Home AEW Segundo avião E-99 da FAB é entregue à Embraer para modernização

Segundo avião E-99 da FAB é entregue à Embraer para modernização

6968
35

Projeto de modernização da Força Aérea prevê a atualização dos sistemas das aeronaves de Alerta Aéreo Antecipado

A Força Aérea Brasileira (FAB) entregou, nesta quinta-feira (04), a segunda aeronave E-99 para a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), responsável pelo processo de modernização do avião radar da FAB. A aeronave foi preparada para ser transferida do Esquadrão Guardião, 2°/6° GAV, sediado na Ala 2, na cidade de Anápolis (GO), para as instalações da empresa contratada em Gavião Peixoto (SP). Essa é mais uma etapa do projeto desenvolvido sob a responsabilidade da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC).

Durante o processo de modernização, serão atualizados o sistema de missão e outros subsistemas relacionados, ampliando as capacidades da aeronave, que atualmente é empregada em operações de controle e defesa do espaço aéreo brasileiro.

“A modernização contribuirá para o emprego mais eficiente do poder aeroespacial brasileiro. Ela é necessária para ampliar o ciclo de vida e elevar a capacidade operacional da aeronave. Vai aumentar o alcance radar, a velocidade de processamento das informações e possibilitar a identificação de alvos com mais antecedência e melhor precisão. Serão ampliados o número de operadores embarcados e de rádios que, com a implementação do novo sistema de comando e controle, vão aperfeiçoar a realização da missão.”, afirmou o Gerente do Projeto E-99M, Coronel Aviador Carlos Sérgio da Costa Lima.

O escopo de trabalho prevê a realização de vários testes em solo e em voo antes de a modernização ser concluída, além da certificação coordenada pelo Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI). A previsão é de que a primeira aeronave fique pronta e seja apresentada para a Força Aérea no primeiro semestre de 2020.

Ao todo, cinco aeronaves vão passar pelo mesmo processo, que promoverá o desenvolvimento e a integração plena dos sistemas até 2022.

E-99

O avião, cuja característica marcante é a antena radar existente na sua parte superior, é capaz de detectar alvos aéreos e transmitir essas informações para os centros de controle em terra. Essas aeronaves foram desenvolvidas a partir do jato de transporte regional Embraer 145.

Os E-99 entraram em operação na FAB em 2002, como parte das aquisições destinadas a compor o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM). Seu radar permite que cumpra missões de alarme aéreo antecipado, incluindo o controle de voos de aeronaves de caça em voos de defesa aérea, coordenação de operações de busca e salvamento e vigilância de fronteiras. Seus sensores, agora em fase de modernização, constituirão o sistema mais avançado e de menor custo para o emprego em missões de controle e alarme em voo.

O E-99 é capaz de fornecer dados de inteligência precisos, em tempo real, sobre aeronaves voando à baixa altitude. Quando os pilotos de caça recebem as suas ordens e partem para as missões de interceptação, as aeronaves E-99 já monitoram o espaço aéreo da região, visualizando toda a área de operação. Qualquer pequeno avião operando sem o conhecimento dos órgãos de controle é monitorado e identificado pelo E-99. A tripulação é habilitada a fazer o controle das aeronaves interceptadoras, conduzindo-as até os tráfegos desconhecidos.

Segundo o Comandante do Esquadrão Guardião, Tenente-Coronel Aviador Pedro Gustavo Schmidt Siloto, essas características evidenciam a relevância do processo de modernização. Para ele, isso permitirá a continuidade da participação com excelência da FAB em missões aéreas compostas e de combate aos tráfegos ilícitos, atuando com protagonismo nas operações interagências como as Operações Ágata e, recentemente, a Operação Óstium.

“Com o advento da tecnologia e de métodos e equipamentos mais eficazes, a modernização desta aeronave primordial para a atuação decisiva do Comando da Força Aérea Brasileira fez-se necessária. Esta ação permitirá que os olhos do esquadrão mantenham-se abertos e atentos, permitindo, inclusive, a expansão de seus horizontes. Assim, mais uma vez, a FAB estará à frente de seu tempo, antevendo as necessidades para a manutenção de uma proteção ideal de todos os nossos 22 milhões de quilômetros quadrados”, ressaltou.

Além disso, as aeronaves E-99 têm a capacidade de complementar os sinais dos radares de solo, servindo também como uma reserva de visualização-radar ou de comunicações para o tráfego civil.

FONTE: Força Aérea Brasileira /FOTOS: André Hansen de Oliveira

35 COMMENTS

  1. Se 02 células estão nas instalações para modernização (muito bem vinda e aguardada), somente existem mais três operacionais…

    A disponibilidade geral é boa o suficiente para que se evitem “gaps” nas operações de defesa aérea, caso muito solicitadas? (Supondo, por exemplo, o aumento da instabilidade na Venezuela e algum movimento perigoso daquele governo).

    Estamos realmente em uma fase quase tão perigosa quanto no final dos anos 90.

    Somente F-5M para quase tudo e uns poucos A-1A e pouquíssimos A-1M… Enquanto não chegarem os F-39 e se esses E-99 ficarem travados dentro da planta da Embraer estaremos restritos em capacidade de intervenção (algo totalmente necessário em uma missão/coalizão de estabilização como a que pode ocorrer na Venezuela)…

  2. Uma curiosidade: essa versao possui APU com qual potencia? Nao poderia ser sobremotorizada com o intuito de atender a mais alguns dos sistemas a bordo?

    • Sem chance, isso é muito mais complexo e caro do que pode parecer, os da Índia foram feitos desde o início p/ atender essa exigência. Pense, por exemplo, que se uma aeronave normal já possui kms de cabos elétricos ( além de conexões pneumáticas e hidráulicas ) essa versão é recheada de equipamentos eletrônicos, ou seja é muito pior fazer um arranjo p/ passar dutos de combustível, garantindo a segurança sem riscos de incêndio. Os próprios tanques devem ter que ser modificados p/ poder receber combustível a uma pressão provavelmente bem maior que seria feito o abastecimento em terra, e por aí vai.

    • Horatio,

      Pelo tipo de missão que os E-99 e R-99 fazem, eles tem que ser o mais discretos mesmos!!!

      Até a tripulação é colocada sob sigilo, uma vez que tb são usadas para monitorar tráfegos ilícitos na Amazônia e Centro-Oeste.

      Veja que não há nem fotos do seu interior operacional. O que temos aqui são fotos do interior desmontado para os serviços de modernização.

  3. Esses aviões somente servem para controle do espaço aéreo, ou servem para vetorar mísseis e brincar de jamming em equipamentos eletrônicos inimigos também?

  4. Na minha humilde visão, a modernização é crucial para o Brasil, especialmente pra FAB.

    Agora, gostaria de saber se existe estudo de viabilidade para o E190-E2, que é um avião mais moderno, mais espaçoso, com mais autonomia e com capacidade de um radar melhor e com mais estações. Se bobear incluir capacidade de autodefesa.

    Acredito que seria a melhor plataforma.

  5. Alguem sabe informar se eles já irão adicionar um data link compativel com os Gripens ? ou ainda irão esperar o projeto do datalink BR ficar pronto?

  6. Uma informação mais clara poderia ser adicionada na matéria do que será modificado e quais melhorias seriam evidentes, quanto tempo levará. Por exemplo, aumento de alcance de detecção….será trocada a antena de radar? Algo será feito para melhorar o tempo “on station”? E os R99…passarão por algo similar?
    Aguardo adendos!!
    Estas aeronaves são importantíssimas para garantir nosso espaço aéreo com eficiência. Vou mais longe…deveriam ser no mínimo 15 unidades….5 no RS, 5 em GO e 5 no Amazonas….quem sabe com o E195 e os Gripens…

  7. Boa tarde,

    Alguém sabe se vão incorporar a capacidade REVO na modernização?

    “Vai aumentar o alcance radar, a velocidade de processamento das informações e possibilitar a identificação de alvos com mais antecedência e melhor precisão”, importante, será um incremento de quantos km na capacidade?

  8. O REVO ê muito importante em um AEW&C maior que leve duas tripulações completas com boa área de descanso, pois o avião pode permanecer no ar enquanto tripulações se revezam, caso dos B707 e Beriev 50(Il-76) na função.

    • No caso dos E-99 não se trata disso. Trata-se de poder decolar de uma pista menor, revoar e permanecer mais tempo on station. Seria uma surpresa tática. Nem todas as pistas e condições atmosféricas permitem a decolagem full tanque. No E-99 há 5 poltronas de descanso.
      Em algumas situações (condições visuais, ausência de obstáculos), a restrição de segundo segmento para a decolagem é ignorada.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here