Home Acidente Aeronáutico HISTÓRIA: O Gloster Meteor também foi um ‘fazedor de viúvas’

HISTÓRIA: O Gloster Meteor também foi um ‘fazedor de viúvas’

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Um total de 890 caças a jato Gloster Meteor foram perdidos em serviço pela RAF – Royal Air Force (145 desses acidentes ocorrendo apenas em 1953), resultando na morte de 450 pilotos. Os fatores que contribuíram para o número de acidentes foram freios fracos, falha do trem de pouso, alto consumo de combustível e consequente curta autonomia de voo.

A curta autonomia de voo (menos de uma hora) fazia com que os pilotos ficassem sem combustível (pane seca) e dificultava o controle da aeronave com um motor desligado devido a motores muito afastados. A elevada taxa de baixas era exacerbada pela falta de assentos ejetáveis nos primeiros Meteors e o treinamento em voo assimétrico inadequado.

Cada piloto tinha sua própria “velocidade crítica” voando com apenas um motor de acordo com a quantidade de leme que era capaz de aplicar.

O verdadeiro assassino era o treinamento assimétrico. Em um curso de treinamento na RAF Driffield um instrutor de voo disse que eles estavam realizando funerais a uma taxa de um por semana.

Morreram muito mais alunos praticando aproximações assimétricas do que em situações reais de desligamento do motor.

Devido à alta taxa de acidentes, o Gloster Meteor recebeu o apelido de “Meatbox” pelos pilotos da RAF.

Os primeiros jatos Meteor T7 de treinamento como este da foto ainda não dispunham de assentos ejetáveis

FONTE: Chris Bolton – @CcibChris no Twitter

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Skyraider
Skyraider
2 meses atrás

E a operação na FAB corrobora esta fama?

GripenBR
GripenBR
2 meses atrás

850 jatos, 450 pilotos, 145 em um só ano. Esse não precisou de inimigos.

Matheus Mascarenhas
Matheus Mascarenhas
2 meses atrás

Além do que matou Castelo Branco, teve acidentes dessa aeronave na FAB?

Âncora
Âncora
Reply to  Matheus Mascarenhas
2 meses atrás

Não foi um Gloster Meteor, foi um T-33 Shooting Star.

Marcos10
Marcos10
Reply to  Matheus Mascarenhas
2 meses atrás

De cabeça lembro pelo menos um no Rio, envolvendo três aeronaves que entraram em combate simulado dentro de nuvem e um ou mais colidiram com uma montanha.

alex faulhaber
alex faulhaber
Reply to  Marcos10
2 meses atrás

Foi uma aeronave perdida, Cel. Berthier

Barroso
Barroso
Reply to  alex faulhaber
2 meses atrás

Já ouvi a historia mais de uma vez por um dos participantes O Cel. Pereira. Exímio caçador encaudou o Cel. Berthier varias vezes que se recusando a admitir as derrotas jogou seu avião para dentro de uma nuvem muito baixo e bateu em uma colina. A historia já esteve publicada completa no ABRA-PC, inclusive com desenhos. Mas sumiu.

https://www.abra-pc.com.br/index.php/publicacoes-abra-pc/estoria-informal-da-caca.html

Last edited 2 meses atrás by Barroso
smichtt
smichtt
Reply to  Matheus Mascarenhas
2 meses atrás

O Castello Branco estava em um Piper Aztec que presumivelmente teria sido atingido (de raspão) por um T33.

Hélio de Freitas
Hélio de Freitas
Reply to  Matheus Mascarenhas
2 meses atrás

Teve uma colisão de um Meteor com cabos de alta tensão no canal do porto de Santos

Marcos10
Marcos10
2 meses atrás

Não lembro de ter visto problemas críticos de assimetria no 262. Há bastante relatos de pane dos Jumo e os pilotos continuaram com um motor.

Clésio Luiz
Clésio Luiz
Reply to  Marcos10
2 meses atrás

Talvez porque o 262 tinha motores de potência modesta, o conjunto deriva/leme devia estar bem dimensionado.

Imagino que o problema dos Meteor teria sido aumento de potência dos motores nas versões mais novas, sem o devido aumento de tamanho da deriva/leme para compensar.

Rodrigo Maçolla
2 meses atrás

Esse foi o Alto preço pago pelo pioneirismo na era jato, Mais uma duvida paira, essa baixa autonomia não podia ser resolvida ou ao menos amenizado com uso de tanques extras alijáveis como os instalados no Meteor da última foto??

Clésio Luiz
Clésio Luiz
Reply to  Rodrigo Maçolla
2 meses atrás

Os britânicos tinham essa compulsão patológica em colocar combustível suficiente para apenas 1 hora de voo, para diminuir o peso da aeronave e obter maior desempenho possível dos motores disponíveis.

Até hoje, caça em operação na RAF só tem longo alcance se tiver participação de terceiros no projeto. Modelos 100% britânicos, como Spitfire, Meteor, Hunter, Lighting, Harrier, todos padeciam de curto alcance.

Luiz Floriano Alves
Reply to  Clésio Luiz
2 meses atrás

O Rolls Royce Derwent, que equipava o Meteor era um motor de compressão centrifuga e de baixo rendimento. Dai o grande consumo de combustível. Aqui no Rio Grande do Sul ficou conhecido o acidente em que o sistema hidráulico de um F8 trancou. O piloto não comandava, e não podia se ejetar. Transmitiu uma despedida de cortar o coração. Sabia que não sobreviveria. Chuck Yeager, nos seus aviões colocava fonte auxiliar de pressão, na forma de um cilindro de CO2 acionado manualmente. Relatou que utilizou o recurso diversas vezes.

José Barcelos
José Barcelos
Reply to  Luiz Floriano Alves
2 meses atrás

Em 1973 durante uma demonstração na semana da asas em Canoas, RS caiu um Gloster Meteor pilotado pelo tenente Pedro Ducan .

José Barcelos
José Barcelos
Reply to  José Barcelos
2 meses atrás

Uma correção, o ano foi 1963.

LucianoSR71
LucianoSR71
Reply to  Clésio Luiz
2 meses atrás

Me desculpe, mas creio que sua análise não aborda uns pontos importantes: – O Harrier sendo o 1º jato VTOL não poderia ser outra coisa que não um perna curta, lembre que seu motor tem que gerar empuxo superior ao peso total da aeronave e quanto mais combustível, mais potente teria que ser. Só o fato de ter sido o único do tipo realmente operacional por décadas até a chegada do F-35B já foi incrível. – Todos os outros citados nasceram como interceptadores, que tinham que ser rápidos não só em velocidade nivelada, mas sobretudo em ascensional onde a relação… Read more »

LucianoSR71
LucianoSR71
Reply to  LucianoSR71
2 meses atrás

Lógico que todos tem o direito de dar um like ou deslike, mas gostaria que as pessoas que discordem do que vc escreveu, escrevessem também o motivo, simplesmente negativar parece coisa de quem não tem argumento, nem sabe direito o que está lendo. No meu caso ao ler o comentário do Clésio ( e deixando bem claro, não quero dizer que foi vc que negativou ) não achei que sua análise foi completa então, educadamente, expus meu ponto de vista, não fui lá e simplesmente o negativei, aliás por que faria isso? Ninguém é obrigado a ter opiniões iguais as… Read more »

Clésio Luiz
Clésio Luiz
Reply to  LucianoSR71
2 meses atrás

A primeira coisa que os americanos fizeram com o Harrier foi aumentar o alcance. Até perderam velocidade, pois a potência do motor praticamente não aumentou. Mas a aeronave se tornou muito mais útil; Interceptadores americanos sempre mostraram aos britânicos que, perder um pouco de aceleração e razão de subida, em troco de permitir a aeronave estar no ar por tempo suficiente para executar a missão, é melhor que perseguir aquela pequena percentagem numa ficha técnica; O Hunter só veio a ter alcance razoável nas versões posteriores, e ainda assim transportando o absurdo de 4 tanques externos. E isso só veio… Read more »

LucianoSR71
LucianoSR71
Reply to  Clésio Luiz
2 meses atrás

Caro Clésio só p/ ser justo c/ o Lightning, ele foi exportado p/ o Kwait e Arabia Saudita nos anos 1960, não melhora muita coisa, mas não podemos tirar esse fato do curriculum do rapaz, rs.
Como eu falei antes o problema eram as especificações dos requerimentos, os projetos simplesmente atendiam a estes. Se voltarmos a 2ªGM, veremos que a Luftwaffe foi moldada p/ ser uma arma tática – e nisso foi extremamente eficiente – na hora que se tentou utiliza-la como estratégica, não tinha bombardeiros pesados nem caças de escolta c/ grande alcance p/ isso.
Abs.

Clésio Luiz
Clésio Luiz
Reply to  LucianoSR71
2 meses atrás

Não é que eu não goste de aeronave britânicas, longe disso. Gosto que eles não foram acanhados nos desenhos das suas aeronaves, como eram os soviéticos até os anos 1960. Mas a liderança da RAF pisou muito na bola naquela época, chegando ao ridículo de encomendar 3 bombardeiros estratégicos (Valiant, Victor, Vulcan) para a mesmíssima missão, por que achavam que se um projeto fracassasse o outro funcionaria, ou seja compraram o backup do backup… Quanto ao Lighting, ele era apenas um projeto de pesquisa que começou em 1949, intencionado a produzir uma aeronave supersônica que não usasse foguetes como propulsão,… Read more »

Antoniokings
Antoniokings
2 meses atrás

O estranho é tanto acidente por pane seca.
Se os pilotos tinham a noção do alto consumo, seria prudente irem apenas dentro do limite do raio de ação.

Zarapa
Zarapa
Reply to  Antoniokings
2 meses atrás

Pensa no seguinte: Poucos minutos de voo representam um percentual de combustível consumido relativamente alto.

Uma espera um pouco mais longa, um sequenciamento mais complicado, uma arremetida… e a situação já fica delicada.

juscelino
juscelino
2 meses atrás

E no Brasil? Quantos caíram? Alguém sabe responder?

Luiz Antonio
Luiz Antonio
2 meses atrás

Saudade dos Tempos de Gloster na FAB. Era garoto e ficava alucinado com as decolagens dos F-8 no Campo de Marte (PAMA-SP). Na época não existia a Av. Bras Leme (que em certos pontos se aproxima da cabeceira 12, do lado do Jardim São Bento). Andávamos pelo mato até atingirmos o barranco ao lado da cerca do campo para assistirmos as decolagens dos F-8 que estavam realizando suas manutenções em Marte. Decolavam, faziam várias evoluções sobre os bairros mais próximos e pousavam. Em casa, no bairro da Casa Verde, quando ouvia o lindo rugido das Derwent, corriamos pelo mato até… Read more »

Fernandino Rocha Coelho
Fernandino Rocha Coelho
Reply to  Luiz Antonio
2 meses atrás

detalhe: Crescendo as informações. Trabalhei, na década de 80, do século passado, no PAMA-SP e tive a oportunidade de consultar algumas plantas de arruamentos na região. A época em que você se refere, consta naquelas plantas, onde a Av. Brás Leme, como arruamento no bairro de Santana, partia da ponte da Casa Verde (esta sobre o Rio Tietê) em direção a rua Voluntários da Pátria (onde hoje termina). Quase neste seu final, ela tangencia a Praça Heróis da FEB que é envolvida pela antiga Av. Projetada (hoje Av. Santos Dumont). Sendo que esta, Av. Santos Dumont, parte das proximidades da… Read more »

Fernandino Rocha Coelho
Fernandino Rocha Coelho
Reply to  Luiz Antonio
2 meses atrás

Desculpe mas, esqueci de falar da Praça Campos de Bagatelle (com a réplica do 14 Bis) esta, envolvida pela Av. Santos Dumont e também início (creio) da Av. Olavo Fontoura em direção Oeste e no lado leste a rua Paineiras do Campo em direção a Rua Voluntários da Pátria, ladeando pela esquerda o Teatro e o Pronto Socorro Dr. Lauro Ribas, e pela direita o Colégio Derville Allegrette, minha esposa trabalhou tanto no hospital HASP da Aeronáutica, quanto naquele pronto Socorro da Pref. de São Paulo-SP. Saudades dela que o Pai já chamou, e do nosso tempo vivido na Zona… Read more »

LucianoSR71
LucianoSR71
2 meses atrás

Para todos que querem saber mais sobre o Meteor e especialmente ele na FAB, sugiro o site http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
click na aba aeronaves>de caça>Gloster Meteor
Obs.: no final de cada pagina tem a continuação (total de 4), é muito detalhado.

fabio macedo
fabio macedo
2 meses atrás

Creio que os Gloster Meteor do Brasil ja eram de uma versão com alguns desses problemas resolvidos, talvez a ultima versão produzida, pois os mesmo ja eram considerados inferiores as outras opções de caças da época.

Vilela
Vilela
2 meses atrás

Reino Unido é um arquipélago, uma grande ilha, não precisa de muita autonomia, mas de caças rápidos…

Clésio Luiz
Clésio Luiz
Reply to  Vilela
2 meses atrás

Era o pensamento deles na época. Mas já na década de 1960 viram que isso estava errado e desde então, procuram comprar aeronaves com autonomia maior que apenas uma hora.

Fernandino Rocha Coelho
Fernandino Rocha Coelho
2 meses atrás

Não tenho conhecimento nesta área, porém, de 02/07/1962 a novembro do mesmo ano, fui recruta na Base Aérea de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro-RJ-Brasil (naquela época, ainda Distrito Federal). Ainda recordo que: As equipes de Bombeiros Militar, da base Aérea, tinham, no Rancho (refeitório) uma mesa exclusiva junto a janela (sempre aberta) em todas as refeições. Todos usuários do refeitório das praças (Cabos e Soldados) sabiam daquela exclusividade, (Sine Qua Non) creio que é assim que se escreve. No alto do Hangar (aquele do Zepilim) tinha um sistema de alarme com um som (ooooonmnnn) codificado por quantidade… Read more »

LucianoSR71
LucianoSR71
Reply to  Fernandino Rocha Coelho
2 meses atrás

Muito interessante seu relato, amigo e seu comovente final.

Recruta
Recruta
Reply to  Fernandino Rocha Coelho
2 meses atrás

Obrigado pelo seu relato amigo. Em 1962 eu estava nascendo, Prazer em conhecer.

Marco
Marco
2 meses atrás

Roberto boa noite.E o ADF dos Gloster brasileiros fica numa posição pouco comum. Na lateral do assento. Os pilotos tinham que abaixar a cabeça e olhar para o lado. Dica para uma desorientação espacial. Me recordo de ter lido isso na Revista Força Aérea que narrou a vida dos Gloster Meteor no Brasil. Abs.

Fernandino Rocha Coelho
Fernandino Rocha Coelho
2 meses atrás

Dê uma passada no Museu do Ibirapuera em São Paulo-SP, creio que lá, ainda tem um Gloster Meteor, e creio que esteja inteiro.