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O F-35 chegou para ficar

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Trump criticou o custo do jato, mas apenas uma modesta encomenda da Marinha dos EUA está realmente em jogo.

F-35C e F-18 Super Hornet em testes de defletores - foto USN
F-35 e F/A-18 Super Hornet em testes de defletores – foto USN

Assim que foi eleito presidente dos EUA, Donald Trump desperdiçou pouco tempo questionando publicamente a plataforma de combate mais cara do Pentágono, o F-35 Joint Strike Fighter da Lockheed Martin Corp.

“Baseado nos altos custos e nos custos excedentes do Lockheed Martin F-35, eu pedi para que a Boeing forneça o preço de um F/A-18 Super Hornet compatível!”, escreveu Trump no Twitter em dezembro. Dias depois da posse de Trump o Departamento de Defesa dos EUA começou uma avaliação formal para determinar os custos e as capacidades de um F/A-18 Super Hornet modernizado, aeronave esta que ficou famosa na televisão e no cinema sempre que há um porta-aviões navegando.

A proposta atualizada, um conjunto de modificações que a Boeing tem oferecido para eventuais novas aquisições do F/A-18, agora volta repentinamente ao jogo.

Dado todo o clamor sobre os custos do programa, alguém eventualmente pode imaginar que o programa do F-35 corre grave perigo. Mas até agora a Lockheed tem poucas razões para se preocupar com o destino do programa do Joint Strike Fighter de US$ 380 bilhões, o sistema de armas mais caro da história dos EUA. O Pentágono planeja adquirir 2.443 dos jatos, sejam eles Super Hornet ou não.

O F-35 é um caça de ataque furtivo projetado para a Força Aérea, para o Corpo de Fuzileiros Navais e para a Marinha com diferentes especificações para cada serviço. As declarações de Trump têm contornado largamente o fato de que eles são três aviões significativamente diferentes. Na verdade, qualquer ameaça financeira para Lockheed sobre as ordens F-35 recaem apenas sobre o F-35C, a versão que está sendo adquirida pela Marinha que, por coincidência, é o ramo que tem mostrado menos entusiasmo para o jato.

A Marinha tem ordens de compra para 260 F-35C em comparação com os 1.763 F-35A para a Força Aérea. O Corpo de Fuzileiros Navais está comprando 420 F-35, incluindo 80 do modelo projetado para a Marinha. Para a Marinha uma vantagem que o Super Hornet tem são seus dois motores, como o F-14 Tomcat que o precedeu. É uma configuração que favorece os aviadores navais que muitas vezes operam longe da costa e devem pousar em porta-aviões. O F-35 é um caça monomotor.

Mesmo assim, a Marinha não pretende dar as costas para o novo jato furtivo. A Marinha não pretende fazer escolhas entre um lutador de “quarta geração”, como o F/A-18, e o F-35 de “quinta geração”. Ele precisa de ambos, de acordo com o almirante John Richardson, chefe de operações navais.

“Nós sempre tivemos uma espécie de abordagem mista sobre isso”, disse Richardson em janeiro em uma discussão da Defense One em Washington. “Precisamos do F-35. Essa será a nossa capacidade de 5ª geração, porque precisamos ser competitivos. Mas isso será complementado por um quadro saudável de avançados Super Hornet também. “Richardson acredita que os comentários de Trump estejam mais focados no custo geral do F-35 e não nas habilidades do caça. “Precisamos dessa capacidade e precisamos obtê-la ao melhor preço possível que pudermos para o contribuinte”, disse Richardson. “Nós também precisamos do Super Hornet. Essa é a nossa estratégia para o futuro”.

O preço de um F-35A caiu 8% no ano passado e cada um custa agora menos de US$ 100 milhões. As outras variantes custam mais. “Até o final da década o custo será igual ou menor do que uma aeronave de quarta geração”, disse Michael Rein, porta-voz da Lockheed Martin em Fort Worth, Texas, onde a empresa faz a montagem final do F-35.

Ainda não está claro o quanto o novo F/A-18 da Boeing pode custar mais do que o preço atual de US$ 70 milhões por aeronave. Também é difícil prever quanto os orçamentos de defesa crescerão sob a administração Trump e se haverá financiamento suficiente para comprar ambos os aviões.

Além disso, o F-35 da marinha não estará operacional até agosto de 2018, tornando-o um alvo mais fácil para cortes de produção.

Naturalmente, uma ordem reduzida de F-35C da marinha poderia também aumentar o custo dos F-35 que a Força Aérea e os fuzileiros navais estão adquirindo, complicando mais os esforços para conter o custo total do programa.

“Nós não vemos isso como uma ameaça”, disse Rein sobre o renascimento do Super Hornet. “Só nos últimos três meses e meio conseguimos uma encomenda para mais 147 jatos, por isso estamos muito satisfeitos com o nosso programa agora”.

FONTE: Bloomberg (tradução e adaptação do Poder Aéreo a partir do original em inglês)

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Clésio Luiz
Clésio Luiz
3 anos atrás

Tem havido um esforço, no final do governo de Obama e agora no de Trump, de colocar a Lockheed na linha, de forma legal, por causa dos contratos assinados na década passada. Ninguém que seja da área de defesa acredita que o governo americano seja tão burro de pensar que o Super Hornet pode ter todas as capacidades projetadas para o F-35. Mas a mídia americana não tem poupado esforços em colocar as declarações de Trump na pior ótica possível, num revanchismo que parece similar demais ao que se vê por aqui nos defensores de um certo partido… . Não… Read more »

Ivan
Ivan
3 anos atrás

Clésio,
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Muito bem lembrado!
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Concorrência serve para isso também.
Afinal, ficando um fornecedor sozinho, ‘todo senhor da situação’, cria uma vulnerabilidade perigosa para o comprador, nos casos em tela as forças aéreas ianques.
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Abç.,
Ivan.