Star Wars The Force Awakens - 1

Por Augusto Teixeira Jr.**

Creio ser difícil encontrar um internacionalista ou estudioso de política internacional que nunca tenha assistido Star Wars. Em tempos de Estado Islâmico, observamos a continuidade das guerrilhas e insurgências como desafios constantes para a segurança internacional. Desta forma, no ano em que a saga será retomada para mais uma trilogia, vale a pena pensar como os acontecimentos daquela galáxia muito distante podem ser elucidativos de problemas contemporâneos nos quais a guerra é assunto central. Antes de lembrar os sabres de luz, das naves pomposas e das tramas emocionais, a saga acontece no contexto de um longo conflito. Tal como a Força, a guerra é uma das constantes em Star Wars.

Uma das primeiras perguntas que o estudioso de defesa e segurança faz quando termina de assistir a 1ª trilogia[1] é: como o Império Galáctico perdeu a ofensiva[2]contra a Aliança Rebelde? Pensar a Galáxia como um sistema de planetas (Estados) submetidos a uma autoridade central (Império) nos faz lembrar a ideia de que a existência de um Império (Estado) mundial seria o prenúncio de uma guerra civil global. Neste sistema hierárquico, sob o comando do Antigo Senador Palpatine, estava a mais poderosa máquina de combate existente. É válido lembrar que, como resultado das Guerras Clônicas, o recém instaurado Império contava em suas hostes com:

1) ampla força de infantaria, aviadores e tripulações de blindados operadas por clones;

2) centralização da autoridade, comando e controle nas mãos do Senador Palpatine, permitindo a condução política da guerra e controle da máquina militar à luz do desígnio político Sith;

3) eliminação da ordem Jedi[3] e;

4) neutralização das principais lideranças de oposição civis[4] e militares[5].

Dito isto, como foi possível a derrota de uma força de combate que contava com Destroyers imperiais, ampla força terrestre (estratégica e de choque, como AT-ST e AT-AT Walker), infantaria (aerotransportada) e logística, tudo subordinado a uma condução política que gozava de unidade de comando? A resposta se encontra na forma de luta adotada pela Aliança Rebelde: insurgência. Entendamos como.

Star Wars - The Empire Strikes Back 2

Estágio I: defesa estratégica.

Nesta fase, entre “Uma Nova Esperança” e “O Império Contra-Ataca” buscou-se evitar custos (físicos e psicológicos) de entrar em conflito direto com as forças do Império. Do momento em que tentaram levar à Aliança os planos de construção da Estrela da Morte até a escolha Rebelde pelo refúgio em Yavin 4, os insurgentes buscaram proteger e ocultar as suas bases. A presença da Aliança espalhada pela Galáxia[6] voltava-se à possibilidade da construção de Ofensivas Táticas, como vistas na lua de Endor após a destruição da Estrela da Morte. Tendo superioridade local numérica, iniciativas como essas contribuíram para dispersar e esticar os recursos do Império, afetando negativamente a capacidade deste de lutar. Um dos aspectos centrais da estratégia da Aliança Rebelde consistia na superioridade moral com a população dos planetas submetidos ao jugo do Império. No caso em tela, esta superioridade revestia-se de legitimidade. O uso da força desproporcional, inclusive contra a população civil, como ocorrido em Alderaan, permitiu uma coesão interna sólida entre os diversos planetas e grupos que lutavam contra o Império. Em tempos de paz, divididos pela política republicana foram unidos posteriormente à luz de uma ameaça comum em tempos de guerra. Lembrando Clausewitz, poderíamos afirmar que o apoio popular consistia num dos centros de gravidade de luta, objetivo estratégico que o Império nunca logrou êxito em perseguir ou conquistar, preferindo uma abordagem mais próxima a um Seek and Destroy. A Aliança, ao conquistar Hearts and Minds,obteve um trunfo moral e psicológico sem o qual seria impossível estabelecer doutrinação política para treinar novos recrutas para lutar como irregulares em bases remotas e seguras, como Hoth, Yavin e Endor.

storm-troopers-10-was-star-wars-prequels-improve-series

Estágio II: Impasse.

Se em “Uma Nova Esperança” os insurgentes forçam o Império a projetar força pela Galáxia em sua busca, destruindo os recursos imperiais no ato de fuga, em “O Império Contra-Ataca” o Estágio de Impasse é construído. Apesar de no Filme IV ser possível detectar operações ofensivas estratégicas, estas são voltadas a minar a já existente assimetria entre a Aliança e o Império, para assim permitir condições para continuar lutando. O melhor exemplo deste tipo de objetivo foi a destruição da Estrela da Morte, na órbita de Yavin 4. Entretanto, apenas no final de “O Império Contra-Ataca” é que a Aliança Rebelde constrói condições para um engajamento de atrito contra as forças do Império. Nesta fase da luta, o controle do governo imperial foi minado pelo aumento do apoio à resistência, como exemplificado pela mudança de lado de Lando Carission, a favor da rebelião. O tempo conquistado e o apoio à rebelião foram importantes para construir capacidade convencional das forças da Aliança. Nesta fase da insurgência, batalhas prolongadas de atrito para minar a força física e moral do inimigo foram centrais. Da fuga desesperada de Hoth à preparação para a batalha liderada pelo Almirante Ackbar, as condições de impasse estratégico foram postas na mesa.

star-wars-the-force-awakens-trailer-12

Estágio III: Ofensiva Estratégica.

O momento final de “O Império Contra-Ataca” e o início de “O Retorno de Jedi” é o momento crucial onde se dão os momentos centrais da ofensiva estratégica da Aliança Rebelde. Momento que marca o início do fim do conflito, no qual as tropas engajadas nas operações diretas e de atrito contra as forças imperiais manobram no espaço e em terra, é exatamente o momento decisivo desta fase da Guerra. Se de um lado a ofensiva final da frota do Almirante Ackbar falha antes de iniciar, ao ser avisada por Lando da Armadilha Imperial, é também na proximidade da órbita de Endor que a Ofensiva estratégica logra êxito de uma forma inesperada. Com a destruição da segunda Estrela da Morte, o Império sofre pesadas perdas humanas e materiais, as quais impactam na sua capacidade de lutar. Somado a isso, tanto Lorde Vader como o Imperador são mortos, deixando em vacância a liderança política imperial. Como resultado, o Império perde momentum, permitindo a continuação e expansão da rebelião.

Considerando estes elementos, observamos como num contexto de assimetria, a vitória pôde ser construída através da insurgência. Entretanto, a guerra não acabou e a vitória foi parcial. O Império não fora plenamente derrotado. À luz destes elementos, uma nova trilogia faz todo sentido. Diante do despertar da força, que esta esteja conosco, sempre!

———-

* Agradeço aos comentários do Prof. Dr. Antonio Henrique Lucena Silva feitos na versão original deste texto.

** Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente é professor Adjunto do Departamento de Relações Internacionais da UFPB. Líder do Grupo de Pesquisa em Estudos Estratégicos e Segurança Internacional (GEESI/UFPB /CNPq). Membro da Associação Brasileira de Estudos de Defesa.

[1] Filmes de IV a VI, em sequência: “Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”.

[2] Ao pensar em ofensiva temos o termo momentum em mente.

[3] Em seu apogeu, a Ordem Jedi cumpriria uma função semelhante à ONU na garantia da paz e ordem da República.

[4] Por exemplo o Senador Bail Organa, de Alderaan.

[5] A exemplo do General Kenobi, recluso em Tatooine.

[6] Tatooine, Alderaan, Yavin, Dagobah.

FONTE: Vox Magister

55 COMMENTS

  1. 1) ampla força de infantaria, aviadores e tripulações de blindados operadas por clones;

    Após as guerras clônicas, os exércitos de clones foram descartados…
    Então essa força de infantaria pode ser descartada como um recurso do Império

  2. Não foram exatamente descartados.
    Após a ordem 66. Kamino se recusou a continuar fornecendo novos clones para o recém criado império.
    Tendo em vista a aceleração de crescimento para garantir a funcionalidade dos clones em curto tempo.
    A vida útil de um clone é relativamente curta.

    Esta situação forçou o império a utilizar recrutas normais. O que no final, provocou a escassez de novos recrutas para o imperio

  3. Cerberos, você deve assistir primeiro a trilogia moderna que conta os episódios I, II e III.
    Então, em seguida você deverá ver a trilogia clássica que mostra os episódios IV, V e VI.

  4. vamos ser realistas os caças do império (Caça TIE…LN/X1)…..nunca poderiam voar em um planeta com atmosfera …. aquelas “asas” com painéis solares para o motor iônico seriam feitas em pedaços.

  5. Jose Souza,
    Não são painéis solares e sim geradores de campo de gravitons. Esse caça não usa motores à reação e sim impulsionadores de massa potencial não reativos.
    As “asas” não são feitas em pedaço porque não entram em contato direto com o meio externo já que o campo de gravitons cria uma bolha de singularidade relativa ao redor da nave.
    Entendeu????
    Então me explica porque eu não entendi nada. rsrssss

  6. Houvesse tentado ganhar os corações e mentes pela imprensa e cinema, vendido o peixe que os rebeldes eram os vilões, feito ataques cirúrgicos com drones ao invés de sair por aí largando bomba e destruindo mundos civis inteiros, estariam no comando até os dias atuais.

  7. @Alexandre Galante, 1) não chame o Imperador/Darth Sidious de Senador/Chanceler Palpatine. Isso é spoiler para quem ainda não assistiu a 2ª trilogia.
    2) Você escreveu o nome Lando Carission errado. O correto é Lando Calrissian.

    @Alfredo Araujo, de acordo como contado no jogo ‘Star Wars: Battlefront II’ e em outras fontes do Universo Expandido, os clones não foram descartados após o golpe militar. Eles foram morrendo em combate (ou mortos/invalidados por idade) e foram sendo substituídos por clones de diversos hospedeiros (diferentes do Jango Fett) e humanos normais, com a 501ª legião de clones originais tendo sido a última a sobreviver. O Império parou de criar clones do Jango Fett porque a fábrica de clones em Kamino foi destruída por este, uma vez que os kaminoanos se voltaram contra o Império após o estabelecimento deste.

    @cerberos, @Marcelo Bardo, só deve-se assistir as duas trilogias na ordem cronológica (I, II, III, IV, V e VI) quem já assistiu ambas pelo menos uma vez. É um grande equívoco recomendar uma pessoa que nunca assistiu Star Wars, a assistir a segunda trilogia (I, II e III) primeiro. Por quê? A segunda trilogia foi concebida de uma maneira a fazer sentido para quem já conhecia a estória da trilogia clássica. Muitos dos acontecimentos na segunda trilogia não vão fazer sentido para quem não teve uma introdução a Star Wars antes. Exemplos: texto introdutório do Ep. I: “[…] o Supremo Chanceler enviou, em segredo, dois Cavaleiros Jedi, guardiões da paz e da justiça na galáxia, para resolver o conflito…” A pessoa que nunca assistiu Star Wars antes: “Mas que diabos é um ‘Cavaleiro Jedi’?!”

    Outros exemplos: o sabre de luz, o que é a Força, e o próprio conceito de ‘Cavaleiro Jedi’, que são explicados/introduzidos aos espectadores pela primeira vez pela explicação do Ben Kenobi ao Luke no Ep. IV. Quem não se lembra de: “Uma arma elegante, para tempos mais civilizados.” Os poderes da Força: telecinesia, controle da mente, estrangulamento, pressentimento, previsão do futuro, comunicação com os espíritos de Jedis falecidos, etc. Todos introduzidos na trilogia clássica. E um dos principais de todos: a surpresa/revelação do Darth Sidious no Ep. III (o que surtiria pouco ou nenhum efeito de surpresa/estarrecimento para quem não assistiu a trilogia clássica antes e já não conhecia do Darth Sidious de lá). Ah, e já ia esquecendo, como pode, uma das maiores surpresas em filme da história do cinema: a grande revelação ao Luke no Ep. V (o que estragaria totalmente a surpresa se a pessoa tiver assistido antes os Eps. I, II e III !!).

    Enfim, muitas das coisas que aparecem/ocorrem na segunda trilogia não são explicadas, ou são mal explicadas. Por quê? Porque a segunda trilogia foi feita com o fato em mente de que os espectadores já conheciam/já foram introduzidos à essas coisas na trilogia clássica! Na trilogia clássica, eles mostraram a Guerra Civil; na segunda trilogia o objetivo foi mostrar os eventos que levaram aos acontecimentos da Guerra Civil. E além disso, mostrar também como eram antes o Obi-Wan Kenobi, o Darth Vader, da onde vieram o Luke e a Leia, a transformação de Darth Vader de Jedi para Sith (lembrem-se que o Ben/Obi-Wan Kenobi explica ao Luke: “o Darth Vader já foi um Jedi antes.”). É simplesmente um prazer ver como tudo começou, como os personagens da trilogia clássica se tornaram o que se tornaram. Um prazer que você só vai ter assistindo primeiro a trilogia clássica e posteriormente os episódios I, II e III. E pra finalizar: você, fã de Star Wars, que assistiu primeiro a trilogia clássica e depois a segunda trilogia; ter assistido a trilogia clássica antes de assistir os Eps. I, II e III fez você deixar de entendê-la? Não. Por quê? Porque tudo sobre o Universo de Star Wars for introduzido e explicado em detalhes nessa trilogia. E na segunda eles ou não foram explicados novamente, ou deram apenas um resumo (Ex.: a explicação de Qui-Gon a Anakin sobre a Força no Ep. I). E novamente: não foi prazeroso ver na segunda trilogia como tudo começou? Como eram antes os personagens que você conheceu na trilogia clássica? Pelo menos pra mim foi. 🙂

    Então a ordem correta de assistir às duas primeiras trilogias, para quem nunca assistiu Star Wars antes é: IV, V, VI, I, II e III; e se você quiser pode até ser: IV, V, VI, I, II, III, IV, V e VI, rs. Porque depois que você termina de assistir o Ep. III, dá vontade de assistir o IV de novo. 😛

  8. @Alexandre Galante, 1) não chame o Imperador/Darth Sidious de Senador/Chanceler Palpatine. Isso é spoiler para quem ainda não assistiu a 2ª trilogia.
    2) Você escreveu o nome Lando Carission errado. O correto é Lando Calrissian.

    @Alfredo Araujo, de acordo como contado no jogo ‘Star Wars: Battlefront II’ e em outras fontes do Universo Expandido, os clones não foram descartados após o golpe militar. Eles foram morrendo em combate (ou mortos/invalidados por idade) e foram sendo substituídos por clones de diversos hospedeiros (diferentes do Jango Fett) e humanos normais, com a 501ª legião de clones originais tendo sido a última a sobreviver. O Império parou de criar clones do Jango Fett porque a fábrica de clones em Kamino foi destruída por este, uma vez que os kaminoanos se voltaram contra o Império após o estabelecimento deste.

    @cerberos, @Marcelo Bardo, só deve-se assistir as duas trilogias na ordem cronológica (I, II, III, IV, V e VI) quem já assistiu ambas pelo menos uma vez. É um grande equívoco recomendar uma pessoa que nunca assistiu Star Wars, a assistir a segunda trilogia (I, II e III) primeiro. Por quê? A segunda trilogia foi concebida de uma maneira a fazer sentido para quem já conhecia a estória da trilogia clássica. Muitos dos acontecimentos na segunda trilogia não vão fazer sentido para quem não teve uma introdução a Star Wars antes. Exemplos: texto introdutório do Ep. I: “[…] o Supremo Chanceler enviou, em segredo, dois Cavaleiros Jedi, guardiões da paz e da justiça na galáxia, para resolver o conflito…” A pessoa que nunca assistiu Star Wars antes: “Mas que diabos é um ‘Cavaleiro Jedi’?!”

    Outros exemplos: o sabre de luz, o que é a Força, e o próprio conceito de ‘Cavaleiro Jedi’, que são explicados/introduzidos aos espectadores pela primeira vez pela explicação do Ben Kenobi ao Luke no Ep. IV. Quem não se lembra de: “Uma arma elegante, para tempos mais civilizados.” Os poderes da Força: telecinesia, controle da mente, estrangulamento, pressentimento, previsão do futuro, comunicação com os espíritos de Jedis falecidos, etc. Todos introduzidos/explicados na trilogia clássica. E um dos principais de todos: a surpresa/revelação do Darth Sidious no Ep. III (o que surtiria pouco ou nenhum efeito de surpresa/estarrecimento para quem não assistiu a trilogia clássica antes e já não conhecia do Darth Sidious antes). Ah, e já ia esquecendo, como pode, uma das maiores surpresas em filme da história do cinema: a grande revelação ao Luke no Ep. V (o que estragaria totalmente a surpresa se a pessoa tiver assistido antes os Eps. I, II e III !!).

    Enfim, muitas das coisas que aparecem/ocorrem na segunda trilogia não são explicadas, ou são mal explicadas. Por quê? Porque a segunda trilogia foi feita com o fato em mente de que os espectadores já conheciam/já foram introduzidos à essas coisas na trilogia clássica! Na trilogia clássica, eles mostraram a Guerra Civil; na segunda trilogia o objetivo foi mostrar os eventos que levaram aos acontecimentos da Guerra Civil. E além disso, mostrar também como eram antes o Obi-Wan Kenobi, o Darth Vader, da onde vieram o Luke e a Leia, a transformação de Darth Vader de Jedi para Sith (lembrem-se que o Ben/Obi-Wan Kenobi explica ao Luke: “o Darth Vader já foi um Jedi antes.”). É simplesmente um prazer ver como tudo começou, como os personagens da trilogia clássica se tornaram o que se tornaram. Um prazer que você só vai ter assistindo primeiro a trilogia clássica e posteriormente os episódios I, II e III. E é muito legal também para quem viu só batalhas com um Jedi e duelos 1 x 1 na trilogia clássica, chegar na segunda trilogia e ver pela primeira vez dois Jedi lutando juntos (Ep. I); ver novas habilidades de Jedi nunca antes vistas ou exploradas (rebater lasers com o sabre de luz, Force Push, Force Speed… E isso tudo logo no início do episódio I !); no Ep. II mais surpresas inesperadas e emocionantes: ver dezenas de Jedi lutando juntos pela primeira vez em um filme do Star Wars; ver o Yoda lutando pela primeira vez…. São tantas coisas que simplesmente seria um estraga prazer assistir a segunda trilogia sem ter assistido a trilogia clássica antes.

    E pra finalizar: você, fã de Star Wars, que assistiu primeiro a trilogia clássica e depois a segunda trilogia; ter assistido a trilogia clássica antes de assistir os Eps. I, II e III fez você deixar de entendê-la? Não. Por quê? Porque tudo sobre o Universo de Star Wars for introduzido e explicado em detalhes nessa trilogia. E na segunda eles ou não foram explicados novamente, ou deram apenas um resumo (Ex.: a explicação de Qui-Gon a Anakin sobre a Força no Ep. I). E novamente: não foi prazeroso ver na segunda trilogia como tudo começou? Como eram antes os personagens que você conheceu na trilogia clássica? Pelo menos pra mim foi. 🙂

    Então a ordem correta de assistir às duas primeiras trilogias, para quem nunca assistiu Star Wars antes é: IV, V, VI, I, II e III; e se você quiser pode até ser: IV, V, VI, I, II, III, IV, V e VI, rs. Porque depois que você termina de assistir o Ep. III, dá vontade de assistir o IV de novo. 😛

  9. Apoio popular, confiança na população civil, capacidade de reação de civis suficientemente habilitados para a tarefa.

    Tudo o que os militares brasileiros mais temem ou detestam (graças ao pensamento burocrático fascista brasileiro – de que o povo é incapaz e que o Estado é onipotente e onisciente). E é justamente o povo que forma o conjunto de pilares que suportam a defesa em guerra assimétrica de resistência, além das fileiras das próprias forças armadas.

    Forças armadas, PMs, etc = entreguistas.

    Numa futura guerra contra inimigos internos ou externos, seríamos massacrados e rapidamente dominados graças ao que deveriam nos defender.

  10. Na verdade as Forças de Infantaria imperiais, os Stormtrooper, não eram mais clones, os Stormtrooper são alistados e voluntários! Os clones só lutaram na época das “guerras clônicas”, posteriormente a isso o próprio Imperador Palpatine teve de “descartar” seu exercito de clones. Os clones foram concebidos para servir a Republica, com ideais republicanos, e com o tempo eles poderiam se voltar contra o Império, aja visto que na “programação” dos clones o Chanceler (futuro imperador) deveria ser protegido em momento de crise (guerras e ameaças de golpe), mas posteriormente ele deveria entregar o cargo. O Imperador agiu rápido, destituiu seu exercito de clones, liquidou eles, e abriu as ACADEMIAS IMPERIAIS, onde voluntários e alistados de toda a galaxia seguiam para formar as Forças Armadas imperiais.

  11. Lembrando, na saga o senado foi dissolvido após a conclusão da estrela da morte. O senado foi peça fundamental para a criação e manutenção do império. Com a estrela da morte os Sith tinham em mãos uma arma poderosa e não mais precisariam de um senado para estabelecer o poder. Ou seja, o senado, como representante do povo, tornou-se dispensável pois havia uma nova arma para persuadir a vontade popular. Neste momento a aliança rebelde consegue engrossar suas fileiras para a batalha contra o império.

    O clássico, o povo oprimido unido contra a tirania!

    Saudações!

  12. Não sei quão forte seria o apoio civil aos rebeldes. Olhando os episódios 4,5 e 6, a população em geral parece, no máximo,incomodada pela presença do império. .

    Explico:

    Nos filmes 1,2 e 3 mostra diversas civilizações e tal. Mas tudo no período pré-ditadura/império. Percebe-se um cenário político como o nosso. diversas nações com suas culturas e leis e uma grande ONU para regular a relação entre elas.

    O Império é construído criando inimigos a esta ordem das coisas. Primeiramente os tais comerciantes, e depois os ‘jedis’ Mas percebe-se que os mundos querem, pelo menos no começo, a presença do império para protegê-los. Tipo um ‘ato patriótico’ como foi nos EUA. Fora os ‘inimigos do estado’, ninguém mais foi atacado.

    Já nos episódios 4,5 e 6, uns 20 anos depois, vemos que o império está presente em vários locais do universo. Assim, vemos pouco do império e sua pressão sobre os civis (episódio 4,5 e 6). Ok, a gente nota uma presença militar sim. Mas a influência sobra a população parece pequena. Os militares do império têm mais medo do Darth vader e do imperador que a população.

    Obs.: Agora a polêmica:

    A grosso modo, talvez o rebeldes sejam alguns grupos de poder que foram alijados do processo decisório e estão querendo voltar ao palco.

    Na maioria dos mundos, as pessoas querem saber se tem comida, diversão, segurança e um bom grau de liberdade e ordem. Se é uma monarquia, república ou ditadura, “tanto faz”. Movimentos realmente populares raramente chegam em algum lugar. E quando chegam,no meio do caminho são cooptados por algum grupo que manobra a massa (comunismo, por exemplo, onde a ditadura do proletariado virou na verdade uma ditadura de um monte de burocrata). Normalmente as rebeliões começam por algum setor com algum poder e organização que acaba lutando pelos seus interesses, especialmente capacidade de tomar decisões. Pode até ter boas intenções, mas povo poucas vezes se mexe por ideologia. Povo se mexe por feijão e arroz.

  13. Ok meu momento para lá de nerd:
    Duanny D. a idéia estratégica de corações e mentes faria sentido em outros grupos, não na galera do lado negro. A obsessão dos sith por microadministração e centralização pode ser encontrada na própria ordem deles, que era simplesmente um mestre e um discípulo, que eventualmente matava o mestre. Agradeça ao Dath Bane por essa. Para dar uma idéia de como os Sith não são muito chegados a essas amenidades de “corações e mentes” basta ver o código sith.

    Paz é uma mentira, só existe paixão.
    Através da paixão, ganho força.
    Através da força, ganho poder.
    Através do poder, ganho a vitória.
    Através da vitória, minhas correntes se rompem.
    A Força me libertará.

    Meio complicado para a galera do marketing trabalhar, não? Numa analogia, o Estado Islâmico ficaria ótimo como o Império. Eles gostam de usar preto, do emprego de táticas de terror e acreditam na força acima de tudo (kkkk). E ainda tem o Darth Vader (o do filme) como algo entre Grão-vizir e um comissário político. A idéia é divertida, mas não foi minha, li em “The Califate Strikes Back” no mesmo blog que citei anteriormente.

  14. Sim, o império é Mau. Como Edcalos lembrou, fez até estrela da morte. Mas a população média tá “nem aí”.

    Peguemos o caso do Oriente Médio. Tudo que é potência militar tá jogando bomba na Síria e região pelo “bem da população”. A cada bomba que cai o ISIS “prova” o quão malvados são os outros países.

    No fim, quem se arrebenta mesmo são os civis.

    Um porta aviões é uma arma de projeção de poder. A estrela da morte também! 🙂

    Meu cunhado é muçulmano. Paquistanês. Perdeu parente nestas confusões. Por eles, preferem ficar sem ajuda alguma. Podemos ficar com a nossa ‘democracia’, obrigado.

    Obs.: Nos 2 textos não estou a fim de julgar quem é mocinho ou bandido. Mas mostrar as inúmeras leituras de cenários, que só variam em torno de quem lê e de quem vende o ponto de vista.

  15. Esta imagem com os soldados em primeiro plano, tendo como fundo um palco e uma enorme bandeira é claramente inspirada no trabalho da Leni Riefenstahl…

  16. As guerras de Star Wars podem ser resumidas em uma única frase:

    Toda tirania é efêmera! 😉

    Todo “império” eventualmente cai (ainda que dure um milênio). Somente a democracia traz o equilíbrio à Força. E a democracia não pode tolerar a convivência com a tirania, o caminho fácil e rápido, o Lado Negro.

    Qualquer coisa que fuja à democracia, assim entendida como o domínio da vontade da maioria, respeitados os direitos fundamentais da minoria, é tirania.

    A monarquia absolutista? Tirania. A oligarquia republicana? Tirania. O nazi-fascismo (tudo no Estado, tudo pelo Estado, nada fora do Estado)? Tiranias. O comunismo em moldes soviético/cubano? Tirania. Os governos militares? Tiranias. Os governos populistas bolivarianos/petistas? Tiranias ainda piores, na medida em que acreditam que se legitimam (e legitimam todos seus atos) simplesmente pelo voto.

    E democracia não é sinônimo de anarquia. A democracia é formada de leis e instituições, e deve conter o monopólio (porém não absoluto) do uso da Força. A anarquia não possui nem umas nem outras, o que eventualmente leva apenas à tirania, pois a cobiça inerentemente humana leva a que valha a lei do mais forte.

    A democracia é falha, é cheia de erros, às vezes é de uma lentidão agonizante e exasperante. Pode facilmente degringolar para a demagogia, que é apenas mais uma forma de tirania.

    Mas apenas através dela é que se depuram as leis e as instituições. Como a ciência, a democracia contém inerentemente os instrumentos para sua própria depuração.

    Por isso que quem ama o gênero humano só pode apoiar a democracia, contra todo o resto.

  17. Por falar em perseguição e eliminação de líderes da oposição, Eduardo Cunha insurgiu-se contra o poder central e, por isso, é alvo de críticas diárias.
    Há pessoas que acham que ele é pior do que os governantes atuais…
    O poder central tem feito o mesmo no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, tentando desestabilizar o governo dos líderes da oposição…

  18. Caramba como tem Murica nesse mundo, aqui no Brasil então esta cheio de Murica.

    E temos alguma democracia hoje? Quem disse que os EUA são Democracia? Estados Unidos e’ um pais Corporatista. Hoje, ha’ vários países que tem meios tecnológicos de ter democracia, mas não e’ interesse das grandes corporações. Tem muita gente que acha muito bonitinho a palavra democracia, e não entende seu significado.

  19. Bosco…
    Creio que compreendi…seria um tipo de efeito “supercavitante” dos torpedos russos Shkval…no caso das naves…a força ?magnética? “isolaria” o atrito com a atmosfera… faz sentido.

  20. Antes de mas nada, como disse Churchill: “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.”

    Perdoem-me se o texto que escrevi dá a entender algo contra democracia. Não sou e é mesmo o sistema mais desejável.

    Mas como todo bom remédio, tem a posologia certa. Não é se ‘tem de aplicar” a resposta. A pergunta é “como”. Entre a Grécia e os EUA ou França foram 2400 anos.

    O “problema” da “democracia” que estamos levando ao Oriente Médio (por isto a escrevi entre aspas no post sobre “democracia” segundo meu cunhado paquistanês) é que ela tem chegado ao Oriente Médio à força e sem alguns fatores fundamentais para que ela nasça e cresça.

    A seguir cito alguns destes fatores, até já mencionados pelo Vader. Aliás, antes de lê-los, notem que quanto mais forte um país, mais amadurecidos os fatores estão. é correlação direta.

    1) Identidade nacional :
    – Muitos dos países no Oriente Médio são colchas de retalho étnicas nunca bem resolvidas. Um caso europeu semelhante seria a Iugoslávia. Foi o Tito e o comunismo acabarem que deu no que deu. Criaram um país meio que em gabinete.
    – Ainda no oriente Médio, que parece ainda funcionar muito no esquema de clãs, parece que religião e língua é a única coisa mais ou menos que os unifica. e nem isso, posto que o ISIS adora matar um xiita e outros divergentes.
    – Sem identidade nacional, fica difícil conceber o conceito de “Estado”. Se só reconheço meu líder religioso ou patriarca como autoridade, não tem como eu me submeter a um tal “Estado”.

    2) Estruturas de Estado fortes, e não meras estruturas de governo:
    – O Estado (e os serviços que ele deve prestar) pertence ao “povo”. Povo não tem mandato de 4 anos. E nem tem como meta a próxima eleição. Mas é visível o personalismo na gestão da máquina pública.
    – Corruptocracias ou sociedades nepotistas invariavelmente são fracas.

    3) Estado Fortes, mas não necessariamente Estados grandes
    – Os EUA são uma das nações com um Estado relativamente “pequeno” (no sentido de atividades ou produção no dia a dia que ele exerce) msa é um Estado Forte (no que lhe cabe, ele exerce seu poder).
    – Coréia do Norte tem um Estado Gigante (em tese, nada é privado) mas um Estado fraco (porque quem tem que mandar fuzilar toda semana um membro do governo mostra fragilidade, e não força)

    4) Sistema legal forte:
    – Seja nas relações pessoais, empresariais ou governamentais, as regras do jogo têm de ser respeitadas.

    5) Sistema de respeito às minorias:
    – Aí vai mais que sistema de legal. é cultural mesmo. educacional.
    – Dar a todos um conjunto de garantias mínimos, mesmo que contrários ao interesse eventual do coletivo

    6) respeito às tradições e valores locais
    – O comunismo ficou famoso por impor seus ‘valores’ goela abaixo por onde passou. e deu no que deu.

    Não sou cientista político. Um profissional vai ter mais coisas a acrescentar. Mas uma ‘democracia’, para chegar em qualquer lugar. no Oriente Médio ou qualquer lugar tem que fortalecer substancialmente estes e outros fatores.

  21. Acho que os amigos tem que achar John Galt…. e quem sabe bater um papo 😛

    O mundo irá mudar quando você estiver pronto para pronunciar e VIVER este juramento:

    “Eu juro pela minha Vida e pelo meu amor por ela que nunca irei viver em função de outro homem, nem vou pedir a outro homem que viva em função de mim.”

    Grande Abraço

  22. Se fosse comparar, sem fazer juízo de valor, diria que os Jedi são algo como o partido democrata americano. Acreditam em promover a paz, mesmo que mentindo de vez em quando.

    Enquanto os Sith seriam uma vertente de anarcocapitalismo, com um individualismo tão exacerbado que a ordem é composta de apenas 2 indivíduos; acreditam na destruição criativa, pois o discípulo deve matar o mestre, e colocam a liberdade como o valor máximo.

    Pode ter começado como um luta entre o bem e o mal, mas com o tempo vemos que as coisas não são tão simples.

  23. O Império foi criado a partir de um golpe pela ‘Onu’. Não foi nenhuma nação específica. Mas a máquina que organizava os diversos estados.

    A tática quase sempre é a mesma: crie/aumente um ‘inimigo’.

    Criaram uma crise global (uma ameaça à liberdade de todos os mundos) e em torno deste medo deram o golpe. Sempre em nome não da liberdade, mas da segurança. (Já vimos este filme nas últimas décadas).

    Apenas os jedi eram uma ameaça (mais moral que militar) a esta ideia. Venderam que os jedi eram uma ameaça à segurança e deram o golpe. Sem julgamento nem nada. O medo superou democracia, justiça, qualquer coisa.

    Não interesse se a ameaça é real ou não. Tomado o poder, mantenha o clima de ‘ameaça’ para que se justifique o emprego permanente de força e eventualmente se faça um limpa na casa.

    Os nazistas cresceram em cima da ameça comunista (medo), remorso contra os ‘entreguistas’ (partidos de centro e moderados e aqueles que assinaram o fim da I Guerra), um antisemitismo (que não era a principal bandeira), caos social (país quebrado devido às nações vizinhas ‘malvadas’) e um fiapo de bandeira positiva (montar o terceiro reich, a grande nação que a Alemanha era digna e predestinada).

    Se olharem os fascistas, comunistas e outros foram processos parecidos.

  24. Renato B. 16 de dezembro de 2015 at 7:33

    “Se fosse comparar, sem fazer juízo de valor, diria que os Jedi são algo como o partido democrata americano.”…
    Hã?! Então, O Obama é quem? Mace Windu?!… ;P
    O amigo me desculpe, mas a comparação ficou meio… Episódio I – “Ameaça Fantasma” !! Se fosse realmente (possível) fazer um paralelo com o mundo real, a Ordem Jedi não poderia ser associada a umm partido político, mas sim a algo como uma Instituição religiosa, como os Jesuítas (“Ad Maiorem Dei Gloriam!” )
    Abraços!

  25. Tirando a mocinha do filme, que além de belíssima é a única que teve atuação consistente, só restou o robozinho “bolinha”, o resto não se aproveita nada. Com certeza não perderei meu precioso tempo vendo os episódios 8 e 9.

  26. Aldqueiroz, foi uma analogia e como tal é inexata mesmo. Eu escolhi observar pelo impacto político que a ordem Jedi tem na história. Um grupo pacifista e um tanto maquiavélico para atingir seus objetivos. O que não me parece tão longe da realidade, tanto que ordem religiosas, como os Jesuítas que descreve, também têm seu impacto político. Observo isso nas igrejas são bem eficientes em manter o estado brasileiro “meio laico”.

  27. Bosco, até achei o filme divertido e devo ver o próximo. Mas eu não achei que é a última coca-cola do deserto como estão pintando.

  28. Renato,
    Fosse um filme de “fantasia e magia” eu teria ido com o espírito certo, mas como ficção científica é horrível. Tudo bem que há de se ter uma certa dose generosa de “liberdade poética” mas nesse eles exageraram.
    Sem falar que o roteirista só copiou o “A Última Esperança”. Ficou péssimo! Infelizmente o milionários roteiristas americanos sabem estragar bons argumentos.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here