quarta-feira, setembro 22, 2021

Gripen para o Brasil

Investimentos nas alturas

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Gripen NG Demo com 6 mísseis ar-ar e duas bombas guiadas - foto Saab

Em sua primeira ação após a reeleição, a presidenta Dilma Rousseff ratifica a compra dos caças da Saab, com um aumento de US$ 900 milhões. O governo não pretende economizar para reequipar as Forças Armadas

ClippingNEWS-PAOs militantes do PT ainda comemoravam a vitória nas urnas, quando a presidenta reeleita Dilma Rousseff anunciou a primeira grande decisão de seu novo governo. O Brasil assinou com a sueca Saab o contrato para a compra de 36 caças Gripen NG, que serão incorporados à Força Aérea Brasileira (FAB). O ato ratifica a opção pelos aviões suecos, oficializada em dezembro do ano passado, após mais de uma década do lançamento do projeto FX-2, cujo objetivo era modernizar a esquadrilha de aeronaves militares brasileira.

A assinatura do contrato, realizada na sexta-feira 24 – mas divulgada somente na segunda-feira 27 –, seria apenas uma formalidade, não fosse por um motivo: o governo aceitou pagar US$ 900 milhões a mais do que havia sido combinado há cerca de um ano. Inicialmente, o custo para a aquisição dos caças seria de US$ 4,5 bilhões ou cerca de R$ 11 bilhões, ao câmbio atual. O acordo, no entanto, sofreu um reajuste de 20%, sendo fechado por US$ 5,4 bilhões, o equivalente a R$ 13 bilhões. “Esperamos muito tempo por esse momento”, afirmou o tenente-brigadeiro Alvani Adão da Silva, diretor do DCTA, órgão de ciência e tecnologia da FAB.

Gripen NG pousando - foto Saab

“A indústria aeronáutica brasileira dará um grande salto.” Em nota, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica afirmou que o valor maior se deve aos “impactos relacionados à oferta de 2009, que foram exaustivamente negociados, visando à maior participação das indústrias brasileiras.” As primeiras aeronaves, montadas na fábrica de Linköping, na Suécia, deverão ser entregues em 2019. O último caça aterrissará no Brasil em 2024. A Força Aérea informou, ainda, que negocia com a Saab a cessão temporária de modelos antigos do Gripen, que serão utilizados em sua frota até que os novos estejam prontos. Não foi informado o quanto custaria esse empréstimo. Parte dos componentes será fornecida por fabricantes brasileiros. A principal delas é a Embraer.

Segundo Lennart Sindahl, executivo de aeronáutica da Saab, cerca de 15 caças serão totalmente montados nas instalações da fabricante brasileira. Para a Saab, a assinatura do contrato representa um grande trunfo nos negócios. “O contrato valida o Gripen como o mais capaz e moderno sistema bélico no mercado”, afirmou Hakan Buskhe, CEO da companhia. Além da Suécia, utilizam o Gripen as Forças Armadas da República Tcheca, Hungria, África do Sul e Tailândia. No Reino Unido, o avião é usado para treinamento. Do lado brasileiro, a rapidez com que o acordo foi ratificado – a previsão era de que o contrato fosse assinado apenas em dezembro – demonstra a vontade do governo de reequipar as Forças Armadas.

Gripen NG para o Brasil - concepção artística Saab

Além do FX-2, há ao menos três outros grandes projetos militares em curso. Somados ao FX-2, eles vão movimentar quase R$ 60 bilhões nos próximos anos. “Ficamos parados duas décadas”, afirmou à DINHEIRO o general de brigada Marcelo Eschiletti, que comanda a divisão de obras do Exército. “Estamos recuperando o tempo perdido.” O projeto mais caro é o Prosub, orçado em R$ 24 bilhões, para construir o primeiro submarino nuclear do País. Parte dos esforços para proteger a costa, incluindo o pré-sal e as reservas minerais da chamada Amazônia Azul, o Prosub vigiará uma área equivalente à metade do território terrestre nacional.

Esse projeto é complementado pelo Sisgaaz, um sistema de monitoramento marítimo que exigirá investimentos de R$ 10 bilhões. Em solo, o Brasil está investindo em outro sistema de monitoramento, o Sisfron. Quando concluído, em 2016, ele ajudará na defesa dos 17 mil quilômetros de fronteiras secas do País, ao custo de R$ 12 bilhões. Não é por acaso que a lista de companhias que entram no mercado bélico não para de crescer. É o caso das empreiteiras OAS e Odebrecht, da Embraer e da italiana Iveco, braço de veículos pesados da Fiat, que no ano passado inaugurou uma fábrica de blindados no Brasil.

Gripen NG com seis mísseis e duas bombas - foto 3 Saab

FONTE: Isto É Dinheiro

IMAGENS: Saab

NOTA DO EDITOR: a reportagem comete alguns equívocos, em nossa opinião. Afirmar logo no início que “a presidenta reeleita Dilma Rousseff anunciou a primeira grande decisão de seu novo governo”, ainda que, evidentemente, a decisão seja do governo em que ela é presidente, não condiz com o fato de que o anúncio não foi feito por ela em pessoa (ou mesmo por alguma nota a ela atribuída), e sim pela FAB e pela Saab, em informes divulgados na segunda-feira, dia 27 de outubro (como o próprio texto da matéria menciona na sequência) sobre a assinatura realizada na sexta-feira anterior, dia 24.

Além disso, o novo mandato da presidente começa oficialmente em 1º de janeiro de 2015, portanto a decisão não é do “novo governo”, e sim do atual. Obviamente, na realidade da prática política o novo governo começou após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições no próprio domingo, dia 26. Ainda assim, o contrato foi assinado na sexta-feira, dia 24, dois dias antes do segundo turno. Ou seja, a “ratificação” citada no subtítulo não pode ser tecnicamente ou mesmo politicamente considerada “sua primeira ação após a reeleição”, e sim uma das últimas ações realizadas antes do segundo turno. O que se pode dizer, isso sim, é que foi o primeiro anúncio de um importante contrato militar feito após a reeleição, relembrando mais uma vez que esse fato não foi anunciado pela própria presidente.

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Oganza

Nunão, “…o Sisfron. Quando concluído, em 2016, ele ajudará na defesa dos 17 mil quilômetros de fronteiras secas do País, ao custo de R$ 12 bilhões…” Esse trecho está correto? Conclusão é para 2016 mesmo? Esses valores divulgados para o Sisfron e Sisgaz estão corretos? Para mim está meio irreal ou subestimado: R$ 12 bi e R$ 10 bi respectivamente. Os requerimentos foram reduzidos? No mais parabéns a vc pela nota colocando os pingos “i”s, pois a materiazinha da Isto É Dinheiro ficou “tendenciosa” para dizer o mínimo. Os caras insistem em assassinar a língua escrevendo presidente com “a”… ridículo.… Read more »

Baschera

Aproveitem… pois vamos ficar falando destes projetos por muiiiittttoooo tempo… andando em circulos.

Com o tamanho da tesoura criada nas oficinas econômicas deste desgoverno… o próximo ano (anos aliás) … será muita sorte se as FFAAs puderem usar o lado b do papel higiênico.

O texto cita R$ 60 bilhões… pois bem, só o déficit do GF em setembro passado foi de mais de R$ 20 bilhões…em um ÚNICO mês.

Desde a implantação do Plano Real, também em setembro passado, o tesouro nacional apresentou pela primeira vez um déficit… e são mais de 20 anos de superávit.

Sds.

Oganza

vlw Nunão,

foi o que eu pensei… assim como os valores tb devem ter algum equívoco tb, ao menos em parte.

Grande Abraço.

Marcos

Com um US$ 1 bi a mais, o ainda inexistente Gripen NG já vai ficando mais caro que o F-18. Isso ai é como o Programa Espacial Brasileiro: lá atrás tínhamos um quase acordo com os americanos, mas a gritaria foi geral, que daquele jeito não deveríamos assinar nenhum acordo, que os americano estariam nos explorando, aquela coisa toda. Dai assinaram o mesmo acordo com os ucranianos, sem ToT, sem nada – mas não eram os americanos malvados, né!? – e o resultado está ai: muito dinheiro para o espaço e foguete que é bom… nada! O programa FX-2 foi… Read more »

Gilberto Rezende

Baschera o Brasil não ficará sem recursos por muito mais tempo e a tesoura das “oficinas econômicas” deste bom governo re-eleito poderá ser guardada. Tua projeção funesta simplesmente não vai se realizar. Sobre o pré-sal no site da Petrobrás: “Atualmente, contamos com nove plataformas em produção e um TLD – Teste de Longa Duração, cujo tempo de produção é estendido para verificar os limites do reservatório e sua comercialidade – sendo realizado na província pré-sal. Até 2018, outras 19 unidades de produção entrarão em operação. Por isso, nossos investimentos na área do pré-sal se ampliam cada vez mais e chegarão… Read more »

Oganza

kkkkkk… cada pensamento ridículo… como se uma única impresinha fosse “salvar” uma nação de 200 milhões de pessoas… … Brasil, a eterna bola da vez e sempre com uma solução que é a bola da vez… … o País da monocultura, do mono-pensamento, da mono-solução pq é formado por gente que pensa assim, pois possuem um mono-cérebro “equipado” com um mono-neurônio… …e só inventando palavras para “entender” o mono-conceito que é o Brasil, abarrotado de pessoas que são mono-seres com a incrível capacidade de produzir um mono-pensamento oriundo de seu mono-intelecto. Ps.: mas tem gente inteligente no Brasil, possuímos White… Read more »

Gilberto Rezende

Organza chamar a Petrobras de emprezinha é sem noção demais!!! Até para o teu padrão de entendimento rapaz… A Petrobrás é a ponta de lança de uma reforma de infra estrutura em curso no país. O pré-sal não é mono conceito é conceito-base onde outras ações coordenam. Mas tucano é bicho de pouca visão mesmo. Estamos instalando um dos maiores conjuntos de parques de geração de energia eólica do mundo, ferrovias ligarão a antiga ferrovia norte-sul até São Paulo até o sul de verdade aqui em Rio Grande/RS e também no seitido leste-oeste, em 2018 a transposição do São Francisco… Read more »

Guilherme Poggio

Pessoal

Estamos desviando do assunto. Falar da Petrobras aqui não tem cabimento. Um defendendo e outro atacando a companhia.

Vamos deixar a petrobras e seus problemas (que não são pequenos) para um blog de ações ou de petróleo. OK?

Wagner

Que fim levou a ideia de produzir aqui por uma multinacional aquele treinador-atacante da Coréia do Sul ??

Seria o ideal para complementar a FAB !

Já pensaram ? a FAB ficariua show !!!!

joseboscojr

A minha visão é a seguinte. Tínhamos os Mirage 3 (17, salvo engano) que por pura falta de gestão, competência, interesse, ou seja lá o que for, não foram substituídos à tempo. Aí inventaram de arrumar uma dúzia de Mirage 2000 como caça tampão. Vergonhosamente o “tampão” também ficou tanto tempo “tampando” que envelheceu e saíram de operação. Hoje não temos nenhum caça de verdade já que por melhor que seja o F-5, é vergonhoso. Poderíamos ter resolvido essa vergonhosa situação há alguns anos, comprando um caça em franca produção (F-16, Super Hornet, Gripen, Rafale, Typhoon, Mig 31, Su-30, Su-35,… Read more »

joseboscojr

E vamos “montar” 15 caças. Tenham dó!
Tudo isso de TT, TIT, TTI, pra “montarmos” 15 caças?
Tipo lego-lego?
Ah! Mas se comprarmos 120 caças NG pra substituímos os AMX e os F-5 quem sabe lá pela sexagésima célula nós já estaremos fabricando aqui uns 5% da fuselagem.
Grande TT.
Alguém em sã consciência acha que vamos adquirir mais que os tais trinta e poucos?
E o TT inclui aprendermos a fazer turbofan com pós combustor? Radar AESA? Não?
Me poupem!!!!

Nórdico

Pois é Bosco, e ainda existe uma gigante propaganda em São Bernardo do Campo quanto ao sucesso da implementação de uma unidade de fabricação de fuselagem do NG nesta cidade. O Sr. prefeito / piloto / grevista vive contando vantagem por trazer a empresa para cá…..mas esquece (ou melhor, se exime completamente) de fazer qualquer comentário sobre a decisão da ROLLS ROYCE de encerrar as operações de revisão de motores aeronáuticos (após 55 anos na cidade), enviando todo seu trabalho para o Canadá. Foram quase 300 profissionais com alta especialização e grande experiência e conhecimento demitidos. Foi uma enorme perda… Read more »

Marcelo Pamplona

Bom dia a todos!

Só um pitaco:

Anunciar investimentos é uma coisa!

Desembolsar “la plata” nos prazos e volumes necessários é outra completamente diferente!

Vide o histórico recente do programa A-1M, por exemplo.

Sds.

joseboscojr

Nunão,
O inicial é o ano de 2005 quando da aposentadoria dos Mirage 3, e o final é lá pelo ano 2020 quando entrar em operação pelo menos uma pequena parte dos NGs.
Até lá, esse gap de 15 anos é preenchido por tampões subarmados.
Tudo bem que fui um pouco exagerado já que tampão também é caça, mas foi no calor da argumentação.
Mas na real, caça tampão é igual o NAe tampão, só serve pra manter doutrina e a proficiência dos pilotos e da equipagem e são pouco úteis em desempenhar sua missão.
Um abraço.

joseboscojr

Nunão, Se o cidadão fosse como o Estado, que exige da iniciativa privada coisa de primeiro mundo, iríamos estar reivindicando uma centena de F-15E. Mas não, somos bem mais racionais e pedimos ao Estado só uns 18 F-16 ou Gripen ou Mig-29. Isso não é pedir muito. Tivesse o GF lá pelo início da Século orquestrado a aquisição pura e simplesmente de uns 18 caças leves e de umas três dúzias de mísseis Amraam ou R77 e estávamos satisfeitos. Nada demais! É o mínimo que se espera do 7º PIB mundial, que ocupa 50% da América do Sul e com… Read more »

Marcos

Como diria Popeye Noel: ho, ho,ho…

Gripen NG somente para 2019.

E Gripen C, somente oito.

Oganza

Bosco,
3 de novembro de 2014 at 17:45

maravilhoso… até derrubei o copo aki…kkkkkk

“Simples! Mas não! Se não for sofrido e complicado parece que não satisfaz.”

– Nóis é muler di malandro rapá, nóis panha mais gosta.

Grande Abraço.

juarezmartinez

Bosco! Eu estou afastado dos debates aqui, mas li teus comentários e não posso deixar de dizer que simplesmente foi um aula de pragmatismo, de patriotismo e de racionalidade.

Grande Jose Bosco, parece que entraste na minha cabeça e arrancou minhas palvras.

Grande abraço de um velho graxeiro que tem uma imensa admiração pela tua pessoa.

joseboscojr

Juarez, Besteria isso de deixar de comentar. Aqui é um lugar onde a gente pode espairecer e jogar conversa fora sobre um assunto que gostamos. Se fosse deixar de comentar toda vez que o Galante ou o Nunão aparentaram não concordar com minha opinião eu já tava mudo e com osteoartrite. rsrssss Somos todos amigos, mesmo que virtuais, e é normal haver algum desentendimento ou discordância em um ou outro comentário sobre algum tema. Acho que deveria reconsiderar essa ideia de deixar de comentar que isso não leva a nada e só prejudica o debate. Eu pelo menos, e sei… Read more »

Rinaldo Nery

Apesar de tampão, os binômios M2000/Magic (ou Matra?) e F-5M//Derby introduziram a FAB na arena BVR. E já postei aqui que o M2000 trouxe, também, o Cap Paul Hervé, que ensinou os Jaguares a combaterem BVR.
Pra mim, o Paul foi a aquisição mais importante.
Como o Juarez já postou, o F-5 ficou uma jaca com o Derby sob a asa, mas isso não impediu o aprendizado.
Quando o GRIPEN for implantado, combate BVR já será um step superado.

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