FCAS

Concepção do FCAS

O projeto europeu do Future Combat Air System (FCAS), estimado em mais de €100 bilhões, enfrenta uma crise política e industrial significativa entre seus membros, levando a Alemanha a explorar alternativas para substituir a França no consórcio, segundo fontes oficiais e reportagens recentes. A possível entrada do Reino Unido e da Suécia no programa emerge como uma das opções consideradas caso os impasses com a fabricante francesa Dassault Aviation não sejam resolvidos.

Desde sua criação em 2017, o FCAS, liderado por França, Alemanha e Espanha, tinha como meta desenvolver uma nova geração de caças de combate com drones cooperativos e “cloud de combate”, para substituir os Rafale franceses e os Eurofighters usados pela Alemanha e Espanha até 2040. Entretanto, tensões aumentaram nos últimos meses: a Dassault exige, entre outros pontos, participação majoritária nos ganhos e na decisão sobre subcontratados, propondo um compartilhamento de tarefas de cerca de 80% para si.

Representantes alemães acusam Dassault de frear o progresso do FCAS ao insistir em mudanças que desfavorecem empresas da Alemanha e da Espanha, ferindo os acordos originais de cooperação industrial que davam voz equivalente aos parceiros.  Em resposta, parlamentares alemães e o Ministério da Defesa de Berlim têm levantado a possibilidade de um novo caminho, inclusive considerando abandonar o FCAS caso não haja uma renegociação, ou mesmo aderir ao rival Global Combat Air Programme (GCAP), liderado pelo Reino Unido, Itália e Japão.

Chanceler alemão Friedrich Merz chegou a apelar publicamente para que a França respeite os compromissos firmados, afirmando que o FCAS só poderá avançar para sua próxima fase — a dos demonstradores de voo — se as diferenças sobre partilha de trabalho e propriedade intelectual forem resolvidas até o fim do ano. Do lado francês, Dassault argumenta que o modelo atual de governança dificulta a rapidez nas decisões, o que comprometeria o cronograma industrial.

A possibilidade de a Suécia entrar no consórcio surge como uma alternativa para preencher lacunas industriais e manter a escala do projeto. A Suécia, que já tem experiência no desenvolvimento de aeronaves e cooperação internacional no setor de defesa, aparece como parceira natural em caso de reconfiguração. O Reino Unido, com seu programa GCAP, também é apontado como parceiro potencial para formar uma nova coalizão, caso o FCAS não possa avançar com as partes atuais.

Especialistas em defesa afirmam que uma ruptura no FCAS seria um golpe simbólico para a integração europeia na indústria militar, mas apontam que um realinhamento poderia acelerar o desenvolvimento tecnológico, desde que haja consenso político entre os governos envolvidos. O tempo, porém, é curto: a entrada na fase demonstrativa de voo do FCAS está prevista para o fim de 2025, e sem um acordo claro, há risco de atrasos ou até de abandono do projeto como originalmente concebido.■


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Willber Rodrigues

“Entretanto, tensões aumentaram nos últimos meses: a Dassault exige, entre outros pontos, participação majoritária nos ganhos e na decisão sobre subcontratados, propondo um compartilhamento de tarefas de cerca de 80% para si.”

Geralmente eu defendo a França, pois toda vez que eles saíram de algum consórcio europeu, os franceses fizeram, sozinhos, um produto com histórico de vendas muito melhor que o produto feito pelo consórcio, mas 80% pros franceses chega a ser absurdo.

Chuto que nem os EUA tem essa porcentagem na fabricação do F-35.

Sulamericano

Dá pra chamar essa história de Eurofighter 2: a missão!
É a mesma novela que levou a França a pular fora do consórcio e resolver desenvolver o Rafale sozinha.
 
Entretanto, isso é mais um tiro no pé da União Europeia, que deveria pensar em defesa como um bloco e não de forma individualizada.

Hcosta

O problema é isto não ser feito ao nível da União Europeia mas da iniciativa dos países…

Willber Rodrigues

“Entretanto, isso é mais um tiro no pé da União Europeia, que deveria pensar em defesa como um bloco e não de forma individualizada.” É por isso que nunca acreditei naquela história da UE fazer um Exército Europeu. Imagine a Alemanha e França “batendo cabeça” pra decidir quem manda em quem, quem faz o quê, quem comora de quem, enquanto o resto dos países europeus esperam uma decisão, indo a reboque? Da mesma maneira que nunca acreditei naquela história de “fundo de Defesa histórico Europeu”. Um continente com França, Inglaterra, Alemanha, Suécia e Áustria, mas que não conseguem ter uma… Read more »

Hcosta

Quais são os exemplos de a França ter saído e vendido mais do que o projeto conjunto?
São os projetos conjuntos que têm mais sucesso. FREMM, MBDA, Airbus (militares e civis), etc.

A França é um exemplo de colocar os seus interesses à frente dos interesses Europeus.
Basta comparar o armamento de um Rafale com o do Gripen, que é compatível com armamentos europeus e americanos. Quem é que utiliza o MICA?

Willber Rodrigues

“Quais são os exemplos de a França ter saído e vendido mais do que o projeto conjunto?”

Qual caça alemão, sueco ou inglês vendeu mais que a família Mirage?
Tirando os fabricantes do consórcio, o Eurofighter foi exportado para quantos clientes, em comparação ao Rafale?
Ao menos em matéria de aviação, a França tem muito mais sucesso de vendas que a Europa.

“A França é um exemplo de colocar os seus interesses à frente dos interesses Europeus.”

E estão errados?

Hcosta

Claro que estão.

E que grande contabilidade. Produzir 600 contra 300 é muito pior porque há mais países a encomendar…
E a diferença é de um ou dois países.

e trás outro exemplo como o Mirage 2000, projeto que foi o resultado da retirada da França do consórcio do Tornado. Um com 600 unidades, outro com 990.

Mercenário

Eurofighter foi exportado para aproximadamente o mesmo número de clientes internacionais do que o Rafale, porém com o número de aeronaves superior no total (incluindo parceiros).

A França gosta é de pegar parte do financiamento inicial em conjunto e depois dizer que vai fazer o próprio avião.

J R

O EF-2000 teve menos unidades exportadas, hoje o Rafale é o avião de 4ºG de maior sucesso comercial do continente, já vendeu mais até que o Mirage-2000. Essa história de França e Alemanha tem tudo pra dar errado, a Alemanha tem seus puderes em exportações militares, a França vende até pro capeta se ele precisar.

J R

*pudores

Mauricio R.

Enquanto a França fabricou 601 exemplares do M-2000, além de 75 M-2000N de interdição nuclear e 86 M-2000D de interdição convencional; Reino Unido, Alemanha e Itália fabricaram 990 Tornados (745 IDS, 194 ADV e 51 ECR)
A França pode ter exportado mais exemplares, mas pelo fato de ser uma aeronave mais barata.

André Macedo

Mas 80% seria o compartilhamento de “tarefas”, não? Os ganhos não ficaram detalhados… Mesmo assim ainda é incrível como os europeus se estapeiam toda vez que embarcam juntos num projeto

JuggerBR

Europeus seguem não aprendendo a trabalhar juntos em aviação, décadas de atritos e gastos desnecessários em projetos duplicados de aeronaves.
China com possíveis protótipos de sexta geração e eles se batendo por uma aeronave de quinta, ainda bem longe de fabricar a primeira peça, quanto mais ainda de entrar em produção.
Rumo a irrelevância tecnológica…

Sulamericano

Se fosse só na área da aviação.
Eles têm conflitos de interesse em quase todas as áreas. Exemplos não faltam, como o Leclerc vs Leopard, NH90 vs Cougar as FREMM vs (escolha a sua fragata de preferência), etc.
Falta planejamento estratégico para a padronização e produção conjunta.

Last edited 9 meses atrás by Sulamericano
Hcosta

nessa questão, prefiro modelos diferentes mas com sistemas compatíveis entre si.
O A400 é um bom exemplo de como a padronização e produção conjunta (e acelerada) pode não atender os requisitos de muitos países.

SteelWing

Franceses gostam de ter independência tecnológica e ser autossuficientes em defesa, por isso essa decisão. Um dos poucos países do mundo, ao lado dos EUA, Rússia e China e conseguir fazer um caça a jato totalmente nacional ( ingleses também, mas acabam não optando pelos custos). O problema é saber até que ponto essa política de ser autossuficiente em tudo, como caças, porta aviões , submarinos nucleares é possível, pois é muito cara, principalmente no desenvolvimentos. EUA e China tem bala na agulha pra desenvolver e manter cadencia indefinidamente. Os russos não tem opção, ou desenvolvem sua tecnologias ou ficam… Read more »

Hcosta

A França tem muitos projetos conjuntos, sendo os maiores a Airbus e a MBDA. Somente estes dois já representam grande parte dos helis e os mísseis. Dito isto, não é a primeira vez que surgem estas questões nos projetos conjuntos e se a vontade deles fosse pagar isoladamente, já o teriam feito e iniciado o processo há muito tempo. Mas qual é o elemento comum? Não será a Dassault? A manter as linhas abertas quando já podiam ter avançado para outro caça? A manterem toda a cadeia logística sob a sua vontade? Onde diz auto suficiência me parece ser ausência… Read more »

Marcos moreira

As armas francesas são de péssima qualidade

Machado

Diz isso para os Ingleses na Guerra da Malvinas

Macgarem

kkk Entra todo mudo sai a frança.

De um lado haverá um projeto da zona do UE e do outro apenas a frança.

Sulamericano

A França tem sido uma tremenda barreira na integração da União Europeia. É só ver o que eles fizeram e tem feito pra impedir uma interligação energética entre a península ibérica e o restante do continente.

João Carlos

A França não tem dinheiro para fazer um caça de sexta geração sozinha. E mesmo que conseguisse iria vender a quem?
O resto da Europa compraria o outro avião do consorcio europeu. O preço do avião Frances por causa de escala de produção iria ficar a um preço proibitivo. A India e o Japão estão a ser convidados a participar no GCAP, quem ficaria para comprar o avião Frances?
Os Franceses a não olharem para o espelho para ver a realidade.

J R

A França sempre teve sucesso em produzir aviões acessível, tanto para comprar, quanto para manter, isso acabou no Rafale, se quiserem algum sucesso nesses novos projetos vão ter que recuperar essa receita.

Hcosta

Os prejuízos ficam para o estado e os lucros para os privados…

TJLopes

Para a surpresa de 0 pessoas, a questão é: A França tem $ pra bancar o desenvolvimento de um caça de 6ª geração sozinha? Capacidade eu sei que tem, mas sem dinheiro, não adianta de nada.

fewoz

Alemanha, Japão e Itália juntos novamente? Isso ficará interessante…

adriano Madureira

Nossa,só foi a França sair e aparecem mais dois sócios para o FCAS…

Agora o consórcio poderá ser feito entre Alemanha,Espanha e se der certo, Reino Unido e Suécia…
No fim das contas dá para constatar que são os franceses que adoram azedar a harmonia dentro de programas conjuntos…

Regis

Não estou surpreso, por dois motivos:

1) Os franceses são bastante egocêntricos, acham que tem direito à maior fatia do bolo;

2) A própria história europeia: é o continente com o maior quantidade de conflitos travados na história humana. Eles tem dificuldade em trabalhar juntos. Assim é difícil conseguirem criar um projeto de defesa 100% europeu.

Hcosta