Home Aviação de Caça MBB Lampyridae, o caça ‘stealth’ alemão dos anos 80

MBB Lampyridae, o caça ‘stealth’ alemão dos anos 80

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MBB Lampyridae 3

A Alemanha Ocidental conduziu durante os anos 1980, um programa altamente secreto de um caça “stealth”, pela Messerschmitt-Bölkow-Blohm (MBB). O programa, conhecido como Lampyridae (Vaga-Lume) ou Medium Range Missile Fighter (MRMF), durou de 1981 a 1987, e foi feito a pedido da Luftwaffe.

O trabalho levou à produção de um modelo com ¾ do tamanho final, que chegou a ser pilotado em túnel de vento. O ex-líder do projeto, Dr Gerhard Löbert, diz que o design facetado da aeronave muito provavelmente tinha uma RCS menor do que a do avião de ataque americano F-117 Nighthawk, embora esse tivesse mais que o dobro de superfícies facetadas.

Os testes de túnel de vento começaram com um modelo na escala 1:3.5, para baixas velocidades, e um na escala 1:20, para testes transônicos. De acordo com Löbert, os ensaios demonstraram a alta qualidade das propriedades aerodinâmicas do projeto, apesar das desvantagens do design poliédrico da aeronave.

Lampyridae rear

O modelo em escala ¾, com 12m de comprimento e 6m de largura, voou 15 vezes em 1987, no túnel de vento alemão-holandês de Emmeloord. Ciclos completos de voo foram realizados na seção de 9,5m² do túnel, com a aeronave voando a 120 nós (220 km/h) e fazendo movimentos de pequena amplitude em todos os eixos.

O projeto tinha em mente que os caças do futuro deveriam ser menores e mais baratos, para serem mais eficientes em combates de médias distâncias e evitarem os “dogfights”. Os engenheiros desenvolveram uma configuração cuja RCS frontal na banda X tinha uma redução de 20-30dB, em comparação com um caça convencional.

MBB Lampyridae 2

A MBB, assim como a Lockheed, usou uma célula poliédrica, evitando ângulos retos e superfícies curvas, produzindo sustentação por um sistema de geração de vórtices nas suas bordas afiladas.

Em paralelo ao design poliédrico, a MBB desenvolveu um sistema computacional para calcular a RCS e comparar o desempenho do  Lampyridae com os dados conhecidos do F-117. A RCS foi testada num modelo em escala real, com 16m de comprimento. Embora os dados sejam secretos, diz-se que as metas foram atingidas.

Os alemães gastaram 9 milhões de marcos (US$ 4,5 milhões) no projeto, que foi cancelado em 1987, depois que militares americanos descobriram a existência do avião e irritados ordenaram seu cancelamento.

Sabe-se que muitas dados de pesquisa alcançados com o Lampyridae foram usados em outros projetos, como Eurofighter Typhoon, o EADS MAKO e outras armas. O modelo de ensaios de aerodinâmica do Lampyridae encontra-se no museu F-104.

Nas imagens, pode-se ver as duas versões diferentes de canopy propostos para o Lampyridae, um facetado e outro em bolha.

MBB Lampyridae 3v

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Brunow
11 meses atrás

Aí 30 anos depois os Persas tenta copiar o “Vaga-Lume”, surge o Q-313 com tamanho original ¾…

Rico Zoho
Rico Zoho
Reply to  Brunow
11 meses atrás

K, k, k, k, k, k, k. Piada boa! Gostariam, e muito, os iranianos de serem capazes de fazer uma maquete de qualquer avião com mais capacidade do que um de terceira geração. Aquela maquete não passa no teste nem em túnel de vento.

Corcel
11 meses atrás

A imagem frontal (apesar de ser ilustrativa) mostra uma semelhança com F-117.

WVJ
WVJ
11 meses atrás

Gosto de ver esses experimentos e acho que temos tudo pra aprender as coisas fazendo.
As formas poliédricas (que não evitaram a perda do F-117 na Sérvia) evoluíram pra formas orgânicas bem mais complexas e baias de armas embutidas; eu não desanimaria. Devem ter achado uma ‘pintura’ anti-radar e precisamos correr atrás disso. Ficar só sonhando não ajuda.

BRAINER AUGUSTO DA SILVA
BRAINER AUGUSTO DA SILVA
Reply to  WVJ
10 meses atrás
Gordo
Gordo
11 meses atrás

…”depois que militares americanos descobriram a existência do avião e irritados ordenaram seu cancelamento.”

Fica a dica para a Embraer, Base de Alcantara e outros acertos feitos apenas pela amizade com retornos duvidosos.

Salim
Salim
Reply to  Gordo
11 meses atrás

Achei estranho também, visto alemães usarem tornados, Eurofighter e terem Airbus. Militares americanos, acredito eu, náo tem nada a ver com isto, parece desculpa esfarrapada de quem náo conseguiu êxito.

Imjustastupidguy
Imjustastupidguy
Reply to  Salim
11 meses atrás

Quem manda na Otan?

Emerson Gabriel
Emerson Gabriel
Reply to  Imjustastupidguy
11 meses atrás

Mandar na Otan é diferente de dar ordens para um aliado como Alemanha

Thiago Aiani
Thiago Aiani
Reply to  Emerson Gabriel
11 meses atrás

Aliado ? Pretensioso e exagero para um país cujas instituições, cultura, tradição, autoridades foram completamente remodeladas sob diretrizes e a bel prazer das 4 potências vencedoras do conflito. Aliado comporta uma vontade , um desejo, uma opção… nenhuma dessas características eram presentes na Alemanha ocupada. A França é um Aliado ! O Reino Unido é um Aliado! A Alemanha Oriental ou Ocidental eram alinhadas mas não tinham como ser Aliados de ninguém . A posição e alinhamento não dependia de uma escolha, mas da ausência de uma alternativa. É interessante que no Brasil conseguimos perceber a influência e doutrinação dos… Read more »

João Gabriel
João Gabriel
Reply to  Thiago Aiani
11 meses atrás

Manda quem pode, obedece quem tem juízo! Se não tivessem seguido aquele cabo austríaco desvairado com seu plano de poder utópico e megalomano, não teriam sido repartidos entre as quatro potências 🙂

Thiago Aiani
Thiago Aiani
Reply to  Emerson Gabriel
11 meses atrás

A Alemanha não era um Aliado…
A França é um Aliado. O Reino Unido é um Aliado.
Era alinhada mas certamente não um Aliado.
Uma aliança pressupõe uma escolha, uma alternativa, uma vontade. Nenhuma das duas Alemanha possuíam essa liberdade de escolher o próprio “Aliado ” ou posição durante aquele período.

Matheus Santiago
Matheus Santiago
Reply to  Salim
11 meses atrás

Acho que não foi questão de êxito, mas sim de recursos financeiros para o projeto. Tudo o que temos é um boato iniciado por algumas pessoas que perderam seu projeto em destaque e que colocaram a culpa na pressão americana que causou o cancelamento do projeto. É muito mais provável que o governo alemão na época não quisesse investir mais dinheiro em algo que não estava indo a lugar algum e o cancelou por causa disso. Em contraparte da situação, o F-117 já estava inaugurando o seu voo em 1981, em um projeto em etapa muito mais avançado que os… Read more »

Hermes
Hermes
Reply to  Matheus Santiago
11 meses atrás

Cada país acaba tendo seu Avro Canada CF-105, seu Osório, seu Amerika bomber, seu Cheyenne, seu F-20, aquele que deveria ser, mas nunca foi.

Thiago Aiani
Thiago Aiani
Reply to  Salim
11 meses atrás

Só lembrando, à atual Luftwaffe é em prática fruto e emanação direta das vontades, desejos e concessão dos vencedores da segunda guerra mundial, em particular dos USA. Muito pouco tem a ver com a tradição gloriosa anterior. A Alemanha era usuária de aviões de produção estadunidense como o “fazedor de viuvas” e no de alguns projetos europeus. O Typhoon iniciou sua produção em meados dos anos 90 e só foi entregue a primeira unidade para à Luftwaffe nos anos 2000. As forças armadas alemães atuavam dentro de parâmetros e acordos feitos com os ALIADOS. A França na verdade nem queria,… Read more »

Matheus Santiago
Matheus Santiago
Reply to  Thiago Aiani
11 meses atrás

Tá certo então. Eis o que pensaram os estrategistas americanos: “Como vamos vencer os soviéticos?” Simples. Vamos tornar nossos aliados da OTAN mais fracos. É exatamente esse o raciocínio que você quer que eu acredite. Para começar os próprios alemães no pós-guerra questionaram a real necessidade de se ter forças armadas, ou seja, o próprio povo era particularmente contrário a manutenção das forças regulares armadas. Foram os Aliados, e principalmente os americanos que defenderam a manutenção do exército regular alemão, assim como ocorreu no lado político japonês na continuação do legado imperial japonês, sendo que o Douglas MacArthur governou o… Read more »

Matheus Santiago
Matheus Santiago
Reply to  Matheus Santiago
11 meses atrás

“As forças armadas alemães atuavam dentro de parâmetros e acordos feitos com os ALIADOS. A França na verdade nem queria, foram os EUA que convenceram e empurram os demais para encontrar uma solução, pois fazia -se necessário rearmar a Alemanha com um aparato militar importante ( aparato militar sempre subordinado aos aliados seja claro, dentro das várias parcerias europeias e da aliança atlantista ) frente a ameaça soviética. Assim como hoje é útil ( para eles) um Japão militarizado em função anti chinês.”

Desconsidere essa parte. rsrs

Luiz Carlos
Luiz Carlos
Reply to  Matheus Santiago
11 meses atrás

Boa conclusão !!

bjj
bjj
Reply to  Salim
11 meses atrás

Será que não era medo dele acabar caindo nas mãos dos comunistas? Não podemos esquecer que ainda era a guerra fria.

André Macedo
André Macedo
Reply to  bjj
11 meses atrás

Não há justificativa para um governo interferir no projeto de um país aliado, pior ainda é um governo deixar essa interferência acontecer, fica a dica pra um certo presidente que confirma sua subserviência batendo continência à bandeira estrangeira, se fizeram com os aliados da OTAN, quem dirá com o Brasil…

Munhoz
Munhoz
Reply to  André Macedo
11 meses atrás

No nosso caso é pior!

Temos apenas 8 mísseis para nossos P 3!

Tenta comprar mais, ou algum de outra procedência?

Luiz Carlos
Luiz Carlos
Reply to  bjj
11 meses atrás

Cara os EUA na época laçariam até bombas atômicas no Mundo, veja o caso dos misseis de Cuba, mas perder a a Alemanha Ocidental, que estava já em franco desenvolvimento nunca……basta ver que até hoje o governo Alemão tem a uma despesa e uma dificuldade enorme na integração da parte ex-Alemanha Oriental…onde por exemplo existe uma taxa de desemprego inadmissível para os padrões alemães.

ADLER BREDIKS MEDRADO
ADLER BREDIKS MEDRADO
Reply to  Salim
11 meses atrás

Parece aquele papo de “os americanos mataram o Osório”

Wanderson
Wanderson
Reply to  Salim
11 meses atrás

Muralha de Berlim te lembra algo?

MMerlin
MMerlin
Reply to  Gordo
11 meses atrás

Por isto que é importante entender o contexto antes de avaliar um comportamento, no caso, da solicitação de cancelamento por parte dos americanos.
Analise que a matéria deixa explícito que o projeto foi da parte da Alemanha Ocidental, lado este que tinha sua autonomia ainda monitorada pelos aliados desde sua criação (1949), 4 anos após o término da WW2.
Não dá para compara a soberania do Alemanha daquela época com o a do Brasil.

kaleu
kaleu
Reply to  Gordo
11 meses atrás

Os alemães perderam a guerra amigo … e os reflexos acontecem até hoje, nos 80s eram ainda maiores, apenas a 30 anos do fim da guerra e no auge da guerra fria, bases americanas ocupando o territória, plano marshall, etc … não vamos confundir as coisas como faz a canhota que odiavam o “império” e amavam (amam) a cortina de ferro e seus puxadinhos cuba/Venezuela …

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
11 meses atrás

“Os alemães gastaram 9 milhões de marcos (US$ 4,5 milhões) no projeto, que foi cancelado em 1987, depois que militares americanos descobriram a existência do avião e irritados ordenaram seu cancelamento.”
Oxi, que história é essa?
O Tio Sam descobriu que os alemães tambem estava fazendo um “F-117” pra chamar de seu, mandaram os alemães pararem, e os alemães simplesmente cancelaram? Que negócio é esse?

Seja o que for, se isso tivesse ido em frente, hoje o europeus não estariam tão atrasados em matéria de caças de 5° geração.

Luiz Carlos
Luiz Carlos
Reply to  Willber Rodrigues
11 meses atrás

Para falar a verdade, até este valor me parece ridículo ou está enganado ….US$ 4,5 milhões ?!? Só isso ??
Sabem quanto custou desenvolver a aeronave comercial da Embraer EMB-145 ? Muito menos sofisticada……..

Luiz Trindade
Luiz Trindade
11 meses atrás

Daqui a pouco vem o Irã dizendo que conseguiu construir um caça stealth revolucionário…

João Bosco
João Bosco
11 meses atrás

Parece que esse fugiu dos filmes japoneses de Ultraman. KKKKKKKK

Matheus Santos
Matheus Santos
11 meses atrás

Denota uma linhagem que desaguou no X-31.

Delfim
Delfim
11 meses atrás

Titio Willie Messerschmitt ficaria muito orgulhoso.
.
Apenas 4 milhões e meio de doletas ? Na LM não paga nem o cafezinho.
.
“Aiiinnn os alemães nunca conseguirão fazer o FACS…”, vão pensando que não. Já fizeram muito com o Lampyridae, e sozinhos.
.
Bem provável da pressão dos EUA contra o Lampyridae ser uma das causas, ou A causa, dos alemães não comprarem mais caças americanos, e nem o F-35. Acham que os alemães são como canadenses e israelenses, que tiveram o Arrow e o Lavi cancelados e ainda compram caças americanos ?

MMerlin
MMerlin
Reply to  Delfim
11 meses atrás

A Alemanha farte parte dos países parceiros na construção do F-35. Um dos pré-requisitos básicos para fazer parte é, além de ter parque tecnológico capacitado, se comprometer a adquirir a aeronave. Alguns dizem que a compra não foi efetivada devido a resistência ao acesso a informações confidenciais. Acesso esse não solicitado por outros países integrantes do projeto. Acredito que foi uma cortina de fumaça, evitando expor que, no momento, o F-35 é muito caro para substituir os Tornados (que já são bem caros de manter). Eles sabem que não adiantar só ter dinheiro para comprar um Porsche, tem que ter… Read more »

J R
J R
Reply to  MMerlin
11 meses atrás

Você esta enganado, a Alemanha não faz parte dos países parceiros do F-35.

MMerlin
MMerlin
Reply to  J R
11 meses atrás

Você está correto J R.

RENAN
RENAN
11 meses atrás

“alemães gastaram 9 milhões de marcos (US$ 4,5 milhões) no projeto, que foi cancelado em 1987, depois que militares americanos descobriram a existência do avião e irritados ordenaram seu cancelamento.”

Isso só pode ocorrer devido a algum tratado realizado ao final da segunda guerra mundial.

Pois um país para ser capacho do outro tem que está subjugado.

Não conheço como é a relação hoje dos países derrotados e suas restrições, mas acredito que deve existir algumas cláusulas.

J R
J R
11 meses atrás

Caramba, deve ser frustrante ser capacho, “us americanu” mandaram cancelar e eles… cancelaram.

Luiz Carlos
Luiz Carlos
Reply to  J R
11 meses atrás

Realmente ser capacho dos soviéticos foi bem melhor…..haja visto na queda do Muro de BERLIM, a quantidade de gente que migrou da parte Ocidental para a parte da Alemanha Oriental foi imensa….e o desenvolvimento econômico da Alemanha Oriental então ? foi mega ! impulsionou muito o desenvolvimento Ocidental por causa disto…..KKKKKKKKKKKKKKKKKK

PS: o texto é uma ironia, se não percebeu.

rui mendesmendes
rui mendesmendes
Reply to  J R
11 meses atrás

Ao menos eles foram, já vocês, são.

LBacelar
LBacelar
11 meses atrás

Essa história de americano exigindo cancelamento tem fonte? Ou é dos mesmos produtores de “O Osório era o melhor tanque do mundo, mas nunca foi vendido por causa dos americanos” ?

Luiz Carlos
Luiz Carlos
Reply to  LBacelar
11 meses atrás

A fonte pelo visto, já que os editores nada comentaram, foi o próprio escritor noveleiro.

Jose Carvalho
Jose Carvalho
11 meses atrás

Saído diretamente de um Nintendo 64

João Gabriel
João Gabriel
Reply to  Jose Carvalho
11 meses atrás

Starfox KKKKKKKKKK

CESAR ANTONIO FERREIRA
CESAR ANTONIO FERREIRA
11 meses atrás

“Os alemães gastaram 9 milhões de marcos (US$ 4,5 milhões) no projeto, que foi cancelado em 1987, depois que militares americanos descobriram a existência do avião e irritados ordenaram seu cancelamento”.

País lacaio é assim: recebe ordens…

rui mendesmendes
rui mendesmendes
Reply to  CESAR ANTONIO FERREIRA
11 meses atrás

Eles já não o são, desde o surgimento da UE e do eixo Franco-Alemão, já vocês, são o mais novo dos lacaios dos USA, e a Alemanha, tinha a desculpa, pois era o lado derrotado da ww2.

Fabiano
Fabiano
11 meses atrás

Parece os adversários naquele simulador de Mig-29 que tinha pro Mega Drive. 😀

Mauricio R.
11 meses atrás

Um UAV Anka turco, acaba de voar 26 horas e 30 minutos.
Quem no Brasil teria condições de replicar um sistema como o REDET-II, da Turquia????

Mauricio R.
11 meses atrás