domingo, maio 9, 2021

Gripen para o Brasil

O caça-bombardeiro BAC TSR-2

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

O TSR-2 é um daqueles aviões que pareciam ter um futuro promissor, mas que acabou cancelado pelos elevados custos de desenvolvimento e disputa política.

Segundo alguns, se tivesse entrado em serviço, o TSR-2 daria à Grã-Bretanha o mais avançado avião de combate do mundo, em missões de ataque supersônico a alvos de alto valor em altas e baixas altitudes.

Desenvolvido pela British Aircraft Corporation (BAC) para a Royal Air Force (RAF) no final dos anos 50 e início dos anos 60, o TSR-2 foi projetado para penetrar áreas bem defendidas com armas nucleares ou convencionais.

Outra missão pretendida era fornecer imagens fotográficas e inteligência de sinais e reconhecimento aéreo em alta altitude e alta velocidade empregando um radar de busca lateral.

Somente uma aeronave voou e realizou voos de teste, mas seu peso aumentou durante o projeto e as especificações planejadas tiveram que ser reduzidas.

Com a decisão controversa em 1965 de cancelar o programa, decidiu-se encomendar uma versão adaptada do General Dynamics F-111, mas essa decisão foi posteriormente revogada à medida que os custos e o tempo de desenvolvimento aumentaram.

Os substitutos incluíram o Blackburn Buccaneer e o McDonnell Douglas F-4 Phantom II, mas finalmente foi adotado o Panavia Tornado, de asa de geometria variável, desenvolvido por um consórcio europeu para atender a requisitos semelhantes ao TSR-2.

Alta performance

O protótipo do TSR-2 fez seu primeiro voo em 27 de setembro de 1964. A aeronave demostrou grande potencial e foi elogiada pelos seus pilotos.

Ele podia alcançar uma razão de subida de 15.000 pés por minuto e alcançar alvos a 1.300 km de distância sem reabastecimento.

O avião podia levar uma carga de armas de 2.700 kg em sua baia interna mais 1.800 kg de armas externamente.

Seria equipado com um radar “terrain-following” e sensores infravermelhos, para ataques de precisão em qualquer tempo, além de um computador central e um Head Up Display (HUD).

Das 49 aeronaves planejadas para a primeira etapa do programa, somente 3 foram construídas.

O único TSR-2 a voar registrou 13 horas e 9 minutos no ar antes do cancelamento do programa.

Acredita-se que o TSR-2 poderia ter uma performance de combate superior à do General Dynamics F-111.

Características gerais

  • Tripulação: 2
  • Comprimento: 27 m
  • Envergadura: 11,3 m
  • Altura: 7.2 m
  • Área da asa: 65,30 m2
  • Peso vazio: 24.834 kg
  • Peso bruto: 36.094 kg
  • Peso máximo de decolagem: 46.947 kg
  • Propulsão: 2 × motores turbojato Bristol Siddeley B.Ol.22R Olympus Mk.320 de 22.000 lbf (98 kN) de empuxo seco e 30.610 lbf (136,2 kN) com pós-combustor
  • Velocidade máxima: Mach 2.35 (M1.1 ao nível do mar)
  • Alcance máximo: 4.600 km (2.500 mn)
  • Alcance de combate: 1.360 km
  • Teto de serviço: 40.000 pés (12.000 m)
  • Taxa de subida: 15.000 pés/min (76 m/s)
  • Razão empuxo/peso: 0,59
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22 Comments

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Teropode

Por pouco até o SU 24 não existiria .Uma pena optarem pelo F111 .

Lu Feliphe

Na realidade eles escolheram o Tornado, a versão adaptada do f 111 foi considerado caro demais.

Teropode

Sim , me expressei mal , era sobre a escolha da USAF , o F111 ferrou com outros projetos mais interessantes .

Pindaco

Que fim teve o protótipo?

Lu Feliphe

Três Aeronaves sobreviveram uma foi utilizada para alvo para testar seus materiais.
Essas são as localizações delas:
XR220 (X-02) está em exposição no Museu Cosford da RAF.
XR222 (X-04) está em exposição no Museu Imperial da Guerra Duxford.
A Seção do cockpit está em exposição no Museu Brooklands.
Dois motores Bristol Siddeley Olympus 22R-320 em exposição no museu gatwick.

Last edited 10 meses atrás by Lu Feliphe
Flanker

Várias fotos da matéria foram feitas em museu.

Rival Sensor

Que fotos sensacionais!!!!!!!! Esse avião tem uma feiúra de doer que até chega a ser bonito, realmente os britânicos erraram a mão, parece um Mirage estendido e desproporcional, mas o Tornado é extraordinário, enfim, no final das contas acertaram.

Luiz Antonio

Coisinha feia mesmo. Isso jamais voaria de tão feio, segundo o 1ª Lei Kelly Jonhson.

pangloss

As fotos em que o TSR-2 é acompanhado por outros modelos servem como prova da maestria britânica em desenhar aviões feios.
 

Marcelo

e vao continuar a tradicao com orgulho com o Tempest ! 🙂 Acho que o ultimo caca bonito que fizeram foi o Spitfire !

Luiz Antonio

Isso deveria voar tão bem quanto um charuto.

Karl Bonfim

Verdade, deve ser por isso qua escolheram outros modelos!!

nonato

Não tinha canopi.
Não destacado da fuselagem.
A parte superior da fuselagem vinha reta, o cockpit era abaixo.
Interessante que tinha baia interna para 2.700 kg.
“Stealth “.
A visão frontal dos motores impõe muito respeito.

Marcelo

nessa epoca o armazenamento interno era para diminuir o arrasto.

Delfim

Horroroso.

Eduardo Lima

Impressionante o Domínio Americano!, mais de vários que eles cancelaram em prol das suas aeronaves. Lobby fortissimo.

Clésio Luiz

Sim, eles tem esse estranho poder de fazer o dinheiro sumir dos cofres britânicos, deixando o tesouro sem capacidade de suprir as vaidades da RAF…

cerberosph

E essas asas pequenas? parece um passarinho que teve as assas podadas.

Clésio Luiz

A USN e a RN aprenderam uma lição muito antes da USAF e da RAF. A lição é que você não precisa de capacidade supersônica nos seus bombardeiros.   A USN retirou seu A-5 da missão de ataque em detrimento ao A-6 Intruder. A RN nem isso fez, apostando desde o começo no excelente Buccaneer.   A RAF passou décadas tentando imitar o poderio da USAF, mas sem dinheiro para isso. Por muito tempo eu não percebi, por causa de relatos feitos por entusiastas, mas o “white paper” do ministro Sandys foi resultado da megalomania da RAF em projetos aeronáuticos.… Read more »

J R

Acho que o maior erro da RAF e também da RNAVY foi ter cancelado o P-1154, esse sim seria uma grande sucesso, inclusive nas exportações…

Carvalho2008

Excelente Matéria!!! O avião era sensacional e a historia é valiosa para que todos fiquem conscientes de como é difícil manter Uma industria bélica própria e nacional numa disputa de politicagens, propinas, financiamentos obscuros de campanhas , etc Apesar de excelente projeto, foi abatido por interesses diversos e obscuros em prol da industria e po li ti ca americana de auto proteção a sua própria produção O TRS-2 Britanico assim junta-se ao Arrow Canadense, ao Osorio Brasileiro, ao proprio F-20, ao LAv israelense, etc…. numa epoca em que da-lhe F-104 Starfighter comprovadamente subor nando diversas autoridades de países para enterrarem… Read more »

Ricardo da Silva

Certa vez li que o TSR-2 teria um ótimo desempenho a grande altitude. Porém adaptá-lo para operar a baixa atitude seria inviável, que o programa deveria “começar de novo”.

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