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França vai desenvolver míssil MICA NG, de nova geração

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Míssil MICA
Míssil MICA

Modernização dos Missiles d’Interception, de Combat et d’Autodéfense (MICA)

PARIS – Florence Parly, Ministra das Forças Armadas, presidiu em 24 de julho uma reunião do Comitê Ministerial de Investimentos, após a qual lançou o programa de implementação do programa de armas “MICA new generation” (MICA NG). Este programa de mísseis irá renovar as capacidades de interceptação de médio alcance, combate próximo e autoproteção das aeronaves de combate Mirage 2000 e Rafale da Força Aérea e da Marinha da França.

Esses mísseis MICA NG substituirão o atual MICA, cuja retirada gradual de serviço é esperada entre 2018 e 2030. O desempenho do novo míssil será capaz de lidar com a evolução das ameaças e contra medidas, para garantir a proteção do território nacional, a aquisição e manutenção da superioridade aérea e a proteção de ataques aéreos. Estes mísseis são desenvolvidos em duas versões – infravermelho (IR) e eletromagnético (EM) – e entregues entre 2026 e 2031.

Suas inovações nas áreas de autopropulsão e propulsão, suas capacidades solo-ar através da versão VL MICA e sua resiliência aos padrões ITAR darão a MICA NG um forte potencial de exportação.

Essas perspectivas de exportação foram levadas em consideração na negociação contratual para melhor distribuir os esforços de financiamento e os benefícios esperados. Assim, uma parte muito significativa dos custos de desenvolvimento de mísseis é suportada pelos fabricantes que detêm este contrato (MBDA, Safran e Thales).

Além disso, o contrato de aquisição prevê royalties para o Estado, bem como um mecanismo para reduzir o preço dos mísseis comprados pela França no caso de atingir metas de exportação.

Para a França, as exportações são parte integrante do modelo econômico de sua soberania, permitindo que sua BITD (Base Industrial de Defesa e Tecnologia) retenha sua capacidade de abranger todo o espectro de tecnologias críticas. O Ministério das Forças Armadas está ao lado de industriais franceses através de uma política vigorosa de apoio, enquanto espera por um justo retorno para as finanças públicas do esforço feito pelo Estado.

A consideração sistemática dessa alavancagem nas negociações contratuais é um eixo emblemático das melhorias esperadas da reforma da DGA (Direção Geral de Armamento) desejada pela ministra das Forças Armadas, anunciada em 5 de julho de 2018.

Sua aplicação nas negociações do “MICA NG”, o primeiro programa de armamentos lançado no âmbito da LPM (Lei do Programa Militar), promulgada em 13 de julho pelo Presidente da República, implementa o reequilíbrio das relações entre defesa e indústria como apoio pelo ministro das Forças Armadas.

FONTE: Direction générale de l’armement (DGA)

17 COMMENTS

  1. Pergunta meio off-topic:
    Qual é o processo para integrar um novo armamento ( um míssil, por exemplo ) a um caça?
    Por exemplo, qual seria o processo p/ integrar esse míssil ao Gripen brasileiro? É “só´´ ter acesso ao código fonte do Gripen e do míssil ( além dos testes, é claro ) ?

    • Não, a integração não é só elétrica / lógica. Há a integração mecânica, diferentes armamentos tem diferentes interfaces mecânicas (trilhos, encaixes, requisitos de potência elétrica, refrigeração, etc). E a maior fatia do serviço de integração fica por conta da integração dinâmica do armamento. Nessa parte ficam os testes que garantem que existe a separação segura do armamento em relação à aeronave no momento do disparo, por todo o envelope de operação da aeronave / armamento. Também há questões de aeroelasticidade, da interface entre resposta aerodinânica / resposta estrutural do binômio armamento / aeronave do envelope de operação desta (ou seja, no tempo que o armamento está “pendurado” na aeronave). Dependendo do armamento, falamos de centenas ou milhares de homens-hora de engenaria dedicados a este tipo de integração.

  2. Interessante mesmo é a visão e o apoio que o Estado Francês dá a sua indústria de tecnologia, agindo em parceria com a iniciativa privada e gerando demanda interna sem perder de vista as exportações.
    Aqui além do empresário ser tratado como bandido , não temos nenhuma política de Estado para a Defesa. Caminhamos nesta área por espasmos.

  3. Acho que o MICA foi o primeiro míssil ocidental com vetoração de empuxo. Interessante notar que a França financiou nos anos 80 e 90, sozinha:

    – O motor M.88;
    – 3 versões do Rafale;
    – 2 versões do MICA (primeiro míssil ocidental com vetoração de empuxo);
    – O canhão GIAT 30M 791 (mais potente canhão de “caça” em operação);
    – O casulo IR/laser Damocles;
    – O radar Spectra (primeiro PESA de caça ocidental);
    – O primeiro porta aviões nuclear deles (e primeiro e até agora único fora os americanos);

    Isso só para ficar na parte aérea das coisas. Juntando com outras coisas que não tenho conhecimento, acho que foram bem mais que 2% do PIB nessa brincadeira toda, naquele período.

  4. Bom dia ,
    Sempre que vejo alguma citação ao Mirage 2000 me vem a cabeça como foi rápida a passagem deste caça na FAB já que muitos continuam voando . Pelo visto tinham uma vida útil muito curta quando foram adquiridos , e penso se não teria sido melhor adquirir os F 16 usados holandeses ou mesmo dos estoques dos EUA .
    E mais por que não foram vendidos ainda os Mirages aposentados para fornecimento de peças ?
    E o que foi feito do amamamento que veio junto seus mísseis principalmente ficarão guardados até perderem a sua vida útil ?
    Sergio

    • A passagem do Mirage 2000 C/B pela FAB foi relativamente rápida pois os caças foram adquiridos como solução “tampão”, com apenas alguns anos disponíveis de uso antes de precisarem de uma nova e cara revisão geral de células e motores.

      Foi uma negociação governo a governo para cobrir a lacuna da baixa do Mirage III devido ao cancelamento do programa F-X original, após o mesmo ter sido empurrado com a barriga pelo governo. Nesse meio tempo teria que ser lançado um novo programa de caças (F-X2) e terminado. Mas o F-X2 também foi empurrado com a barriga pelo governo e logo chegaram ao fim as horas de voo dos Mirage 2000 antes de nova e cara revisão geral, a qual ainda precisaria ser complementada pela contratação de novo pacote logístico, ou mesmo de uma modernização. Seria caro para um caça comprado apenas para cobrir uma lacuna.

      Os mísseis ar-ar de médio alcance de guiagem semi-ativa venceram pouco antes da baixa dos caças na FAB, mais ou menos na época em que também saíam de serviço na França. Os de curto alcance (Magic II) eu não sei se venceram também por aquela época ou pouco depois, mas imagino que sim.

  5. Enquanto que os países sérios tem um comprometimento grande de seus governos em relação à suas indústrias de defesa, desenvolvimento e manutenção de produção e tecnologias relacionadas, usando essa base industrial de defesa não apenas como forma de manutenção de sua soberania, mas também como forma de geração de recursos via exportações, algo que inclusive é cobrado por sua sociedade, aqui no Brasil não apenas nosso governo não costuma fazer esse tipo de comprometimento, a menos, claro, que isso garanta votos e/ou visibilidade momentânea, como o telejornal de resumo semanal mais visto no país relata o drama de crianças atingidas por munições brasileiras em um conflito, dando tom acusatório à indústria de defesa nacional.

    É muito difícil ter uma área de Defesa forte com uma mentalidade dessas, que infelizmente está sendo perpetuada.

  6. “Para a França, as exportações são parte integrante do modelo econômico de sua soberania, permitindo que sua BITD (Base Industrial de Defesa e Tecnologia) retenha sua capacidade de abranger todo o espectro de tecnologias críticas. O Ministério das Forças Armadas está ao lado de industriais franceses através de uma política vigorosa de apoio, enquanto espera por um justo retorno para as finanças públicas do esforço feito pelo Estado.”

    Enquanto a França estatiza estaleiro para que não caia em mãos estrangerias (e olha que eram mãos da Itália) o nosso Governo entrega a Embraer para os estadunidenses. 🙁

  7. É o que dá a falta que temos de uma Agência de Desenvolvimento e Aquisição de Armamentos. O processo do cada um por si, aqui no Brasil, só nos dá problemas e atrasos, afora perda de dinheiro com tamanha ineficiência e despadronização. Mas tem quem acha que é só falta de mais recursos.

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