Primeiro ataque Rafale ao EI no Iraque - foto 3 Min Def França

Diretor Executivo Eric Trappier diz que preço do caça foi bastante reduzido e que a Índia ‘pode contar com a França e a Dassault’

Reportagem da Reuters publicada na terça-feira, 31 de maio, trouxe declaração do diretor executivo da Dassault Aviation, Eric Trappier, de que a empresa está pronta para concluir a venda de seu caça Rafale à Índia “a qualquer momento” e que “a bola está no campo do governo indiano”. 

A declaração foi dada em entrevista ao jornal francês Les Echos. Perguntado sobre notícias publicadas na mídia indiana, de que uma garantia bancária foi requerida para o contrato de venda de 36 caças Dassault Rafale para a Índia, o executivo respondeu que não era o caso, pois o acordo já estava garantido pelo governo francês.  

Essa questão das garantias foi abordada em reportagem do jornal Indian Express publicada na quarta-feira da semana passada ( 25 de maio). Segundo o jornal indiano, o lado francês teria rejeitado um pedido da Índia para uma garantia soberana ou bancária para o acordo, tendo enviado no lugar uma “carta de conforto” de seu primeiro-ministro.

Rafale na Operação Chammal - detaque de foto via Min Def da FrançaMelhor oferta – Falando de cartas, a reportagem da semana passada afirmou que o governo da Índia ainda precisaria responder, seja verbalmente ou por escrito, a uma carta enviada em 1º de abril pelo ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, para o ministro da Defesa da Índia, Manohar Parrikar. Na carta, segundo fontes, estaria a “melhor oferta” que a França ofereceu para a Índia no acordo governo-a-governo para a venda dos 36 caças Rafale: da oferta inicial de 10,5 bilhões de euros, o valor teria caído para cerca de 7,8 bilhões de euros, após os indianos terem pedido um desconto de 30%.

Porém, fontes do jornal afirmaram que há diferenças entre as duas ofertas: o período de apoio aos caças teria caído de 10 anos para 5, e a proposta não incluiria mais o custo de implantar infraestrutura em duas bases, cada uma operando um esquadrão de caças (uma delas seria na região Leste, em face da ameaça chinesa, e outra no Norte). Outros detalhes da oferta são o pagamento de 15% do valor do contrato no ato da assinatura. Os primeiros caças seriam entregues em até 36 meses da assinatura do contrato, com os últimos chegando à Índia em sete anos.

Rafale na base de St Dizier - foto K Tokunaga - Dassault

Customização com desconto – Apesar de se tratar de uma compra informada como “de prateleira”, diretamente do fabricante, o que pressupõe mudanças mínimas na configuração e sem fabricação local de partes do caça, a Índia pediu algumas customizações, que incluem um visor montado no capacete de procedência israelense e sistemas de armas de terceiros.

Porém, segundo as fontes do jornal, apesar dessas modificações em relação ao padrão fornecido pela Dassault à Força Aérea Francesa, o governo francês concordou com um desconto entre 7 e 8% no valor que ele mesmo paga pelos seus caças à Dassault.

Rafale - foto V Almansa - Dassault

Índia pode contar com a França – Voltando ao conteúdo da entrevista de Eric Trappier ao jornal Les Echos, o executivo disse ao jornal francês que “todos os requerimentos (da Índia) foram atendidos e que nós reduzimos bastante o preço”. Ele destacou que, no passado, a Índia usou caças franceses todas as vezes em que entrou em conflito, e que por isso “sabe que pode contar com a França e com a Dassault”.

Sobre o Rafale ter conquistado recentemente suas primeiras vendas de exportação (Egito e Qatar), após anos de tentativas mal-sucedidas, Trappier afirmou que “o perfil de vencedor é bem mais fácil de vestir do que o de perdedor”, mas ressaltou que, com o Rafale, foi possível evitar algo que considera fundamental: “Ele preveniu uma total dominação americana. É um orgulho nacional termos sido bem-sucedidos num avião que cumpre suas missões, como demonstrado hoje no Oriente Médio, e que foi exportado.”

Rafale com ASMPA - foto 2 Força Aérea Francesa

FOTOS (em caráter meramente ilustrativo): Dassault, Força Aérea FrancesaMinistério da Defesa da França

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45 COMMENTS

  1. kkk vão pega-los no suporte… cansei de ver isso em projetos, vc vende o hardware barato, mas quando eles precisarem de uma parafuso…eu vendias as pecinhas ^^

  2. A Índia deveria ter cancelado esta compra a muito tempo, sendo enrolada pelos franceses. Que como sempre superfaturam seus produtos de defesa.
    A melhor escolha deveria ter sido desde o começo o SU-35.

    O Sukhoi SU-35 é um verdadeiro caça de superioridade aérea impõem respeito. Ele é perfeito para a Índia (tecnologia, desempenho e custo beneficio).

    Sou um fã do Sukhoi desde salão de Le Bouget quando realizou a famosa manobra cobra. Quanto à manobrabilidade quero fazer uma exposição particular sobre essas manobras:

    Se o SU-35 for traqueado em algum radar com essa manobra o seu oponente com certeza o perderá da tela do radar. Valido também para mísseis ar-ar. Senhores convenhamos mesmo mísseis manobrando a 50 g tem feixe estreito, basta sair desse feixe que o míssil passa batido. Os mísseis além do horizonte precisam de orientação de meio curso.

    O motor russo tem o consumo especifico, em todos os regimes, menor que os americanos e europeus mais vetoração de empuxo em três eixos.

    Os concorrentes da Sukhoi deveriam enaltecer as qualidades dos seus produtos e as contrapartidas comerciais. Isso de desmerecer o que eu considero o melhor caça da atualidade (mesmo com os F 22 voando por ai).

    Aceito o Rafale se realmente houver um comprometimento tecnológico verdadeiro. Mas o único oponente, ao qual ele se torna vulnerável chama-se “lobby”.

    Sukhoi Su-35 – O Exterminador de canalhas!

  3. Ocidental Sincero, deixe o vídeo game e o antiamericanismo de lado e pense:
    – Se o piloto tentar executar uma Cobra de Pugachev em velocidade de combate, ou ele morre ou a manobra não será realizada.
    – Se o caça estiver com pouca energia no momento do combate, ele realiza a manobra e perde o combate.

    Em um combate ar-ar energia é igual a vida. Se eu estivesse numa situação de combate ar-ar 1×1 ou 1×2, iria preferir estar dentro de um F-16 ou MIG-29, não tenha dúvida disso.

    Save Ferris!

  4. Reinaldo Deprera: Em um combate ar-ar preferir estar em um F-16 ao invés de um Su-35 é no mínimo intrigante, para não dizer outra coisa.

  5. Os caças da família Su-27/30/35, junto com Rafale e Super Hornet, na minha opinião, são os mais bonitos atualmente voando pelos céus do mundo…..mas discordo do Ocidental sincero em alguns pontos: a manobra cobra de Pugachev tem pouca valia em combate tipo dogfight, pois precisa ser realizada em velocidades relativamente reduzidas e causa perda de energia no eixo longitudinal da aeronave. Em combate próximo, energia e velocidade são absolutamente essenciais. Em combate BVR também tem pouca valia, pois só pelo RCS dos caças russos fica praticamente impossível fugir da detecção pelos radares AESA hoje em serviço nos caças ocidentais. Mísseis atuais, como o Iris-T, chegam a realizar manobras de até 100 g.Quanto ao “feixe reduzido” dos mísseis atuais poderia discorrer um pouco sobre isso???

  6. Ocidental Sincero:
    .
    Os indianos sendo enrolados pelos franceses? Quem é o cliente aqui? Agora surge essa! Não, realmente os franceses são o mal do mundo, pois chegam a enrolar o ‘cliente’ antes mesmo de tê-lo como tal…
    .
    Oferta na porta da índia não pára de bater: Gripen, F-16V, EF-2000, F/A-18… a todo o momento. Mas eles continuam sendo enrolados pelos malvados dos franceses com a Le Jaca, que é cara e de efetividade duvidosa. Pobre indianos…
    .
    Sds.

  7. No calcul de la boulangerie cada Rafale “de prateleira” (e seus add-ons de manutenção, etc.) sairá para a Índia pela bagatela de US$ 241 milhões. Ainda não sei o real motivo da Índia ter escolhido o caça francês, talvez o fato de já operarem os bem sucedidos M2000, ou algum outro motivo obscuro que costuma ofuscar governos de países emergentes mundo afora.
    .
    Acredito que talvez o Rafale “se pagaria” caso os hindus mantivessem a quantidade inicial de 126 unidades, o que certamente traria um grande crescimento tecnológico para a HAL.
    .
    Agora, em minha opinião, como a quantidade foi reduzida, o certo seria os indianos partirem para uma opção mais racional, econômica e com uma das maiores escalas de produção para um caça: F-16IN Super Viper, versão feita para a Índia baseada no F-16E/F Block 60 com tanques conformais, radar AESA AN/APG-80, IRST e suíte de guerra eletrônica.

  8. Edgar, dificilmente os Indianos escolheriam o F-16, o mesmo caça do seu arqui rival Paquistão. Acho que as autoridades Indianas já deixaram isso bem claro tanto para Lockheed Martim, como para o governo americano, se eles escolherem um caça americano, o que eu acho difícil, será o F-18 da boeing

    • Jr, se for por questões de rivalidade, Israel, Jordânia e Egito são operadores do F-16, e a “chapa esquenta” bem mais no OM do que na Caxemira.

      Fato é que se a IAF tivesse escolhido um caça americano ainda em 2012, agora, na metade de 2016, já disporia de algumas unidades em operação.

  9. Cobra de Pugachev?
    Ninguém realiza mais ela nos exercícios. Por quê? Todo mundo já aprendeu a anula-la nos dogfighters.
    Uma das coisas simples é um 1/2 Oito Cubano invertido seguido de um yo-yo oposto ao 1/2 Oito. O Su (qualquer coisa) é pego sem energia no fim da “cobra”e com o caça inimigo cheio de energia ao fim do yo-yo. – Mas vc pode simplesmente seguir no 1/2 Oito Cubano invertido e ir embora.

    Outra forma de combater a “Cobra” é com um High Yo-yo, mas ai a janela da manobra é muuuuito apertada. – No fim, uma Pugachev’s Cobra é muito bonita em apresentações e nenhum piloto vai apostar sua vida em uma manobra que reduz sua energia em 75% por tanto tempo. ENERGIA é TUDO.

    Grande Abraço.

  10. Esses comentários estão me lembrando as aulas que tive em Miramar, quando fui aluno TopGun pilotando meu F-14 Tomcat, nos idos de 1985.

  11. Republicando:

    A Índia tem como doutrina ter aviões de combate de pelo menos 3 fornecedores de blocos geopolíticos distintos. Para fortalecer sua indústria, quer avião dela também.

    A Índia hoje tem cerca de 12 modelos de aeronaves de combate. ela quer reduzir para 4 ou 5.

    Seria um russo (SU 30), dois indianos (Tejas e PAk FA-Rússia e ìndia) e mais um ocidental.

    Este Ocidental seria o Rafale, mas a Índia já fala em 2 modelos ocidentais.

    Olhando a salada um pouco mais a fundo segundo (en.wikipedia.org/wiki/List_of_active_Indian_military_aircraft):
    Força Aérea:

    Su-30MKI 242 + 30
    tejas 9 + 119
    MIG 29 59
    MiG-29UPG 10
    M2000H 39
    M2000TH 9
    M2000I/TI 2
    Mig 21 245
    Jaguar 145
    MIg 27 85
    Aviação naval:
    Mig 29 39+6
    Sea Harrier 11 (saindo de serviço)

    A ‘doutrina’ indiana nem é das piores. Ela seria (no papel, claro):
    – Índia quer fornecedores de pelo menos 3 países diferentes, e pelo menos 1 fora da OTAN;
    – Índia quer reduzir seus pelo menos 12 modelos/versões de caças para uns 5 (Tejas, PAK-FA, Su 30 + 2 ocidentais)
    – Ìndia quer adquirir linhas de produção locais (as chamadas 2 pedidas)
    – ìndia quer desenvolver sua própria força.

    Mas outros fatos mostram um festival de lambanças e cenário hostil.

    – Não estão cuidando do que já têm;
    – Têm um horroroso processo de compras de material e serviços;
    – Estão cercados de outras forças que estão se equipando enquanto ela fica de trololó e fazendo docinho a fornecedores;
    – Têm um passivo social enorme, o que não permite ficarem brincando de torrar grana;
    – Já são vizinhos do Oriente Médio, que está pegando fogo. Ainda tem do outro lado o cenário militar que mais esquenta;
    – Ao Norte tem o Paquistão e a rixa secular.

    Resumindo: não podem se dar ao luxo de tanta besteira.

  12. Ocidental Sincero, o F-16 e o MIG-29 são caças mais ágeis do que a família Flanker e igualmente eficientes no arrastro aerodinâmico, sendo que, dos dois, iria preferir o F-16 por ter melhor: relação peso potência e taxa de rolagem. Rolar mais rápido com mais energia, isto é, mudar a direção de voo do caça mais depressa que o seu oponente possa acompanhá-lo, significa para um bom piloto uma ótima oportunidade de brincar de:
    – Estola neném
    – Ou, check six

    É claro que estamos falando de dogfight, visto que a intenção aqui é desmistificar a Cobra de Pugachev.

    Taxa de rolagem superior
    +
    Sobra de energia
    +
    Conhecimento de manobras e táticas de combate
    =
    Homicídio

    Save Ferris!

  13. O YF-17 perdeu para o YF-16 nos anos 70. Os indianos sabendo disso se caso fossem escolher um caça ocidental, não fariam a mesma comparação do F-18-E com o F-16 blok 50 ou 60 nem sei mais qual block que esta hoje….

  14. Os indianos não estão sendo enrolados pelos franceses. Está acontecendo o inverso e se a bola está mesmo com os indianos vamos ver aquela cera de jogador fingindo contusão, goleiro pegando bola lenta e voando. Vão fazer isto até terminar o jogo…

    Se com toda esta enrolação os indianos quisessem algum avião de verdade, se fosse mesmo culpa dos franceses eles teriam chamado a Eurofighter e pego o L2…

    Simples assim..

    A grana está curta, o Tejas está quase concluindo e pelo que eu entendi não ficou ruim..

    Os indianos ainda tem que pagar o T50 e a reforma do M2000.

    Vão continuar com origens diversas sem pegar o Rafale.

  15. A India não deveria ter tantos aviões de origem diferentes,dizem que querem ter só 5 modelos,isto de 5 já é um exagero, imagine pro pessoal da força aerea ,manutenção logistica ,pilotos deve ser uma bagunça só. Tem uma População imensa e frágil com bastante demanda por tudo. Deviam ter uma força aerea enxuta e eficaz gastando recursos com Inteligência. Eu acho que a Oposição é fraca alias fraquissima,alias na Marinha operam varios equipamentos estrangeiros diferentes também.Os Marajás e os politicos lá devem nadar na ignorância do povo.Sempre tivemos certa simpatia pelos Indianos mas o que é lá uma Ditadura , uma democrácia,umcomunismo disfarçado,uma mistura de varias ideologia,

  16. A índia tem um PIB bem inferior ao nosso.
    Militarmente tem várias vantagens, inclusive mísseis e número de caças.
    É um país com mais de um bilhão de habitantes, pobre, PIB não é dos mais baixos do mundo.
    Mas compra armas com certa facilidade.
    De onde tiram dinheiro? Gastam menos com efetivo?
    Costuma-se medir o PIB dos países em dólar.
    Mas se a renda, em dólar, for baixa, de repente, o gasto com pessoal não é tão alto…

  17. Ocidental Sincero, vc só pode estar brincando. essa Cobra de Pugachev é o mesmo que o maverick e sua manobra secreta em top gun. cresce mano. larga o atari.

  18. Os hindus sabem exatamente o que querem e os franceses também, só não querem pagar o preço. O Rafale é o único caça ofertado que “poderia” carregar armamento nuclear e acredito, desde o princípio da negociação, que este é o único motivo para insistirem tanto nisso. Não sei se integraram secretamente alguns Mirage 2000H como vetor nuclear, se já tentaram ou se tiveram intenção de fazê-lo, mas de fato lhes falta um vetor aéreo para a função e o caça atual mais próximo de realizar isso é justamente o Rafale.

    Abraços

  19. Carlos: Acho que matou a charada.

    Um dúvida: o que é necessário para que o caça possa levar arma nuclear?

    A princípio, é uma ‘bomba’ ou ‘míssil’ como qualquer outro. Vamos lá no software, colocamos toda a codificação da arma, atualiza e pronto. O que mais é necessário?

  20. Não sou conhecedor do assunto mas, no dogfight a questão de ganhar quem tem mais energia e mais velocidade, o su-35 consegue apontar o nariz para qualquer direção a baixa velocidade então do que adianta estar a alta velocidade e energia voando 2 km a frente do su-35 se ele pode simplesmente apontar o nariz para direção do adversário? Ou o su-35 não tem essa capacidade?

  21. Ednardo,
    Não sei se tem país mais bagunçado que o nosso. Só como exemplo, a quantidade de assassinatos na Índia com 1 bi de habitantes é bem menor que no brasil com 200 milhões. Ou seja, mesmo que fosse igual (o que não é) ainda assim aqui mataríamos mais de 5 x mais que lá, apesar de por aqui a religião vigente é a Cristã. Com seus milhões de deuses (na verdade lá eles têm a integridade de confessarem que cada um tem um visão pessoal de Deus) eles são mais pacíficos e benevolentes que nós que só temos um (ou alguns). Aliás e mudando de assunto, até hoje não entendi o porque da visão monoteísta ser considerada uma “evolução” em relação à concepção cosmológica/existencial.
    Quanto às armas nucleares, não há nada demais que uma aeronave precisa ter para lançá-las, desde que elas estejam integradas a ele e ele homologado a operá-las.
    Existem bombas nucleares em “maletas” e levados por seres humanos e se um homem pode fazê-lo um caça (qualquer que seja) também o pode.

  22. Ocidental,
    Outros caças realizam a manobra “cobra”: https://www.youtube.com/watch?v=RJO0KzTgcMI
    Com essa manobra os russos imaginavam poder fugir dos radares com efeito doppler a ponto dos F-15 entrarem que já lançaram os mísseis Sparrow entrarem no alcance dos seus mísseis de curto alcance, mas ela não funciona contra radares AESA e a tática em geral não funciona contra mísseis ar-ar autoguiados como o Amraam.
    No combate aproximado na era dos mísseis com alto HOBS e designados por capacete essa manobra, como já foi dito, seria suicídio.
    Ela só é eficaz se o combate for dog fight na base do canhão já que permitiria ao caça sendo perseguido ficar na traseira do perseguidor. Isso não é muito usual, e na base do treino essa vantagem pode ser evitada.
    Melhor que a Cobra de Pukashev é a “reversão” feita pelo AV-8 que nem por isso é considerado um exímio caça.

  23. Algumas questões para debate:

    a) e o empuxo vetorado nesse debate ? O F-22 tem.

    b) real e prática importância do “raio de curva” no combate moderno. Um míssil de 4ª/5ª geração, com HMD, não relativizaria a eficiência (manobrabilidade) do caça em curva ? Pelo menos onde ele pudesse enxergar o inimigo. Haveriam assim, ainda, as limitações originadas do fato de que a fuselagem impede que o caça veja e imediatamente passe a apontar o WVR para o inimigo. Mas, salvo engano, o F-35 possui um sistema “full”, que dá uma visão total ao piloto, permitindo disparos para onde antes seriam “pontos cegos”, ocultos pela fuselagem. Nesse contexto, curvar a 21º/s ou a 17º/s faria alguma diferença prática ??
    c) no BVR, maior capacidade de curva conferiria vantagem contra seu opositor ?

  24. Galli,
    Essa sua terceira questão me lembrou um “causo”: dois “amigos” estavam correndo de um onça quando um deles disse pro outro: “não sei por que a gente ta correndo da onça já que não adianta tendo em vista que a onça corre muito mais rápido que a gente” . Por sua vez seu “amigo” respondeu: ” Eu não estou tentando correr mais que a onça, estou tentando correr mais que você”.

    Voltando ao assunto, a vantagem que um caça tem em relação ao raio de curva no combate BVR deve ser relativo ao míssil e não ao outro caça. Um míssil se lançado fora da NEZ (com o propelente findo) em tese pode ser evitado com manobras evasivas e lançamento de chaffs.

    • Bosco e Galli, boa noite.
      .
      Nem tudo é garantido na tecnologia. Ela pode falhar, o jameamento do radar, as contramedidas diversas (e estas também podem falhar ou não…), o grau de furtividade dos adversários e até mesmo fatores imponderáveis podem levar o míssil a errar o alvo e fazer a luta descambar para o velho dogfight, onde a manobrabilidade, agilidade e retomada de velocidade / energia continuarão fazendo a diferença – isso tudo se combina com as outras tecnologias (HMD etc) para dar vantagens a um ou outro adversário, além das habilidades individuais, mas não necessariamente anula a necessidade de um caça manobrável, pois muitas vezes as tecnologias mais modernas não funcionam 100% na hora H.
      .
      Na matéria deste link abaixo, que publiquei há cerca de duas semanas, há no meio do texto a opinião de um piloto de testes justamente sobre esse tema. Apesar dos mais de 60 comentários, ninguém se aventurou a falar do assunto abordado pelo piloto, sobre o fim ou não do dogfight:
      .
      http://www.aereo.jor.br/2016/05/19/a-estrela-da-semana-foi-o-gripen-e-mas-a-saab-nao-se-esqueceu-do-gripen-c/

  25. Leo,
    um caça sem energia gera um disparo de míssil sem energia… um míssil sem energia pode perder até 2/3 (≈66%) de seu alcance e dificilmente atingiria seu objetivo. A maioria dos alcances divulgados dos mísseis são de um lançamento em condições ótimas e em um mundo perfeito, ou seja, na altitude “correta”, dependendo do míssil (BVR ou WVR), e na velocidade ideal maximizando o seu alcance.
    Ex:
    – o AIM-120 AMRAAM disparado em condições “perfeitas” tem velocidade Mach 4+
    – já o sistema SAM NASAMS que tb utiliza o AIM-120 mal chega a Mach 2.5 e por estar estático e no “nível do mar” (ar mais denso), mal tem 1/4 do alcance de quando disparado de um caça em sua “versão” ar-ar.
    Ps.: Um R-73 e seus ≈ 30 km de alcance mal terá 10 km de alcance, nessas condições de altitude energia baixas, e sua velocidade (≈ Mach 2.5) terá uma degradação de no mínimo 25% e chegando a 50% se ele tiver que puxar uns 50 Gs. O alvo ainda terá boas chances de escapar.

    Conclusão: é por isso que a mira montada no capacete é mais efetiva que o empuxo vetorado em aeronaves nos dogfighters, principalmente os de alta energia. O empuxo vetorado se mostrou muito mais efetivo, principalmente nos mísseis com alto HOBS somado a mira no capacete.

    Grande Abraço.

  26. Nunão,
    Só pra deixar claro a minha posição eu não considero que caças não precisam ser manobráveis, só acho que não precisam ser supermanobráveis como querem alguns apreciadores dos Sukhois e Rafales que viram e mexem querem alegar uma suposta superioridade inquestionável destas aeronaves tendo apenas esses termos em foco. Essa posição sempre foi colocada no passado em relação ao Super Hornet e hoje em dia em relação ao F-35.
    Hoje um caça não tem que ficar às 6 horas para poder combater tendo em vista a alta capacidade HOBS dos mísseis de curto alcance atual. Dentro desses parâmetros mais atuais relativo à capacidade dos modernos mísseis de 4ª e 5ª G o raio de curva, a taxa de giro, a retomada de velocidade, etc. podem ser mais relaxados inclusive para poupar custos de desenvolvimento, havendo sempre o limite da fisiologia humana. A alegada capacidade de “puxar” 9 g que alguns citam como essencial hoje é totalmente ineficaz frente aos modernos mísseis, tanto para fugir deles manobrando quanto para colocar o caça inimigo na mira do capacete. E salvo engano ser capaz de puxar 7 ou 8 ou 9 g não é tão significativo no combate com canhão.
    Um abraço.

  27. Bosco, ri um bocado do exemplo.. Então, no seu entender, no BVR, o raio de curva acaba sendo importante para evitar entrar no “arco” NEZ do míssil inimigo. Seria só isso ? Quanto ao item ‘b’ do meu comentário, diga-se que ele foi formulado com base em outro comentário seu aqui da trilogia, onde falou sobre a dinâmica do HMD do F-35 (que eu desconhecia).

    Nunão, eu salvei o artigo para ler no Pocket antes de dormir, mas acabei não lendo. Com sua venia, vou colacionar o trecho abaixo:

    “O piloto Wandt também destacou as vantagens de contar com o IRIS-T (visto nas imagens nos trilhos das pontas das asas), capaz de suportar grandes cargas G em suas manobras para atingir os alvos, em combinação com o sistema de mira montada no capacete – outro “game changer” para o piloto. Ainda assim, mesmo com o emprego desses novos mísseis e sistemas, Wandt não considera que o dogfight (luta a curta distância empregando manobras de combate aéreo) esteja morto. Isso porque as contramedidas também evoluem, assim como as capacidades furtivas das aeronaves de combate. Ambos os fatores (contramedidas e furtividade) se combinam conferindo boas possibilidades de que os engajamentos acabem se apresentando em curtas distâncias, onde as manobras de combate aéreo e a manobrabilidade dos caças continuariam fazendo a diferença – somadas à capacidade de mirar o IRIS-T em ângulos extremos”.

    No seu entender, mesmo com HMD/Iris-T, a maior capacidade de curvar ainda faria diferença no dogfight ?? Mas não estaríamos falando de algo que aconteceria em frações de segundo, e que o mais provável seria um kill mútuo (assumindo que o oponente tenha também algo símile/igual a um conjunto HMD/Iris-T) ??

  28. Bosco, ri um bocado do exemplo.. Então, no seu entender, no BVR, o raio de curva acaba sendo importante para evitar entrar no “arco” NEZ do míssil inimigo. Seria só isso ? Quanto ao item ‘b’ do meu comentário, diga-se que ele foi formulado com base em outro comentário seu aqui da trilogia, onde falou sobre a dinâmica do HMD do F-35 (que eu desconhecia).

    Nunão, eu salvei o artigo para ler no Pocket antes de dormir, mas acabei não lendo. Com sua venia, vou colacionar o trecho abaixo:

    “O piloto Wandt também destacou as vantagens de contar com o IRIS-T (visto nas imagens nos trilhos das pontas das asas), capaz de suportar grandes cargas G em suas manobras para atingir os alvos, em combinação com o sistema de mira montada no capacete – outro “game changer” para o piloto. Ainda assim, mesmo com o emprego desses novos mísseis e sistemas, Wandt não considera que o dogfight (luta a curta distância empregando manobras de combate aéreo) esteja morto. Isso porque as contramedidas também evoluem, assim como as capacidades furtivas das aeronaves de combate. Ambos os fatores (contramedidas e furtividade) se combinam conferindo boas possibilidades de que os engajamentos acabem se apresentando em curtas distâncias, onde as manobras de combate aéreo e a manobrabilidade dos caças continuariam fazendo a diferença – somadas à capacidade de mirar o IRIS-T em ângulos extremos”.

    No seu entender, mesmo com HMD/Iris-T, a maior capacidade de curvar ainda faria diferença no dogfight ?? Mas não estaríamos falando de algo que aconteceria em frações de segundo, e que o mais provável seria um kill mútuo (assumindo que o oponente tenha também algo símile/igual a um conjunto HMD/Iris-T) ??

  29. Galli,
    Para um caça como o Gripen a manobrabilidade superior pode fazer diferença tendo em vista que mesmo com o HMD o caça tem que manobrar para por o inimigo na mira numa razoável quantidade de situações, mas para um caça como o F-35 com o HMDS conectado ao DAS manobrar já não é tão importante para enquadrar um alvo. Claro, mesmo o F-35 ainda vai implementar manobras evasivas caso esteja sendo engajado por um míssil já que tem um piloto lá dentro que mesmo com todo o Rivotril do mundo ainda irá reagir seguindo o velho conceito de sobrevivência de “luta ou fuga”, mas se o F-35 estiver dentro da NEZ do míssil possivelmente não logrará êxito tendo em vista que como regra um caça precisa “puxar” 4 vezes mais g que um míssil para poder sair fora do seu envelope de varredura do sensor/míssil. Um moderno míssil de curto alcance hoje puxa 50 g fácil e um caça não consegue nada acima de 9 g. Um F-35 irá manobrar, fugir e lançar flares e a última opção é a ejeção.
    Vale salientar que carros de combate e navios não têm supermanobrabilidade e nem por isso são presas fáceis, e isso se deve porque tais plataformas utilizam outros meios de defesa que não implementar manobras evasivas, como por exemplo, o concurso de defesa soft kill ou hard kill. Caças manobram porque são ágeis, mas isso pode estar no fim. Essa tendência de também dotar aeronaves de complexas defesas passivas e ativas está se generalizando. Aviões civis e aviões transporte militar já estão sendo dotados de laser capas de cegar mísseis guiado por calor. Provavemente esses sistemas fazem de pesados aviões de transporte mais aptos a sobreviver a um ataque de SAM ou AAM que um caça supersônico. Helicópteros de combate idem. O T-50 russo terá um sistema DIRCM dotado de laser capaz de cegar mísseis. O F-35 deverá incorporar um sistema DIRCM até 2018.
    Também já se antevê armas hard kill para proteger aeronaves, tanto na forma de laser de alta energia quando de mísseis antimísseis e até de sistemas de proteção ativo para helicópteros.
    Ou seja, cada vez mais caças irão precisar manobrar menos. Se imaginarmos o F-35 com DIRCM ele irá manobrar pra quê? Para engajar um alvo ele não precisa já que tem o HMDS/DAS. Para “neutralizar” uma ameaça (míssil guiado por IR ou I2R) ele não precisará já que o laser do DIRCM dará cobertura 360ª. Talvez será até contra-indicado ao F-35 tentar manobrar já que ele deixa de ser uma plataforma estável para os referidos sistemas (?????).
    Claro, haja sangue frio do piloto.

  30. Amigos,

    Para ser efetiva, uma manobra defensiva deve fazer o caça atacado se mover efetivamento no espaço. Isso é conseguido com uma combinação de alta velocidade e grande razão de curva. A velocidade é o que move o avião com o passar do tempo, e a razão de curva é o que permite que esse movimento seja colocado, se possível, a 90 graus da direção do míssil/atacante. Isso poderá levar a uma situação em que o alvo saia do ângulo de visada do máximo do atacante. Variações no plano de movimento também fariam com que o atacante/míssil não conseguisse interceptar o alvo.
    .
    Quanto à capacidade de puxar G de um míssil, há uma relação entre aceleração e velocidade. Qual a carga G que um míssil necessita alcançar para conseguir a mesma razão de curva do alvo, se ele está com o triplo da velocidade? O míssil está em uma condição propulsada ou vai perder energia durante a manobra?
    .
    Carga G é interessante, mas, exagerando, um super caça que curvasse com 15 G e velocidade constante de 100 Kt teria um raio de curva extremamente pequeno. Sob o ponto de vista do míssil, seria apenas um pato parado no céu (ou um MiG brincando de fazer a tal cobra em cima do aeródromo em uma feira aeronáutica).
    .
    Já o tal empuxo vetorado não move o avião significativamente. Em alta velocidade, não é necessário ou útil, pois os comandos de voo tradicionais já são capazes de levar o avião aos seus limites quase que imediatamente. Em baixas velocidades, serve como grande auxiliar do controle de voo (ou preponderante, quando as superfícies aerodinâmicas quase não têm efetividade). Em grandes velocidades, a sustentação é que realmente muda a direção do avião, favorecendo àqueles que têm baixa carga alar. Grande tração (potência do motor) compensa o arrasto, permitindo que as manobras possam ser sustentadas por tempo suficiente para ter efeito prático (mover o avião no espaço).
    .
    Espero que essas minhas opiniões contribuam para o debate.
    Abraços,

    Justin

  31. Bosco, fico curioso para ver o quão efetivas são hoje as contramedidas eletrônicas (interferência bruta e também via DRFM), e como serão as futuras via laser.
    Justin, muito didático. Às vezes, tudo o que precisamos é trazer à tona os conceitos. Muito bom.
    Agora eu, francamente, tenho dificuldade para visualizar (compreender – até porque nunca voei rsrs) se um caça com capacidade de giro sustentado de 21 graus/segundo teria vantagem sobre outro, digamos, com capacidade de 17 graus/segundo, dispondo ambos do mesmo conjunto HMD/míssil de quinta geração.

  32. Bosco:

    1) Perdoe-me se entendestes que associei as milhões de religiões à bagunça. Não foi o caso. Pelo contrário, veja que as 2 frases estão em períodos diferentes. No período 1, cito que eles conseguem HARMONIZAR 200 milhões de religiões. Assim, se lá tiver 200 partidos, eles dão o jeito deles.

    2) Quanto à bagunça, isto aí é incansalvemente citado neste blog mesmo, vide os inúmeros acidentes com suas frotas de aviões, projetos enrolados de tecnologia, miscelânea de tecnologias e contratos complicados.

    3) Sobre equipamento nuclear, foi citado que dos jatos ocidentais apresentados, só o Rafale ofereceria a possibilidade de acoplar armas nucleares. Isto seria talvez a única ou maior justificativa para esta negociação tão complexa e difícil, e disposição de se pagar tão caro pelo Rafale. Assim, como eu mesmo citei, não seria relativamente fácil adaptar software de outros caças para incluir equipamento nuclear? Ou será que os fornecedores de jatos que têm restrições a integrar estes equipamentos, ou por segredo de Estado os indianos querem eles mesmos mexer no software?

    Quanto a dogfight:

    Creio que sempre existirão. O Vietnã foi um caso clássico que os EUA acharam que não haveria mais combates corpo a corpo mas a doutrina de engajamento que exigia confirmação visual dos alvos fez os Phantom terem que realizar dogfights, sem canhão,e com uns mostrões feitos para serem interceptdores em função de caça.

    Não é nada difícil imaginar cenários onde 2 inimigos terão que se pegar na unha. Há inúmeros possíveis. Mas creio que cada vez mais a eletrônica e a capacidades dos mísseis resolverão os combates mais que manobras radicais. Lembrando que os mísseis e radares modernos engajam e disparam em qualquer ângulo, inclusive atirando em quem vem por trás.

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