quarta-feira, junho 23, 2021

Gripen para o Brasil

F-22: mais informações e fotos de missões contra o EI

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

F-22 reabastece em voo na ida de missão de 26set - foto 3 USAF via The Avionist

Quatro caças F-22 dentre os últimos produzidos, armados de bombas GBU-32 JDAM de 1000 libras, participaram da segunda de três levas de ataques da madrugada de 23 de setembro contra alvos do Estado Islâmico, na Síria

Trazemos aqui uma compilação de informações e de fotos divulgadas nos últimos dias a respeito da primeira missão de ataque, num conflito em andamento, realizada pelo caça F-22 Raptor da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), marcando a estreia de um caça de quinta geração em missão de combate real. As fontes são a USAF, a CodeOne magazine (revista de divulgação da Lockheed Martin, fabricante do caça), o jornal The Daily Beast e o site The Avionist.

Segundo a CodeOne, foram três levas de ataque realizados pelos Estados Unidos, juntamente com as nações parceiras Bahrein, Jordânia, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, na noite de 22 para 23 de setembro, contra quatorze alvos do Estado Islâmico (EI) na Síria. Pelo lado norte-americano, a primeira leva de ataque foi realizada por volta da meia-noite e compreendeu o lançamento de mais de quarenta mísseis de cruzeiro BGM-109 Tomahawk pelos navios USS Arleigh Burke (DDG-51) e USS Philippine Sea (CG-58), da Marinha dos EUA (USN), em alvos no leste e norte da Síria.

F-22 taxia antes de decolar para o ataque ao EI na Síria - foto 2 USAF via Daily Beast

F-22 taxia antes de decolar para o ataque ao EI na Síria - foto 3 USAF via Daily Beast

A segunda leva de ataque foi a que incluiu o F-22 Raptor, juntamente com jatos F-15E, F-16, B-1 e aeronaves remotamente pilotadas, lançadas de bases na região, e que atacaram alvos no norte da Síria. No caso dos F-22, a missão foi divulgada como a primeira vez em que o caça foi usado em combate. Os Raptors empregados pertencem à 1ª Ala de Caças (1st Fighter Wing) da Base Aérea de Langley, na Virgínia.

Na missão sobre a Síria, os F-22 empregaram bombas de 1.000 libras (aproximadamente 500kg) GBU-32 JDAM (Joint Direct Attack Munition), contra a área central e direita de um centro de comando e controle do EI, mostrado nas fotos abaixo (antes e depois do ataque), divulgadas pela CodeOne.

Alvo do EI atacado pelos F-22 da USAF na Síria - foto via CodeOne Magazine

A terceira e última leva incluiu caças F/A-18 lançados pelo navio-aeródromo USS George H.W. Bush (CVN-77) e caças americanos F-16 baseados na região, contra alvos no leste da Síria. Todas as aeronaves deixaram as áreas do alvo em segurança.

F-22 reabastece em voo na volta do ataque ao EI na Síria - foto 3 USAF via Daily Beast

F-22 reabastece em voo na volta do ataque ao EI na Síria - foto 2 USAF via Daily Beast

General Jeffrey L Harrigian fala em 29 de setembro sobre missões contra EI na Síria - foto 2 USAFEm coletiva de imprensa realizada no Pentágono na segunda-feira, 29 de setembro, o major-general Jeffrey L. Harrigian, chefe-assistente do Estado Maior de Operações, Planos e Requerimentos, falou sobre o impacto decisivo que o poder aéreo pode ter na coalizão contra o EI: “Vemos o poder aéreo como um dos componentes fundamentais da estratégia completa, mas também reconhecemos que ele, sozinho, não vai destruir o EI. Temos trabalhado com nossos parceiros de coalizão e outros serviços das Forças Armadas dos EUA durante anos para desenvolver o conjunto completo de capacidades de poder aéreo que estamos colocando nessa luta.”

Uma das capacidades empregadas foi o F-22, que apesar de colocar a capacidade furtiva e a velocidade no cenário, teve seu sistema aviônico como característica destacada pelo general: “As grandes capacidades que o F-22 traz são seus aviônicos integrados, sua fusão de dados dos aviônicos que facilitam a consciência situacional. Isso não é (uma vantagem) apenas para o piloto na aeronave, mas realmente para todo o pacote que está indo executar a missão”. Ou seja, de acordo com Harrigian o F-22, além de atacar os alvos, provê consciência situacional por meio de seus aviônicos integrados e sensores fundidos para outras aeronaves no combate.

General Jeffrey L Harrigian fala em 29 de setembro sobre missões contra EI na Síria - foto USAF

F-22 taxia antes de decolar para o ataque ao EI na Síria - foto USAF via Daily Beast

F-22 taxia antes de decolar para o ataque ao EI na Síria - foto 4 USAF via Daily Beast

Ao acrescentar o F-22 aos meios disponíveis no pacote de ataque, todos os aviões se tornam mais letais e ampliam sua capacidade de sobrevivência, por se estar oferecendo mais medidas de proteção. Porém, para prover efeitos decisivos, é necessário maximizar as capacidades totais do poder aéreo, segundo o general: “O poder aéreo oferece uma ampla gama de capacidades para os comandantes e também para o presidente. Além de ataques aéreos, nós continuaremos a prover vigilância, inteligência, reconhecimento, aviões de reabastecimento em voo, plataformas de comando e controle, assim como assistência humanitária, necessárias para atender aos requerimentos duradouros e emergentes que naturalmente ocorrerão no curso da operação.”

O jornal The Daily Beast trouxe mais informações e diversas imagens da missão do F-22 em 23 de setembro, especialmente dos reabastecimentos em voo, desde a ida à noite até a volta já com a luz do dia. Segundo o jornal, foram quatro os jatos F-22 do 27º Esquadrão de Caça (27th Fighter Squadron) da 1ª Ala de Caça que tomaram parte na missão noturna sobre os alvos na Síria. O pacote de ataque decolou da Base Aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, e pousou no início da manhã do dia 23. As fotos divulgadas pelo jornal (dentre as quais as duas abaixo e as duas acima) incluem as aeronaves taxiando, e são creditadas ao Maj. Jeff Heiland e ao Tech. Sgt. Russ Scalf (para este último, as fotos das aeronaves taxiando) da USAF.

F-22 reabastece em voo na ida ao ataque ao EI na Síria - foto USAF via Daily Beast

F-22 reabastece em voo na ida ao ataque ao EI na Síria - foto 2 USAF via Daily Beast

Os quatro caças F-22 empregados estão entre os mais novos dos 187 exemplares produzidos (o último da frota foi entregue à USAF em maio de 2012) e, com a recente atualização denominada ” Increment 3.1″, têm a capacidade de atacar alvos no solo com 0ito bombas de 250 libras guiadas por satélite, realizar mapas do solo de alta qualidade fotográfica, assim como ataques eletrônicos a radares inimigos. Porém, as bombas utilizadas pelos caças no ataque de 23 de setembro empregaram apenas bombas de 1.000 libras guiadas por satélites, ainda que o poderoso conjunto de sensores das aeronaves foram as principais razões para a USAF empregá-las na missão.

Entre as características de desempenho do caça em sua missão principal, de superioridade aérea, estão o seu teto de voo de 60.000 pés e a capacidade de supercruzeiro (manutenção de voo supersônico nivelado sem uso de pós-combustão) a Mach 1.8. Embora o limite normal de velocidade (nesse caso, com pós-combustão acionada) seja Mach 2, estruturalmente a aeronave pode alcançar Mach 2.25, segundo a reportagem do jornal.

F-22 reabastece em voo na volta do ataque ao EI na Síria - foto USAF via Daily Beast

F-22 reabastece em voo na volta do ataque ao EI na Síria - foto 4 USAF via Daily Beast

O site The Avionist também divulgou imagens dos caças F-22 Raptor em missão na região, a partir da Base de Al Dhafra. Porém, o site informa que as imagens divulgadas (creditadas ao Tech. Sgt. Russ Scalf da USAF) são do dia 26, tiradas de um avião reabastecedor KC-10 da USAF – diferentemente das imagens do Daily Beast que são informadas como do dia 23. As imagens do site The Avionist são as duas abaixo e a que abre esta matéria.

O site também informou que, junto aos F-22 estacionados em Al Dhafra, estão jatos F-15E Strike Eagle normalmente baseados em Lakenheath (base da RAF, Força Aérea Real britânica), que também tomaram parte no pacote de ataque aos alvos do EI na Síria. Os F-22 estão desdobrados no Golfo Pérsico a cerca de 6 meses, e deverão em breve ser substituídos por outros 6 caças Raptor do 95º Esquadrão de Caça (95th FS) da Base Aérea de Tyndall.

F-22 reabastece em voo na ida de missão de 26set - foto USAF via The Avionist

F-22 reabastece em voo na ida de missão de 26set - foto 2 USAF via The Avionist

Para diferenciar a origem de cada foto publicada aqui, passe o cursor sobre as imagens para ler os descritivos, e clique para ampliá-las.

FONTES / FOTOS: CodeOne magazine, Força Aérea dos EUA,  The Daily Beast e The Avionist (compilação, tradução e edição do Poder Aéreo a partir de originais em inglês)

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joseboscojr

A precisão das bombas JDAM a serviço dos EUA é impressionante. Eles usam o sistema GPS diferencial que adota antenas em terra, portáteis, que corrige os erros inerentes ao uso dos satélites.
Contra alvos fixos praticamente não se faz mais necessário refinamento via sensor terminal e basta o guiamento por GPS.

Nick

Belas fotos do Raptor. 🙂

A noturna serve até como desktop.

[]’s

Júlio Costa

Belíssimas fotos. O F-22 Raptor é uma aeronave formidável.

Jeffrey L. Harrigian: “Vemos o poder aéreo como um dos componentes fundamentais da estratégia completa, mas também reconhecemos que ele, sozinho, não vai destruir o EI.”

Será que veremos uma campanha terrestre da coalizão contra o EI no solo sírio?
Ou veremos o Assad ser fortalecido, para que esse, venha a destruir o EI?
Que situação!

Carlos

Lindas fotos, boa matéria, Mestre Bosco sempre nota 1000 e tão “azeitando os vetores e os pilotos” (rs), evita ferrugem (kk).

Carlos

EDITORES:

Trocaram o vetor do banner !

O ST tá muito legal, bom mesmo.

O G NG-BR ficará muito bom para o banner em 2022.

Júlio Costa

A penúltipa foto é a mais bela de todas. O F-22 é uma aeronave linda e mortal.

Groo

Antenas no solo? Interessante! Elas fica em um país vizinho ou são plantadas por forças especiais ou outras aeronaves como os sensores igloo White da época do Vietnã?

joseboscojr

Groo,
Desde que haja uma estação retransmissora num raio de 1000 milhas o DGPS funciona. A estação é portátil e fácil de instalar e usa freqüência de rádio VHF com capacidade além do horizonte.

Groo

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