quarta-feira, dezembro 1, 2021

Gripen para o Brasil

Harmonização de armas em caças americanos da Segunda Guerra Mundial

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Os gráficos abaixo mostram como era a harmonização de metralhadoras dos principais caças da USAAF na Segunda Guerra Mundial.

As metralhadoras de calibre ponto 50 montadas nas asas eram calibradas para um alcance ideal de 1.000 pés. Depois disso a dispersão dos tiros prejudicava a eficácia das armas.

Na artilharia aérea, harmonização de armas, padrão de convergência, zona de convergência, ponto de convergência ou ponto de boresight refere-se à mira de armas fixas ou canhões transportados nas asas de uma aeronave de caça.

Os canhões nos caças normalmente não tinham mira direta apontando para a frente; em vez disso, eles eram apontados ligeiramente para dentro, de modo que os projéteis se encontrassem em uma ou mais áreas várias centenas de metros à frente do nariz do caça. A intenção era espalhar o fogo de várias armas para aumentar a chance de um acerto, chamado de “pattern harmonisation”, ou concentrar o fogo para causar um dano maior em um ponto, chamado de “point harmonisation”.

Uma desvantagem da harmonização era que os canhões funcionavam de maneira eficaz em uma zona limitada, de modo que os alvos mais próximos ou mais distantes da zona não eram tão danificados ou os tiros erravam completamente. Os projéteis divergem ainda mais depois de passar pelo ponto de convergência.

A convergência de múltiplas armas era uma prática comum dos anos 1930 aos anos 1950, especialmente na Segunda Guerra Mundial. Aeronaves militares da década de 1960 em diante geralmente não carregavam armas nas asas, então a convergência não era uma grande preocupação.

Clique nos gráficos de harmonização abaixo para ver os detalhes.




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Rinaldo Nery

Chama-se harmonização. Os AT-26 Xavante e os AT-27 Tucano utilizavam o mesmo método de harmonização das metralhadoras, com convergência 1.000 ft à frente. Há um quadro de harmonização, colocado mil pés (300 m) à frente da aeronave. Uma luneta é presa ao cano da metralhadora, e a mesma é fixada (ajustada) de forma que o projetil atinja o ponto pré determinado. A aeronave é nivelada, com um macaco à cauda . O processo é realizado dentro do hangar, pelos sargentos especialistas em armamento (BMB). Nas missões de tiro aéreo o nível de dificuldade é bem maior, pois o tiro é… Read more »

Flanker

Nos A-29, mesmo com o HUD e LCOS, os BMB realizam a harmonização das suas .50 instaladas nos bordos de ataque das asas?

JuggerBR

Certamente, as armas não devem ‘girar’ em sincronia com o HUD, precisam ser ajustadas e aí sim o computador de bordo pode marcar onde é a mosca das armas…

Flanker

Sim, com certeza as armas não se movem…..mas, a correção da mora é bem mais efetiva e precisa. Entretanto, concordo que devam ser harmonizar as, sim. Aguardemos a resposta definitiva de alguém do meio.

JuggerBR

Quanto trabalho, e isso tudo pra cada aeronave. E imagino que de tempos em tempos precise recalibrar. É quase uma arte esse trabalho…

Willber Rodrigues

Esse tipo de procedimento tinha que ser feito cada vez que a aeronave saía do chão e disparava suas armas orgânicas, ou só de tempos em tempos?

Rinaldo Nery

Só quando os pods das metralhadoras eram instalados.

José Luiz

Obrigado por compartilhar esta informação qualificada. Fui adolescente na década de 80 e adorava ver o Xavante voando, sinto falta de encontrar na internet um local em língua portuguesa, com material dedicado aos por menores dos antigos aviões da FAB, aqueles detalhes que na época eram segredos militares e hoje estas aeronaves são de peças de museu. Creio que o pessoal antigo da FAB como o senhor poderia resgatar a memória destes grandes aviões, contribuindo em colocar no mesmo lugar, detalhes técnicos e experiência de aeronaves como: F8 Meteor, F 103 Mirage III, Xavantes, P 95 e tantos outros. A… Read more »

nonato

Pessoal antigo da FAB?
O coronel é jovem…

Rinaldo Nery

Eu uso Renew… Kkkkkkkkk

Edivar Carvalho

A harmonização das duas .50 e dos lançadores de foguetes (SBAT 37 ou 70) com o visor de tiro (o visor DFV era usado para todas missões e o K 14 C para tiro aéreo) dos Xavantes nos 2º/5º e 1º/4º GAv eram feitas, inicialmente, com o nivelamento da aeronave suspendida por três macacos hidráulicos (dois próximos ao trem de pouso central e um no nariz). Para isso eram usados dois pontos de nivelamento, um no lado direito da fuselagem, para fazer o nivelamento/alinhamento vertical e outro no canopy, na posição do 2P, para alinhamento horizontal. Nivelada a ANV, era… Read more »

Pedro

Interessante que o P-38 tinha muito mais precisão e alcance util do que o P-47 e o P-51. Notar que o Bf109 e os caças sovieticos praticamente apenas tinham armas no nariz justamente por esse motivo. Armas na asa vc tem mais dispersao e sao boas para vc usar armas de alta cadencia onde podem “esparramar” uma grande quantidade de balas e com isso atingir um alvo mais fragil e trazer dano a ele. Ao concentrar o fogo com armas no nariz é mais ideal para atacar bombardeios por concentrar em um ponto, com mais distancia, fogo para isso trazer… Read more »

JuggerBR

E tem a questão da vibração do avião, afinal é um ou mais motores rugindo nas asas ou nariz. Fora a sincronização pra não acertar as hélices.

LucianoSR71

O DH Mosquito na versão caça-bombardeiro tinha 4x canhões de 20mmm e 4x metralhadoras 0.303 (7.7mm ) no nariz, isto lhe dava um grande poder de fogo pelos canhões e alta cadencia pelas metralhadoras ( apesar de ser de um calibre pequeno ) bem concentrado. Lembrando que ainda existiu a versão Tsetse c/ um canhão anti-tanque de 57mm ( 6lb ) no nariz, tendo atacado c/ sucesso vários U-boats. Quem quiser ver essa arma disparando e ver um veterano c/ um projetil desse nas mãos ( dá uma idea melhor de tamanho ) aos 13 min do video, é só… Read more »

Last edited 1 ano atrás by LucianoSR71
Cláudio Severino da Silva

Agradeço sua indicação, pois trata-se de uma completa página sobre o Mosquito, de quem sou fã. Nem sabia que os americanos também o tinham usado.

smichtt

Senhores editores: sei que pode parecer preciosismo, mas a grafia correta seria “dispersão” (segundo parágrafo).

Fernando C. Vidoto

Como sugestão, seria interessante publicações do me-109. (a história do “Ás dos Áses”: Eric Hartmann também seria interessante)

Os top 3 Áses da 2GM o pilotaram o Messerschmitt 109:

comment image

a

Fabio Araujo

É sempre bom ver matérias como essa, são boas fontes de aprendizagem.

Guacamole

Melhor que harmonizar um pedaço de presunto de 6000 euros com um vinho barato de 150 reais…..

Marcelo

pode isso Arnaldo? 🙂

Alexandre Cardoso

kkkk

Fernando EMB

As metralhadoras carregadas em casulos sob as asas do T-27 também eram harmonizadas. E depois disso virava um par casado asa/casulo. Se o mesmo casulo for reinstalado na mesma asa ok, senão tem de harmonizar.
No A-29 o procedimento tem de ser refeito se a metralhadora for trocada em ou se for substituído o cano da arma.
Rinaldo… Confere??

JuggerBR

Fernando EMB, mas com o tempo não perde a acuidade, sem correções? Porque a operação do avião, com a vibração de motor e torções na fuselagem não acaba descalibrando o canhão aos poucos?

Rinaldo Nery

Correto.

Rinaldo Nery

Acredito que sim, Fernando. Não conheço bem o sistema do A-29. Sei que no começo da operação havia um problema com a dispersão dos cartuchos disparados.

ZAMZAM_PAMPA

Tanaka, e o impacto de munições de propósitos diferentes na harmonização previamente feita?

Last edited 1 ano atrás by ZAMZAM_PAMPA
Rinaldo Nery

Não influencia. Só se o peso do cartucho (projetil) for muito diferente.

Chesterton

300 metros eh muito perto! Realmete canhoes nao sao muito eficientes perto dos misseis, ainda mais num jato. A energia cinetica e a precisao q projetil perde em grandes distancia mesmo sendo de grande calibre,

Rinaldo Nery

Os israelenses, no Mirage III, atiravam bem de perto.

Sérgio Luís

A harmonização de um P-38 desarmonizou a vida de Izoroko Yamamoto no arquipélago de bouganvile no Pacífico.

Maurízio Souza e Souza

Adorava ler na RFA esses treinos de Dogfight com os AT-27 Xavante nas missões de rebocar o alvo pra galera do Pacau descer o sarrafo!

Rinaldo Nery

AT-26 Xavante e AT-27 Tucano. O alvo é rebocado nas missões de Tiro Aéreo, e não em combate aéreo.

José C. Messias

Excelente e interessantíssima essa matéria! Parabéns ao Poder Aéreo!

Matheus Santos

Que gráficos de padrão de tiro show! Imagina fazer isso em 1940?

Imagino que tenha sido uma dezena de disparos em alvos colocados a cada distância. Depois, algum estatística para fazer o padrão de dispersão. Isso com o avião no chão.

Mas como fizeram o gráfico para a dispersão no avião puxando g em curva de 60º? Cálculo, qual?

Enfim, mto show.

Denis

Bom, depois dessa, não acho mais tão mentirosos aqueles filmes onde um avião ou helicóptero de combate erram o tiro no mocinho a poucos metros de distância…

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