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Malvinas 37 anos – O ataque dos Bombardeiros Vulcan

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Arte retratando um avião-tanque Victor reabastecendo um bombardeiro Vulcan
Arte retratando um avião-tanque Victor reabastecendo um bombardeiro Vulcan

Há 37 anos, no dia 1º de Maio de 1982, um bombardeiro Avro Vulcan da Royal Air Force atacou o aeródromo de Port Stanley nas Ilhas Falklands/Malvinas, invadidas por forças argentinas desde o dia 2 de abril daquele ano.

Foi a primeira da série das Operation Black Buck. Os raides que compreenderam voos de 6.800 milhas náuticas e quase 16 horas de voo, foram as mais longas missões de bombardeio até então.

Durante a Guerra das Malvinas em 1982, as Operation Black Buck 1 a Black Buck 7 foram executadas pelos bombardeiros Vulcan da RAF Waddington Wing da Royal Air Force (RAF), compreendendo aviões Nº 44, 50 e 101.

Os objetivos de todas as missões eram atacar o aeroporto de Port Stanley e suas defesas associadas.

Os ataques da Operação Black Buck foram realizados a partir da base RAF na Ilha de Ascensão, perto do Equador. O Vulcan foi projetado para missões de médio alcance na Europa e faltava o alcance para voar para as Malvinas sem reabastecer várias vezes. Os aviões-tanque da RAF eram em sua maioria Handley Page Victor com alcance similar, então eles também precisavam ser reabastecidos no ar.

Um total de onze aviões-tanque foram necessários para dois bombardeiros Vulcans (um primário e um reserva), um esforço logístico assustador, já que todas as aeronaves tiveram que usar a mesma pista. Os Vulcans carregavam internamente 21 bombas de 1.000 libras (450 kg) ou dois ou quatro mísseis anti-radar Shrike.

Dos cinco ataques Black Buck concluídos até o final, três foram contra a pista de aterrissagem do Aeródromo de Stanley e instalações operacionais, enquanto os outros dois eram missões anti-radar usando mísseis Shrike contra um radar 3D de longo alcance Westinghouse AN/TPS-43 na área de Port Stanley. Os Shrike atingiram dois dos menos valiosos e rapidamente substituídos radares de controle secundários, causando algumas baixas entre as tripulações argentinas. Um Vulcan quase se perdeu quando uma falha na sonda de reabastecimento o forçou a aterrissar no Brasil.

Bombardeiros Vulcan estacionados na Ilha de Ascensão durante a Guerra das Falklands-Malvinas
Bombardeiros Vulcan estacionados na Ilha de Ascensão durante a Guerra das Falklands-Malvinas
Aviões Handley Page Victor, Nimrod e Harrier GR3 na Ilha de Ascensão, em 1982
Esquema de reabastecimento em voo entre o bombardeiro Vulcan e aviões-tanque Victor nas Malvinas

Os ataques causaram danos mínimos à pista e os danos aos radares foram rapidamente reparados. Uma única cratera foi produzida na pista, impossibilitando que o aeródromo fosse usado por jatos rápidos. A tripulação de solo argentina consertou a pista dentro de vinte e quatro horas, a um nível de qualidade adequado para os transportes C-130 Hercules.

Os britânicos sabiam que a pista continuava em uso. Fontes argentinas afirmaram originalmente que os ataques de Vulcan influenciaram a Argentina a retirar alguns de seus caças Dassault Mirage III da Zona de Defesa do Sul da Argentina para a Zona de Defesa de Buenos Aires.

Esse efeito dissuasivo foi diluído quando as autoridades britânicas deixaram claro que não haveria ataques contra as bases aéreas na Argentina.

Assista na animação abaixo como era o esquema de reabastecimento do bombardeiro Avro Vulcan envolvendo 11 aviões de reabastecimento aéreo Handley Page Victor para chegar até as Falklands/Malvinas.

67 COMMENTS

  1. Fico imaginado se o Vulcan que teve um defeito e veio para o território brasileiro, se ele tivesse conseguido chegar ao continente (atacar o solo argentino no continente) que era seu proposito, será que a guerra teria se estendido, continuado mesma coisa ou acabado mais rápido? E se a guerra tivesse chegado a América do Sul, ficaria Argentina, Uruguai e Peru ao lados dos Argentinos conta Chile e Inglaterra?

    • Não viaja. As operações foram apenas para dar um corretivo na Argentina e resguardar a imagem do Reino Unido. Jamais se pensou em ações continentais. Além disso, os governantes dos outros países não iriam seguir o bebum do Gualtieri. Foi apenas solidariedade sulamericana.

    • O Brasil pediu para o Presidente dos EUA avisarem para os ingleses não atacarem a Argentina continental pois o Brasil entraria na guerra.

    • Há um equívoco na informação sobre o pouso do Vulcan no Brasil, não foi por pane e sim, por interceptação do SINDACTA. Ocorreu a invasão de nosso espaço aéreo e os grupamentos de Santa Cruz e Anápolis interceptaram a aeronave. A tripulação e o Vulcan ficaram retidos da Base Aérea do Galeão.

      • A pane antecedeu – e motivou – a entrada do Vulcan em nosso espaço aéreo. Anápolis é longe demais do ocorrido, não houve participação de Mirage no episódio. E, dado o quadro, a interceptação não encontrou qualquer resistência do Vulcan.

      • Não há equívoco. O Vulcan, teve, sim, uma pane, liberou as armas de queda livre no mar para diminuir o peso, permanecendo armado apenas com um sidewinder, e entrou no nosso espaço aéreo embora não recebesse autorização para fazê-lo mas não havia alternativa.Resumindo: O Vulcan teve uma pane na sonda de reabastecimento, entrou no nosso espaço aéreo, foi interceptado e escoltado até a Base aérea de Santa Cruz, se não me engano.

        • Não. Você está enganado. O Vulcan não tinha nenhum armamento para ejetar, execto um míssil Shrike que não havia se soltado do cabide no momento do disparo para o alvo e, obviamente, não tinha como ser ejetado. E não foi escoltado para a BASC. O pouso foi no Galeão.

          • Ele foi primeiro para o Galeão e depois escoltado para a BASC para manutenção. Eu estava na BASC na época e presenciei sua chegada.

      • O Brasil desde o briefing da missão, era considerado o unico local para pouso de emergencia se qualquer um dos reabastecimentos na volta falhasse.

        O pior ocorreu e a tripulação não teve alternativa, tinham de aproar para o Brasil.

        Quando entraram no espaço aereo Brasileiro, o Cindacta acionou a interceptação que fez a confirmação da identificação e escoltou o Vulcan ate o pouso.

        ainda em alto mar, a tripulação alijou todo o material que dispunham a bordo, livretos, codigos etc….

        • tem uma excelente matéria na revista asas, só não me lembro o número. e suas informações batem pelo que me lembro. eu assisti uma matéria na globo, onde os pilotos diziam que estavam sendo bem tratados, oq foi confirmado pelo embaixador. parece, e não tenho como provar, que ganhamos um míssil de “presente” naquela época, que foi devidamente estudado por aqui…

        • Ainda ontem, sim….01/09/19 esse foi o assunto , onde havia um coronel do exército nesse almoço e o relatado acima como interceptação pelos F5, Vulcan escoltado ao Galeão, retenção até fim da guerra…exato!Não podemos apenas pensar que somos penguela do mundo…a época os F5 americanos eram bons aviões de guerra!Nosso trabalho foi muito bem feito!

  2. Em breve pretendo fazer um texto sobre os motivos dos argentinos não terem estendido a pista de Stanley para a operação de jatos de alto desempenho.

    • aproveitando, quero sugerir uma matéria “enciclopédica” com a organização atual e distribuição dos meios da FAB como a feita pelo Nunão a algum tempo atras acerca da MB.

    • Poggio, se me permite, aproveitando a celeuma sobre a Venezuela, seria possível uma comparação entre nossas FFAAs e a deles?

      Sei que para a imprensa em geral, e mesmo para alguns foristas, o assunto gera discussão ideológica mas, em nome da grande maioria que preza o bom debate sobre Defesa que a Triologia proporciona, seria interessante poder debater o hipotético cenário de conflito Brasil x Venezuela.

      • resposta rápida e errada.
        É inconclusiva uma comparação justamente devido a natureza de ambos. O harrier perde terreno por ser bem mais lento. A questão é que na época provavelmente quem serviria de ponta de lança seriam os Mirage III, não os F-5.

        • Exato Fernando!

          Suponho eu que em um cenário defensivo para o Brasil, os Harrier perderiam feito. Senão, vejamos: a FT britânica teria que ficar afastada do nosso litoral e vigilante quanto ao contra ataque de nossa Marinha. A “perna curta” dos Harrier lhes daria pouco tempo sobre o alvo, enquanto Mirages como interceptadores e Tigres na caça tática estariam na defensiva, próximos às suas bases e com apoio de terra.

          • sempre…sempre…sempre…depende do conjunto missão+equipamento+TO….e ai tudo se inverte dependendo de cada elemento….

            Harrier e F-5 são caças de defesa de ponto….rapids e perna curta em seus envelopes….um é supersonico, o outro decola de qualquer beco ou rua…

            Harrier não é um bom atacante, preponderantemente é um defensor de ponto….então no ataque, vai sofrer muito pela autonomia e limitação de bombas embarcadas….

            Se o F-5 esta na defesa, esta dentro daquilo para o qual foi criado, defendendo o ponto, supersonico e com grande auxilio de controle situacional das bases de terra ao qual esta defendendo…a probabilidade ai, é que auxiliado nisto, consigam se posicionar mais facilmente contra os harriers e ataquem primeiro….

            Veja que se voce inverter, a coisa muda, tal como foi sofrivel Mirage e daggers em tese de performance de voo muito superior, não poderem voar supersonico nem combater na alta altitude…os harriers simplesmente se negavam a subir e nem tinham o porque se oferecer a este risco, se os argentinos queriam atacar, eles é que descessem para chegar perto e oferecer perigo aos harriers ou navios….então, eles tinham como impor o envelope de voo ideal para si frente ao adversario.

    • Onde eles se enontrariam? Ambos têm pequeno alcance. Quem atacaria, e quem defenderia?
      Provavelmente terminaria em 0 a 0.

    • depende da missão e do contexto em que se encontrarem ….

      O F-5 é supersonico, e rapido de manobra, embora o harrier possa manobrar muito melhor , é subsonico….

      Os dois tem perna curta….

      Então depende do contexto e cenario de uso….

      A grande vantagem do Harrier naquele cenario era que independente do adversario ali com que se encontrasse , o combate era subsonico e a media baixa altura. Justamente onde situa-se o seu melhor envelope de voo. Mirage, Dagger, nunca puderam usar sua superioridade pois não havia combustivel suficiente para Pos Combustão, voavam baixo pois sabiam que a artilharia dos Sea Dart era focada para abater aviões em alta altitude.

      A segunda vantagem era o conjunto de sensores a bordo e misseis.

      A terceira vantagem era a superioridade situacional propiciada pelos radares e estações de combate dos navios.

      Mas num dogfight, diz-se que a curta distancia o harrier é o capeta….não é indicado brincar de pega ladrão com ele….

      • correto, mas de qualquer forma…era um perigo real e imediato se acertassem a pista….

        é a maxima da guerra…voce usa o que tem, no limite do que tem, da forma como dá,,,,

  3. Impressionante. Independente dos bombardeios terem produzido resultados pífios, estas operações foram mais um exemplo do gigantesco esforço empreendido e da obstinação em busca da vitória. Creio que a falta de uma determinação como esta por parte dos argentinos foi o mais preponderante para sua rápida derrota, influênciando inclusive na desorganização tática e no comedimento em relação ao uso de seus melhores meios aéreos e navais.

  4. Só mesmo os argentinos conseguiram perder uma guerra onde eles tinham ampla vantagem territorial e bélica.
    Mais uma vergonha dos nossos hermanos.

    • Vantagem bélica?
      Literalmente nada deles era superior. Os a-4, SE decolassem do porta-aviões lento deles, talvez daria um combate interessante contra os Harriers, contudo não tenho certeza de qual ar-ar usavam seus A-4 na época.
      Os submarinos britânicos eram incomparáveis a qualquer coisa naval argentina da época. Dois porta-aviões pequenos mas funcionais contra um porta-aviões inútil. Não tem absolutamente nenhum respaldo para afirmar que tinham vantagem bélica.
      Territorial sim, que de nada adiantava porque seus mirage não tinham REVO.

    • Antunes 1980. “JAJAJAJA vergonha dos nossos hermanos”. Querido amigo, fué una locura de Galtieri enfrentar a la Otan. EE.UU con sus misiles aire aire. Casi 500 barcos logísticos de la mayoría de los países Otan europeos. Espalda de Francia con los Exsocet. Ayuda chilena. Apatía Brasilera. Militares Gurcas + escoces + galeces y si no me equivoco soldados Ingleses. La OEA, indiferente total. Solo Perú apoyo con Mirage y Exsocet que llegaron tarde. Y así y todo el Picnic para los OTAN les salió bastante caro. Abrazo

  5. Nossa, dois dos mais belas aeronaves e funcionais construídas: Handley Page Victor e Nimrod.

    Parabéns pelo Design!

  6. Segundo o video, precisava de 11 Handley Page Victor para 1 só Vulcan chegar nas Malvinas … e qtos precisavam para retornar a ilha?

    • Apenas dois. Olhe a “White Wave”.

      Os Vulcan já retornariam aliviados do peso das bombas e a grande altitude.

      • Eu ví o gráfico e o video … mas as informações não batem. No gráfico a ida tem 10 Victors e no video 11. E eu acho 2 reabastecimentos na volta muito pouco … e se for isso mesmo, é muito crítico e na “banguela” (tipo o voo fatídico da Chapecoense).

  7. Eu servia na Base Aérea de Santa Cruz era Soldado, vi quando 2 caças F5 da FAB, decolou para interceptar o Vulcan, era um Cap e Ten da Base Aérea de Santa Cruz, esse avião invadiu o espaço aéreo do Brasil com armas para ir para a Guerra das Malvinas, mas no percurso teve problemas e foi interceptado, ficou na Base Aérea de Santa Cruz até o término da Guerra, eu tirava serviço de Guarda bem próximo do avião.

    • O amigo presenciou um fato histórico. Obrigado pelo relato. Se possível, fique a vontade para compartilhar mais sobre a época.

    • espaço aéreo ele não invadiu. Até porque o Brasil estava a centenas de km da rota de ataque.

      Na volta de um ataque foi que ele teve problemas e pediu para fazer pouso emergencial aqui.

    • Salvo engano o Vulcan aterrizou no Aeroporto do Galeão, e ficou nos limites da Base Aérea do próprio Galeão.

    • O Vulcan iria para as ilhas, mas teve pane durante o procedimento de reabastecimento, soltou então suas bombas, mas um missil Schryke não soltou. Foi interceptado, pousou, e a RAF teve apreendidos o avião e o missil, que inclusive serviu depois como fonte de conhecimento para o desenvolvimento do missil MAR-1. Acho que já foi tudo isso relatado aqui recentemente.

  8. A ilha de Ascensão fica perto da Linha do Equador. O texto diz que fica “perto do Equador”. Em que pese esteja gramaticalmente correto, a forma em que foi escrito causa uma indesejável ambiguidade geográfica que poderia ser evitada.

  9. Faltou visão estratégica à Portugal nos anos seguintes após a “descoberta” do Brasil.

    Portugal ou até mesmo a Espanha na época poderiam ter colonizado as ilhas de Ascensão e Sta Helena e desta forma garantido aos seus “herdeiros” do continente Sul Americano uma invejável posição estratégica para dominar todo o Atlântico sul.

    Mas, não conseguiram enxergar isso à época, mesmo possuindo colônias na África(como Portugal).

    Os ingleses argutos como são vislumbraram o potencial estratégico das ilhas, e, em 1800 e pouco, as anexaram, colonizando-as até com escravos libertos dos navios negreiros apreendidos por sua marinha na costa africana.

    E, mantém o domínio através destas de todo o Atlântico sul (juntamente com os EUA) desde então!

    Até hoje, assim como faltou a Portugal e Espanha, falta visão estratégica a nossos governantes e quiçá militares também, na elaboração de táticas e estratégias para a defesa territorial e dos interesses brasileiro.

    Grato.

    • talvez tenha faltado ‘perna’.

      Recomendo muito o livro “império ultramarítimo português’ do Charles Boxer.

      Portugal era um país muito nanico. tremendamente nanico. ter sido o primeiro império ‘onde o sol nunca se põe’ (possessões em quase todas as longitudes com terra) no mundo, tendo importantes colônias em inúmeros locais da América, e da África até a China, inclusive tendo os pés no japão, foi de uma ousadia e talento inacreditável.

  10. Só acertaram diretamente uma única bomba que tirou de operações a pista de Stanley.
    Mas valeu a pena pra rainha!

  11. Curiosidade inútil: o Vulcan que pousou no Rio de Janeiro tinha QAv insuficiente para arremeter caso a primeira tentativa de pouso falhasse.

    Um amigo meu era PA e estava servindo no Galeão em 1982. Inclusive viu o Vulcan de perto. Vou ver se ele possui fotos do bicho.

  12. Fico imaginando a m….. que teria sido se aquele Vulcan que pousou no Rio de Janeiro tivesse deixado aquele míssil anti-radiação destruísse o aeroporto do Galeão. Acho que a coisa inverteria……

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