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DHC-5 Buffalo, um ‘quase’ All American Made

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DHC-5D Buffalo
DHC-5D Buffalo

Por Roberto F. Santana

Após a Segunda Guerra Mundial a liderança norte-americana na indústria aeronáutica era quase que absoluta e até hoje vários componentes de aeronaves feitas no Ocidente são fabricados nos Estados Unidos.

Alguns fabricantes, entretanto, lograram certa independência, como a multinacional europeia Airbus.

Nos anos setenta e oitenta, a fabricante de aeronaves de Havilland Canada produzia o DHC-5 Buffalo, porém, a aeronave tinha até 89% de seus componentes produzidos nos Estados Unidos.

Veja na ilustração, alguns desses componentes:

  • Os motores CT64-820-4 eram produzidos pela General Electric; Lynn, Massachusetts.
  • Aquecimento e refrigeração da cabine e compartimento produzidos pela Air Research; Torrence, Califórnia.
  • Unidade de Força Auxiliar (APU), produzida pela Solar; San Diego, Califórnia.
  • Chapas de alumínio, parafusos e rebites, produzidos por vários fornecedores norte-americanos.
  • Aviônica, piloto automático, instrumentos de voo e motor, produzidos nos Estados Unidos, pela Sperry Avionics, Collins, Bendix e General Electric.
  • Hélices produzidas pela Hamilton Standard; Windsor Locks, Connecticut.
  • Montantes dos motores produzidos pela Lord;  Erie, Pensilvânia.
  • Rodas, freios e pneus, produzidos pela B.F. Goodrich; Troy, Ohio.

21 COMMENTS

  1. Ter uma aeronave quase 100% de conteúdo nacional e um sonho quase impossível. Somente se a demanda interna sozinha fosse suficiente para manter toda uma cadeia suprimentos isso poderia ser concretizado. O que não minimiza a capacidade de integração e desenvolvimento de projetos próprios, com características sui generis da engenharia aeronáutica brasileira, representada majoritariamente pela EMBRAER. E na medida do possível o desenvolvimento consistente de componentes, proprios ou juntamente com parceiros independentes que também desejem essa autossuficiência deveria ser buscado, assim como alternativas diversa para componentes que possam ser barrados pela política americana para certos mercados. Na contra mão, a fagocitose da EMBRAER pela Boeing trás um futuro incerto e na “minha opinião” o Brasil perde e retroage, adotando uma visão unipolar. Já quanto aos acionistas, opinião todos temos, mas somente o futuro trará a resposta empírica.

    • A Embraer não é nossa, é dos acionistas e eles fazem o que quiserem por sua conta e risco. Patriotismo no mundo dos negócios não funciona.

      • O Trump discorda de seu comentário, basta ver quantos negócios ele vetou alegando risco a segurança nacional de 2 anos para cá, os acionistas dessas empresas nada puderam fazer além de perder dinheiro e ficar chupando dedo

        • Jr, na realidade os vetos do Trump são mais para defender os empregos nos EUA (não que eu discorde desta posição), por exemplo, o veto da venda da Qualcomm para a Broadcom aparentemente será resolvida mudando a sede da última de Cingapura para os EUA.
          Mas mesmo assim, tem empresas se rebelando, a Harley está montando uma fábrica na Europa para fugir da sobre taxa imposta aos produtos americanos.
          Quanto as empresas de defesa, o fato das compras militares serem somente para produtos MADE USA, força as empresas, continuarem lá. Até onde eu saiba, não existe uma proibição de que acionistas estrangeiros possam ter ações de empresas de defesa nos EUA.

  2. No cenário atual, mesmo os americanos são vítimas da globalização. Alguns anos atrás, fornecedores da Boeing para o Super Hornet foram flagrados importando componentes da China e remarcando-os “Made in USA”.

    Aliás, alguns meses atrás saiu um relatório de um órgão governamental, onde a Boeing estava entregando aeronaves militares com qualidade de fabricação baixa. Uma pena que o Aéreo não noticiou na época.

    https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-04-16/boeing-cited-by-pentagon-over-quality-concerns-going-back-years

      • Clésio, um tempo atrás foi encontrado peças chinesas até no F-35, acho que eram parafusos, em alguns F-16 e B-1 foram encontrados imãs chineses também, provavelmente essas peças já foram substituídas, mas que estavam lá, estavam.

    • Clesio, fantastica essa reportagem que vc anexou! É um grande exemplo a NÂO ser seguido demostrado pela maior empresa de aeronaves do mundo!! Isso deve servir de exemplo a todos que, assim como eu, trabalham nesta area e não aceitam atitudes como essas exemplificadas na reportagem! Obrigado por compartilhar!

  3. Essa aeronave faz muita falta à FAB atualmente. Apesar do C-105 Amazonas ser muito mais moderno em comparação ao Buffalo ele não pousa em muitas pistas que ele, o Buffalo, pousava. Fora dizer manobras de pousos curtos que o C-105 não faz.

    Ainda digo que faz muito mais falta um Hidroavião nos Rios da Amazônia, papel que o Catalina fazia perfeitamente.

    • Não existe porque não precisa mais, se tivesse mercado alguem produziria.
      Quem quer um avião robusto na faixa dele tem que se contentar com o C-27J bem caro.
      Ou esperar o Antonov An-132D entrar em produção, que é um An-32 com “recheio ” e motores ocidentais, o protótipo já voa.

    • Prezado Tomcat4.0
      A Cessna possue Super Caravan anfíbio que, creio, tem uma capacidade de carga semelhante ao venerável Catalina.
      Ab’s
      Claudio Severino

  4. Esse aviao, por incrivel que pareca, nao era pressurizado. Entretanto, seu grupo motopropulsor (motor e helice) tinham um som grave e bem suave.

    • Eles passavam logo acima do meu bairro em exercícios com a BdaInfPqdt lá no Campo dos Afonsos, no começo dos anos 1990.

      Era um ruído inconfundível. Suave e surpreendentemente baixo, bem mais que o Hércules.

  5. Nem mesmo os rebites, usados tanto na fabricação quanto na manutenção das aeronaves , são produzidos aqui. Se por um lado há de se lamentar pela falta de iniciativa ou incentivo por parte dos orgãos de fomento industrial do governo, por outro é um mercado a ser explorado. Resta aparecer alguem que se habilite…

  6. Passei minha infância morando em uma casa perto da Base Aérea de Manaus, se tem algo que marcou foram os Buffalos nos céus, bons tempos!

  7. A Embraer deveria desenvolver um similar nacional. Ou fazermos um scale up desse sucessor do Bandeirante que está nas pranchetas. A maior capacidade de carga e poder pousar em pistas rudimentares é essencial. O conteúdo nacional pode/deve ser aumentado. Ainda carecemos de uma fábrica de turbinas aeronáuticas. Se pequenos países como a Rep. Tcheca e Polônia fabricam seus propulsores poderíamos produzi-los tb. Falta vontade. Marcado temos.

    • A fábrica da Rep. Tcheca Walter Aircraft Engines foi privatizada depois de 84 anos de existencia em 1995 e em 2008 foi adquirida pela GE, o Walter M601 agora é GE80.
      Hoje fabrica o GE H75 com 750shp, GE H80 com 800 shp e GE H85 com 850 shp, era o velho sonho da GE fabricar seus turbohélices na faixa do P&W PT6.

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