Para os aficionados de ficção científica, uma nave ou avião de combate armado com canhões a laser é algo comum. Literalmente milhares de livros e filmes apresentam esta tecnologia futurista como uma faceta de seus campos de batalha, mas quem imaginaria que a Força Aérea dos Estados Unidos quer incluí-lo em seu arsenal? Bem, nesta semana, o Laboratório de Pesquisas da Força Aérea dos EUA (U.S. Air Force Research Laboratory – AFRL) anunciou que está desenvolvendo uma arma a laser operacional que planeja instalar em um F-15 por volta de 2020. Menos ficção científica e mais ciência de fato, as forças armadas podem ter uma mudança monumental na forma como elas combatem, em apenas cinco anos.

abl-boeing-747-com-laser-foto-boeing
YAL-1 com o canhão laser no nariz

Enquanto armar um caça a jato F-15 com uma arma laser é tão revolucionário quanto qualquer coisa que sai dos militares ultimamente, a capacidade de usar esse tipo de tecnologia não é totalmente inédita. Já em 2002, a Força Aérea instalou um laser protótipo de ataque em um avião cargueiro 747-400 (apelidado de YAL-1) depois de décadas de desenvolvimento e teste no solo. Em 2007, o YAL-1 disparou com sucesso um laser de baixa potência em um objeto no ar, e depois em 2010 interceptou um alvo de teste utilizando um laser de alta potência.

É muito mais fácil equipar um grande avião com uma arma laser do que um pequeno avião de caça. De acordo com o engenheiro-chefe Kelly Hammett do AFRL, o obstáculo principal encontra-se no desenvolvimento de um laser pequeno, preciso e poderosa o suficiente para um jato, evitando a força g e interferência da vibração causada pelas velocidades supersônicas. Além disso, Hammett acredita que este obstáculo é apenas um obstáculo temporário, a ponto de dizer que o problema será resolvido dentro de cinco anos.

“É realmente um ponto de inflexão nacional”, diz Hammett CNN. “Nós vemos a tecnologia em evolução e amadurecendo ao estágio em que ela realmente poderá ser usada.”

Atualmente, a Força Aérea diz que está preparando o teste de sua arma a laser para um caça F-15 Eagle com o general da Força Aérea Herbert Carlisle “cautelosamente otimista” para um teste de protótipo em 2016 ou 2017. Em maio, a preparação do teste contou com ensaios da arma a laser em pods que a Força Aérea tem a intenção de montar em aviões de combate existentes em algum momento no futuro. Além disso, Carlisle vê as armas laser como o próximo passo inevitável em revolucionar as forças armadas dos EUA.

“Eu acho que [a aeronave equipada com laser] irá reforçar a nossa capacidade de fornecer poder aéreo do teatro”, disse Carlisle. “Nossa posição [relativa] na luta conjunta no ar e no espaço não vai mudar, mas as nossas capacidades irão aumentar significativamente e nós vamos fazê-lo melhor do que qualquer um no mundo.”

Então, como pode um sistema de laser em um F-15 realmente funcionar? De acordo com Hammett, a Força Aérea tem a intenção de usar um tipo de tecnologia de laser conhecido como laser de estado sólido; uma variante que depende do envio de energia em um material sólido cristalino para a produção de feixes de lasers. Do lado de fora do processo de produção, estes lasers funcionam como qualquer outro – isto é, um laser de estado sólido é constituído por raios de luz concentrados produzindo temperaturas muito altas, capazes de incinerar um alvo pretendido.

Embora seja uma vantagem incrível ter caças armados com armas de laser, aqueles associados com a tecnologia (isto é, pesquisadores militares e similares), muitas vezes defendem usá-lo como uma tática de defesa. Falando na Air and Space Conference 2015 no início deste ano, o Tenente-General Bradley Heithold da Força Aérea declarou explicitamente que ele gostaria de ter um laser equipando uma aeronave AC-130 “Gunship” somente por sua capacidade defensiva.

Além disso, o AFRL diz que também está desenvolvendo uma tecnologia a laser puramente defensiva descrita como um “escudo de laser defensivo”. Essencialmente, a tecnologia poderia criar uma bolha de laser de 360 ​​graus em torno de um avião de combate, capaz de destruir ou incapacitar qualquer coisa que entre na bolha. Hammett aponta que as versões instaladas em uma torreta, que evitam alterar a aerodinâmica de uma aeronave, já foram testadas.
“Nós sabemos que há outros países desenvolvendo tecnologias similares”, acrescenta Hammett. “Nós vemos a pesquisa de outros países no desenvolvimento de tecnologias nessas áreas.”

Apesar de seu benefício inerente às Forças Armadas dos EUA, existe uma gama de questões relacionadas com a legalidade do uso de lasers na guerra. Por um lado, um tratado emitido pelas Nações Unidas em 1995 proíbe o uso de armas laser inteiramente concebidas para causar “cegueira permanente numa visão não melhorada.” Então, em um relatório de 2007 da DSB Task Force, o Congresso dos Estados Unidos consideraram armas laser “legais” sob a lei dos Estados Unidos e a lei internacional. Ainda não se sabe como exatamente o tratado da ONU (o chamado Protocolo sobre Armas Laser de Cegueira) será interpretado uma vez que as armas laser cheguem ao campo de batalha.

Legais ou não, a pesquisa e o desenvolvimento da tecnologia não mostra nenhum sinal de desaceleração para o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea. Com financiamento da Direção de laser teria assegurado até 2020 (como Hammett diz à CNN), parece provável que a Força Aérea iniciará os testes avançados em algum momento em 2016.

FONTE: www.digitaltrends.com / Tradução e adaptação do Poder Aéreo

Previous articleFort Worth Alliance Air Show 2015 – F-22 Raptor
Next articleAlemanha planeja desenvolver novo caça para substituir o Tornado
Subscribe
Notify of
guest
19 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Jesus R. Ribeiro

Air Force rumo ao Star Wars…

Renato Carvalho

isso vai ser recarregável ou do tipo dispare e fuja?

Bosco

Sendo de “estado sólido” o ” canhão” laser só precisa de energia elétrica pra funcionar. Ou seja, enquanto tiver combustível o avião terá “munição”. Diferente do laser químico como o do YAL-1 que precisava pousar depois que os materiais químicos acabavam.
O ato de reabastecimento em voo igualmente irá repor a “munição”. Arma perfeita para os drones, diga-se de passagem.
Diferente dos filmes só o fato que um disparo representará um alvo atingido, portanto, não veremos nada como uma “metralhadora” laser. Em distâncias tão curtas simplesmente não há tempo para o alvo se evadir.

groosp

Por que em um F-15? Se o laser consegue disparar em 360º, ou melhor, em uma bolha, instalar em um caça ágil não faz sentido. Aliás, infelizmente, os caças se tornariam obsoletos. Instalar em um B1 ou até em um 767 faria mais sentido. Provavelmente a instalação em caças será temporário, como um sistema anti-míssil até conseguirem potência para abater aeronaves.

Clésio Luiz

A escolha do F-15 provavelmente se deve porque ele tem tamanho para carregar peso extra (alem de gerar energia) e é uma plataforma mais flexível a adaptações, ao contrário do F- não toque minha pintura -22.

Além do que me parece qe eles devem implementar isso num casulo, então seria central, coisa que o Raptor não tem como transportar.

E eles tem centenas deles, então uma ou duas unidades fora dos esquadrões de primeira linha não faria muita falta.

Bosco

Mesmo supondo que o laser terá capacidade ofensiva e consiga abater aeronaves a grandes distâncias elas não devem ser maiores que as distâncias usuais de sistemas de detecção por imagem TV e IR. Daí ser preciso um caça para levar o sistema já que ele poderia entrar no raio de ação de um míssil “fire and forget” que já poderia estar vindo quando o avião disparasse o feixe, por isso não escolheram um B-757. O ideal será destruir o alvo com o laser e se evadir. Claro, se for um B-2… O YAL-1 teoricamente podia destruir mísseis balísticos a centenas… Read more »

Bosco

correção: “acima de 50 km de ALTURA”

antonio carlos

Fonte de energia do laser for combustível, cada vez disparar uma feixe vai ter que se reabastecer rápido. Deve ter outra fonte de energia que se carrega por meio do deslocamento de ar do caça ou um fonte sólida que faça isso.

carlos alberto soares

F 15 ?
IAF !

Carlos

Groosp falou sobre o F 15 e sobre o “dome”. Pelo que entendi, são coisas diferentes. No momento, pretendem instalar no F 15 (justamente por ser maior e por ser um caça) um sistema de disparo a laser. Não se falou na distância. Mas acredito que, a princípio, seria baixa. Isto é, será uma alternativa aos mísseis, mas não aos mísseis de 100, 200 km de alcance, penso eu. A princípio, só a tecnologia em si já seria revolucionária. Teoricamente, se a mira estiver correto, o alvo é atingido instantaneamente e talvez torre ou pelo menos seja danificado instantaneamente. Acredito… Read more »

vmax

Acho que estão na contramão!
Uma defesa antiaérea baseada nesse tipo de arma teoricamente seria o primeiro passo até o aperfeiçoamento necessário para conversão em uma versão aérea.
Apesar de já existirem projetos em andamento, penso que por não haver nada concreto em operação atualmente isso parece mais ficção do que realidade.
2020?
Tá logo aí.

Oganza

Bosco, ok, o laser será de estado sólido e ficará diretamente dependente da quantidade de energia que o vetor (caça) será capaz de gerar, ou de novas baterias especializadas que terá que carregar. De novo uma grande quantidade de energia que terá que ser liberada em milissegundos. – Vc teria alguma informação de quantos kW ou mW seriam “necessários” para os tais 50 km? – Agora fiquei pensando (rsrsrs) – imaginei um F-35A ou C utilizando/carregando um “gigantesco” sistema de geração de energia baseado no conceito de cardã que o F-35B utiliza, mas no lugar de um lift fan, seria… Read more »

Seal

Acho que a era do laser veio para ficar agora. Alguns meses atrás, já tinha saido uma notícia sobre o uso de lasers até em helicópteros também. Já estaria nas mãos do MD da Itália o primeiro helicóptero NH90 TTH do Exército Italiano, equipado com o sistema antiobstáculo LOAM (Laser Obstacle Avoidance and Monitoring), desenvolvido pela Finmeccanica-Selex ES. O sistema é baseado na mais recente tecnologia de laser seguro para os olhos, e pode detectar todos os tipos de obstáculos — mesmo muito finos, como pilares e linhas de transmissão de energia — que estejam na trajetória da aeronave. Isso… Read more »

Clésio Luiz

Oganza, pensando em um volume interno para um gerador grande (embora sem a transmissão presente no F-35B) os caças dos EUA estão bem na fita, porque o M61 é alimentado por tambor, então todos os caças que possuem um internamente tem um volume considerável para operar um alternador parrudo. E o F-15 tem um tambor interno para 960 projéteis, então é bem grande, embora menor que o fan do F-35B.

https://aviazioneaereimilitari.altervista.org/blog/wp-content/uploads/2013/05/mcdonnell-douglas-f-15c-eagle.jpg

Oganza

Clésio, verdade, mas isso ainda fica amarrado a potência necessária para se ter esse desempenho de 50-60 km… dai vem o questionamento de quando seria isso… seriam quantos kW? – Acho que talvez eles devem estar vindo com alguma tecnologia de supercondutores. Os devices que geram energia são histórica e fisicamente bem pesados e sua capacidade de geração quase sempre está ligado a seu tamanho, tendo até formula para isso. “X” de energia é igual a “Y” de volume/tamanho… Tô esperando alguma informação do Bosco sobre o quanto é necessário para se obter esse desempenho… – Outra solução é a… Read more »

Bosco

Oganza,
Não tenho essa informação não. Aí é muita areia pro meu caminhãozinho.
rrssss

Jose Souza

pelo que sei… uma das dificuldades de usar esse tipo de arma é…ou era… a própria atmosfera que de certa forma mudava a direção do raio…

outro ponto é …se inventaram o laser de batalha…obviamente será criado um …escudo… para o mesmo…questão de tempo.

Bosco

Jose,
O fato de desenvolverem contra medidas a uma determinada arma não a inviabiliza. Desde a invenção do avião que existem armas antiaéreas e os aviões estão mais do que atuais. Idem para navios, submarinos, fuzis, etc. Com o laser não será diferente.

Claudiney

O LASER de estado sólido já é usado pelos EUA. No Iraque o “Zeus” foi usado para explodir minas e projéteis de artilharia não detonados. Com 10 kW de ptência tem um alcance útil de quase 250 metros.

O LASER do Boeing YAL-1 tem 1 MW de potência, mas era químico.e tinha mais de 25 toneladas de peso. Apesar disto tudo é incapaz de destruir um avião de combate, por exemplo, sendo mais eficaz contra misseis.

O LASER é afetado pelas condições atmosféricas, bem como poeiras e fumaças.