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Valor Econômico: Gripen sueco vai adotar WAD da AEL Sistemas

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WAD no cockpit do Gripen - AEL Sistemas - Foto: Gilmar Gomes
WAD no cockpit do Gripen – AEL Sistemas – Foto: Gilmar Gomes

SAAB faz reunião em Brasília para tratar do programa Gripen

Por Fernando Exman

Representantes da sueca SAAB e da Força Aérea da Suécia mantiveram encontros em Brasília na semana passada com autoridades do governo e executivos da indústria do Brasil, na última reunião de alto nível do atual governo da parceria bilateral que culminará na renovação dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB). Os suecos já se preparam para retornar ao país após a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, num momento em que a gaúcha AEL Sistemas protagoniza o primeiro caso de transferência inversa de tecnologia da parceria.

“Sabemos que haverá outros indivíduos. É assim que é. Depois de 1° de janeiro vamos voltar, trabalhar com novos indivíduos nas diferentes posições”, disse ao Valor o vice-presidente da SAAB e chefe da área de negócios da Saab Aeronautics, Jonas Hjelm, lembrando que a Suécia também passa por um período de transição pós-eleitoral. “Mas isso não é tão estranho para nós. Fazemos isso o tempo todo ao redor do mundo.”

Segundo o executivo, o cronograma do programa está respeitado. A próxima reunião anual de alto nível será no fim de 2019, na Suécia. Antes, em meados do ano, o primeiro Gripen será entregue, quando se começará os ensaios em voo na cidade sueca de Linkoping, pelos próprios pilotos brasileiros.

Os demais caças serão entregues no Brasil a partir de 2021. Ao todo, serão 36 Gripen – 28 monoposto e 8 biposto. Em 2024, o último caça será entregue à FAB. “O ano de 2019 vai ser um ano muito importante para a parte brasileira do projeto”, comentou Hjelm.

O negócio foi anunciado pela FAB no fim de 2013, após longo processo de seleção. À época, foi estimado em US$ 4,5 bilhões. Segundo a SAAB, o contrato foi feito na moeda sueca por 39,3 bilhões de coroas suecas. Pela câmbio de sexta-feira, US$ 0,11, hoje o contrato estaria em US$ 4,3 bilhões.

Essa visita ocorreu num momento em que, pela primeira vez, uma empresa brasileira tornou-se integrante da cadeia global de fornecedores da SAAB. A pedido da FAB, a AEL já havia desenvolvido uma tela de última geração, sensível ao toque e de área maior que a versão original, que agradou aos militares suecos. Assim, passará também a fazer parte dos 60 caças adquiridos pela Suécia e dos Gripen vendidos a outros países.

WAD para o caça Gripen – Divulgação: AEL
WAD para o caça Gripen – Divulgação: AEL

“Quando a Suécia decidiu ter o mesmo equipamento, a mesma tela, que as aeronaves brasileiras, isso também significa que nós da SAAB vemos a AEL Sistemas como nossa parceira global. Eles vão fazer parte da nossa cadeia global de fornecimento”, explicou Hjelm. “Esse equipamento vai estar em todos os Gripen que forem vendidos, não só nos brasileiros, como na ideia original. É algo enorme para a gente e para a AEL”, disse.

Segundo ele, a tela é mais intuitiva e será mais fácil de operar pelos futuros pilotos dos caças, hoje jovens já habituados a manejar tablets. “A aeronave é muito fácil de pilotar, isso não é o grande desafio. O desafio é tomar a decisão certa em tempo, a partir da informação apresentada na tela. As telas são vitais, muito, muito importantes”, acrescentou ao Valor o tenente-coronel Rickard Nyström, chefe de relações internacionais da Força Aérea da Suécia.

O valor do negócio envolvendo SAAB e AEL Sistemas não foi divulgado devido a cláusulas de confidencialidade. Segundo seu presidente, no entanto, o projeto Gripen representa 20% do faturamento total da empresa e 50% das exportações. Números que podem alterar, caso os Gripen ampliem seu mercado. “Qualquer que seja o sucesso deles será o nosso sucesso”, afirmou Sergio Horta.

Segundo Hjelm, a parceria entre EMBRAER e BOEING, outro tema que está no foco da empresa sueca devido à estreita parceria da SAAB com EMBRAER, não foi comentado nos encontros de Brasília. Autoridades brasileiras têm prometido atualizar os suecos das novidades envolvendo a união das duas companhias.

Simulador do Gripen E com WAD no Farnborough Airshow
Simulador do Gripen E com WAD no Farnborough Airshow

FONTE: Valor Econômico

52 COMMENTS

  1. Capacidade nativa,tio jacó orientando…
    Acho que vamos encontrar o caminho..
    Não vejo a hora de ver um bicho desses roncando no céu do Brasil….
    Que seja o começo de muitas parcerias para nós agregarmos novas tecnologias.

      • Segundo informações que obtive com um funcionário da Boeing (ele estava querendo vender o WAD do Super Hornet para a USN) sai muito mais barato um WAD do que três ou quatro MFD. Mas sabe como é. Pode ser conversa de vendedor.

  2. O pessoal da AEL deve estar pulando de alegrias, parabéns para eles, depois tem gente que diz que não dá pra confiar em fazer parceria com Israel.

    Tenho certeza com esse novo rumo que o Brasil está tomando, a partir do ano que vem só iremos fazer parcerias com países SÉRIOS e COMPROMETIDOS, e não com essas porcarias de ditaduras que só sugam o dinheiro do contribuinte brasileiro e não dá retorno algum.

  3. Esse acontecimento realmente é um game changer no processo. Parabens a todos os envolvidos na operação. Literalmente abriu a porteira.

  4. A FAB faz o certo! O futuro é a disseminação das WADs pelo significativo aumento da consciência situacional. Em um sinal dos tempos os futuros F-15QA do Qatar utilizarão WADs fabricadas pela Elbit Systems, empresa israelense. Outrossim cumpre lembrar que dos finalistas do FX-2 apenas o Gripen e o Super Hornet tinham a opção das WADs.

  5. Adorei a notícia, mas algo me chamou a atenção e que não gostei, foi o fato do nosso primeiro chegar só em 2021. Não era preciso para 2019?

    • Leia essa parte novamente da reportagem:
      “Segundo o executivo, o cronograma do programa está respeitado. A próxima reunião anual de alto nível será no fim de 2019, na Suécia. Antes, em meados do ano, o primeiro Gripen será entregue, quando se começará os ensaios em voo na cidade sueca de Linkoping, pelos próprios pilotos brasileiros.”

    • “A próxima reunião anual de alto nível será no fim de 2019, na Suécia. Antes, em meados do ano, o primeiro Gripen será entregue, quando se começará os ensaios em voo na cidade sueca de Linkoping, pelos próprios pilotos brasileiros.”

    • Pessoal, o que está escrito está claro. Me refiro ao que era previsto / especulado, que seria o “Brasil receber o primeiro Gripen em 2019”. Podem pesquisar aqui no blog. Falou-se muito disso. Os F-5 vão aguentar até que tenhamos nossos Gripens? Era 2019, agora 2021. Daqui a pouco será 2030…

  6. Olha só. .. Como diz o Juarez, o tempo é o senhor da razão. Cadê os detratores?
    Fiquei sabendo hoje por meio de alguns oficiais generais na cerimônia de passagem de direção da DIRMAB, em SP.

    • Salve Coronel! O Senhor sabe qual empresa será responsável pela suíte de EW do Gripen? E ainda no mesmo tema, falaram mais alguma coisa sobre um possível Gripen EW, a exerce uma função semelhante à do EA-18G?

    • Tem razão… Eu mesmo não compreendi a princípio o alcance da escolha da FAB. Mas a vida é assim e o WAD acabou por mostrar seu valor, em especial pela seriedade e profissionalismo do pessoal da AEL. Por último, lembro que a própria Força Aérea Sueca pensou a princípio em não usar o WAD.

  7. Vi essa notícia ainda em outro blog e estava esperando postarem aqui também para lembrar dos críticos que diziam que essa história de WAD era bobagem, que era ruim… e blá, blá, blá…
    Enfim, o tempo foi o senhor da razão e agora o que era ruim para esses “especialistas” acaba sendo bom até para o país desenvolvedor do Gripen.

  8. Sem sombra de dúvidas, é a maior vitória do programa até aqui para o Brasil.

    E engana-se quem acredita que isso é mera tacada comercial… A decisão de se adotar o WAD para os caças suecos, levou em consideração a avaliação de especialistas que avaliaram o recurso e compreenderam que ele amplia a consciência situacional do piloto e facilita o manuseio da aeronave.

  9. Tenho visto videos de demonstração dessa tela, e uma coisa me chamou a atenção. Não vi fazerem teste com o uso das luvas utilizadas pelos pilotos, pois o touch não funciona muito bem com luvas tradicionais. Salvo estejam também a desenvolver luvas especiais para esse fim. Alguém sabe me dizer alguma coisa sobre isso.

  10. Pois é, os suecos perceberam que a versão brasileira do Gripen seria superior à deles em termos de interface homem-máquina. Parabéns à FAB e à AEL !

  11. Acompanho a Trilogia há uns 6 anos, escrevo pouco. Mas lembro dessa rusga. Voltei aos comentários do passado. Esse, do Cel, foi deveras oportuno.
    -“Uma coisa te digo: vai funcionar e outros vão copiar.”
    Rinaldo Nery 06 mai 16

  12. Bem, agora a coisa ganhou corpo. Nos resta, então, torcer para que tudo ocorra dentro do esperado. O risco diminuiu e/ou foi diluído com este parceiro/cliente, escala em projetos assim é importante. Quero ver é como a SAAB/Flygvapnet vai se virar com a Rockell Collins, rsrsrs

  13. Comecei a desconfiar que o WAD seria adotado pela Força Aérea Sueca quando vi a cabine do Gripen E exposta em feiras internacionais com o WAD e não com os 3 MFD’s originalmente escolhidos pelos suecos.

  14. Excelente notícia! Parabéns à FAB, pela escolha oportuna e altamente profissional, à AEL pela competência e à SAAB pela ótima integração e sinergia em todos os aspectos.
    Agora aos antigos reticentes resta aceitar a realidade.

  15. Quando que, caso o Rafale e principalmente o F-18 tivessem sido escolhidos, haveria uma parceria e cooperação desta natureza?
    A escolha do Gripen E prova mais uma vez que o “tiro” foi certeiro.

  16. Uma coisa é certa. A Flygvapnet só estavam esperando os resultados dos testes em laboratório do WAD na Saad para tomarem está decisão.
    Afinalestão lê dando com brasileiros. E infelizmente tem que ser São Tomé mesmo. Para nossa redenção e da AEL missão dada missão cumprida.
    Sempre falei aqui que quando o pessoal de teste e pilotos da ativa da Flygvapnet vissem a capacidade operacional do WAD não evitariam em adota-lo no modelo sueco. Até porque até os simuladores já tem o WAD no painel.

  17. Só quem já pilotou, mesmo que no simulador, sabe a diferença que faz

    Pergunte a um piloto de cessna se melhor usar o garmin G600 ou G1000

  18. Eu já disse aqui que uma hora dessas vou escrever sobre os porquês da “proximidade estratégica” entre Brasil e Estados Unidos.

    Há muitos porquês!

    O brasileiro em todas as camadas precisa compreender uma coisa: os EUA jamais, repito, jamais deixará de acompanhar e se adiantar aos passos que o Brasil venha a dar em busca de protagonismo em qualquer área. Muito mais, na área militar ou bélica!

    A pesada parceria que os EUA buscaram com os suecos, logo apos as movimentações do Brasil junto a este reino, dão clareza total ao que estou falando.

    Grato

    • Não entendi. Os EUA buscando acompanhar e se adiantar aos passos que o Brasil venha a dar? Pelo que vejo estão à frente léguas e léguas faz muito tempo.

      Se os próximos governos forem sábios saberão traçar alianças como fizeram Japão, Coréia, Inglaterra e não é necessários nenhuma corrida ….

      • Antônio M,

        amigo saía da ideologia, saía da caixinha e pense, enxergue a realidade do que coloquei!

        Não há nada ideologicamente colocado aqui. Apenas, uma realidade tácita e pronto acabou! Agora, diante disso vai da trupe tupiniquim, saber lidar com esse facto! Agindo dentro do contexto de aliar-se aos “grandes.” Como você mesmo colocou, incluído o próprio United States of América.

        Não é coisa pra amador… Inclusive pra entender tal realidade!

        • Quem está usando de ideologia é você, não eu. Esse “monstro” capitalista e invejoso que vive nas mentes dos marxistas.

          O pragmatismo é exatamente esse, se aliar a quem tem o quê negociar.

          Agora, que os EUA ficam patrulhando os nossos passos para acompanhar e ultrapassar, aí sim é um devaneio, para quem tem de preocupar com China e Rússia. A preocupação dos mesmos é que isso aqui se torne capacho do globalismo desses e sirva de base contra os EUA mas ainda temos instituições sólidas o bastante que estão mostrando que podem combater isso.

          • Antônio,

            está claro que o que você busca, é desinformação(ao buscar levar, como sempre, um fato, para o viés ideológico para desacreditar uma verdade, realidade), e, isso sempre ocorre(observei) quando alguém resolve falar a real, sobre nosso “parceiro” do Norte. Ou eu diria simplesmente que você é um néscio mesmo! Porque não é possível…

            Ninguém aqui está falando que os EUA não está no topo da cadeia tecnologica ou algo parecido. É obvio que está! O que ocorre, é que eles mesmo sendo nossos “parceiros” não podemos jamais esquecer que, os EUA, jamais deixará passar a oportunidade de nos fazer atrasar, claudicar para chegar lá…. No topo, da auto-suficiencia tecnológica.

            E, a forma como agiram com os suecos, buscando rápidamente se associarem aos mesmos propondo milionária parceria no desenvolvimento de projetos conjuntos( em áreas que a indústria americana é extremamente forte…) tem como objetivo neutralizar uma suposta influência, e o aprofundamento de parcerias entre o Brasil e a Suécia no desenvolvimento de tecnologias de ponta. É a forma que eles usam para controlar nossos “passos” sem levantar suspeitas…

            Essa é a realidade! E, temos que ser suficientemente “safos” para lidar com tal situação.

    • E o que isso que você escreveu tem a ver com a notícia do tópico, que é uma tela WAD, fabricada por uma empresa israelense/brasileira, que vai ser adotada em um caça de fabricação sueco-brasileira, em todos os exemplares de série??
      O assunto que você citou pode e deve ter sua pertinência, mas não vejo o que tenha a ver com o assunto do tópico.

    • Desconheço. Abriria mais uma vaga pros Coronéis serem promovidos. Sorte deles. Mas, criação de vaga de oficial general tem que ter aprovação do PR.

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