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Novas tecnologias viabilizaram o projeto do Gripen

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Primeiro protótipo do caça Saab JAS 39 Gripen

O famoso caça sueco Saab J37 Viggen voou pela primeira vez em 8 de fevereiro de 1967. Como o Saab J35 Draken, ele era uma aeronave original e foi o primeiro caça europeu com canards.

A configuração de delta com canards do Viggen foi a solução da Saab para alcançar uma ótima performance em pousos e decolagens: o Viggen podia decolar com apenas 400 metros de pista e pousar em 500 metros.

Costuma-se dizer que o Viggen era um caça à frente do seu tempo, pois se tivesse esperado apenas alguns anos poderia se beneficiar da estabilidade relaxada e do fly-by-wire (FBW), que teriam melhorado significativamente a performance do avião.

Já em 1979 a Suécia estudava um substituto para o Viggen, dotado das últimas tecnologias: FBW, estabilidade relaxada, alta razão potência/peso, carga alar moderada, construção com materiais compostos, um radar multimodo e aviônica moderna.

Para ser barato o novo caça tinha que ser leve, pois o peso e o custo de uma aeronave são diretamente proporcionais, e estudos indicavam que o novo caça poderia pesar a metade do Viggen com o emprego de novos materiais.

Foram estudadas várias configurações aerodinâmicas até que a escolha da versão definitiva de delta com canard e duas entradas de ar nas laterais da fuselagem.

O motor escolhido foi o General Electric F404, o mesmo do F-18 Hornet e do F-20 Tigershark. Os motores PW120 e Turbo Union R199 também chegaram a ser analisados, mas foram descartados.

Projeto NV-O, um dos estudos de configuração do Gripen
Outros estudos de configuração do Gripen
Conceito do Gripen com entrada de ar dorsal

O Gripen foi concebido para integrar o conceito de dispersão Airbase 90, no qual os aviões eram desdobrados em bases cercadas por pequenas estradas e rodovias. Assim os aviões podiam ficar ocultos e dispersos mas com o apoio logístico de uma base aérea.

Cockpit avançado

Cockpit dos Gripen A e B
Cockpit dos Gripen A e B

O cokpit do Gripen seguiu as tendências mais modernas da época, com controles de voo HOTAS (Hands On Throttle-And-Stick), um HUD (Head Up Display) de grande ângulo, três MFD (Multi-Function Display) e um assento ejetável Martin Baker.

Muitos dos equipamentos foram importados, pois é mais barato adquirir sistemas “off the shelf” do que desenvolver o zero.

O radar adotado foi o sueco Ericsson PS-05A pulso-Doppler, com modos similares ao do americano APG-68.


Materiais compostos na fabricação do Gripen

Sistemas do Gripen

Parceiros do Programa Gripen

32 COMMENTS

  1. E o interessante é que a SAAB vem conquistando novos clientes a todo momento em um mercado bastante difícil, normalmente monopolizado por grandes potências.

  2. Pergunta de um leigo: Dado o tempo que o Brasil possui o F-5, o mesmo já consegue construir um do zero, como os Iranianos fizeram com o F-14?

    • O quê os iranianos fizeram com o F-14?

      Não ficou clara sua pergunta, parece que você está sugerindo que os iranianos construíram um F-14 do zero.

      Peço desculpas se entendi errado.

    • Os iranianos não conseguem fazer um F-14 do zero e tampouco um F-5! O máximo que conseguiram foi colocar duas caudas no caça da Northrop

    • Provavelmente o que fazem a maioria dos parceiros, apenas partes metálicas, como estrutura e coberturas. Motores, aviônicos estariam fora de alcance, pois certamente esses componentes iriam vir do país líder do projeto.

      • por isso que digo que “transferência de tecnologia” não eciste, nem em progamas que não tem nada de revolucionário em sua tecnologia.

        quem tem não compartilha.

      • ” Motores, aviônicos estariam fora de alcance, pois certamente esses componentes iriam vir do país líder do projeto.” Mas o líder do projeto na concepção e construção do Gripen não era a Suécia? Por que todas essas partes citadas por você foram feitas tanto por EUA quanto pelo Reino Unido.

        • A Suécia não tem $$$ para desenvolver 100% da aeronave localmente, então itens de grande custo de desenvolvimento ela sempre comprou de prateleira fora, fazendo modificações quando achava necessário.

  3. Acredito que esse monte de propostas aerodinâmicas foi puro desencargo de consciência. A SAAB já sabia desde os tempos do Viggen que o delta canard era o vencedor.

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