quarta-feira, abril 21, 2021

Gripen para o Brasil

Piloto da FAB realiza treinamento intenso para voar o Gripen Brasileiro

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Enquanto o Gripen Brasileiro realiza testes no Centro de Ensaios em Voo do Gripen na Embraer (GFTC, do inglês Gripen Flight Test Centre), em Gavião Peixoto (SP), os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) seguem a preparação na Suécia para pilotar o novo vetor da Aeronáutica. A primeira fase do curso, chamada de Conversion Training, é realizada em Linköping e tem como foco ajustes dos equipamentos de voo do piloto e exercícios de exigência física extrema.

Em 2020, o Major Aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de provas da FAB, foi o primeiro a receber o treinamento do Gripen C/D e o de conversão para o Gripen E. A capacitação começou em agosto do ano pasado, e o treinamento prático com o caça seguirá, ao menos, até o fim do primeiro semestre de 2021.

Antes de subir no cockpit da aeronave, o piloto passou por uma série de exercícios teóricos e recebeu preparação do equipamento necessário. Para se ter uma ideia, o primeiro dia do curso foi dedicado a ajustes no equipamento pessoal, como no macacão de voo, no equipamento anti-G, nas botas, na máscara de oxigênio e no capacete. Foi um processo meticuloso para garantir que tudo se encaixasse perfeitamente no piloto.

No dia seguinte, o cenário da preparação foi o Centro Fisiológico de Voo da Qinetics, localizado em Malmslätt, Linköping. Lá, ele passou por treinamento na centrífuga 9G, um dos requisitos fundamentais para a pilotagem do Gripen. Antes da prática, o Capitão Johan Ekblad ensinou ao aviador como respirar e se preparar para suportar as enormes forças que colocariam seu corpo e mente em teste.

Após a aula teórica, o Major Abdon foi direcionado à centrífuga, acompanhado por especialistas e um médico. Nela, as forças G foram aumentadas aos poucos para que ele praticasse suas novas habilidades. Quando atingiu 8G, o Major optou por aguentar até 30 segundos – um longo tempo para esse tipo de força -, e após alguns minutos de descanso, retomou para a última sessão, a de 9G. Nessa etapa ele permaneceu por 15 segundos, sem qualquer problema, sendo aprovado ao final do período – e aliviado por ter vivenciado esse teste.

“Foi a primeira vez que eu fiz esse tipo de treinamento. Foi muito importante porque aprendi e apliquei técnica correta para a manutenção dos 9Gs. Eu tenho certeza que isso será necessário durante a operação da aeronave”, disse o aviador.

O Major recebeu ainda uma instrução sobre os procedimentos de aterragem após uma ejeção. “Pude relembrar alguns procedimentos e aprender outros utilizados aqui na Suécia no caso de uma ejeção para um pouso seguro”, afirmou o piloto.

O segundo dia de curso foi concluído com um treinamento teórico e prático de sobrevivência no mar. Houve um simulado dentro de uma piscina, com ondas, tempestade e tempo noturno. Ele recebeu orientações diversas sobre todos os procedimentos necessários caso ocorra uma aterragem dentro da água.

O treinamento sobre hipóxia, ou seja, a falta de oxigênio, ocorreu no terceiro dia, com uma aula teórica de preparação para que o piloto pudesse aprender como seu corpo é afetado pela falta de oxigênio.

“A redução do oxigênio para o cérebro resulta em perda da realidade e deterioração da capacidade mental. Algumas tarefas muito fáceis devem ser realizadas durante um fornecimento decrescente de oxigênio. As tarefas tornam-se cada vez mais difíceis de executar. Neste exercício o objetivo foi aprender sobre você e os sinais que seu corpo pode dar em caso de falta de oxigênio para que se tome as medidas necessárias a tempo”, explicou.

Após os três dias de intenso treinamento, o Major Abdon foi aprovado. “Todos os instrutores me receberam muito bem e transmitiram muito conhecimento sobre como operar a aeronave no dia a dia. A experiência é extremamente valiosa para mim como piloto e representante da Força Aérea Brasileira”, afirmou.

Confira no vídeo abaixo como foi na prática o período inicial de treinamentos do Major Abdon.

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DIVULGAÇÃO: Saab / Publicis Consultants

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Rodrigo.

Pilotar esse caças novos não tem segredo algum, é igual vídeo game. Se treinar uma criança de 12 anos faz o mesmo. Difícil era aprender a voar o Mirage III, dinamicamente instável em baixas velocidades, aproximava com 185 kts, não tinha fly by wire, um simulador meia boca, manual todo em francês e tinha uma alta taxa de reprovação de pilotos na fab. Esses caças novos eu piloto de olhos fechados.

Last edited 16 dias atrás by Rodrigo.
Phillipe Blower

Tenho a leve impressão que puxando mais de 3G (nem precisa dos 9 do texto) com todo o equipamento amarrado e o RWR piscando, deve ser um tantinho mais difícil que no videogame, né? Mas falando sério: em que pese muita coisa ter ficado mais fácil, a consciência situacional ampliada também faz o piloto ter que lidar com um fluxo de informações e decisões maiores ( e sim, para isso videogame é um bom treinamento) que também não tem par nas aeronaves antigas. O “pilotar” em si deve estar mais fácil, mas o “serviço completo” ainda é algo que exige… Read more »

Marcelo Andrade

Comentário impressionante!!! Impressiona eu ter que ler isso!!!

Rinaldo Nery

Rodrigo é FS fighter pilot. Sabe tudo! Como dizem os americanos, ¨fighter pilots do it better!¨ Eu vou voltar pra AFA pra aprender de novo…

JCuritiba

Prezado, já que vai voltar para a academia, tenta uma de verdade dessa vez. Não esse celeiro de aeroclube.

Rinaldo Nery

Não entendi teu comentário, amigo. Passou por lá? Conhece? Ou fez a prova e não passou? Desgostoso? Dor de cotovelo? Como diz a filósofa Maju, ¨o choro é livre!¨.

Santos Dumont

Agora entendi a dor de cotovelo com as universidades federais!

Rinaldo Nery

Quem? Eu ou ele? Meu filho tá na universidade. Começou neste ano.

JCuritiba

Prezado Rinaldo,
Independente das minhas opiniões sobre a FAB e lembrando que não tem nada de pessoal nisso preciso te dizer:
Muito sucesso para seu filho na vida acadêmica!!! Que ele aproveite muito, se torne um profissional de sucesso, realizado, e que possa contribuir muito para o desenvolvimento do país.

JCuritiba

Ledo engano, justamente por ter frequentado. Sim fiz prova, sim passei e sim frequentei.

Rinaldo Nery

Então deve ter sido desligado. Pra acordar hj e pensar: ¨vou lá na trilogia ofender alguém¨. Típica tradução de ¨mala¨. Te dei instrução? Levou peia? Passou lá quando?

JCuritiba

Não Coronel, a ofensa não é com o senhor e sim com a FAB mesmo, discordo de várias coisas e a foto da bomba vencida é o simbolo disso.
Quanto a minha vida em Pirassununga, entrei e cursei a academia nos anos 90.

Rinaldo Nery

Já expliquei que bomba não vence, lá naquela matéria. Acho que você não leu, ou não quer lembrar. E, fui instrutor na AFA de 90 a 94. Não era e nunca foi ¨celeiro de aeroclube¨. Não cuspa no prato que comeu.

Rinaldo Nery

Não bloqueiem minha resposta não!

Leandro Costa

Então você deveria frequentar universidades públicas e privadas para saber que a AFA deveria ser uma vitrine da FAB pela infraestrutura e qualidade no ensino. É ainda deveria agradar ainda aqueles que desgostar dos militares por ser praticamente autossuficiente em tudo. Aquele lugar ainda me impressiona muito.

Rinaldo Nery

Leandro, só as salas de aula que necessitam de uma boa reforma. Realmente, a maioria das universidades têm salas melhores. Mas, será feito. Tenho companheiro de turma, Intendente, professor lá. Vou à AFA constantemente. Milha esposa é de Pirassununga.

Leandro Costa

Então, certa vez fui voar de planador. Na AFA ainda por cima, no clube de volovelismo de lá. Piloto de simulador que sou a décadas, achei uma boa oportunidade e me perguntei se o cadete de 4 ano que voaria comigo me deixaria dar uma ‘testada’ nos controles. E dei a sorte de ele deixar, claro que pronto para tomar os controles em caso de necessidade. Foi maravilhoso. Ele fazia umas manobras que eu acompanhava com os pés nos pedais e mãos no manche sem fazer pressão, claro, e depois as repetia. A que eu achei mais interessante foi uma… Read more »

pampapoker

Teu comentário me lembrou um colega…” O Call of duty e bem real, e que nem a guerra de verdade”. Não preciso dizer mais nada.

Veiga 104

Comentário igual a de uma criança de 12 anos.

Ted

Estes 4 pilotos participarão de uma seleção, São nossos melhores representantes e qualificados. O vídeo game não tem a capacidade de tirar sua vida. Tem criança muito inteligente no Brasil .

Veiga 104

Não fui eu que comparei pilotar um caça com jogar videogame. Vc está respondendo a pessoa errada.

Overandout

Eu leio este cenário de outra forma: a aviação de caça evoluindo (ainda bem) e alguns ignorantes (no sentido não pejorativo da palavra) ficando para trás e fechados no seu conhecimento (se é que possuem).

Nilo

Compara um piloto de Gripen E com criança de 12 anos. Acabou de dar outra cabeçada.

Nerudarruda

alguns comentários recentes nesse blog,parecem nos remeter aos tempos do saudoso sérgio porto,”FEBEAPA”…

Marcelo Baptista

Todos os pilotos de Gripen terão que passar por este treinamento na Suécia?
Pensando no simulador de G, principalmente, já que pelo que sei, não temos nada similar. O restante, eu entendo que temos equipamentos e condições.

Denis

Negativaram uma pergunta?? Putz!!

Marcelo Baptista

tranquilo. eu não esquento, sou da geração que não tem nem saco de ter rede social.

Rinaldo Nery

Pensei que o de mar foi desnecessário, mas, todo conhecimento é válido.

Marcelo Baptista

Bom dia Rinaldo, a minha duvida é, todos os nossos pilotos terão que fazer este treinamento na Suécia.
Principalmente por, eu acho, não termos o Simulador de Força G. Ou vamos ter um equipamento similar aqui no Brasil?

Rinaldo Nery

Marcelo, tivemos uma centrífuga, comprada na França nos anos 80, que venceu nas caixas. Não me pergunte porque. Até imagino, mas não vou dizer. Acredito que esse treinamento (centrífuga) deverá ser realizado lá, por todos. O resto pode ser feito aqui.

Marcelo Baptista

Ok, Rinaldo, obrigado pela resposta.
Isso me lembra as milhares de coisas que o Brasil compra e deixa estragar.
Triste.
Nos meus 50 e tantos anos, ver isto repetidamente dá um desanimo.

Marcelo Baptista

Bem, este nós ainda temos onde simular, o Lab do COPPE que tem um simulador de ondas muito bom. Óbvio, se o COPPE puder ser usado para isto também.

Gabriel BR

Avante Brasil!

Tomcat4,2

É , pra colocar a mão no Gripen tem q ralar. Parabéns aos nossos guerreiros alados!!!

Heinz Guderian

Ultimamente o nível dos comentários aqui está muito baixo, quanta ignorância.

Tadeu Mendes

Êsses simuladores fazem parte pacote de aquisições do ToT do Gripen?

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