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‘Portugal pode ajudar na venda do C-390’, diz ministro da Defesa do país

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Concepção do Embraer KC-390 da Força Aérea Portuguesa

Por Luciana Dyniewicz – O Estado de São Paulo

Após ser o primeiro país a comprar o cargueiro militar C-390 Millenium, o maior avião já produzido pela Embraer, em um contrato de € 827 milhões, Portugal deve fazer uma espécie de meio de campo para a venda da aeronave para os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Estamos disponíveis para contar a nossa experiência (com o C-390) para parceiros da Otan”, disse o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, em visita recente ao Brasil.

Com a medida, umas das intenções do país é beneficiar a indústria local. O governo de Portugal é sócio da Embraer na OGMA, de manutenção de aeronaves, com uma participação de 35%.

A seguir, trechos da entrevista:

O governo português comprou cinco C-390 Millenium. Hoje, o país tem quatro Hércules C-130, que estão com 40 anos de uso. Os cinco C-390 são suficientes para renovar a frota da Força Aérea Portuguesa?

Sim. Nesses assuntos, temos de encontrar um equilíbrio entre o que é nosso desejo e o que é razoável. Portugal está fazendo o maior investimento em defesa desde a volta da democracia. A lei de programação militar de 2019, que prevê a compra de equipamentos em 12 anos, nos dá cerca de € 4,5 bilhões. O C-390 representa € 827 milhões.

Portugal vem se recuperando, desde 2014, de uma crise profunda. Qual era a situação dos equipamentos militares após a crise?

Houve alguma degradação na medida em que foi necessário reduzir o investimento na área militar, como em outras áreas. Estamos com a economia crescendo há cinco anos e desemprego baixo. Há também um contexto internacional que nos impele a fazer investimentos em defesa. Uma volatilidade internacional e um alto nível de insegurança: Portugal está próximo do Oriente Médio, também temos militares no Afeganistão e em vários países africanos. Olhando para o contexto geoestratégico e para a natureza dos nossos equipamentos, estávamos em uma fase em que precisávamos fazer este investimento.

A-29 Super Tucano do Afeganistão

Em visita à fábrica da Embraer, o sr. falou da necessidade de Portugal de treinar pilotos militares. Isso pode significar também uma necessidade de adquirir Super Tucanos (aviões da Embraer usados em treinamentos)?

Estudamos isso. Vamos montar uma escola internacional de pilotos com parceiros privados e com a Força Aérea Portuguesa. Portanto, serão os parceiros privados que decidirão o investimento. O Super Tucano é conhecido pelas suas qualidades como avião de formação e estamos a olhar para ele.

Quantos aviões de treinamento vocês precisariam?

Há uma necessidade sentida por vários países europeus. Individualmente, um país como Portugal, Bélgica, Dinamarca ou Holanda não tem escala para fazer uma escola de formação de pilotos para sua força aérea. Nossa ideia é nos unirmos e evitar que pilotos tenham de atravessar o Atlântico e fazer a formação nos EUA. Esse projeto está adiantado e seria baseado em Beja, uma cidade no sul de Portugal onde o céu é azul 300 dias por ano, o que é muito importante para a formação, e o espaço aéreo é descongestionado.

Portugal se beneficia da venda do C-390 porque produz peças usadas na fabricação do avião. O país pode promover o modelo entre os países da União Europeia e da Otan?

O C-390 é uma história de sucesso e de parceria luso-brasileira. Ele foi desenvolvido pela Embraer, mas com uma contribuição significativa da engenharia portuguesa e de produção em dois locais de Portugal. Seremos também o centro para qualquer venda para países da Otan. Portanto, qualquer venda para países terceiros vai beneficiar o país. Primeiro porque as peças serão fabricadas em Portugal e a engenharia portuguesa continuará ativa. E quando as vendas forem para países da Otan, as configurações específicas da Otan serão feitas em Portugal.

O país trabalhará na venda desses aviões para países da Otan?

Sim. Não temos isso formalizado, mas é natural. Estamos disponíveis para contar a nossa experiência (com o C-390) para parceiros da Otan. Contar qual tem sido a experiência da nossa força aérea no trabalho com a Embraer. Fazemos isso com gosto e interesse próprio, porque a Embraer também tem uma bandeirinha portuguesa no C-390.

Sendo Portugal parceiro da Embraer, como o governo viu a venda de 80% da divisão comercial da empresa para a Boeing?

Estamos falando com a Boeing agora pela primeira vez. Para nós, é uma oportunidade nova e interessante. Digamos que Portugal não estava no radar da Boeing. A Boeing não tem plantas na Europa. E, de repente a Boeing passa a ser dona de 80% de duas fábricas em Évora. Isso para nós é uma oportunidade interessante.

O Estado português é dono de 35% da OGMA, empresa de manutenção de aeronaves em que a Embraer tem 65% de participação. O governo português anterior falava da possibilidade de a companhia também fabricar aeronaves. Esse projeto pode ser retomado?

Há um consenso que a OGMA pode e deve aumentar significativamente seu trabalho e seu faturamento. Hoje, a OGMA fatura algo como € 200 milhões (R$ 945 milhões) por ano. Estamos satisfeitos porque todos os anos dá lucro, mas pode e deve ser uma empresa bem maior. Não é esse o momento de desvendar novidades, mas acredito que em 2020 a OGMA vai dar um salto grande.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

79 COMMENTS

  1. 1- Pelo fato de ser integrante da OTAN os portugueses “tem” que passar para os demais as telemetrias e conclusões ñ só do sobre o C-390 mas de tudo que eles utilizam.
    2- Querendo ou ñ os portugueses vão desfilar de C-390 por toda a Europa e todos logicamente vão ver e lógicamente apreciar.
    Eles “poderiam” ajudar se houvesse interesse e isso tem que ir muito além das “pequenas” partes que eles “portugueses” fabricam para compor o C-390!
    Outra coisa!!
    Desde de quando os portugueses ajudaram o Brasil!?!?!
    Ñ temos mais ” idade pra sermos inocentes!”

    • A OGMA participar da produção do KC-390 já dá todo o interesse para eles. Ainda mais que provavelmente vão centralizar a manutenção dos KC-390 na Europa por lá.

    • Parece-me que o senhor se encontra inseguro, calma que a patente industrial já deve estar registada em nome da Embraer, portanto fique traquilo.
      Agora lembrou-me o meu vizinho, o meu vinho é sempre melhor do que o seu.
      Neste aviões foram aplicadas 400 000 horas de engenharia Portuguesa, que foi realizada num centro de investigação localizado em Matosinhos, arredores do Porto, os €60 Me financiados pelo estado Português certamente que foram direcionados para esse centro investigação.
      Nos dias de hoje é importante saber trabalhar em equipa. O Ministro João Cravinho é um diplomata de carreira ( Licenciado em relações internacionais ),e como tal certamente que sabe quando se negocieia, existem objetivos mesmo sendo atíngiveis podem não ser totalmente conseguidos, porque há sempre cedências de parte a parte, sob pena de se cair num impasse durante bastante tempo, o que nunca é bom para ambas as partes. Existe a necessidade de alavancar as vendas deste vetor, quanto mais não seja para motivar trabalhadores, curiosos e outros nacionais, e mesmo clientes e parceiros. Ora sendo a Boeing (que só existem intenções) ou outros qualquer Ministro o importânte é torna celere as vendas, sob penas de novos voos, sonhados e ambicionados pela Embraer terem de abortar. Porque no final se pergunta: para quê tanto trabalho e esforço, se depois não conseguimos fazer vendas. E finalmente existem alguns Paises que podemos excluir como futuros clientes, todos aqueles Países pela sua dimensão ou por serem fabricantes neste setor, concerteza que quererão proteger as suas industrias Nacionais de futuros ou atual concorrentes neste segmento de mercado.

      • Vitor Silva,
        Parece-me que há uma comunidade portuguesa relativamente grande aqui neste fórum que por sinal é brasileiro!
        Agora uma coisa é certa!! Vcs portugueses fizeram com muito sucesso as “caravelas” isso até eu tiro o chapéu!
        Desculpem os portugueses mas opinião cada têm a sua!
        Outra aqui no Brasil dizemos “equipe” e ñ “equipa”!

        • Sim eu sei disso. Vamos combinar uma coisa voçes falam com Português do Brasil e eu falo com o Português de Portugal. Voês têem uma palavra, como é aterrisagem que até dá arrepios de ouvir, e nós nesse caso somos mais práticos e dizemos aterragem e em caso de ser em sentido contrário diz-se descolagem. Afinal esta lingua, é uma lingua viva. Ao contrário do Latim que pertence ao passado e já se encontra à muito formatada.

          • Vitor
            É injusto até porque quando vamos aí em Portugal vcs portugueses “exigem” que nós brasileiros falemos como vcs portugueses.
            Então acho justo que vcs português fale como nós brasileiros por estarem em um fórum brasileiro!
            Sendo assim ñ abro mão de “sugerir” a vcs aí em Portugal criem um “fórum” para o idioma de Portugal!
            Lamento mas Infelizmente é assim!

          • Caro Sérgio
            Mal entendidos podem acontecer em qualquer lado.
            Mas gostaria de ver um exemplo em Portugal a que que um cidadão brasileiro fosse “exigido” que falasse como os portugueses. Por favor não diga que num documento escrito oficial isso foi exigido pois isso é o básico dos básicos e se eu for apresentar uma participação no Brasil a um órgão do governo, teria o cuidado de o fazer na versão local da língua.
            Agora se você está a sugerir que numa conversa informal, como penso ser a desse fórum, alguém “exigiu” algo, vai ter que inventar exemplos.
            Quanto ao criar um fórum para p idioma em Portugal, lamento mas já existem vário e pasmem! Com a participação de Brasileiros,Espanhóis etc que falam nas suas respectivas línguas/dialecto sem qualquer problema
            Lamento mas o que você sugere se aproxima muito da definição de xenofobia.
            Felizmente você não manda nada neste fórum e enquanto não bloquearem ip’s de Portugal vou continuar a frequentar, a apreciar o conhecimentos dos participantes Brasileiros muito bem informados e conhecedores e a ignorar os provocadores que não aceitam a participação de pessoas de outros países

          • MestreD’Avis, os irmãos portugueses são muito bem-vindos a este fórum assim como nos outros da Trilogia. Os leitores de Portugal são muito importantes para nós, tanto pela audiência quanto pelos excelentes comentários. Um abraço!

          • Obrigado Galante. Apesar de não comentar muito sou leitor quase diário da página e aprecio as noticias aqui colocadas. Continuem o bom trabalho

          • Muito bem dito, tens toda a razão,
            afinal este fórum serve para todos trocar-mos conhecimentos e informações, sob a problemática da aeronáutica e o seu desenvolvimentos e novidades.
            Não existe lugar a qualquer tipo de despotismo ou xenofobia. Estes fórum tem modeladores, que ainda não sentiram necessidade de reagir, porque este problema é apenas trivial e sem sentido.

          • Sérgio Luís, os leitores portugueses são muito bem-vindos no Poder Aéreo, são os que mais acessam o conteúdo depois dos brasileiros. Podemos dizer que o Poder Aéreo é luso-brasileiro.

          • Sergio Luís, que conversinha ufanista de mesa de bar…
            Este espaço é para interessados no tema aviação, e não para brasileiros interessados em aviação. Foquemos no importante: pare com essas querelas… “aí, ele falou equipa e aqui não pode…”
            São parceiros e no mundo da aviação, quanto mais parceria, melhor. Não temos volume para querer ser o único dono da bola.

          • Sérgio, me desculpe, a si e a todos, mas você vomita mer&@ a toda a hora, ou é só às vezes?

            Você e outros sentem prazer enorme em denegrir povos e nacionalidades, ódio esse baseado em que? Eu por exemplo não escrevo nem no actual código linguístico português nem no do Brasil (tirando termos específicos, olhe, como por exemplo descolagem e decolagem, o português PT e português br é, actualmente, em quase tudo idêntico, graças ao novo acordo ortográfico). Eu ainda aplico o velho acordo ortográfico, ou seja, em vez de ação, escrevo acção, por exemplo.
            Isto assim se tornou porque, tal como os brasileiros, que ao longo dos anos, vão alterando a sua maneira de falar, também os portugueses o fizeram. Visto que o primeiro “c” é mudo, tendo a sua origem, digo eu, proveniência na palavra em latim, deixa-se de escrever assim. Entre muitas outras coisas, uma daz razões para isto acontecer (alteração ortográfica) é precisamente para evitar que você e outros disparem este tipo de bosta.
            Isto é um “fórum” que, graças a Deus, ainda se preza por ser um local de discussão, onde se valoriza o conhecimento, a troca de conhecimento e ideias, independentemente da nacionalidade do indivíduo que comenta, portanto, se não está satisfeito, talvez o senhor é que esteja mal aqui e, você sim, deveria criar um fórum só para si e para os xenófobos de ideologias extremistas infundadas e sem sentido como você. Me perdoe por estar a ser igualmente radical, mas vá picar o ca…@#o.

            Saudações.

          • Minha família toda é de origem portuguesa. Apesar de ainda não ter pisado em Portugal, os muitos da minha família que lá estiveram nunca sofreram qualquer exigência para falarem como portugueses. Na verdade eles só relataram boas experiências em Portugal, desde cidades grandes como Lisboa e Porto, até em pequenos vilarejos.

            Acho uma tremenda bobeira antagonizar Portugueses, Russos, Indianos ou gente de qualquer nacionalidade que venha comentar aqui. São pontos de vista diferentes que não temos contato todos os dias e é sempre bom ter acesso à visões diferenciadas sobre qualquer coisa.

        • O senhor estamos no século XXI, na era da globalização e do digital.
          Achava bem que eu fizesse exigências tais como : Jorge Jesus volta, que está perdoado, ainda para mais não és Brasileiro. Se o Flamengo está em alta isso é bom para ele e para milhões de Brasileiros.
          Também não acredito que em Portugal se seja obrigado a falar Português do Brasil ( para mim é um regionalismo), muito diferente do crioulo, a não ser que seja numa comunicação formal entre o cidadão comum e a administração publica. Ainda para mais existem tanto bons escritores, cantores e outros artistas no Brasil, não seria sensato da minha parte.

    • Gostaria de esclarecer que Portugal não fábrica só “pequenas partes”… Eles fabricam muitas coisas e partes grandes, caras e essenciais… Tipo as asas, coisa pouca né… A também produzem os painéis da fuselagens central… Ah e os enormes sponsons…
      Coisa pouca né.
      Duro ouvir gente “vomitar” afirmações cono se soubessem de algo…

    • Sabes ler?? ´´Pode ajudar.
      E idem idem aspas aspas, não há inocentes, do lado de cá também.
      E para já, é a única venda ao exterior, desse avião, feita pela EMBRAER

  2. Como parte do C-390 vai ser produzido em Portugal quanto mais vendermos melhor para eles pois vão produzir mais, e Portugal fazendo parte da OTAN é um bom garoto propaganda. Portugal vai receber o KIT de combate a incêndios? Os incêndios florestais são fonte de preocupação e dor de cabeça para Portugal. E vou torcer muito para que esse interesse de Portugal no A-29 vire uma compra de fato!

    • Bem que a Embraer poderia ter projetado o avião para tbem ter opção turbohelice (Para pousos confiáveis em pistas não pavimentadas) !

      Ai o Hercules já era !

  3. Em outras matérias relacionadas ao tema sempre deixei e claro repito que Portugal é o melhor parceiro neste programa do C-390, bem diferente da Argentina. Idealmente, este deveria ter sido um projeto unicamente luso-brasiliano, sem a necessidade de incluir argentinos e checos, e ainda assim estariamos bem servidos com a colaboração portuguesa. É desejável que empreendimentos no setor tecnológico entre os dois países, sobretudo no ramo de defesa, cresça e possa abranger outras áreas.

    • Porquê não?! Os Tchecos podem ser um bom cliente,apesar de serem modestos,eles necessitam de cargueiros,eles possuem apenas 4 CASA C-295 para transporte ,eles precisam de aeronaves maiores.

      • Muito modestos mesmo. Apenas 2 C-390 atenderiam as necessidades deles, mas a questão não é essa. Entre ser e poder ser um cliente existe uma grande diferença, ainda mais quando se é parte do projeto como no caso checo. Por tão poucas aeronaves não nem sequer indício de que eles adquirirão o C-390.

    • Sim tens toda a razão, porque não os dois Países, fazerem um navio reabastecedor ou patrulhas oceânicos em parceria. Percebo que o Brasil tenha que comprar compras de oportunidade, mas de perferencia têm fazer alguns compra nova em folha e com um tempo utíl de 35 a 40 anos , criará muitos postos trabalho e com emprego mais qualificados e melhor pagos.

    • Willber, o tucano, não só resolveria a demanda por instrução, como, em versão armada, representaria uma solução para as missões externas de Portugal, que muitas vezes carecem de apoio aéreo (Portugal so tem caças a jacto e, portanto, é inviável usar os mesmos em teatros como a República Centro Africanas). Farto-me de imaginar a FAP a operar tucanos armados, seria uma solução perfeitamente viável para apoiar as nossas FND’s.

      • Perter, o ST é demasiado caro para funcionar para instrução, penso que o PC-21 seria melhor opção. Não temos muitas historias de contra insurgência que demandem a existência de uma aeronave de ataque leve. Ou seja, seria sub-utilizado em 99% do tempo.

        • Mestre, você tem razão, mas repare.

          As características que apetrecham o ST e que o tornam apto para o combate, são as mesmas que o tornam apetecível para instrução avançada.

          É verdade que isto envolve custos, mas o esforço para a sua operação é pifio e, num país de orçamentos humildes, novas compras militares devem sempre recair sobre meios de duplo uso.
          Pilotos podem, com o ST, familiarizar-se de maneira muito mais eficiente com as reais características de uma aeronave militar, que num simples treinador dedicado, são apenas simuladas.
          Portugal passaria a ter ao dispor uma aeronave de custo de aquisição aceitável, low-cost, apta não só a providenciar instrução avançada, como também de realizar ataque ao solo. O seu baixo custo de operação também nos trás uma nova e interessante possibilidade.
          Portugal passaria a contar com uma aeronave que poderia facilmente integrar em missões no exterior, ao abrigo das suas responsabilidades internacionais, providenciando suporte aéreo de baixo custo nos diferentes teatros que irá concerteza operar.
          Você diz que que não temos muita história de contra insurgencia, mas engana-se, pois no Iraque tivemos, no Afeganistão também e, agora, também, na RCA. Mas se quiser referir a História mesmo, então adicionemos também a guerra do ultramar.

          Portugal não se pode dar ao luxo de adquirir meios dedicados quando pode optar por meios de duplo uso e, nesse sentido, o ST é uma óptima opção. Se na RCA não estão aeronaves de ataque portuguesas, é porque não temos nenhuma para lá mandar, pois os Eh101 estão sobrecarregados com as missões, muitas de interesse público, que lhes são impostas, os Koala são inaptos e os All3 estão velhos. O F16, em missão de combate, rebentava-nos com o orçamento, por isso nem vale a pena referi-lo, até porque uma coisa é policiar o Báltico, outra é destacar um caça destes para uma região africana que carece de instalações próprias (so em países vizinhos), numa missão que exige alto esforço às máquinas, pilotos e pessoal de apoio.
          O ST, devido à sua simplicidade, poderia ser operado de dentro da própria RCA, substituindo os helicópteros de ataque, que nem estão mais disponíveis, do Senegal, que até à bem pouco tempo desempenhavam a tão importante missão de CAS para QRF portuguesa que ali opera.

          Se o objectivo for, apenas, adquirir uma aeronave de treino, pode ser o Pilatus, agora, se o objectivo for de facto maximizar as capacidades e versatilidade da Força Aérea Portuguesa, essa opção tem obrigatoriamente de ser algo como o ST. Eu nem falo de muitas aeronaves, 12 ou menos chegariam, o resto, do mesmo modelo ou não, que viesse ao abrigo da parceria com que se quer edificar a escola de instrução já referida. O que referi é de facto a necessidade portuguesa de contar com uma aeronave barata de ataque que, na auxencia de um modelo de helicóptero apto, ou um jato de “reduzido” desempenho (tipo os Alpha que até a pouco tempo tínhamos, se bem que apenas capazes de lançar armamento burro não guiado, sendo por isso já inúteis quando operavam), possam desempenhar as tarefas por mim referidas, com o extra de se apresentarem como excelentes para a instrução avançada ou semi-avancada (depende da filosofia a adoptar).

  4. Achei interessante a maneira como planejam treinar seus pilotos. Usando um parceiro privado que treinaria os pilotos de varios paises europeus. Buscando desta forma reduzir custos e racionalizar os gastos.

    Aqui, só como exemplo, temos esquadrões dedicados a instrução em asas rotativas. Um na FAB, outro na MB e outro no EB.

    Apesar de tanto se falar em “falta de verbas”, não se racionalizam os gastos com instrução, oque geraria uma economia significativa.

    • As FFAA não primam exatamente pela racionalidade. Obviamente suas diferenças estruturais e perfil de missão têm que ser levado em conta, mas não tem cabimento escolas que se superpõem, como em seu exemplo. Não tem cabimento usarem armamento básico e calibres diferentes. Não tem sentido terem patentes, cocares e insignias diferentes. Não faz mais sentido hoje em dia uniformes de gala, passeio, etc… Não faz sentido terem quartéis urbanos em pleno Rio de Janeiro, e milhares de metros quadrados em imóveis ociosos. É urgente e necessária uma total reestruturação, racionalização e profissionalização das FFAA.

    • Zorann, é algo que tenho alertado, mas por norma, até sou negativado. Existem diversos casos de duplicação nas Forças Armadas do Brasil.

      • Claro que não.

        Qual foi a última vez que tivemos um Ministro de Defesa que pegou os vovôs das nossas FFAA pelos ombros e deu uma bela chacoalhada?

        Os dinossauros que temos nos quarteis preferem suas tradições e mordomias, enquanto torram o NOSSO dinheiro em ensinos desnecessários e duplicados.

        Honestamente, as vezes torço (com muito peso no coração devido a população) para a Venezuela continuar com seu programa militar, talvez com a bunda batendo na água e sem dinheiro de onde sugar, finalmente tenhamos uma reestruturação das Forças.

        Mas acho que preferem ficar no caviar mesmo…

    • Algo simples seria a instrução básica de como usar a aeronave ser feita numa escola comum a todas as forças (e policias, e até pilotos particulares) e as instruções específicas a cada força/missão serem dadas separadas.
      Economia em custo e ganhos de escala, fora que parte dos custos seria pago pelos pilotos particulares.
      Mas como fazer isso sem ferir os sentimentos militares?

    • Que é isso Zorann?! Deixe para lá essas idéias revolucionárias. Você não conhece a fundo os detalhes e as especificidades que justificam três esquadrões de instrução em asas rotativas.
      E o pessoal? Vão fazer o que com aquele monte de gente? E as conexões com os fabricantes? A marinha vai ter de parar de comprar da Bell? Ou o exército e a FAB parar de comprar da Airbus? Nada disso. Vamos seguir tudo como está, pois os resultados obtidos mostram que estamos no caminho certo, na defesa dos interesses das forças e do seu pessoal, ainda que conflitando com os interesses do país.

    • Zorann, boa noite.
      Há um estudo de unificar as escolas de formação de asas rotativas.
      Quando o problema?
      O básico pode ser o mesmo, mas a maneira de empregar a aeronave e a formação das praças (lembrando q são aeronaves com equipamentos diferentes), obriga q cada Força tenha um estabelecimento de formação.
      No final, acabaria cada Força tendo o seu e mais um unificado.
      Sds

      • Caro Agnelo,
        Padronizar no Esquilo é fácil, pois todas usam. É só aposentar o Jet Ranger da MB, que já está com os dias contados mesmo. Aliás, agora é o momento ideal de fazer isso, antes que a MB compre uma nova aeronave de instrução que provavelmente não será o Esquilo (é a cara dela comprar Bell ou Leonardo só para atrapalhar eventual plano de integração).
        Padronizar a forma de emprego também não é difícil. As Forças precisam sentar, conversar e chegar a um acordo sobre o que é melhor para todas elas.
        Se o Reino Unido que tem experiência em guerras infinitamente superior ao Brasil conseguiu fazer isso, com um pouco de boa vontade também conseguimos.
        Sobraria apenas a instrução em aeronaves específicas de cada Força, o que seria feito no esquadrão.
        Enfim, poderiam fechar dois centros de instrução, ficando com apenas um. Economia sem prejuízo às Forças.

    • Sim é verdade, Portugal foi selecionado para instalar também uma escola de Helicopteros em Sintra da UE, e que estava no Reino Unido e por causa do Brexit é agora transferido. Começa a funcionar ainda este ano, com pelo menos 200 alunos.

    • Talvez possam ser Pilatus PC-21, espero que sejam montados nas OGMA tal como acontece com o PC-12 desde há muito tempo. Só depende mesmo dos privados, e só no final saberemos! Não quer dizer que o ST não esteja na corrida.

  5. Alguém pode me tirar uma dúvida. O cargueiro não é de fabricação da Embraer – defesa? Empresa que não foi vendida para Boeing, como eles falaram de participação de 80% da empresa americana nas vendas envolvendo o cargueiro?

    • Prezado Saulo
      É necessário separar as coisas. A fusão entre Boeing e Embraer resultou na criação de uma nova empresa chamada Boeing Brasil-Commercial, onde a Boeing deterá 80% do capital e a Embraer 20%.
      Aviação executiva e defesa, entre outros segmentos, ficaram de fora.
      Como a Boeing terá 80% da nova empresa, as duas fábricas de Évora, que são da Embraer, passarão para o controle da BB-C e, por tabela, serão 80% da Boeing. Foi isto que o ministro disse.
      Quanto ao cargueiro, além da Embraer Defesa vender, com a ajuda de quem ela quiser, foi criada uma joint venture entre Embraer Defesa e Boeing apenas com a finalidade de comercialização, com Embraer Defesa 51% e Boeing 49%.
      Seja o avião vendido diretamente pela Embraer Defesa, ou por influência do governo português, ou ainda pela joint venture, todos os parceiros envolvidos no projeto ganham (Brasil, Argentina, Portugal e República Tcheca), uma vez que fornecem algumas partes. Se for pela associação Embraer Defesa/Boeing, a Boeing ganhará sua comissão.
      Foi isto também que o ministro destacou. Cada venda, venha de onde vier, chegue de onde chegar, Portugal lucra.
      Abraço

    • Se Portugal fizer o trabalho de casa e aproveitar a experiência que já tem a operar meios em comum com a Holanda e Bélgica, seria sim uma possibilidade, resta saber se existe a demanda nestes países.
      Portugal já se envolveu em muita coisa, com vista a facilitar a manutenção e operação dos meios, por exemplo as Fragatas M, os Leo2a6, os F16 (MLU’s em comum, etc), etc.

  6. Acho muito natural os portugueses desejarem o sucesso do C-390. Pois seria sucesso para eles também. Mas não era a Boeing que iria fazer isso?

  7. Parece-me que o senhor se encontra inseguro, calma que a patente industrial já deve estar registrada em nome da Embraer,”
    Hummmmmmmmm, não era da FAB??

  8. É Sempre bom ter parcerias promovendo nossos produtos no exterior e a venda de mais aeronaves millennium na Europa iria beneficiar nossos irmãos de Portugal também.

    Agora, Portugal seria Muito Burro se não compra-se uns 12 ou mais Super Tucano para sua força aérea, porque ele é o melhor na sua categoria.

    Boa Sorte …

    • Gostaria de recordar ao senhor, que vai ser instalada uma escola de treino avançado em Beja, em parceria com privados e em consórcio com parceiros Europeus como a Holanda, Bélgica, Noruega ou Dinamarca, basicamente são os mesmo que estiveram envolvidos no MLU dos F-16.
      Ora sendo uma escola Privada é normal que queiram comprar um avião que tenha um bom preço. O dinheiro que estava destinado à formação nos EUA, será direcionado para esta escola, e possivelmente os Epsilon, que são treinadores básicos, poderão muito bem ser abatidos.

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