ESPECIAL: 80 anos da vitória da FAB na defesa do Atlântico Sul – Parte 3
Durante a Batalha do Atlântico, PBY Catalina brasileiros como estes participaram de operações antissubmarino, com um deles afundando com sucesso um U-boat, U-199, na costa do Rio de Janeiro em 31 de julho de 1943. Aqui, oficiais da Marinha dos EUA passam em revista a uma linha de anfíbios PBY-5A brasileiros com aviadores navais brasileiros de alto escalão
No céu azul voava o Arará (1943)
Por Lorenzo Baer
O ano de 1943 representaria o ápice dos esforços da Força Aérea Brasileira (FAB), da Força Aérea do Exército dos EUA (USAAF) e da Marinha dos EUA (USN) na defesa dos comboios que transitavam pelo Atlântico Sul, à medida que crescia a atividade submarina na região. Tal ocorreu em consequência de dois fatores.
O primeiro foi a observação da Kriegsmarine (Comando Supremo Naval Alemão) das férteis zonas de caça ao sul do Equador, que apresentavam boas oportunidades de alvos que ainda não se encontravam densamente defendidos, tanto por escoltas de mar e ar. O segundo fato foi devido ao aumento da intensidade e das perdas de submarinos no Atlântico Norte, que estavam se tornando zonas perigosas para operações de submersíveis.
Então a migração para o sul dos submarinos alemães e italianos parecia agora inevitável, e a FAB fazia os últimos preparativos para o impacto dessas operações.
O começo inicial dessa campanha e das reviravoltas que estavam por acontecer no ano de 1943 se deu oficialmente no dia 6 de janeiro de 1943, quando um dos PBY Catalina do esquadrão VP-83 afundou o submarino alemão U-164 ao largo de Pernambuco. Esse, o primeiro afundamento de submarino na costa brasileira, deu um grande ânimo às tripulações, que agora viam que era possível contra-atacar a ameaça dos U-boots no nosso litoral.
Sete dias depois, seria a vez do segundo golpe de sorte dos aliados na região, quando um outro Catalina, do mesmo esquadrão americano, afundou o U-507, enquanto este tentava atacar um comboio no litoral do Piauí.
Para os brasileiros, a primeira grande experiência no ano foi o ataque de um B-25 da FAB a um submarino alemão (U-518) no litoral de Pernambuco, no dia 14 de fevereiro de 1943. Apesar do B-25 não conseguir afundar o submersível inimigo, o mesmo demonstrou que as capacidades dos pilotos brasileiros já haviam melhorado substancialmente, frente aos ‘verdes’ recrutas de 1942.
No entanto, uma nota triste para esse ataque é que se ele tivesse tido sucesso, a FAB poderia ter evitado o afundamento do navio Brasilóide, que seria torpedeado quatro dias depois pelo mesmo U-518.
O padrão dos combates nessa primeira parte do ano era quase sempre o mesmo: o primeiro contato com o inimigo era feito pelos North American NA-44 da FAB, o modelo mais comumente usado pela Força Aérea nesse período para operações de proteção de comboios. Equipados com bombas de profundidade e rádios, essas aeronaves realizavam o primeiro ataque, enquanto mandavam sinais radiografados para o litoral, requerendo um suporte mais adequado. O chamado então era re-transmitido para a base aérea mais próxima, e rapidamente aeronaves mais capazes (como os Hudson e os Mitchell) eram despachadas para lidar com o problema.

Nos meses seguintes, novos reforços chegaram para dar cada vez mais consistência defensiva às operações de proteção de comboios. Pelo lado da FAB, a maior adição nesse período foram sete PBY-5 Catalina, repassados pela USAAF e que aumentaram enormemente as capacidades da Força Aérea Brasileira em missões de longa duração sobre o Atlântico.
O segundo reforço veio por intermédio de próprios efetivos americanos, já que em meados de maio alguns esquadrões extras foram destacados para auxiliar os brasileiros nas tarefas de patrulha, tais como o VP-74 (Mariner PBM-3), o VB-127 (Ventura PV-1), VB-129 (Ventura PV-1) e VB-107 (PB4Y-1 Liberator). A grande perda seria o VP-83, unidade que já havia criado laços com seus semelhantes brasileiros e que voltava para os EUA depois de seu tempo de serviço na costa brasileira.
Apesar disso, os novos ‘gringos’ não demoraram muito para se adaptar as condições de vida nas bases do nordeste, e também, não tardando em deixar sua marca. Em 17 de maio, os Mariners do VP-74 afundaram o U-128 ao largo de Pernambuco, aumentando o escore das aeronaves americanas na região.
Os números de submarinos destruídos ao largo da costa brasileira entre abril e julho chegavam a 10, todos eles afundados por aeronaves da USAAF e USN: os U-164, U-507, U-128, U-590, U-513, U-662, U-598, U-161 e U-591, todos alemães, além do submarino italiano Archimede.

Isso deixava os pilotos brasileiros com uma pulga atrás da orelha, pois ainda faltava uma vitória 100% nacional no Atlântico. Tal viria a acontecer finalmente no dia 31 de Julho, data que entraria para a história da aeronáutica brasileira.
Tudo começou quando um telegrama chegou à base aérea do Galeão, informando que um Mariner da USN e um submarino alemão se encontravam em franco combate ao largo da costa do Rio de Janeiro. Sem saber ao certo o grau de danos sofridos pelo submersível, um Hudson da FAB decolou da base do Galeão para avaliar melhor a situação.

Quando chegou ao seu destino, o Hudson encontrou o Mariner ainda travado no combate. Apesar de passagens rasantes do Hudson brasileiro, que atacou o submarino com bombas e metralhadoras, seria um Catalina da FAB que daria o golpe de misericórdia no submersível nazista.

Enquanto realizava missão de varredura entre o Espírito Santo e o Rio, o PBY-5 Catalina nº FAB-6501 ouvira uma transmissão de rádio acerca dos combates mais ao sul. Pedindo permissão, a aeronave se desvencilhou do seu encargo, partindo em socorro ao Hudson e ao Mariner.
Quando chegou as coordenadas da batalha, o Hudson já havia retornado ao Rio, com o Mariner continuando a atrair o fogo antiaéreo do submarino. Vendo uma janela de oportunidade, o Catalina se pôs a pique, lançando três cargas de profundidade que destruíram o submarino – só mais tarde viria a ser reconhecida a identidade do submersível, como U-199.
Um mês depois, o mesmo Catalina seria oficialmente batizado como “Arará”, em homenagem ao vapor de mesmo nome afundado pelo U-507 em 1942.
Tal sucesso, em conjunto com aqueles alcançados pelos pilotos da USAAF e da USN ajudariam a reduzir consideravelmente as perdas de navios no litoral brasileiro no segundo semestre de 1943, fazendo com que até mesmo a Kriegsmarine reavaliasse sua posição acerca de uma doutrina mais ofensiva no Atlântico Sul.
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Submarinos afundados – distância do Litoral em Milhas
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U-199 (RJ)
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30 milhas
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U-128 (AL)
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32 milhas
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U-591 (PE)
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33 milhas
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U-598 (RN)
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60 milhas
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U-164 (CE)
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80 milhas
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U-507 (PI)
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100 milhas
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U-161 (BA)
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120 milhas
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U-513 (SC)
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120 milhas
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U-662 (AP)
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180 milhas
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U-590 (AP)
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200 milhas
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Arquimede (FN)
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115 milhas
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Na Parte 4: Novos deveres, velhas missões (1944)
LEIA TAMBÉM:
ESPECIAL: 80 anos da vitória da FAB na defesa do Atlântico Sul – Parte 2


segundo o meu pai,
um ¨Catalina¨ pousou no aeródromo aqui na minha cidade em 47..
trazendo uma imagem de uma santa para uma festividade religiosa aqui.
Eram lindos ! Pena não haver muitas aeronaves anfíbias hoje em dia…
Excelente! Parabéns
Amigo Alexandre Boa noite!
Conheço um site bem legal sobre a guerra no atlântico,dê uma olhada, quem sabe possa ajudar em futuras matérias.
https://www.sixtant.net/2011/artigos.php?cat=u.s.-navy-bases-in-brazil&sub=u.s-navy-bases-&tag=9)naf-noronha-in-pictures
Seria bom se algum dia a trilogia pudesse fazer uma matéria sobra a ilha de Fernando de Noronha e seu papel na segunda guerra…
Acho que poucos conhecem que assim como muitos lugares no nordeste brasileiro, ela também serviu de palco operacional…
O “Clube da Aeronáutica” nada mais é que o terminal civil para hidroaviões, projetado por Atilio Correia Lima e equipe em 1937 e inaurada em 1938. Com a obsolescência dos hidroaviões para uso civil foi ocupado pelo Clube. Mais aqui
O hangar onde está o COMAR 3 era o hangar da PANAIR.
Obrigado pelo esforço e complemento ao artigo.
Sou fascinado por aviões anfíbios e hidroaviões.
Será que existe um catalina da FAB preservado ?
Acho lindo o Catalina, uma pena não ter um substituto anfibio para ele mais.
globalmente talvez não exista mercado para hidroaviões assim, mas tenho certeza que para a região amazônica ainda seriam bastante úteis, capazes de pousar em pistas ruins e na água.
Uma aeronave anfíbia que acho muito bela é o Russo Beriev BE-200…