sexta-feira, agosto 19, 2022

Gripen para o Brasil

O lendário caça Grumman F6F Hellcat

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Redação Forças de Defesa
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Por Lane Mello – Blog Fatos Militares

Equipado com o mesmo motor que o Vought F4U Corsair e o popular P-47 Thunderbolt, o Grumman F6F Hellcat era uma aeronave de caça projetada e fabricada nos EUA destinada a operar a partir de porta-aviões. Sua produção tinha como objetivo substituir o F4F Wildcat no decorrer da atividade da Marinha dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Apesar da aparência muito semelhante à do seu antecessor, o Hellcat era um projeto completamente novo, mas ainda assim, visto por especialistas como uma espécie de irmão robusto do Wildcat.

Extremamente resistente e excelentemente projetado, o Hellcat se mostrou um grande diferencial no decorrer dos combates aéreos do Pacífico, batendo de frente com os temidos A6M Zero japoneses a partir de 1943 e garantindo a superioridade aliada na frente de batalha em questão.

Protótipo Grumman_XF6F-1

Motor do F6F Hellcat

Os Hellcats eram equipados com um membro da família de motores Wasp, o Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp, um motor a pistão de 18 cilindros, duas estrelas e resfriamento a ar com deslocamento de 2.800 polegadas cúbicas, o equivalente a 46 litros.

Considerado um dos melhores e mais eficientes motores de pistão em estrela já vistos, o R2800 teve um papel de destaque no decorrer da Segunda Guerra Mundial, ganhando distinção por seu uso extensivo nas principais aeronaves americanas utilizadas durante e após o conflito.

Este equipamento proporcionava ao Hellcat uma velocidade máxima de 605 km/h a uma potência de 2.200 cavalos, a maior do período. Além disso, este motor conferiu a esta aeronave uma razão de subida acima de qualquer outro avião americano, tirando do A6M Zero a posição de melhor caça a sobrevoar o Pacífico.

No pós-guerra, o motor utilizado pelo Hellcat continuou a ser produzido pela Pratt & Whitney, que demonstrou uma grande preocupação com o desenvolvimento de melhorias, sendo a injeção de água a mais notável. Essa modificação foi responsável por proporcionar uma maior potência de decolagem, o que melhorou consideravelmente a experiência de voo civil.

Desempenho do F6F Hellcat

Com um design simples e altamente eficiente, o Hellcat era um avião médio, extremamente resistente, ágil e bem armado. Proporcionava uma excelente proteção para o piloto e atendia todas as exigências do alto comando americano, que visava um projeto que garantisse a superioridade aérea aliada no Pacífico.

Além disso, o Hellcat foi o projeto com o menor número de modificações no decorrer da Segunda Guerra Mundial, mesmo com um total surpreendente de 12.275 unidades produzidas ao longo de dois anos.

Durante seu tempo em combate com as cores e o brasão da Marinha dos Estados Unidos, os Fuzileiros Navais e a Aviação Naval Britânica, foi responsável por 5.223 abates confirmados, número este que representa o maior dentre as estatísticas de todos os caças aliados, sendo o P-51 Mustang, da USAAF, o seu maior rival nesse sentido, com um registro de 4.950 abates na frente europeia.

Apesar de não possuir a manobrabilidade dos conhecidos e temidos Mitsubishi A6M Zero e dos Nakajima Ki-43, da Marinha Imperial Japonesa, a potência e versatilidade do F6F Hellcat garantiam uma batalha em pé de igualdade.

O N1K2 é talvez o melhor caça japonês da Segunda Guerra Mundial. Ele certamente foi capaz de lutar contra Hellcat em pé de igualdade. No entanto, apenas 1.413 unidades foram produzidas. Este N1K2-Ja está no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA
Outro forte candidato ao título de melhor caça japonês é o Nakajima Ki-84 Hayate. (Museu Aéreo e Espacial de San Diego)

Grumman F6F Hellcat: um projeto de sucesso

Grummans cats – Gatos Grummans – Wildcat em primeiro plano, Hellcat atrás dele e Bearcat mais distante

O Hellcat atuou em larga escala até o ano de 1954, sendo utilizado principalmente como caça noturno e se consagrando um projeto de extremo sucesso. Combateu em praticamente todas as batalhas travadas sobre o Pacífico, sendo a batalha de Midway a única onde esta aeronave não esteve presente, atingindo êxito em todas.

Além de disso, o Hellcat ainda se consagrou como um dos caças com maior aceitação entre os militares que tiveram a oportunidade de pilotá-los, o que pode ter contribuído muito com o grande número de abates de aeronaves japonesas atribuídas a esse avião, que perde apenas para o P-38 Lightning em vitórias sobre os nipônicos.

Especificações (Modelo: F6F-5 Hellcat)
Dimensões
Comprimento 10,34 m (33,9 ft)
Envergadura 13,06 m (42,8 ft)
Altura 3,99 m (13,1 ft)
Área das asas 31 m² (334 ft²)
Alongamento 5.5
Peso(s)
Peso vazio 4 190 kg (9 240 lb)
Peso carregado 5 714 kg (12 600 lb)
Peso máx. de decolagem 6 990 kg (15 400 lb)
Propulsão
Motor(es) 1 x motor a pistão radial Pratt & Whitney R-2800-10W “Double Wasp” supercharger de dois estágios de velocidade
Potência (por motor) 2 200 hp (1 640 kW)
Performance
Velocidade máxima 621 km/h (335 kn)
Alcance bélico 1 520 km (944 mi)
Alcance (MTOW) 2 460 km (1 530 mi)
Teto máximo 11 370 m (37 300 ft)
Razão de subida 17,8 m/s
Armamentos
Metralhadoras / Canhões
  • 6 x metralhadoras M2 Browning .50 de 12,7 mm (0,500 in) ou
  • 2 x canhões de 20 mm (0,787 in) e 4 x metralhadoras M2 Browning .50 de 12,7 mm (0,500 in)
Foguetes
  • 6 x HVAR de 127 mm (5,00 in) ou
  • 2 x Tiny Tim de 298 mm (11,7 in)
Bombas Até 1 814 kg (4 000 lb) de bombas sendo:

  • Torpedos ou bombas (no rack central)
    • 1 x bomba de 907 kg (2 000 lb) ou
    • 1 x torpedo Mk. 13-3
  • Bombas (sob as asas)
    • 2 x de 450 kg (992 lb) ou
    • 4 x de 227 kg (500 lb) ou
    • 8 x de 110 kg (243 lb)
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Leandro Costa

A quarta foto é bem interessante. É uma rara foto de um Hellcat, provavelmente protótipo ou produção inicial, com o esquema de pintura da USN para o Pacífico de 1942 (A frota do Atlântico tinha uma pintura diferente). Também pode ser uma foto de homenagem feita imediatamente no pós-guerra, pois o esquema de armamento não é o padrão. Voiu ter que dar uma estudada nisso. E quando o texto cita que os Hellcat estiveram em todos os grandes combates, exceto por Midway, seria melhor colocar todo o ano de 1942. Não esteve em Coral Sea, Midway e as batalhas pela… Read more »

Rui Chapéu

Sempre quis saber qual dos dois era melhor:

O P-47 ou o Hellcat.

Nunca vi comparação entre os dois.

Fernando "Nunão" De Martini

Rui, Em desempenho global a altitudes baixas e médias, o Hellcat era melhor. Por exemplo, a velocidade máxima de 605 km/h parece pouca frente aos quase 700km/h do P-47, mas no Hellcat esta era atingida nas altitudes mais baixas típicas dos combates no Pacífico, combinada a boa manobrabilidade, aceleração, razão de subida etc, superando os caças japoneses no cômputo geral – e perdoava muito mais os erros de pilotos menos experientes. Das altitudes médias para altas, o P-47 desempenhava melhor, sendo mais adequado ao teatro de operações europeu. Isso tudo em relação aos combates aéreos. Em ataque ao solo, ambos… Read more »

Willber Rodrigues

História meio off-topic, mas como o tema é aviação da WWII… 2 semanas atrás estava no domingo na casa de minha namorada, conhecendo a família e amigos dela. Papo vai, papo vem e, em conversa com um dos amigos dela, ele me disse que o pai dele serviu na Luftwaffe. Já me interessei pelo assunto, e pedí pra ele continuar a história. Ele me disse que seu bisavô era alemão e sua bisavó era holandesa, e como eles eram de família rica na época, o pai dele, além de falar alemão, era fluente em francês, holandês e espanhol. Ele tambem… Read more »

BraZil

Legal. Aproveita e pergunta sobre o misterioso trem de ouro enterrado, vai que ele remotamente ouviu sobre o paradeiro kkk. E falando sério, se ele tiver fotos do período, seria maravilhoso vê-las. Curta bastante o sogro, Ops quer dizer, o namoro

Willber Rodrigues

Sobre medalhas, Luger e uniforme, ele disse que o pai vendeu tudo ao longos dos anos, por conta de falência e alcoolismo, causado por traumas de guerra. Mas isso já é outra história…

Adunlucas

Acho que ele foi o principal responsável pela maior vitória aérea da história. Acho que era chamada de “Caçada aos Perus nas Marianas” porque os americanos com o F6F abateram 10 caças japoneses para cada caça americano perdido. Ainda afundaram a nau capitânia da frota japonesa. Mas isso eles devem contar em outro artigo.

Andre

Teve a caça aos perus no Irã, com os f14 iranianos tendo um kill rate de 25:1 sobre os Migs iraquianos.

Marcelo M

O zero tinha um supertrunfo contra o Wildcat. A sua razão de subida era incomparável. O Wildcat só levava vantagem no mergulho. Daí os pilotos japoneses subiam, e se o wildcad seguisse estava condenado. Quando o Hellcat entrou em operação, os japoneses usaram as mesmas táticas, mas foram absolutamente massacrados. O Great Turkey Shoot da batalha das Marianas foi resumido a esse massacre de zeros. Placar 600 x 123 para os americanos. Baita aeronave! Não tinha a elegância de um spitfire nem a tecnologia disruptiva de um B29, mas foi fundamental na virada aliada no Pacífico.

Angelo

Pequenos mas parrudos…

Cidadão das Sombras

Uma grande vantagem dos caças americanos era poderem sofrer muito dano e continuarem a voar. Sugiro um novo artigo sobre o famigerado A6M Zero.

Jagdverband#44

Esses motores radiais não tinham cárter?
Onde era armazenado óleo?

Fernando "Nunão" De Martini

No centro, onde fica o virabrequim.

É diferente, evidentemente, do cárter de motores em linha, em V ou boxer (contrapostos horizontais), já que nestes a parte inferior é um reservatório e a superior abriga o virabrequim. Nos radiais segue outra configuração.

Mais informações básicas:

https://www2.anac.gov.br/anacpedia/por_por/tr2969.htm

LucianoSR71

Os pilotos gostavam muito de uma característca dos projetos da Grumman: eram robustos e suportavam bem mais os danos que seus contemporâneos.

Cristiano GR

Eu acho muito bonitos esses aviões da segunda guerra e gosto muito de ver os remanescentes voando. São belas máquinas. Tinha um de plástico na casa da minha vó, no interior que acho que era o P-47 ou o F6f, hoje não lembro bem, eu tinha uns 9 ou 10 anos na época. Brinquei muito com esse avião e sonhei ser piloto, mas aí apareceu uma moça no caminho que me deu um certo trabalho e eu teria de continuar com ela por muitos anos se quisesse ser piloto, uma tal de matemática. Então desisti de ser piloto ainda cedo.… Read more »

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