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Vídeo: alunos de ensaio em voo brasileiros avaliam o caça Gripen

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AEL Sistemas

Quatro estudantes do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo da Força Aérea Brasileira, em São Paulo, estiveram na Saab, em Linköping, na Suécia, para conduzir seu projeto de exame final.

Os alunos do XXVII Curso de Ensaios em Voo (CEV) realizaram, entre os dias 07 e 18 de maio, a avaliação final do curso, chamada Preview, na aeronave JAS 39 Gripen D, em Linköping, Suécia. O objetivo foi verificar a capacidade dos pilotos e engenheiros alunos em avaliar uma aeronave de alta performance para as ações de defesa aérea e ataque.

A avaliação foi baseada na Solicitação de Ensaio de Instrução, feita pela Divisão de Formação em Ensaios em Voo, do Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV), Unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) localizada em São José dos Campos (SP), e reúne os principais requisitos operacionais e de certificação da aeronave.

Na oportunidade, os pilotos e engenheiros alunos realizaram oito voos na aeronave JAS 39 Gripen D, pertencente à SAAB, e dois voos na aeronave “alvo” SK-60 (SAAB 105).

Após a conclusão do CEV, os novos pilotos e engenheiros de ensaio serão engajados em programas de outras aeronaves, como do KC-390 e do Gripen E/F, entre outros que o IPEV participa atualmente, a fim de garantir que a entrega das aeronaves seja realizada conforme os requisitos contratuais definidos.

45 COMMENTS

  1. Nenhum país da América Latina é capaz de estar envolvido em algo que chegue ao menos perto deste programa, e nós vamos fabricar este avião, aprender tudo sobre ele, mas tem gente que acha que o que presta é o avião do vizinho, isso quando tem avião.
    É o que eu chamo de “Síndrome do Phalanx”
    Esses garotos são de onde?? Embraer ou apenas do meio acadêmico? f
    Feraças.

  2. Sou leigo no assunto, mas gostaria de saber se não seria interessante a Embraer desenvolver um jato para treinamento ou a FAB comprar alguns de outra empresa para servir como ponte entre o super tucano e o gripen pois mesmo com a aviônica moderna do super tucano creio que a diferença de sair de um turboélice para um jato seja muito grande na forma de pilotagem e entre outras coisas.

    • Na verdade a Embraer já está desenvolvendo um treinador avançado para a FAB, para quando o aluno sair do A-29, ele se chama Gripen F.
      F-39 Biplace será o treinador avançado da FAB, desenvolvido pela Embraer.

      • Só um reparo: F-39F não é treinador avançado, é versão de conversão operacional para o monoposto F-39E. Treinador avançado é uma etapa bem anterior à conversão operacional para os jatos de primeira linha.

        • Tenho entendido que antes de comandar um Gripen E, um aluno que tenha cumprido todas as etapas em simulador e no A-29, vai para o banco traseiro de um Gripen F, só depois de algumas ou muitas horas de voo a bordo de um Gripen F e com acompanhamento de um instrutor, é que este piloto pode comandar um Gripen E. Por isso chamo o modelo F de “treinador avançado”, mas sei que se trata de um caça, como o próprio modelo E.

          • Sim, Silvano, mas ainda assim, cabe o exemplo do emprego do F-5FM (biposto do F-5EM) na FAB: o curso de conversão de um piloto de combate de A-29 para piloto de combate de F-5EM tem cerca de 60 horas de voo.

            Destas, o F-5FM (biposto) responde por apenas 1/5 do total de horas, aproximadamente, enquanto que o F-5EM (monoposto) responde pelas demais, fora as horas de simulador. Ao menos era essa a proporção há alguns anos.

            Essa sistemática já foi tema de matéria da revista Forças de Defesa e esse tema foi repetido em matéria aqui sobre a recente perda de um F-5FM pela FAB:

            https://www.aereo.jor.br/2018/05/24/caca-f-5fm-da-fab-que-caiu-estava-em-missao-de-combate-aereo-bvr/

            Enfim, o treinamento em todas as missões de emprego de um futuro piloto de F-5EM da FAB é realizado em sua maior parte no próprio monoposto. Provavelmente essa proporção será similar com o futuro F-39 (opinião minha) mesmo porque, apesar de muito mais exigente para o piloto quanto à necessidade de gerenciar sistemas de combate, a transição da pilotagem em si, do A-29 para o F-39, deverá ser muito mais suave que no caso do A-29 para o F-5M. Isso porque o Gripen, com seus comandos fly-by-wire é muito mais fácil de pilotar e perdoa mais erros que o velho F-5, que tem várias “manhas”.

            PS: quem senta no posto traseiro é o instrutor. O aluno senta no dianteiro.

      • Galante, não seria interessante mesmo com a introdução do Gripen a manutenção do F-5F, inclusive a compra de mais exemplares, para funcionar como LIFT? Aliás, ao adquirir um lote de F-5Es da Suíça a USN contratou a Northrop para converter alguns em F-5F, salvo engano tem matéria aqui a respeito.

        • Tireless,

          Usar o F-5F como LIFT para transição do A-29 para o F-39 seria incoerente, pois o F-39 é muito mais fácil de pilotar do que o F-5.

          Só faria algum sentido quanto ao custo da hora de voo, mas ainda assim teria pouca lógica: muito mais fácil passar do A-29 para o F-39 do que ter um F-5F “LIFT” mais atrapalhando do que ajudando no caminho.

          Enfim, esse assunto parece que nunca tem fim, é pior que o da camuflagem da FAB…

      • Galante,
        Fora todo o processo de implantação do mesmo, dos simuladores, da contratação da manutenção etc.

    • Ramon,

      Essa é uma das discussões mais recorrentes aqui no site, toda semana ela vai e volta nas matérias mais variadas, desde as que têm como temas jatos de treinamento de pilotos de caça até as que não têm nada a ver com o tema.

      Como esta não é uma matéria sobre conversão operacional, jatos tipo LIFT ou coisas do gênero, sugiro que você mesmo busque discussões anteriores já feitas: basta digitar o termo LIFT no campo busca do blog que vão aparecer dezenas de matérias com centenas e centenas de comentários para ler, em discussões que ainda levarão anos a fio. Mas que cansam um pouco quando repetidas eternamente (desculpe-me a resposta um tanto rude, mas é que esse assunto tornou-se aborrecido).

  3. “Silvano Conti 12 de junho de 2018 at 15:41
    Esses garotos são de onde?? Embraer ou apenas do meio acadêmico?’
    Na matéria anterior (https://www.aereo.jor.br/2018/05/31/militares-da-fab-sao-capacitados-em-avaliacao-de-aeronave-de-alta-performance/) fica claro que são da FAB. Veja a resposta a um comentário, não são assim tão “garotos”:

    Fernando “Nunão” De Martini 1 de junho de 2018 at 23:50
    Delfim, isso é curso pra formar pilotos de Ensaios em Voo, ou, em outras palavras, pilotos de provas, de testes. Não é pra tenentes ainda saindo dos terceiros, tem que já ter convertido pra caças a jato e acumulado horas nos esquadroes de primeira linha.

    Entre os requisitos mínimos, está o de ter pelo menos 200 horas de voo em caças a reação (jatos), dentro de um total também mínimo de 800 horas em asa fixa.

    Pra saber mais, tem esse documento em pdf:

    https://www.ipev.cta.br/index.php/component/phocadownload/file/3-ica-37-35-normas-reguladoras-do-cev

  4. Ai, o LIFT…. Valha-me Deus!! Alguém perguntou pro comandante do COMPREP, TB Egito, o que ele acha? Nossa opinião é só opinião, nada mais. Ele é quem decide se a FAB precisa de LIFT ou não. Quanto a nós, só latimos, e a caravana passa…

    • Isso passa muito pela questão de como a FAB entende que deva ser a formação de seus pilotos de caça. Alguns defendem que, hoje em dia, o piloto precisa mais ser um “gerente” dos diversos sistemas de um caça, bastando sentá-lo assento ejetável de um avião como o A-29, com o “look and feel” (o “jeitão”, digamos) de um caça moderno (glass cockpit), capaz de simular os vários sistemas (EW, radar, pods e armas) de um caça moderno, passando em seguida para o simulador e para o riposto da aeronave de primeira linha que irá pilotar, seja de 4ª, 4,5ª ou 5ª geração. Outros defendem que o envelope de voo também é importante e que o LIFT faz tudo isso de forma melhor. Talvez seja verdade. E até acredito que seja. Mas existe a questão do custo envolvido. Provavelmente, a FAB (refiro-me a uma decisão de Alto Comando) até deseje um LIFT. Mas numa Força Aérea com tantas prioridades é preciso, literalmente, priorizar. Então, vamos ter os dois pés no chão…

      • Não, Alexandre. O Alto Comando não deseja. Já falei isso ¨n¨ vezes. Todo mundo querendo adivinhar o que o Alto Comando pensa, e chegando à conclusões errôneas.

  5. Tanta coisa para se falar nessa matéria e a maioria dos comentários insiste no velho assunto de LIFTs…

    Um exemplo de trecho que achei muito interessante, pensando nos próximos passos do programa Gripen e nas entregas à FAB:

    “Após a conclusão do CEV, os novos pilotos e engenheiros de ensaio serão engajados em programas de outras aeronaves, como do KC-390 e do Gripen E/F, entre outros que o IPEV participa atualmente, a fim de garantir que a entrega das aeronaves seja realizada conforme os requisitos contratuais definidos.”

  6. Deixa eu ver se eu entendi, de forma resumida… Esses aí serão os futuro “avaliadores” da FAB, que vão comandar a parte técnica de programas futuros, é isso?

    • Mais ou menos. Serão os pilotos de prova, os únicos qualificados para vôos de desenvolvimento e certificação de aeronaves, e qualificação de armas e sensores. Não comandarão; somente avaliarão. Quem comanda é o Gerente do Projeto.

  7. Por que os F-39F iriam cair? Por conta do treinamento dos “novatos”? O cel. Nery já falou inúmeras vezes, a FAB já falou inúmeras vezes que não irá adquirir LIFT nenhum! Comparando como é feito hoje, em que os egressos dos esquadrões do 3° GAV (A-29) vão direto para a primeira linha, voar A-1 e F-5, qual a diferença para quando for direto do A-29 para o F-39? Quantos A-1 e F-5 biplaces caíram por conta de inexperiência do piloto em treinamento? Te respondo: Nenhum!! Procura que vc vai achar como é feito o treinamento de conversão dos pilotos para o A-1 e para o F-5. Muito uso de simulador e voos em biplaces. E funciona!! Com o F-39, certamente essa transição será mais tranquila ainda, pois é uma aeronave de pilotagem mais fácil que os caças que operamos hoje. Um LIFT é caro. E se a FAB quisesse montar um esquadrão dessas aeronaves, o custo seria alto. Preferível pegar o dinheiro que seria gasto e investir no próprio F-39, seja em mais aeronaves ou em mais armas e sensores. Para pensar um pouco: o caça mais caro em operação hoje no mundo, o F-22, nem versão biplace possui. O mesmo vale para o F-35.

  8. Gostei desses alunos, serão futuros pilotos de Gripen, são novos e inteligentes, é gratificante ver que eles conseguiram chegar nesse ponto dificílimo para qualquer aspirante, parabéns alunos, vcs são o melhor do Brasil, preparados, qualificados, excelentes alunos e futuros mestres, parabéns!

      • Serão pilotos de testes. Não trabalharão na caça mas na avaliação da aeronave e seus sistemas.
        Guardadas as proporções, são o tipo aproximado que a NASA selecionava para os dois grupos iniciais de astronautas: piloto de caça + piloto de testes + formação superior. No primeiro grupo Scott Carpenter, destoava pois era piloto multimotor. Coincidência ou não sua missão não foi exatamente um textbook flight. Mas isso é outra estória.
        Marcos Pontes, nosso astronauta, possui esses requisitos, embora fora da ativa.

  9. O avião de treinamento avançado tem que ser muito robusto eis que as manobras de pouso e decolagem podem submeter as estruturas a esforços elevados. O T-38 Talon foi um projeto muito bem elaborado e responde pela longevidade da linha F-5 e seu decendente o F-18 Hornet. Os chamados Lift tem essas características. Se quisermos uma aeronave adequada temos que buscar nesses aparelhos altamente especializados. Caças bipostos tem outra finção, além de ter um custo muito elevado de aquisição e operação, para essa finalidade.

  10. Off -Topic
    Aos profissionais e leitores do blog que tiverem conhecimento sobre o assunto gostaria de uma explicação se possível.
    A minha dúvida é como é definido por cada força seu campo de atuação. Li em vários artigos sobre a recente aquisição pelo exercito das aeronaves C-23 para o transporte e pelo interesse da marinha na aviação de patrulha baseada em terra. Tenho ciência que a FAB ficou responsável por toda a aviação antes da entrada na segunda guerra, e dos decretos que limitam a atribuição de cada força nessa âmbito, mas desconheço no que eles são baseados, e muito menos encontrei artigos informando isso.
    Nos ‘copiamos’ o padrão de alguma força, ou comum acordo entre as forças armadas?
    Essa dúvida não fica só sobre a aviação, por exemplo a Brigada de Infantaria Pára-quedista é atribuída ao Exercito mas é uma força aerotransportada, não seria melhor ser atribuída a FAB?
    Agradeço desde já atenção, e se for possível sanar meus questionamentos!

    • Andrew, a MB é responsável pelos navios e o combate no mar, o EB é responsável pelas forças terrestres (infantaria, cavalaria e artilharia, basicamente) e pelo combate em terra, e a FAB é responsável pelos aviões e pelo pelo combate no ar. Simples assim, resumidamente. A MB e o EB tem aeronaves a fim de apoiar as suas operações, no mar e em terra, respectivamente.
      Missão síntese da FAB: manter a soberania no espaço aéreo, com vistas à defesa da pátria.
      Os caças da MB podem efetuar defesa aérea? Sim, claro. Complementando as operações da FAB. Os C-23 do EB podem fazer transporte aéreo logístico em apoio às sua tropas? Sim. Podem lançar páraquedistas? Sim, se assim desejarem.
      Por que a BdaInfPqdt não é da FAB? Porque essa tropa especializada cumpre as missões designadas ao EB, e ser Pqdt é somente uma capacidade e especialização. Quando tocam o solo, sua missão não tem nada a ver com a FAB.
      Há um decreto regulamentando isso? Sim. Quem coordena tudo? O MD, por meio do Chefe do Estado-Maior Combinado de Operações Conjuntas, TB Baptista Jr., meu ex cmt. no 2°/6° GAV.
      Há uma coisa chamada Estrutura Militar de Guerra. Está tudo no site do MD. Acesse e leia a Estratégia Nacional de Defesa (END).

  11. este pilotos serão os inspetores de qualidade da FAB para aceitação de recebimento dos Gripen?
    Testarão e farão as doutrinas de voo e dos armamentos homologados?
    Uma baita responsabilidade, toda doutrina da FAB para o GRIPEN passarão pelas mãos destes Jovens e talentosos Pilotos

    • Não. Eles serão responsáveis pela qualificação, prioritariamente, de todos os armamentos e sensores que a FAB adquirir para o F-39. Quem fará os vôos de recebimento (produção) do F-39 na EMBRAER serão os pilotos da EMBRAER (ex pilotos de provas da FAB). A doutrina está a cargo do Grupo FOX e do 1°GDA, sob a supervisão do COMPREP.

  12. Uma duvida: os ensaios e testes de comissionamento de uma forma geral sao conduzidos por representantes do proprietario operador do equipamento. Havia entendido que os profissionais envolvidos na materia estariam sendo treinados justamente para essa funçao. Portanto, os ensaios referentes à aceitaçao de cada vetor seriam objeto de execuçao pela FAB ( com auxilio de pessoal da Embraer); quanto aos sistemas de armas, os mesmos seriam comissionados similarmente mas, sempre por pessoal da FAB. É isso mesmo?

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