através da holding SOGEPA, possui cerca de 10,8 % das ações da Airbus.
  • O governo alemão, via holding GZBV, detém aproximadamente 10,8 % das ações.
  • O Estado espanhol, por meio da holding SEPI, é dono de cerca de 4,1 % da companhia.

Essas participações resultam em uma participação estatal combinada na casa de cerca de 25 – 26 % da empresa.

O capital restante é amplamente detido por investidores privados institucionais e pelo mercado aberto.

Estruturalmente, a Airbus é organizada em três divisões principais, cada uma atuando com relativo grau de autonomia dentro do grupo: Airbus (a aviação comercial), Airbus Defence & Space (defesa, sistemas espaciais e militares) e Airbus Helicopters. O conselho de administração da empresa supervisiona toda a estratégia corporativa, delegando ao CEO e ao Comitê Executivo a gestão operacional do dia a dia. Recentemente, a divisão de Defesa e Espaço passou por uma reorganização interna, efetiva a partir de 1º de julho de 2025, com ajustes para maior agilidade e foco competitivo. ■



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8 Comentários
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BlackRiver

Que momento histórico na aviação mundial.

Abymael2

Quem diria que aquele avião, cujo protótipo caiu num bosque em uma exibição em 1988 na França, quase 40 anos depois seria o sucesso atual. Aquilo foi um fiasco, parecia um mau presságio mas, no fim das contas, surpreendentemente acabou não afetando a credibilidade do A320.
“Essas participações resultam em uma participação estatal combinada na casa de cerca de 25 – 26 % da empresa.
O capital restante é amplamente detido por investidores privados institucionais e pelo mercado aberto.”
Me surpreendi, achei que os entes estatais tinham uma participação muito maior. No fim das contas o verdadeiro dono da Airbus é o tal “mercado”.

José de Souza

Típico caso de indução estatal. Ao perceberem que diversas companhias europeias não poderiam concorrer com as americanas (Além de Boeing tínhamos nos anos 1980 a McDonnel-Douglas), os governos reorganizaram em torno da organização das cadeias produtivas em torno de produtos unificados. Bingo. Todos lucraram.
E mesmo as americanas dependem maciçamente de financiamento e encomendas do governo dos EUA.

Maurício Veiga

E a Embraer, vai ou não vai entrar nesse segmento de mercado, o tempo voa…

Palpiteiro

Se tiver 10% deste mercado é mais do que vende de E2eE1 juntos.

BlackRiver

Não, não vai, fosse querer entrar nesse mercado, deveria ter protótipos pronto em fase de homologação para que pudesse brigar com o 737 MAX
Mas não é um mercado fácil, afinal estamos falando de uma família de aviões onde o menor deles seria equivalente ao maior avião que a Embraer já fez, o KC390.

JuggerBR

Pra entrar precisaria de um capital enorme, acho que apenas se eles fossem adquiridos pela China haveria tal esforço de criação de uma avião nesta categoria.

Kleber Peters

E isto com 20 anos a menos de produção (primeiros voos em 1967 e 1987 respectivamente).

Só não voei no Max ainda, mas voei em todas as outras gerações do 737 (Brega, Classic e NG) e sempre achei o A320 mais silencioso. Mas o que mais gostei de voar foi o Fokker 100. Espaço, silêncio, comida quente…