A Saab, em seu canal no Youtube, divulgou dois vídeos com apresentações aéreas do caça Gripen C na feira aeronáutica internacional de Farnborough 2016, na Inglaterra. O vídeo acima, publicado hoje (14/7) e com pouco menos de dois minutos de duração, mostra partes da apresentação feita pelo piloto Peter Fallen, das Forças Armadas Suecas.

Já o vídeo abaixo, publicado ontem, tem pouco mais de oito minutos de duração.

17 COMMENTS

  1. Uma pena que Farnborough está nublado esse ano, isso limita muito as demonstrações aéreas por causa do teto baixo, e demonstra a eficácia das camuflagens cinza usadas nos caças nas últimas décadas…
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    Já vi gente dizendo que show aéreo não é útil para medir o desempenho de caças, no que discordo.
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    O que o show aéreo não mostra é o envelope completo da aeronave, obviamente, apenas o que ela pode fazer a baixa altitude e velocidades subsônicas. Porém, essas demonstrações são cuidadosamente feitas para mostrar os pontos fortes das aeronaves e esconder os fracos. Isso é muito útil para que sabe o que está vendo.
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    As demonstrações de caças como o Gripen, Rafale e F-16, por exemplo, procuram mostrar as altas taxas de curva sustentada que essas aeronaves possuem, atualmente as melhores no ocidente em velocidades subsônicas. Já os Mirage 2000, Eurofighter, F-35 e a família Hornet são tão boas quanto em curvas instantâneas (de curta duração), mas ruins em curvas sustentadas, então suas demonstrações focam nos pontos fortes, como boa relação peso-potência (em manobras verticais), altos ângulos de ataque e velocidades baixas (a famosa passada com nariz empinado). Os Fulcrum e Flanker são bons em tudo, então para sobressair da multidão apelam para manobras com ângulo de ataque extremo, que alguns dizem ser inúteis em combate mas recorrem a elas quando é conveniente (no caso do Hornet e do F-35).
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    Dito isso, essa demonstração do Gripen monstra várias coisas:

    – A combinação “close-couped” canard e asa-delta de enflechamento moderado completamente eliminou os problemas de curva sustentada que os delta puros sempre sofreram. Agora 2 dos 3 melhores caças ocidentais (F-16, Rafale e Gripen) em curva sustentada são deltas;
    – O Gripen tem uma das mais fracas relações peso-potência entre os caças de 4ª geração, então seus loopings são feitos com baixo G e a famosa subida vertical após a decolagem não é praticada;
    – A aeronave se comporta bem a baixas velocidades e altos ângulos de ataque;
    – As taxas de curva sustentada e instantânea foram demonstradas em uma única manobra (no segundo vídeo aos 4:23m), onde ele executa uma curva de 180° de alto G em menos de 10 segundos e abusa da curva instantânea para atingir os 270° em apenas 11 segundos depois de iniciada a manobra;
    – A baixa velocidade de pouso para um delta, com os canards e os elevons abaixados para gerar sustentação (coisa impossível num delta puro);
    – O pouso “naval”, com toque violento na pista, sem arredondamento, e a curtíssima distância de pouso sem auxílio de reverso ou paraquedas de frenagem.

  2. Clésio Luiz,

    ” O Gripen tem uma das mais fracas relações peso-potência entre os caças de 4ª geração, então seus loopings são feitos com baixo G e a famosa subida vertical após a decolagem não é praticada;”
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    Clésio,
    Acredito que essa deficiência foi resolvida com o incremento da nova motorização GE-F414
    Já lí que apesar do ligeiro aumento de peso da nova versão do Gripen (E/F) a relação peso-potência com esse motor, chega a 1:1.

  3. Esses Suecos são espertos. O país que comprou, ou promessa de compra, manda uma maquete e nem dá as horas para um evento importante, como as Olimpíadas, que até seria uma vitrine boa, em um sentido amplo. Por outro lado, faz peripécias na Inglaterra, será que o dinheirinho deles é perfumado? Ou somos clientes de segunda classe? Aeronaves escolhidas pelo processo licitatório de melhor custo benefício, poderia ser emergencial de caráter de altíssima segurança, e também, por estar envolvida a vida das pessoas que operam e mais importante nós cidadãos, por muito, sobreviventes brasileiros os quais em sua grande maioria de boa fé. Sou critico sim, a cerca desse assunto, porque sou contribuinte e teria, em tese, que ver de perto a plataforma que está sendo ou será vultuosamente adquirida. Contudo, ótima matéria.

  4. Roberto, eu tenho um projeto na minha cabeça que ainda não passei pro papel, porque acho que seira interessante debater antes os requerimentos em que baseei ele. Caso esses requerimentos sejam inválidos, acho que o projeto não será feliz.
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    1- Um projeto stealth, supercruise, pequeno e barato, com menos ênfase na furtividade e mais no desempenho supersônico (antagônico ao que você propôs a algum tempo);
    2- O armamento a ser transportado internamente se restringe a um par de Mk.82 guiadas ou 4 SDB e um par de AAMs IR, os mais estreitos possíveis, como o A-darter ou o ASRAAM; No lugar das bombas, espaço para um par de AAMs guiados por radar;
    3- Qualquer alvo que uma Mk.82 não puder dar conta se torna algo estratégico, portanto será bem defendido e deverá ser atacado por um míssil de cruzeiro furtivo, como o MBDA Apache.
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    O terceiro ponto é fundamental e o que eu mais queria discutir. Um compartimento interno de armas pequeno permite um caça pequeno, leve e barato. Se é pequeno tem menos arrasto e precisa de menos combustível para atingir a mesma distância. Menos combustível leva à menos peso. Menos peso leva a um menor custo de compra e manutenção.
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    Alvos que precisem de uma Mk83 ou Mk84 são alvos grandes, logo são bem defendidos, com mais radares, AAA e interceptadores. Mas ao mesmo tempo são menos numerosos. Então o raciocínio é, ao invés de gastar os tubos com um caça caro capaz de levar a Mk.83/84 lá, para enfrentar todas as defesas, para uma quantidade limitada de alvos, porque não usar mísseis de cruzeiro furtivos para isso? Assim o caça os transporta externamente, longe das defesas. Um caça furtivo transportando um míssil desses externamente ainda terá menor RCS que um convencional de 4ª geração, podendo ainda obter surpresa no ataque, pois os lançará de longe, onde o acréscimo de RCS ainda não garantirá a detecção pelo inimigo. Assim a furtividade e o supercruise podem ser empregados em supressão de defesas e obtenção de superioridade aérea, coisas que podem ser feitas com armamento leve.

  5. Bruno, acho que não resolveu não. Ao mesmo tempo que houve um acréscimo de 2T no empuxo disponível, houve também um aumento de cerca de 1,3T no peso vazio e 40% no combustível transportado internamente. Então acho que o aumento de desempenho não deverá ser muito expressivo.

  6. Prezado Clésio

    – A baixa velocidade de pouso para um delta, com os canards e os elevons abaixados para gerar sustentação (coisa impossível num delta puro);
    – O pouso “naval”, com toque violento na pista, sem arredondamento, e a curtíssima distância de pouso sem auxílio de reverso ou paraquedas de frenagem.

    Esta características mencionadas, parecem favorecer o pouso em porta aviões, dispensando algumas traquitanas como o gancho de parada.
    Você sabe dizer, se os estudos de navalização do Gripen apontam nesta direção ?

  7. Walter, pode não parecer, mas aquela corrida de pouso foi mais comprida que o convés de um Nimitz, então ele ainda precisaria de gancho de parada. Imagino que o Gripen, por já ser projetado para pousos “violentos”, ganharia menos peso numa versão naval do que um F-16 ou um Mirage 2000, por exemplo.

  8. Roberto, no seu outro comentário você forneceu um link sobre avaliação de desempenho em manobras, achei o texto “spot on” no assunto.
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    A base do meu projeto está justamente no importante fator de “empacotamento” das armas transportadas internamente. Como a intensão é um caça leve, logo o armamento tem que ser leve também, daí a necessidade de armas compactas. O F-22 foi projetado para levar o AIM-9L/M internamente. Fosse ele projetado tendo em vista o AIM-9X, aquele compartimento que você mostra no vídeo seria bem menor. O J-20 chinês tem um compartimento lateral mais simples do que o Raptor, porque o PL-10 já é um míssil menos volumoso que o Lima/Mike que o F-22 tem que transportar. A minha intenção é um míssil mais compacto ainda, o A-Darter ou o ASRAAM, onde o maior volume é na cauda, que poderia com pouco esforço ser dobrável.
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    O que eu pretendo não é uma cópia do F-16 “furtivado”, mas um exercício mental de manipulação dos volumes do Viper ajuda a visualizar o que eu pretendo e a validar os dados de volume e peso. Olhando o F-16A de lado, com seus 7.300 Kg vazio, imagine a mudança do motor F-100-PW-220 por um EJ200. Este é ~500 kg mais leve, 90 cm mais curto e 44 cm mais estreito. A diferença de empuxo seco é pequena e existe planos de igualhar. Um F414 também serviria, embora seja um pouco mais largo e pesado.
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    Agora o pulo do gato: imagine o motor sendo deslocado acima da linha da asa. O volume atrás do piloto aumenta, mas a área frontal permanece a mesma. Agora remova o trem de pouso principal do ventre e o coloque na raiz das asas, recolhendo para frente ou para trás. O que sobrou? Um grande volume no ventre da aeronave, sem nenhum aumento da área frontal. Isso é importante por causa do arrasto.
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    Se deslocarmos a tomada de ar um pouco para frente, podemos colocar 2 AAM IR estreitos (A-Darter) em cada lado do trem dianteiro. O local no ventre onde ficava o trem principal e o motor está vago agora e cabe perfeitamente as duas Mk.82. O volume para combustível interno continua o mesmo ou até foi até ampliado, devido ao menor comprimento do motor. Troque o M61 com 500 projéteis por um canhão revolver com 120 e ganhamos volume de novo. Então temos um caça com o mesmo comprimento do F-16, com compartimento de armas interno, mais volumoso, porém com a mesma área frontal, ou seja, o arrasto pode ser contido.
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    E tem mais. Vamos usar uma asa de maior área inteiriça (passando por dentro da aeronave), como no Phantom ou F-5, para economizar peso e criar volume para combustível. Vamos trocar o enorme e pesado canopi em bolha por algo menor e com menos arrasto, algo como no F-104 ou F-20. Perde-se em visibilidade um pouco mas pesa menos e ajuda no arrasto. Vamos trocar a cauda do F-16 por uma em V, menos peso e menos arrasto, menor RCS.
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    A intenção é não passar das 8 toneladas vazio e um volume interno de 5.000 litros (4.060 l para o F-16), valores do F-8 que, com um gastador (para os padrões atuais) J57 atingia 700 km de raio de ação com combustível interno. Um caça com motor moderno como o F414 ou EJ200 poderia facilmente igualhar e ultrapassar esses valores do Cruzader.
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    Vou ficar por aqui para não aumentar ainda mais o texto, mas esses são os pontos básicos. A justificativa de cada um deles posso fazer depois. Mas o principal é área frontal. Piloto e tomada de ar são item inescapáveis. Então escondi o motor atrás do piloto e o armamento atrás da tomada de ar.

  9. hum, não Bardini. O Mirage tem tomadas de ar laterais e a asa não passa por dentro da fuselagem. Esse projeto que estou estudando teria a fuselagem mais parecida com o F-16 ou Typhoon.

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