quarta-feira, outubro 20, 2021

Gripen para o Brasil

Nova Estação radar destinada a ampliar a vigilância aérea é inaugurada em Ponta Porã (MS)

Destaques

Redação Forças de Defesa
redacao@fordefesa.com.br

A Força Aérea Brasileira (FAB) continua a trabalhar consistentemente na modernização e ampliação da rede de radares de vigilância do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e inaugurou em 30 de junho, na localidade de Ponta Porã (MS), uma nova estação radar.

Adotando recursos e equipamentos de alta tecnologia, a estação radar potencializa a identificação de aeronaves voando em baixas altitudes naquela região de fronteira, trazendo benefícios operacionais tanto para o controle civil de vetores, quanto para a defesa aérea. Nesse sentido, além de auxiliar no controle do espaço aéreo, a nova estação irá proporcionar a ampliação da vigilância e o combate ao tráfego aéreo ilícito, com foco na Região Centro-Oeste do Brasil.

A implantação de novas tecnologias e equipamentos tem sido uma constante preocupação estratégica da FAB, visando à manutenção da Soberania e da Defesa Nacional. A entrada em operação da Estação Radar de Ponta Porã finaliza, com sucesso, o empreendimento de aquisição e instalação de novos radares de defesa aérea e controle do tráfego aéreo, fruto da parceria celebrada no final de 2018 entre o Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Equipada com soluções de última geração, a estação é composta por um radar primário de longo alcance LP23SST-NG e um secundário RSM970S. Esses radares possuem a capacidade de detectar aeronaves cooperativas e não-cooperativas e incorpora funcionalidades como as medidas de proteção eletrônica e altimetria, além de excelente desempenho de precisão e detecção dos alvos, inclusive aeronaves com velocidade baixa ou nula, como helicópteros, ou com velocidade e capacidade de manobra elevadas, como aviões de caça. Os radares utilizam as mais recentes tecnologias para fornecer a melhor resposta aos requisitos operacionais, garantindo total integridade e disponibilidade dos dados de vigilância e comunicação, associados a uma alta confiabilidade.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão central do SISCEAB, por meio da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), e a Empresa Omnisys assinaram, no final de 2018, um contrato para o fornecimento de três radares. A estação radar de Ponta Porã é a terceira a ser implantada. As localidades de Porto Murtinho (MS) e Corumbá (MS) já contam as estações radares plenamente operacionais. “Com a instalação dos radares de Ponta Porã, o Brasil passará a contar com uma vigilância aérea que cobrirá toda a fronteira do Mato Grosso do Sul com os países vizinhos. Isto capacitará o Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA II) em detectar qualquer aeronave tentando cruzar essa fronteira. Com isso, as ações de interceptação serão executadas de forma mais efetiva, em cooperação com estes países vizinhos, e evitando a entrada de ilícitos por via aérea. Isso, sem dúvida, reforçará a segurança das nossas fronteiras”, declara o Presidente da CISCEA, Major- Brigadeiro do Ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior.

Fabricação nacional

Os radares são fabricados no Brasil pela empresa Omnisys em São Bernardo do Campo (SP), o que permite o acesso rápido e fácil a toda a sua cadeia produtiva e agiliza os procedimentos de assistência técnica por parte do fabricante. O projeto prevê também a absorção do conhecimento técnico pelo Comando da Aeronáutica (COMAER), visando à realização das atividades de manutenção preventiva e corretiva, minimizando os custos de logística e mantendo um alto nível de disponibilidade dos equipamentos. “A inauguração dessa estação radar de vigilância de fronteiras é mais um importante marco para o Brasil e estamos honrados em fazer parte fornecendo o estado da arte em tecnologia, desenvolvida em território nacional, e soluções para o controle de tráfego aéreo que contribuirão ainda mais com a soberania do país”, afirma o CEO Omnisys Luiz Henriques.

Sobre o DECEA

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) é a organização do Comando da Aeronáutica responsável pelo planejamento e aéreo, com a proteção ao voo, com o serviço de busca e salvamento e com as telecomunicações do Comando da Aeronáutica. Tem por missão contribuir para a garantia da soberania nacional, por meio do gerenciamento do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).

O DECEA apoia, estratégica e taticamente, operações e exercícios aéreos de caráter estritamente militar, bem como a defesa do espaço aéreo sob responsabilidade do Estado brasileiro. Unidade dotadas sistemas de telecomunicações, vigilância, meteorologia e navegação móveis, centros especializados de apoio a operações militares, dentre outros, estão dispostos ao longo do País para assegurar as atribuições sob sua responsabilidade.

Sobre a CISCEA

Criada em 23 de julho de 1980, a Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA) é um organização subordinada ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e tem a missão de promover as atividades relacionadas com a implantação de projetos voltados ao desenvolvimento do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e de outros projetos de interesse do Comando da Aeronáutica (COMAER) que lhe forem atribuídos, bem como a modernização de sistemas já implantados.

Sobre a Omnisys

A Omnisys é uma empresa brasileira de alta tecnologia com larga experiência nos mercados civil, espacial, defesa e segurança. Sediada em São Bernardo do Campo (SP), a empresa possui mais de 200 funcionários e forte atuação nos segmentos de controle de tráfego aéreo, defesa aérea, eletrônica de mísseis, guerra eletrônica, sonares, cargas úteis para satélites, entretenimento em voo, além de serviços.

Em 2006, a Omnisys tornou-se subsidiária do Grupo Thales, sendo referência com seu Centro de Excelência de Radares de Gerenciamento de Tráfego Aéreo, com produção para o mercado nacional e internacional, tendo já produzido cerca de 65 equipamentos, com mais de 60% da produção destinada à exportação. Os radares fabricados no Brasil estão em operação em diversos países da Europa, América Latina e Ásia. Ainda, a Omnisys provê localmente todo o suporte técnico necessário para assegurar a alta taxa de disponibilidade dos equipamentos, incluindo a manutenção preventiva e corretiva, suporte técnico em campo e treinamento de manutenção e de operação.

DIVULGAÇÃO: Omnisys

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FERNANDO

Qual o alcance em km deste radar?

Aéreo

O alcance máximo deste radar é de 250 milhas. Mas para isto o alvo tem que estar acima de 12.000 metros.

Para um alvo a 1500 metros de altura que é mais ou menos o que se espera de uma pequena aeronave voando na região, o alcance seria de 140km.

Se o alvo estiver a 100 metros de altura, o alcance seria de 36km. 

Douglas Rodrigues

Como estão guarnecidas as outras regiões de fronteira? Vale a pena investir ampliando a presença desse tipo de radar em regiões tanto mais ao sul quanto ao norte?

Rinaldo Nery

Há outros radares cobrindo regiões de fronteira, como o de Pimenteiras (RO), Tabatinga (AM), Cruzeiro do Sul (AC), Tiriós (PA) etc.

Douglas Rodrigues

Vemos que não temos nada análogo mais ao Sul, em região onde existem áreas de interesse como Itaipu. Ainda devem existir alguns locais sem cobertura.

Rinaldo Nery

Não há. Há um radar em Foz do Iguaçu.

MMerlin

Sou a favor da instalação destes radares em toda nossa linha fronteiriça mas o estranho é que ambos os radares tem um alcance de 450km.
Ponta Porã fica a 240km de Porto Murtinho. E este fica a 300km de Corumbá.

Pecatoribus

Imagino que tenha a ver com a curvatura da Terra. Pode ser que os 450km de alcance seja para altitudes médias e altas. Já para voos baixos o alcance efetivo deve ser menor. Faz sentido?

Nunao

Sim, Pecatoribus, o dado de alcance máximo dos radares é geralmente informado em altitudes de voos comerciais, em altitudes menores o alcance é menor devido à curvatura da Terra, daí a necessidade do distanciamento das estações ser menor que esse alcance máximo para haver sobreposição em altitudes maiores e o mínimo possível de buracos na cobertura em altitudes menores.

Fernando "Nunão" De Martini
Dart

O relevo pode gerar pontos cegos. As vezes é necessário encurtar a distancia de radares por conta disso.

Mayuan

Esse assunto já foi abordado no passado. Que me lembre, ainda que o alcance seja um número x de km, é feita uma sobreposição para reduzir oh eliminar pontos cegos.

Ramon

Falando em fronteira, alguém sabe me dizer se o sisfron já foi totalmente implantado, anos que não vejo nada referente a isso.

Last edited 3 meses atrás by Ramon
GFC_RJ

Totalmente? Não, nem perto disso. Devagar quase parando.

Andre

Estrategicamente não é meio vulnerável colocar esses radares bem na fronteira?? Não é melhor recuar um pouco?
Sei lá, um obuseiro qualquer conseguiria atingir ele

Rinaldo Nery

Se o narcotráfico possuir obuseiro seria melhor recuar, sim.

Marcelo Andrade

kkkkkk, é por isso que eu ainda frequento esse blog!!!! kkkkkk

Nonato

Ou seja, esses radares são mais voltados ao narcotráfico do que à defesa em relação a Paraguai e Bolívia…

Last edited 3 meses atrás by Nonato
Aéreo

Uma pena, um país com esta área geográfica não ter uma empresa genuinamente nacional para o desenvolvimento de radares, algo que os argentinos e poloneses fazem localmente. Isto pra citar apenas nações com potencial tecnológico e economia inferior à nossa. A Omnisys faz parte daquele tradicional modelo de aquisição brasileiro, uma empresa local, subsidiaria de um player internacional, que vende produtos pseudonacionais. Aquele que enxerga o copo meio cheio irá dizer, “menos mal, ao menos gera algum emprego no Brasil. Já aquele que enxerga o copo meio vazio, irá dizer “tecnologia estrangeira que atrapalha a concorrência plena com outras tecnologias… Read more »

Rinaldo Nery

E-99, não R-99. Ainda há a necessidade deles, sim, mesmo com esses radares. Quanto a Argentina, pode até produzir radares, mas falta implantá-los no seu próprio território. Grande parte do território Argentino NÃO possui cobertura radar. Sei disso porque vôo pra lá.

Bardini

Pois é, o problema deles é fazer a cobertura.
.
Mas eles compraram recentemente 05 radares da Invap: https://www.infodefensa.com/latam/2021/03/04/noticia-argentina-adquiere-invap-cinco-radares-millones-dolares.html

Rinaldo Nery

Boa notícia. Voar sob ¨controle convencional¨ em pleno século XXI é dureza. E o inglês dos controladores argentinos não é dos melhores.

Nonato

É só falar espanhol.
😃

Rinaldo Nery

Se você fosse piloto de linha aérea saberia que o uso da língua inglesa em vôos internacionais é OBRIGATÓRIO, por legislação internacional da ICAO. Mas, como não é, estou te ensinando.

joel eduardo soares

Boa tarde Srs. é compatível em se tratando de vigilância aérea?
https://www.defesanet.com.br/naval/noticia/12395/I2C—Um-novo-sistema-de-vigilancia-maritima-testado-em-Toulon/
Abraço a todos!

Sequim

Interessante também o fato de o Exército ter adquirido, recentemente, um sistema de rastreio de mísseis. Seria possível algum tipo de integração com esses radares da FAB?

Rinaldo Nery

Tecnicamente, sim.

Sequim

Obrigado pela resposta.

Fabio Araujo

Fabricado no Brasil, isso é muito importante!

olivete da silva

Olha…é um radar caro…e não to vendo nenhuma cerca…para os drogados invadirem e derrubar….Nosso pais é piada…uma instalação militar…sem cerca..guarda…isto que é um sistema de radar…BRAZILLLLLLLLLLLLLLLLLLLL… e gira o globo.

Rinaldo Nery

Patrão, há uma cerca sim, e as fotos mostram. Acho que o amigo não olhou direito, ou começou a beber muito cedo. E, pela terra revolvida em volta do sítio radar, parece que a obra ainda não está totalmente concluída. Marretar é bom, né?

Samuca cobre

Eu não sei como funciona, mas não é bom ter vigilância armada no local??
Ultimamente estão roubando cabos de fios de cobre pra caramba…

Rinaldo Nery

Certamente. Não sei o que será feito. Há uma unidade do EB em Ponta Porã.

Nonato

O ideal não seria colocar esses radares dentro de áreas militares evitando a necessidade de aumentar a vigilância?
Isto é, precisar de mais soldados?

Rinaldo Nery

Sim, seria uma boa solução. Isso foi feito em Cruzeiro do Sul.

Gustavo

Perdi de ver o Kc aqui na cidade!!!

Jefferson Henrique

Boa tarde senhores, tenho uma dúvida, quem sabe o Sr. Rinaldo Nery possa esclarecer. Fiz um levantamento/mapeamento utilizando o site FreeMapTools para colocar uma circunferência de 450km ao redor da posição destes radares, utilizei o Google Maps com a visão do satélite para analisar e confirmar a existência do radar no local e me baseei pela estrutura do DECEA, na distruibuição dos DTCEA’s de cada Cindacta listados no site da FAB. A conclusão que cheguei foi de que não é todo DTCEA que possui um radar em suas dependências, mas os DTCEA’s que possuem radar, sobrepõem-se uns aos outros, formando… Read more »

Rinaldo Nery

Sim, procede. Nem todo DTECEA possui radar. Mas, onde há radar, há que ter um DTECEA para realizar a manutenção do mesmo.

Rinaldo Nery

Ainda, quanto à cobertura radar brasileira, gostaria de ressaltar um dado: voar do Rio pra Manaus é a mesma coisa de voar de Lisboa até Moscou. Esquecemos que vivemos num País continente. E, a FAB e o DECEA fazem um bom trabalho na vigilância e controle do nosso espaço aéreo, apesar dos diversos óbices.

Jefferson Henrique

Obrigado senhor.

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