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Welcome to the Jungle

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Por Roberto F. Santana

Durante os anos cinquenta (1955) a aviação da U.S. Navy abandonava a camuflagem em azul brilhante escuro (Sea Blue Gloss) e passava a adotar em suas aeronaves um tom de cinza médio na parte superior (Non-Spetacular Light Gray) e o branco brilhante na parte inferior (Glossy Insignia White). Foi nesse período, durante os anos sessenta, que as aeronaves embarcadas apresentavam um atraente adorno colorido; numerosas formas de insígnias, figuras e números pintados nos aviões. O novo padrão de pintura iria durar até 1977 quando uma norma determinava um novo padrão de camuflagem e no inicio dos anos oitenta quase todas as aeronaves da U.S. Navy apresentavam uma nova camuflagem totalmente em cinza médio fosco de baixa visibilidade.

Entretanto, foi durante esse flamboyant de marcas e pinturas que a Aviação da Marinha dos Estados Unidos veio a participar de uma das mais difíceis guerras, a Guerra do Vietnam. A USAF vinha tendo sucesso no conflito com o emprego de seu novo padrão de camuflagem, o famoso TAC South East Asia (SEA) Scheme, que era um padrão de verde escuro, verde médio e caqui na parte superior, tendo o cinza médio na parte inferior das aeronaves. Isso inspirou a U.S. Navy a tentar algo parecido.

Em 1966, durante os desdobramentos dos porta-aviões USS Costellation e USS Kitty Hawk no mar do Sul da China, surgiu um novo padrão de camuflagem experimental. Vários aviões F-4 Phantom, A-1 Skyraider, A-4 Skyhawk, RA-5 Vigilante, A-3 Skywarrior e A-6 Intruder desses porta-aviões receberam camuflagens em verde escuro, verde médio, cinza escuro e caqui em variados padrões, a parte inferior das aeronaves conservou o branco brilhoso.

Muito embora a nova camuflagem parecesse bem promissora e sua cor se ajustasse bem ao ambiente de selva do cenário asiático, ela viria a ser abandonada antes mesmo do término do desdobramento. Consta que a tinta usada era facilmente removida com água.

A aviação embarcada da U.S. Navy somente voltaria a camuflar suas aeronaves vários anos depois, principalmente durante as Guerras do Golfo.

24 COMMENTS

  1. Uma raridade ver essas aeronaves nessas cores. Não recordo agora ter visto aeronaves da USN nessas cores e se cheguei a ver, com certeza devo ter pensado serem da USAF, devido a variedade de vetores compartilhados com a USN.

    Quanto aquele magnífico A-5, aqui vai um vídeo da restauração de um para um museu nos EUA, feita por voluntários aposentados da USN:

    https://www.youtube.com/watch?v=0XK8SPu1p04

    • Muito bom vídeo.
      O avião tinha muito que ensinar.
      As tomadas de ar, esse compartimento central entre os motores com saída traseira, o sistema de spoilers da asa e sua deriva em peça única atuando como leme. No vídeo dá até para ver o atuador hidráulico do leme e o pivô montado na fuselagem.
      É impressionante como a North American desapareceu (absorvida pela Boeing) depois de grandes projetos como o T-6, P-51, B-25, Vigilante, Savage, Super Sabre, Bronco, X-15, XB-70.

      • A Rockwell foi quem absorveu a North American, para depois ela mesma ter sido comprada pela Boeing.

        Mas realmente foi um fim melancólico para uma empresa com passado tão brilhante. Acho que o que quebrou as pernas deles foi não ter emplacado um projeto de caça de linha de frente Mach 2 para a década de 1960. Do ‘A-5 Vigilante” para a frente, só projetos de pouca produção e/ou lucro.

        E para terminar, vou dar uma cutucada no amigo e dizer que o F-100 foi um tropeço na linhagem de caças deles, sendo ruim de manejo e inferior aos concorrentes da USN e dos soviéticos, onde os anteriores eram melhores e, no caso do F-86, tão bom que virou caso único de caça da USAF adotado pela USN.

        • Eu concordo que o F-100 não era lá essas coisas. Mas também, dando uma de advogado do diabo aqui, foi a primeira aeronave supersônica da USAF (em vôo nivelado). Só acho que não deveria ter sido adotado na quantidade em que foi.

          E o F-86 foi inspirado no Fury original, com asas retas ainda. Depois que a USN viu o que ele era capaz de fazer com asas enflechadas e projeto todo refinado, também quis versões desse para si. A História do F-86 é fascinante porque o design básico era bem mais adaptável do que qualquer um pudesse imaginar. As versões Canadenses eram fantásticas também.

          • Pra mim o problema do F-100 foi a pressa com que foi jogado em produção/operação. O MiG-15 foi uma surpresa desagradável na Koréia e eles tinham todos os motivos para quererem um caça de nova geração o mais rápido possível.
            O problema é como foi executado: o tal plano Cook-Craigie (hoje chamado Concurrency) colocou a aeronave em produção antes do primeiro protótipo voar. Foi um erro estúpido, que resultou na morte de muitos pilotos, inclusive do então piloto de provas chefe da NA.
            Não que os soviéticos tenham ficado muito para trás. Embora o considere um caça superior em combate aéreo, teve um desenvolvimento igualmente conturbado e os soviético se livraram dele muito mais rápido que a USAF com o F-100. Mas uma vez consertado teve vida longa na China e outros países.

        • Era outra época.
          Os caras resolviam as coisas na marra.
          O F-100 nunca foi bom caça dogfight, mas levava boa carga de ataque.
          E é preciso dar um bom desconto. Vejam o problema da asa, até a versão D, não tinha flap, só aileron!
          Os pilotos vinham chutado para o pouso, com ângulo alto, só depois que um iluminado descobriu que uma chapinha de alumínio na asa resolveria o problema de stall que eles puderam equipar o avião com flaps.

          • Tenho um amigo, veterano do Vietnã, que considera que o F-100 é a aeronave mais linda e maravilhosa de todos os tempos. Mas também, uma carga de napalm vinda de um F-100 salvou a vida dele e do resto de seus homens. 🙂

  2. O nome correto para o cinza é “Non Specular Light Grey” mas nos anos 60 a Navy usava o “Light Gull Grey” FS36440. O Non specular light grey era usado nos anos 40 e é bem parecido com o Gull gray.

  3. Na foto do F-4 Phantom com o radome branco, um raro F-4G (USNavy). Essa versão era um F-4B modificado com muito equipamento eletrônico para controle através de datalink, que era uma rede que ligava vários aviões e navios e principalmente para o então novo E-2 Hawkeye.
    Com o novo sistema era possível controlar remotamente a aeronave para o pouso completo no porta-aviões, em silêncio total, sem comunicação via radio com o piloto. O sistema era tão preciso que fazia os mínimos ajustes de potência, e razão de descida da aeronave até o momento do toque no convoo.
    Um desses poucos F-4G acabou sendo abatido por fogo antiaéreo.

      • Esse livro é muito bom. A editora Nova Cultural lançou essa série no Brasil nos anos oitenta, mas não trouxe títulos importantes como esse do Phantom e do F-16.
        Tenho um livro bem completo sobre a história desse caça – McDonnell F-4 Phantom Spirit in the Skies – hoje deve ser fácil de encontrar e não é caro.
        As fotos do Phantom nos porta-aviões com a cabine aberta mostrando os pilotos são muito bonitas.

        • Eu tive alguns dessa coleção e mais aqueles pequenos que também foram lançados e posteriormente relançados em capa dura. Doei os maiores e mantive os menores. Hoje em dia está bastante fácil de se encontrar alguns títulos que nem sonhávamos em conseguir na época.

          Da “Modern Fighting Aircraft,” livros grandes em tamanho, o fascículo sobre os MiGs era muito interessante. Guerra Fria bombando forte, e o livro foi publicado com ‘impressões artísticas’ do como achavam que seriam os MiG-29 e MiG-31. Uma verdadeira time capsule. Provavelmente ainda consegue se encontrar esses lívros para vender na internet.

    • Obrigado Andre.
      Cada aeronave dessas tem muita informacao tecnica, so o North American Vigilante daria um bom volume sobre a tecnologia empregada nesse projeto, um aviao fenomenal.
      E sim, a Guerra do Vietnam foi um cenario espetacular. Conflito extremamente violento mas que foi palco de acoes gloriosas.
      Note que nao adicionei uma foto do Douglas A-1 Skyraider, nao achei um boa foto do aviao no verde que ele usaram de experimento, tenho uma foto em livro, ele ja com a pintura descascando. Mas considero esse aviao um dos mais significativos na historia da aviacao, um verdadeiro guerreiro. Na Guerra da Coreia, na Guerra do Vietnam, sao muitas historias de resistencia e coragem. Outro aviao espetacular.

      P.S. Procure sobre Dieter Dengler piloto de Skyraider abatido e preso no Vietnam. Uma historia com o final triste, mas ensina muito sobre forca de vontade e coragem.

  4. Maravilhoso!

    As aeronaves por estas épocas eram verdadeiras fábulas. Não que reclame dos padrões de hoje ( gosto muito dos tons de cinza ), mas essas pinturas dos anos 50 a 70 eram verdadeiramente incríveis.

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