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F-35: Lockheed Martin potencialmente misturou rebites estruturais na maioria dos aviões

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Centenas de F-35 poderiam ter os rebites errados em “áreas críticas”, de acordo com a Agência de Gerenciamento de Contratos de Defesa (DCMA). Mas o construtor do F-35, Lockheed Martin, diz que o problema pode não precisar ser corrigido.

“Todas as aeronaves produzidas antes da descoberta desse problema têm rebites de titânio instalados incorretamente em locais onde o projeto exige Inconel”, disse o Escritório do Programa Conjunto F-35 em um email em resposta a uma pergunta da Air Force Magazine. “Por causa disso, a análise de segurança de engenharia do problema assumiu que cada conjunto crítico do F-35 foi montado com os rebites incorretos.”

O Inconel é uma liga de níquel e cromo e deve ser usado em locais onde são necessárias maior força e resistência à corrosão, enquanto os rebites de titânio são usados ​​em áreas onde sua força e leveza ajudam a reduzir o peso. O titânio, no entanto, tem uma resistência ao cisalhamento menor que o Inconel.

Ambos os rebites são chamados de “eddie bolts” e têm aparência semelhante, exceto pelo número carimbado neles. Os rebites de titânio custam cerca de US$ 5 cada, enquanto as peças de Inconel custam cerca de US$ 20 cada. Uma porta-voz da Lockheed disse que as duas partes são “muito difíceis de distinguir visualmente”.

O porta-voz da Lockheed disse que uma análise inicial concluiu que “o titânio tem força suficiente em locais que exigiam parafusos Inconel eddie”. Outro funcionário da Lockheed disse que os componentes são construídos com “o dobro da força especificada”, mas ele não especificou se esse era o caso dos parafusos de titânio.

O JPO disse que a análise a partir de 9 de janeiro concluiu “que nenhuma restrição ou inspeção operacional da aeronave é necessária no momento”. Ele acrescentou que “o JPO divulgará um relatório de orientação da frota” na conclusão da causa raiz e ação corretiva (RCCA – Root Cause and Corrective Action), agora sendo executada pela Lockheed. A DCMA disse que o JPO está supervisionando a análise da Lockheed para garantir que ela seja executada sem viés.

Linha de montagem do F-35

Além da linha de produção do F-35 em Fort Worth, Texas, a mistura dos dois tipos de rebites também foi descoberta nas instalações italianas da F-35 Final Assembly and Check-Out (FACO), mas não no Japão, informou a DCMA.

A Lockheed planeja enviar seu relatório à DCMA e ao JPO em fevereiro, e a empresa espera que “seja aprovado”, disse sua porta-voz. Sobre como o problema ocorreu, ela explicou que “várias caixas de rebites foram encontradas no chão de fábrica com rebites misturados nas instalações da Lockheed Martin e em várias localizações de fornecedores”.

As inspeções de algumas aeronaves – a Lockheed não especificou quantas, ou quem realizou as inspeções – “indicaram altos níveis de instalações de rebites em conformidade”, e uma revisão de engenharia “foi concluída e está em revisão com o cliente”, disse a porta-voz.

A empresa acredita que, uma vez que sua análise seja aprovada, “não será necessário retrabalho para aeronaves da frota”, disse ela, mas não identificou outras ações corretivas.

Problemas de qualidade semelhantes ocorreram com o F-16, onde os trabalhadores jogaram os rebites restantes na lixeira errada no final de um turno. Tais problemas geralmente podem levar meses para serem descobertos.

Segundo a DCMA, existem mais de 48.000 rebites dos dois tipos em um caça F-35. Os F-35As da Força Aérea têm 848 rebites Inconel em um total de 48.919 rebites , ou cerca de 1,7% do total.

O modelo F-35B da Marine Corps possui 877 rebites Inconel em 50.603, também 1,7%. O modelo de porta-aviões F-35C da Marinha, no entanto, que tem de suportar o choque de aterrissagens repetidas em um porta-aviões e é maior e mais pesado que as outras duas variantes, possui 51.353 rebites , dos quais 1.813, ou 3,5%, são feitos de Inconel.

Linha de produção do F-35
Linha de produção do F-35

A DCMA reconheceu que a Lockheed havia começado a implementar um plano corretivo em novembro e havia “concluído a maioria dos itens de ação em dezembro de 2019”, embora não tenha especificado essas ações.

Não foi divulgado em quais números de cauda do F-35 as mudanças foram implementadas. A Lockheed entregou 134 F-35s no ano passado, portanto, é provável que as últimas entregas de 2019, ou cerca de 11 a 14 aviões, bem como as entregues em janeiro, não sejam suspeitas de aplicação incorreta de rebites .

A DCMA disse que não calculou o que seria necessário, em termos de horas-homem, para verificar todos os elementos de fixação em todos os F-35 anteriores, ou o que isso custaria, porque isso “não fazia parte da ação corretiva”.

O JPO trabalhará com a Lockheed para “examinar os impactos estruturais de ter rebites de titânio instalados em locais onde o projeto exige Inconel”. Deixou em aberto a possibilidade de que ainda pudesse haver “inspeções ou substituições … necessárias”.

A empresa e seus fornecedores “estão validando instalações corretas de rebites e tomaram medidas para melhorar a segregação e controle de rebites “, afirmou a porta-voz da Lockheed.

A RCCA deveria examinar “todos os aspectos do manuseio desta peça, incluindo, entre outros, as instruções de manufatura, expedição, recebimento, produção, distribuição de linha e linha de produção”, disse o JPO em um email. “O Escritório Conjunto do Programa do F-35 e a Lockheed Martin usarão as descobertas para atualizar esses procedimentos conforme apropriado, a fim de impedir que um erro semelhante ocorra no futuro.”

Caberá ao JPO decidir quais despesas, se houver, a confusão de rebites implicará e quem a arcará, disse o DCMA.

Em abril de 2019, a Lockheed estava sob escrutínio por causa de um problema com os furos de fixação que foram perfurados incorretamente ou não foram adequadamente tratados com materiais anticorrosivos. Esse problema foi descoberto pelo pessoal de manutenção da USAF em Hill AFB, Utah.

Um oficial do Pentágono familiarizado com estruturas aeroespaciais disse que é possível que os rebites de titânio ou Inconel possam ser incompatíveis com os materiais aos quais estão ligados, causando um possível problema de corrosão se não forem corrigidos.

FONTE: Air Force Magazine

133 COMMENTS

  1. Se colocaram um parafuso errado, mas o erro foi que ele é mais forte e mais caro que o correto creio que não vai causar problemas estruturais no avião, mas deve ter causado um custo maior na construção, parafusos de titânio devem ser muito mais caros que o parafuso de Iconel.

    • “Os parafusos de titânio custam cerca de US$ 5 cada, enquanto as peças de Inconel custam cerca de US$ 20 cada. Uma porta-voz da Lockheed disse que as duas partes são “muito difíceis de distinguir visualmente”.”
      Fabio também tive a mesma impressão que você, mas no texto mostra o contrário.

    • Não são parafusos. São rebites. Usaram de titânio quando deveria ser de inconel. 1 rebite de titânio: 5 dólares. 1 rebite de inconel: 20 dólares. Isso tudo tá escrito no texto.

      • O titânio é mais incompatível com os materiais compostos em fibra de carbono. Mas, além disso, os materiais RAM (muitos dos quais com ”pitadas” de ferro ) sao mais suscetíveis ainda sob ponto de vista de corrosão.

        • Olá Rommelqe. Há um outro fator bastante sério que pode levar á corrosão quando dois metais diferentes são colocados em contato. Acho que todo mundo lembra da pilha de Daniel (uma placa de zinco colocada em contato com uma placa de cobre, o que gera um potencial de 1,10 V. Pode ser pouco para mover um motorzinho, mas é muita energia para mover elétrons do zinco para o cobre. Só é preciso um meio levemente ácido (uma gotinha de água da chuva). Esse potencial é alterado com a temperatura (pode até inverter os polos positivos e negativos de uma pilha). O inconel é uma liga de níquel e crômio que forma uma camada de óxido crômio muito fina que protege a o interior (o titânio puro e o alumino puros também geram essa camada de proteção). Portanto há um problema mecânico (maior ou menor tensão de ruptura ou de escoamento, lembrando que a peça pode deformar antes de romper), há o problema de compatibilidade térmica (diferentes metais têm diferentes coeficientes de expansão térmica), há o problema da tensão superficial que determina a compatibilidade do material com o recobrimentos, há o problema do atrito entre materiais diferentes e há o problema do potencial elétrico gerado no contato de dois metais que pode gerar regiões anódicas e catódicas na estrutura da peça, levando á corrosão inclusive em locais distintos da superfície de contato heterometálica. Ufff.

          • Caro Marcus: gostei desta referencia (afinal também é da USP…). Mas só para exemplificar, ja usei corrente impressa em um tubo de 5 metros de diâmetro e 700 t de peso, que perdeu 10 % de sua massa original em um ano de operação. Foi corrosão INTERNA devida a bactérias ferro e sulfato redutoras. Hoje a comunidade acadêmica reconhece que a ação biologica responde pela imensa maioria dos problemas com corrosão (se quiser vai la na USP de Sao Paulo, capital, e pergunte para o professor da POLI, R. Schneider (doutorado na Suiça)).
            Nós empregamos titânio no exemplo do tubo (conduto forçado) como anôdos do sistema de corrente impressa. Iconel usamos muitos em industrias diversas, assim como aço inoxidável tipo Duplex e Super Duplex em corpos de compressores utilizados no fundo do mar (mergulhados a mais de 1000 m de profundidade).
            Os materiais RAM do F35 são compostos em grande parte por ferro os quais, em contato com os compositos em fibra de carbono da fuselagem conduzem a um sem numero de problemas.
            Os rebites (não confundir com parafusos) são componentes que majoritariamente são solicitados ao cizalhamento (afinal as fuselagens são membranas, tecnicamente falando) e em certas regiões do caça é necessário empregar Inconel (ao inves do titânio) …. dai pra frente começa a historia, certo?
            Abraços

          • Prezado Camargo: trabalho com titânio e iconel.. entre muitos outros. A questão de corrosão é ainda muito mais ampla do que vc colocou. Leia o livro de meu amigo Vicente Gentil (infelizmente ja falecido).

          • Olá Rommelqe. Sensacional. Vou pedir um para a editora GEN. As vezes eles dão um exemplar gratuito para professores. Corrosão é uma área muito bacana. Uma vez eu trabalhei com corrosão de cerâmicas refratárias em altofornos. A escória do ferro costuma atacar a superfície dos fornos, ás vezes causando acidentes terríveis quando a parede arrebenta. Aqui em S.Carlos tem um grupo de pesquisa sobre corrosão muito bom, inclusive que tem o pé no chão-de-fábrica. Fico à disposição para apresenta-los a você. Puxa, fiquei com vontade de visitar essa empresa.

    • É o contrário (“O titânio, tem uma resistência ao cisalhamento menor que o Inconel”). A pressa em defender o produto norte-americano gera micos desta natureza.

  2. Cara, sinceramente não acredito nisso não, tenho lido muitas notícias ruins a respeito do F-35, quase todas me pareceram fantasiosas, querem denegrir o caça e estão jogando pesado, mas é como dizem “Os cães ladram e a caravana passa”.

    • Augusto, de um tempo pra cá estou tendo a mesma impressão! Sabemos que o Projeto teve e tem problemas, como qualquer projeto de vanguarda, mas estou começando a desacreditar que os EUA, gostemos ou não, uma nação que faz de tudo e muito bem feito, tenha no F-35 tanto erro primário. Assim como na Boeing, que também está com seus problemas!!! Sei não, acho que toda Teoria da Conspiração deveria ser averiguada!

  3. Uma pergunta que fiz e foi barrada aqui
    Aquuela história que vem já, e agora voltou, tem muitos anos do F35, pode afetar compras da Finlândia e Canadá?
    É só uma pergunta

        • Oi Kramer. Pelo que conheço da época que morei lá, japoneses erram tanto quanto brasileiros ou qualquer outra etnia. Contudo, a ideia sempre foi incentivar notificar o erro para ser corrigido que esconde-lo para evitar ser punido.

          • Olá Rommelqe. Há 3 anos, fiz parte de um grupo de pesquisadores paulistas que acompanhou uma missão do governo japonês que queria estabelecer uma parceria de longo prazo com o Brasil na área de materiais estruturais aeronáuticos. Lembro que o chefe da missão explicou que eles acreditavam que a Embraer seria a melhor parceira, porque eles não conseguiam fazer parceria com a Boeing. Uma pena tudo.

  4. Quando eu digo que o pessoal gosta de complicar, muita gente discorda.
    Um problema aparentemente simples de resolver.
    Não entendi várias coisas.
    Então um caça stealth, que não deve apresentar saliências, tem parafusos na fuselagem?
    Em que momento esses parafusos são fixados?
    As partes não são confeccionadas fora para posterior montagem na linha de montagem?
    Parece estranho colocar 50 mil parafusos externamente, já na linha de montagem.
    Por que não dão especial atenção justamente a esses outros parafusos que são diferentes?
    Quero dizer, se se restringirem a uma área específica, separam as caixas fixam esses parafusos e depois já que os outros são de titânio, não precisa se preocupar?

  5. Uau!
    F-35 com 48.000 parafusos! Quantos destes são frenados? 🙂
    A matéria original consta “fasteners”.
    Fixadores em tradução literal.
    Acho que uma tradução correta para o caso seria “rebites”.

  6. Colocaram os 3 patetas para projetar e construir esse avião. Muito mais fácil e MELHOR seria fazer uma variante do F-22. Defeito em cima de defeito. É ainda bem qua não fazemos parte de nenhuma aliança militar com os EUA senão já teríamos que comprar esse Marea….

  7. Nossa que zona eim? rsrs… É rebite no lugar do outro, é rebite misturado nas caixas, é rebite jogado na lixeira errada, imagina se isso acontecesse numa fábrica brasileira? Vamos ser francos, iríamos descer a lenha e falar que brasileiro é desleixado e preguiçoso. Esse tipo de matéria é importante pra gente ter conhecimento que essas coisas tbm acontece lá nos países de primeiro mundo, e dar mais valor nas coisas boas que fazemos aqui.

    • Mas isso demonstra uma bagunça.
      Depois quando eu falo que um caça por 100 milhões de dólares é caro, ainda me criticam.
      Aínda bem que depois que Camargoer pediu lá no poder naval, retiraram os deslikes…

        • Olá Alessandro. Acho que aqueles que negativaram perguntas, votos de feliz natal e de ano novo contribuíram mais para a decisão dos editores que qualquer comentário meu.

          • São haters Camargoer, eles negativam qualquer coisa, não liga não, mas que tu sem querer salvou o Toinho salvou rsrs…

          • Olá Alessandro. Acho provável que daqui a pouco veremos uma campanha pelo “I love LIKES”. Vão pipocar comentários do tipo “gostaria de dar um LIKE no seu comentário” ou “se ainda tivesse DISLIKES você seria campeão” ou “sorte sua que tiraram os DISLIKES” ou “considere que recebeu um LIKE”, etc. Alguma choradeira do tipo “os editores estão censurando o blog”, “agora qualquer um vai escrever qualquer besteira”, “parei ler quando …” etc. Eu prefiro ler as opiniões criticando meus comentários do que contar likes”.

          • Esse negócio de like e deslike é muito subjetivo, eu particularmente não ligo para isso, por mim tanto faz ter ou não esse sistema, já dei like quando acho que o comentário é muito bom, e já dei deslike quando acho o comentário muito sem noção, e o Toinho é o campeão dos campeões nesse quesito rsrs.. mas brincadeiras a parte, isso é muito de cada um, na maioria das vezes eu nem clico, só leio o comentário e passo adiante.

            Oq eu sinto falta aqui no site e fiz uma recomendação a moderação, é ter uma forma de “block particular” em comentaristas indesejáveis, como é no DISQUS, lá dá para apenas você bloquear aquela pessoa chatíssima, sem censurar o direito dessa pessoa comentar, assim vc não vê os comentários das pessoas bloqueadas por ti, tem gente que não aceita isso por achar autoritário demais, mas é só não bloquear, por isso que acho democrático essa ferramenta, pois não feri o direito da liberdade de expressão dos outros, apenas vc não verá mais os comentários das pessoas que vc não gosta.

      • Ele é movimentado em uma linha de produção.Uma equipe monta só parafusos de Titânio e outra monta parafusos Inconel. Acha resolveria 99% do problema.

  8. Prova da decadência da indústria americana com funcionários mal treinados e desmotivados. Deram duas caixas de rebites diferentes, na hora do treinamento deviam estar no Instagram, e pensaram é tudo igual para que duas caixas e levaram tudo numa caixa só. Vejam que na fábrica do Japão não ocorreu e nem ocorreria numa fábrica de alta tecnologia da China, só ocorreria, e até pior, naquelas fábricas chinesas de 2 3 linhas feitas justamente para concorrer com as fábricas americanas e que estão ganhando. Em vez dos EUA melhorar sua indústria para competir com a China eles pioraram para brigar por preço, só se esqueceram que a China tem industriais de 1, 2 e 3 linha, tem industriais para brigar por preço, mas outra para brigar com qualidade.

  9. Amigos, trabalhei usinado essas duas maravilhas para a industria petrolifera, são dois materiais bem distintos sim. Para se ter uma ideia, o inconel é um inox turbinado e é usado nas gavetas das valvulas dos poços de petróleo submarino, aquele mesmo no fundo do mar que abre e fecha a passagem do petroleo (vulgo torneira). Expectativa de vida útil na casa dos 20 anos submerso. Dependendo do uso da aeronave, e condições exposta, vai haver corrosão sim nos rebites de titânio. Não estou dizendo que isso acontece da noite para o dia, mas se a expectativa era utilizar o brinquedo por X anos, pode baixar isso para bem mesmos horas de voo e veremos algumas unidades dando baixa antes da hora.
    Não me surpreende em nada que isso não ocorreu com as unidades no Japão, pois os mesmo tem o conceito de manufatura Toyota em seu DNA e identificaram o problema com o método anti-burro na montagem pokayoke. Américo e Europeus costumam serem mais desorganizados em sua manufatura do que os japoneses. Terem em sua linha de montagem dois rebites com aparência iguais, mas com funções diferentes, merecia melhor atenção na montagem. Onde está o engenheiro de manufatura?

    Abraço a todos.

    • Meu caro, acho que o problema dos rebites, foi economia… Não me entra na cabeça que uma empresa como a Lockheed Martin, ia cometer uma falha dessas, que dificilmente uma oficina de fundo de quintal comete…. abraços

      • Isso é obvio Saldanha, eles tentaram economizar e o dinheiro da diferença iria direto para o bolso dos acionistas deles, eles já foram pegos antes usando peças chinesas para economizar. Pode ter certeza que a mesma coisa esta acontecendo com a Boeing, essas empresas colocaram os lucros trimestrais na frente da qualidade e segurança para agradar os seus acionistas, eu já falei aqui, esses fundos sem donos que são detentores de boa parcela da maioria das empresas em bolsa, estão destruindo essas empresas, os CEOs vivem pressionados para apresentarem resultados, e vejam bem, não basta dar lucro, tem que dar bastante lucro, ai não tem jeito, além do produto ter que vender muito, tem que cortar custos, nisso ai a qualidade do produto é bastante prejudicada. Veja só o que aconteceu com a Boeing depois da guerra que a empresa fez para cortar custos nas décadas passadas

        • Olá Jr. Acho que a transição do capitalismo industrial para o capitalismo financeiro mudou a visão dos acionistas a administradores. O que importa é o resultado do trimestre corrente. O próximo resolve depois. Essa pressão em cortar gastos resulta em treinamentos inadequados, funcionários temerosos de apontar problemas (afinal a culpa é do mensageiro) e tudo mais que a gente sabe (fraudes em testes, substituição inadequada de componentes, procedimentos inadequados, etc). A pressão é pelo lucro imediato que vai aumentar o valor do bônus.

    • Olá OSEAS (caixa alta). Quem já visitou uma linha de produção japonesa sabe onde se deve colocar os parafusos… é preciso lembrar que quando uma junção heterometálica gera um diferença de potencial, e que quando uma peça metálica é submetida á tensões mecânicas, pode gerar regiões catódicas e anódicas em diferentes regiões dependendo do desenho complexo da peça. Nesse caso, qualquer acidez (pequenina que seja) vai provocar corrosão em difersos pontos críticos (a corrosão é a própria lei de murphy da química, vai corroer onde causará o pior estrago).

      • Olá Camargoer, por esses motivos que deveria sim, ser utilizado o rebite de inconel, para combater esse desequilíbrio químico em os metais. Imagina que os marines americanos espremem as aeronaves ao limite, ai vão falar para os pilotos “peguem leve porque não há garantias estruturais na maquina, mas não se preocupe, muito o titânio é mais barato mas é a mesma coisa”. É por essas e outras que falo que somos os melhores do mundo, só nos falta ser governado por brasileiros de verdade, com coragem e sabedoria.

        • Olá OSEIAS (caixa alta). Dizer que inconel e titanio é a mesma coisa é dizer que paracetamol e aspirinas também são iguais porque ambos servem para controlar a febre (vai explicar isso para quem é alérgico).

          • Caro Camargo: não confundir corrosão sob tensão com corrosão meramente eletrolítica. Mas esse é um papo muito longo. Vem aqui na capital e fala com seu colega Dr. Schneider (ele não é quimico mas também entende disso…… rsrsrsrsr) ou muitos outros aqui no IPT etc. Ai em SC também tem seus colegas com quem trocar ideias…..
            No caso o Iconel é utilizado em rebites de areas mecânicamente mais tensionadas (inclusive devido a maiores temeperaturas como são os casos citados na matéria por estarem próximas dos gases quentes oriundos dos motores…) e como no caso falamos de rebites, o titânio naõ possui a ductilidade e propriedades mecânicas do Iconel. Mas olha só a diferença no preço….o que não justifica os erros primarios cometidos na qualidade do produto.

          • Olá Rommelqe. Pois é (ainda nem levantamos a lebre da microestrutura, contorno de grão.. etc etc). Obrigado pela sugestão livro.

    • Geralmente esse péssimo controle de qualidade se vê -nos americanos mesmo. Carros europeus por exemplo são sempre melhores que americanos e japas.

      • Olá Sequim. O módulo de Young do titânio fica entre 100 e 150 GPa enquanto o inconel fica em torno de 0,2 GPa. Sem considerar outras propriedades como tensão de ruptura ou escoamento, o titânio seria mil vezes mais resistente aos esforços mecânicos que o inconel. Nesse ponto, colocar um rebite de inconel onde deveria ter um de titânio pode ser um problema. Contudo, os dados químicos de resistência à corrosão têm pouco a ver com propriedade mecânica.

        • 🤔 Essa seria uma explicação para a corrosão e perda dos A-1? “Armazenagem” incorreta provocando maior exposição ao tempo ou seja a ação eletro-quimica acontecendo nos rebites embaixo da camada de pintura, portanto não visível ao exterior, provocando os efeitos em locais não visualmente favoráveis condenando as células e comprometendo a propriedade mecânica ( aumento da chance de cisalhamento dos rebites ) 🤔.

          • Olá Sérgio. Eu estava pensando sobre isso… Até que ponto que a corrosão dos A1 pode ter originado dessas junções? De qualquer modo, uma manutenção correta teria detectado isso e interrompido o processo de corrosão. Tem muito AMX voando por só para achar que foi erro de projeto.

        • Professor, obrigado pela resposta. Pelo que li do texto, a questão é a corrosão. Então refaço a pergunta, com uma variação: o inconel é mais resistente ( à corrosão) do
          que o titânio?

          • Olá Sequim. Acredito que o inconel seja mais resistente à corrosão devido a formação de uma camada de óxido passivadora na superfície menos porosa. O titânio também forma essa camada de óxido mas costuma ser mais porosa (o que por outro lado é excelente para a fixação de células e crescimento de tecidos vivos). Contudo, teria que avaliar o potencial gerado na junção inconel/alumino e titânio/alumínio sobre as regiões sob stress mecânico (lembra que um prego entortado enferruja nas pontas e na curvatura? são as regiões com maior tensão mecânica, que cria aumenta a energia livre local, favorecendo a corrosão).

    • Caro Oseias: concordo com vc. Ja fabriquei, aqui mesmo no Brasil, essas peças que vc empregou la no fundo do mar. O titânio é muito usado por que é um eletrodo de sacrifício (pode ser anodo ou catodo, mas ai é outro papo)
      Mas mesmo o Toyoda (o criador da Toyota) deve ter ficado uma cabra com a MITSUBISHI por não ter conseguido, até hoje, botar seu avião na praça, em grande parte por causa dos erros cometidos com rebites (não confundir, pelo amor de Deus, com parafusos) das asas de seu avião.
      O Iconel é um excelente material, mas é caro. Mais do que titânio…E não sei se aqui alguem ja teve que pagar uma tonelada de cromo ou mesmo de niquel….e depois ter que usinar um Iconel da vida numa fresa….

  10. E a LM vai “faturando” mais com a “correção de problemas” do que propriamente com as vendas. Até parece que tudo foi “friamente calculado”.

    • Caro Delfim, é verdade. O niobil, quando existente na metalurgica (rsrsrs) a um preço razoável (impossivel…para os pobres mortais que não disponham da grana enterrada numa LM da vida) facilita enormemente a questão dos tratamentos termicos para beneficiamento do aço. Quando usado em placas de aço para uso naval (por exemplo, cascos de submarinos…) o niobio até dispensa tratamento de re-austenitização. Em barras que vão gerar rebites que serão, por sua vez, submetidos a cizalhamento, é muito importante ter uma homogeniedade na seção transversal, que entre outros fatores resultantes do emprego do niobil, é o que se obtem com o Iconel. E não no titânio, material excelente para um monte de coisas, mas para 15% dos rebites do caça mais moderno dos EUA não foi suficiente.

  11. Agora é aguardar para ver se essa posição do fabricante vingará na prática! Ou os caças terão vida útil menor ou necessitarão passar por substituição dos rebites futuramente.
    L.M. dando um show de lambanças… Boeing então…
    Obs: porém a linha de produção é um espetáculo!

  12. O QUE ESTÁ HAVENDO COM A LOCKHEED MARTIN??????
    Um projeto que nasceu promissor porém em seu decorrer se mostrou DESASTROSO…..
    Agora a linha de produção não sabe se aplicou os rebites nas áreas corretamente???
    INACREDITÁVEL ISTO GENTE !!!!!!!
    Isto é erro de principiante…
    Qualquer empresasinha sabe gerenciar seu Chão de Fábrica corretamente !!!!
    INACREDITÁVEL….
    E ainda tem gente comprando esta coisa……..

    • Defina desastroso…
      Para a LM está tudo de boa, ganhando rios de dinheiro com um projeto bichado. Evidentemente há efeitos no médio e longo prazo para a empresa, mas eles parecem não estão preocupados com isso.
      Aqui acontece igual, oligopólios e monopólios, lidando com governos amigos, todos defendendo o interesse nacional, levam a prejuízos bilionários e produtos e serviços insatisfatórios e caríssimos.

  13. Tipo assim: “É tudo igual então vai esse mesmo!”
    Mas o pior de tudo mesmo é o envio da telemetria de todos e quaisquer F-35 indo parar no pentágono!!
    Fico imaginando ter em mãos as telemetrias de todas missões de:
    -Israel enfrentado os S-300 na Síria.
    -Noruega encarando os russos no ártico.
    – Japoneses tendo dificuldades e perdendo um f-35.
    – Ingleses operacionais no HMS Queen.
    Tem ter cuidado até com o que fala pelo rádio.
    Assim até eu quero uai!!

  14. “Uma porta-voz da Lockheed disse que as duas partes são “muito difíceis de distinguir visualmente”. Um acesso de gargalhada me tomou conta….Já vi desculpa esfarrapada, mas esta superou, se fosse uma oficina de fundo de quintal, talvez corresse este pequeno engano, mas uma empresa do quilate da Lockheed Martin? O rebite difícil de distinguir e colocado errado custa 5$, enquanto o correto a colocar 20$ apenas 4 vezes mais, ou um gasto de 1/4…..Realmente fizemos a coisa certa ao optar pelo Gripen…

    • O rebite vem inserido em um “aplicador” onde visualmente é o mesmo ( aplicador pata todos os rebites) para encaixar no martelete pneumático, portanto a visão do operador é em sua maioria focada na peça aplicador e não no rebite. Na 1a.foto da matéria tem-se a noção do que aparenta serem “parafusos”, na realidade, serem os aplicadores a inserir na máquina pneumática e realizando a operação por área de fixação.
      Talvez, repito talvez, o “chão de fábrica” ou o posto de montagem deve ser organizado para que as caixas de rebites x,y e z’s possam ser colocadas em determinada posição, com seus identificadores. Vem o pessoal da limpeza olha só os aplicadores e todos iguais e reposiciona ou mistura. Esse pensamento é um chute!

  15. Os F-35 são bonitos não? Muita propaganda acesorando o novo e maravilhoso projeto, mas é bom lembrar que “beleza não põe a mesa”, a troca de rebites na montagem pode não causar problemas estruturais AGORA, mas… e com anos seguidos em operação? E a versão naval com possivel corrosão nos furos, bom… isso só saberemos depois de alguns anos se realmente ocorrer.

    • Pelo que vi na reportagem, lugares onde podiam ir rebites menos resistentes ( de titânio ) foram colocados rebites mais resistentes ( Inconel ) e onde precisavam ir rebites mais resistentes ( Inconel ) foram colocados rebites ( de titânio ) com menor resistência. Como esse F35 não é um fusquinha ou uma Kombi, cada um desses F35 rebitados de forma errada se transformaram em um acidente por acontecer.

      • Na reportagem fala apenas da instalação de rebites de titânio onde deveriam ser se inconel. O inverso, como você escreveu, não aparece na reportagem.

        • Têm razão, a reportagem somente fala da instalação de rebites de titânio ( menos resistente que o Inconel ) onde deveriam ser de Inconel. A situação permanece a mesma, como mencionei, a instalação de rebites menos resistentes onde deveriam ir rebites mais resistentes transformaram cada um desses F35 incorretamente rebitados em um acidente por acontecer.

  16. Caramba, só em rebite inconel são mais de 36 mil dólares no F-35C.

    Mas será mesmo que isso não afeta? Duvido que não, tenho certeza que as analises e cuidados serão redobrados.

  17. Parrrraaa este avião. NÃO TEM COMO NEGATIVAR OU CURTIR no blog? – Perdeu a graça.O Toin King esta triste não poderá ser crucificado, em 90% das vezes merecidos, 10% não (estou sendo bonzinho), mas mesmo assim é por diversão. Muitas vezes curtir ou negativar é mais uma brincadeira, um “sarro” é uma provocação democrática ao direito ao contraditório. incentiva o leitor a investigar e a ler as opiniões e correntes divergentes e engajar, mesmo que muitas vezes por mero “politicamente correto ou incorreto” dependendo da visão de cada um, desde que nunca passe de um respeitoso e divertido embate. Sobre a porcaria do parafuso eu não sei de nada mas os Toin King e outros teriam otimas teorias para a gente negativar

  18. Para evitar este tipo de acontecimento, o que pode ocasionar erro tem que ser diferente.
    Uma vez após muita discussão obriguei um fornecedor a reprojetar um acessório que tinha função similar porem com carga de ruptura diferente. Meu argumento se baseia no fato de que no escritório debaixo do ar condicionado uma peça era fácil identificar da outra. Contudo, no campo na base do chicote e a pressa de terminar a tarefa era possível que utilizasse uma no lugar da outra.

    • Vide caso da montagem invertida na coluna do manche do E-175 ocorrida nas postagens recentes da critica do NTSB, onde a Embraer já havia mencionado no manual da manutenção em 2015 e não observado.

  19. Este complexo industrial-militar yankee está contaminado pelo vírus que sepultou o dubdesenvvido Brasil. A responsabilidade foi atropelada pela ganância .

    • Infelizmente esse vírus já está disseminado em todo o Planeta, em alguns lugares de forma mais escancarada, em outros mais disfarçada …

    • Olá Ralfo. Boa. Lembrei de uma propaganda de um carro da FIAT focado para um público jovem. Eles diziam que o carro era “descolado”… desenho descolado, painel descolado…. a propaganda ficou pouco tempo. Acho que os pais das galerinha jovem que iria pagar o carro ficou com medo do painel descolado… vai que solta pecinha.

  20. O curioso é que , segundo as notícias, o caça é ruim, tem diversos problemas de softer e software, problemas de construção, falhas estruturais e agora erros na linha de produção. Tudo isso somado a um custo altamente privativo, tanto na aquisição quanto na operação do vetor e, mesmo assim, todo mundo quer.

    Alguma coisa está errada em toda essa história.

    • Olá Glasquis. Acho que é preciso ampliar a perspectiva. Acho que os problemas são reais mas poderão ser resolvidos com algum retrabalho. Também acho razoável considerar que as aeronaves novas que entrarem em produção serão beneficiadas pelas por essas correções. Tenho a impressão que a ideia de unificar em um modelo básico as três funções obrigou uma engenharia de compromisso ao invés de uma engenharia de desempenho. A ideia de usar uma plataforma básica fazia sentido anos atrás (hoje acho que pode ter sido um equívoco). Os missões dos F35 A,B,C são muito diferentes. Acho que nem dá para comparar com a ideia de unirole do Rafale ou de flexibilidade do F39 com o conceito de JSF. Acho que o F35 é e será um excelente caça, mas acho que o custo ficou e ficará muito acima do que foi estimado. Acho que os EUA e seus parceiros investiram muito no F35 para voltar atrás agora, até porque são poucos as alternativas (F39, F18, Rafale, Sukhoi, J-inglings chineses…). Acho que o caça deve ter um excelente desempenho mas ficou caro.

  21. Os russos e chineses, até os paraguaios devem estar rindo à rodo, pela negligência do fabricante tão primária num produto de milhões de dólares!

  22. Credo ! Não existe Garantia de Qualidade na LM não ? Que amadorismo é esse ?
    Mas é uma notícia bem condizente com a série infinita de problemas que essa aeronave apresenta, explica muita coisa !
    Se erraram bisonhamente o tipo de metal a ser usado nos pontos de reforço estrutural o que mais não deixaram de fazer corretamente ?

  23. Me faz lembrar um acidente aéreo pavoroso ocorrido na Grã Bretanha, um técnico de manutenção instalou parafusos errados ao trocar um para-brisa de uma aeronave.
    O para-brisa se soltou em pleno vôo claro, e o piloto foi sugado para fora, não caiu numa turbina porque foi agarrado por um membro da tripulação, e por incrível que pareça, sobreviveu !
    A aeronave declarou emergência e voou vários quilometros com o infeliz pendurado na fuselagem !

    • Olá Washington. Há um outro aforismo em política… se você estiver andando e encontrar um jabuti no alto de uma árvore, só tem duas explicações possíveis. Foi enchente ou alguém o colocou lá.

    • tem o tarado do dislike. ele se dá ao trabalho de dar um dislike em todas as postagens, independentemente do que a pessoa tenha escrito

  24. Sobre o F35:

    “render-se nunca retroceder jamais”

    Não interessa o que aconteça: ele é o jato do futuro de quase todas as potências ocidentais.

    • Olá Chris o. Acho que o F35 se parece mais com o Robocop com toda a tecnologia embarcada da OCP dando pau do que o Van Damme dando uma de Bruce Lee.

      • Aproveitando tuas metáforas, creio que não vai mais acontecer dos EUA apostarem tão alto em uma única opção. Mesmo no filme Robocop apareceu o cheirador lá com a opção de robô.

        • OLá Ednardo. Acho que os estrategistas acreditaram que surgiriam tecnologias que iriam solucionar os problemas que iriam surgir ao longo do projeto. Contudo os problemas surgiram e as tecnologias não. Eu não sei se o próximo desafio serão os drones ou um passo atrás. O Rafale mostrou ser possível um caça naval (M) e um de ataque/defesa aérea *Cna mesma plataforma. O problema foi o F35B STOVL. Talvez se eles tivessem ficado no F35A e F35C de um lado e em um F36 do outro lado (um projeto otimizado para STOVL) teria sido mais fácil.

  25. Ô rebite caro…. 50 mil rebites a 5 doletas por aeronave, fora as peças de 20 dolares… Mais 1 milhão de reais, só em rebite!!
    Como bem disse o Jobim: “Não estou interessado (no F-35), com esse preço, sem transferência de tecnologia e com alto grau de sofisticação, muito acima das nossas necessidades.”

  26. Em uma Guerra, comandos russos atrás das linhas americanas, atacando caminhões de suprimentos com Kornets, fuzilando os sobreviventes. Um oficial americano da manutenção: “- precisamos de 80 rebites de titanio, 30 de aço carbono, 45 de niquel cromo, duas rebinbocas da parafuseta, uma chave xiforinfola, 400 baterias de litio, 75 baterias de oxido de prata, etc etc etc”.

    O F-35 é uma aeronave praticamente descartável pois sua manutenção será caríssima e muito complexa. É um Relógio Suiço 8 mil reais que se cair no chão desregula. O Bozzo tem um Gshock com 30 anos de uso, 400 reais.

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