Brasil e França depois do FX2

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    EC725 - 12 da FAB na Flight Line da fábrica da Helibras em Itajubá - out 2012 - foto Nunão - Forças de Defesa

    Artigo de José Mauricio Bustani, embaixador do Brasil na França, para o jornal ‘O Estado de S.Paulo’

    ClippingNEWS-PAA escolha soberana, pelo Brasil, do caça sueco Gripen, no contexto do processo FX2, poderá ter feito com que muita gente não perceba os benefícios, para o Brasil, das nossas parcerias com a França, tão evidentes durante a visita de Estado do presidente François Hollande, que esteve em Brasília e em São Paulo nos dias 12 e 13 de dezembro.

    Desde 2006, quando a Parceria Estratégica Brasil-França foi lançada, acumulamos realizações. No ano de 2013, inauguramos o Estaleiro Naval de Itaguaí, onde o Brasil está construindo, em parceria entre a Marinha, a Odebrecht e a empresa francesa DCNS, quatro submarinos convencionais e um a propulsão nuclear. Trata-se do maior projeto de capacitação industrial e tecnológica da história da indústria de defesa brasileira.

    “O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub) garante a transferência de tecnologia e a nacionalização de processos produtivos, o que coincide com a essência da nossa estratégia nacional de defesa”, conforme frisou a presidenta Dilma Rousseff em sua entrevista coletiva com o presidente Hollande.

    O ano também foi marcado pelo bem-sucedido voo de teste, dois meses antes do prazo previsto, do primeiro helicóptero Super-Cougar (EC725) totalmente produzido na fábrica da Helibras, em Itajubá, no âmbito do programa H-XBR. Em torno da Helibras, com transferência de tecnologia da Airbus-Eurocopter, consolida-se o segundo polo aeronáutico do Brasil, além do de São José dos Campos.

    Domingo Aereo - AFA 2013 - EC725 decolando

    No encontro mais recente entre os dois presidentes, foram lançados novos programas conjuntos. Entre os dez atos assinados no Palácio do Planalto, destacam-se os acordos nos campos de supercomputação, espaço, energia nuclear, indústria naval e formação de pessoal.

    O programa que gera perspectivas mais positivas para a capacitação tecnológica brasileira talvez seja o de área de computação de alto desempenho. Prevê-se parceria entre o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), a Coppe e a empresa francesa Bull para a montagem e operação de um supercomputador e de dois centros de pesquisa, transferindo para o Brasil tecnologia hoje restrita a um punhado de países. Universidades, empresas nacionais e centros de pesquisa terão acesso direto a essa capacidade, logrando rodar programas e simulações antes inacessíveis.

    Concepção Artística do SGDCA empresa brasileira Visiona, empreendimento conjunto da Embraer e da Telebras, assinou contrato com a empresa francesa Thales, para o fornecimento do primeiro satélite geoestacionário de defesa e comunicação (SGDC) do Brasil, de uso civil e militar. Com isso, o Brasil garante a segurança das suas comunicações estratégicas, antes terceirizadas para satélites operados por grupo estrangeiro. É apenas o primeiro passo para a instalação no Brasil, em parceria com a França, da capacidade de construir satélites de telecomunicações os mais sofisticados, e para novos projetos na indústria espacial.

    A Eletrobrás também celebrou com a empresa francesa Areva, sucessora da alemã Siemens no domínio da energia nuclear, contrato para o término da Usina de Angra III, de 1,25 megawatts.

    A Odebrecht e a DCNS assinaram memorando para instalar no Brasil uma empresa estratégica de defesa, com controle brasileiro, para construir e reparar navios de superfície, aprofundando a parceria naval iniciada com o ProSub.

    O aprofundamento da cooperação do Ministério da Educação com seus contrapartes franceses, no âmbito dos programas Ciência sem Fronteiras, Licenciatura sem Fronteiras e Francês sem Fronteiras, garante que a França continuará a ser o principal parceiro do Brasil na formação de engenheiros, cientistas, matemáticos e, mais recentemente, professores do ensino médio e profissional.

    Já há mais de 500 empresas francesas estabelecidas no Brasil, inclusive as construtoras de automóveis PSA e Renault (que está inaugurando nova fábrica em Resende); a Total e a Technip, parceiras da Petrobrás no desenvolvimento das reservas do pré-sal; e o gigante da distribuição Casino, que depois da aquisição do Grupo Pão de Açúcar se tornou o maior empregador do Brasil. Para que novas empresas brasileiras, sobretudo pequenas e médias, tenham a oportunidade de negociar novas parcerias com suas contrapartes francesas, lançamos o Fórum Econômico Brasil-França.

    A conjugação do dinamismo do Brasil com a tecnologia da França beneficia os dois países e acelera o desenvolvimento brasileiro. O objetivo brasileiro não é meramente comprar, mas aperfeiçoar a capacidade de construir e inovar. O objetivo francês não é meramente vender, mas celebrar parcerias que aumentem a escala de sua indústria e permitam que ela se mantenha na vanguarda mundial. No século 21, o Brasil está superando o atraso acumulado das nossas indústrias e instituições de pesquisa, dando verdadeiros saltos tecnológicos. Entre os países que estão na vanguarda científica, é com a França que mantemos a parceria mais diversificada e mais profunda.

    É normal que a França, justamente orgulhosa do seu “savoir-faire”, fique decepcionada com o resultado do FX2, que optou não pelo avião mais sofisticado, mas pelo mais adequado de acordo com os parâmetros decididos pelo governo brasileiro. Para que tenhamos uma ideia de como os franceses se sentem, podemos lembrar como nós, brasileiros, nos sentimos na final da Copa de 1998. Assim como o Brasil não ganha todas as Copas, a França não ganha todas as concorrências internacionais.

    Mas outras competições virão, e a amizade tradicional e a complementaridade natural entre Brasil e França trarão novas conquistas para os dois países.

    FONTE: O Estado de São Paulo (artigo de José Mauricio Bustani, embaixador do Brasil na França)

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    Franco Ferreira
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    Franco Ferreira

    Este é o Embaixador brasileiro na França. Como dizia De Gaulle (francês) … não é sério!

    Apollo
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    O colunista estaria 100 % correto se nós não estivéssemos pagando, e caro, pelo PROSUB, Helicópteros e etc….. O sujeito misturou futebol com venda de aviões. As tais “parcerias” só existem porque estamos pagando por elas. Não existe aí benevolência francesa a não ser do nosso lado por meio de alguns de nossos governantes que preferem comprar sempre na França mesmo a preços mais altos que os praticados pelo mercado, talvez vislumbrando um passeio na faixa na cidade luz…….

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    Observador

    Graças ao FX-2 talvez o Brasil esteja inaugurando uma nova fase, sem estas parcerias caracu. Devemos fazer um breve balanço dos resultados destas parcerias: – a compra de um casco-protótipo de um submarino nuclear, com a obrigação de comprar 4 scorpenes que a MB não precisava; – a construção de uma base naval onde as grandes beneficiárias foram mesmo as construtoras, as cimenteiras e siderúrgicas que fabricam vergalhões de aço; – a transferência de tecnologia de um helicóptero projetado na década de sessenta para uma empresa nacional, que foi comprada pelo grupo francês que vendeu o aparelho. Ou seja, pagamos… Read more »

    Marcos
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    Marcos

    Mais um querendo ganhar um novo posto em algum lugar.

    Quando vejo esse tipo de coisa, puxando com toda força algo que a governanta não tem, tenho a mais absoluta certeza que essa parceria franco-tupiniquim atende somente os anseios franceses e interesses de políticos e empresários locais.

    É o Brasil levando fumo, mais uma vez.

    Marcos
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    Member
    Marcos

    É como um outro jornalista ai que andou espalhando que o preço do Hornetão era o mais caro. Dai vem a certeza que era o mais barato.

    Marcos
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    Marcos

    Senhores: A recusa de Amorim em dizer qual foi a classificação dos três proponentes, o fato de os jornalistas chapa branca informarem por ai que o F-18 era o mais caro e toda essa justificativa que está sendo propalada, apenas indicam que que o F-18 ficou em primeiro lugar na classificação geral. Ou seja, novamente a decisão foi ideológica. Alguém vai dizer: Ah…, os americanu nos espionaram e se recusaram a pedir desculpas. Pois bem… o índio cocalero invadiu os aviões da FAB, não pediu desculpas e ainda riu da nossa cara e nem por isso a Governo Federal abriu… Read more »

    Marcos
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    Marcos

    Tânia Monteiro do Estadão: Queria saber a ordem, primeiro foi o Gripen, quem foi o segundo e quem foi o terceiro se o senhor puder citar? (…)

    Ministro Celso Amorim: (…) Sobre os outros não interessa. Isso é que nem o Oscar, ganhou, ganhou.

    Aldo Ghisolfi
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    Aldo Ghisolfi

    O Observador está com a razão… a parceria é fruto de bilhões de dólares colocados nas mãos de quem os franceses mandaram; a parceria não é gratuíta e nem parceria, antes, eu a chamaria de transação, de negócio…

    Oxalá essa revirada no côcho nos permita enxergar que os gaulese -sem ofensa ao Asterix e Obelix- não foram, não são e nunca serão os parceiros que queremos e merecíamos -ainda não digo merecemos!-.

    Blackhawk
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    Blackhawk

    Apollo 23 de dezembro de 2013 at 11:03 # O colunista estaria 100 % correto se nós não estivéssemos pagando, e caro, pelo PROSUB, Helicópteros e etc….. O sujeito misturou futebol com venda de aviões. As tais “parcerias” só existem porque estamos pagando por elas. Não existe aí benevolência francesa a não ser do nosso lado por meio de alguns de nossos governantes que preferem comprar sempre na França mesmo a preços mais altos que os praticados pelo mercado, talvez vislumbrando um passeio na faixa na cidade luz… ********************************************* Posso ser criticado, mas ao contrário de muitos que acham tudo… Read more »

    thomas_dw
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    thomas_dw

    o UH-60L que a FAB usa é baseado na tecnologia dos anos setenta, o F-16 é baseado na tecnologia dos anos setenta, assim como o F-15 e F-18, o Caracal, é baseado no Puma , que a RAF, de tao bons, preferiu manter voando por mais 10-15 anos usando tecnologia derivado do Super Puma. O Estaleiro que a Marinha esta recebendo, é capaz de produzir nao apenas Submarinos, mas Fragatas – alias, o melhor aspecto do negocio é o estaleiro. Quanto aos Scorpene, as 4 unidades repoe a baixa dos 3 Oberon e o cancelamento do segundo Tikuna. se o… Read more »

    Augusto
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    Augusto

    Por um momento pensei que fosse o embaixador da França no Brasil, e não o embaixador do Brasil na França. Está puxando tanto a sardinha para o lado dos franceses que me pergunto se ele trabalha para nosso país ou para aquele país europeu. Quanto a notícia de que “A Odebrecht e a DCNS assinaram memorando para instalar no Brasil uma empresa estratégica de defesa, com controle brasileiro, para construir e reparar navios de superfície, aprofundando a parceria naval iniciada com o ProSub”… sei não, isso pode dar frutos. Há muitos interesses em jogo e esses são dois grupos empresariais… Read more »

    DrCockroach
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    DrCockroach

    Teria sido bem melhor se o embaixador na tivesse escrito algo. A nota da Dassault nao foi apenas uma nota deselegante de frustacao, foi uma nota que atavou a escolha feita pelo governo brasileiro, disse que nao sabemos o que fazemos.

    Bananas para eles!

    []s!

    DrCockroach
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    DrCockroach

    “Atavou” = “atacou”

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    Blackhawk23 de dezembro de 2013 at 13:47 # thomas_dw23 de dezembro de 2013 at 13:52 # Este é o ponto! Pagamos CARÍSSIMO por algo incerto (casco de submarino nuclear protótipo). Se os franceses são tão parceiros assim, por que não nos venderam o projeto do casco dos Rubis ou dos Barracudas? Simples. Propositadamente nos venderam algo “bichado”, que dificilmente será realizado a contento. Isto me lembra a tecnologia de jet-nozzle (alternativa às centrífugas de enriquecimento de urânio que os alemães nos repassaram e que foi um beco sem saída. thomas_dw23 de dezembro de 2013 at 13:52 # Primeiro, eles não… Read more »

    jura_gol
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    jura_gol

    Gente,o nove dedos de terror e simplismente a oitava fortuna no Brasil, gracas a Deus Dilmao tem aquilo roxo.

    Leonardo Pessoa Dias
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    Leonardo Pessoa Dias

    Observador
    23 de dezembro de 2013 at 15:10 #

    Bicho, quando você relê o que escreveu, não percebes que tem uma boa pitada de forçação de barra para a turma do “vai dar errado”?

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    Observador

    Leonardo Pessoa Dias24 de dezembro de 2013 at 11:08 #

    Ao contrário.

    Espero que a decisão do FX-2 mostre uma importante mudança de rumo.

    Como falei antes, o período de parcerias caracu com a França parece ter acabado.

    Agora, só falta acabar com as parcerias caracu com os russos.

    carvalho2008
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    carvalho2008

    A minha leitura é a seguinte….e ainda vai um recado para quem tenha Juizo… A França ganhou, e não soube ler ou dar a importancia que davamos a epoca a parceria estratégica… Seu Avião foi declarado vencedor pelo próprio Presidente Lula e o contrato apenas não foi logo assinado pois havia a burocracia ritual a ser finalizada. Quando a França deu para traz quando da mediação Turco-Brasileira para o caso do Irã, demonstraram que para eles, a parceria não existia de fato e relegou a geopolítica ao segundo plano. Não se tratava de comprar briga ou trair os americanos em… Read more »

    Vader
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    LIXO! O cidadão não fica nem vermelho ao citar a NOJEIRA que foi a contratação da Odebrecht, empreiteira oficial dos cumpanhero, sem licitação e através de empresa interposta no exterior, para obra de engenharia civil que DEZENAS de construtoras no Brasil poderiam ter realizado no mínimo com a mesma espertize. No maior ASSALTO aos cofres públicos de _____________________________. Pra não falar no projeto da Kombi Voadora, outro assalto a mão armada do governo do PT. Num país minimamente sério esse embaixador francês do Brasil seria sumariamente demitido. Em alguns outros, iria para o paredão. Aqui, recebe afagos da corja ____________…… Read more »

    Observador
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    Observador

    Vader24 de dezembro de 2013 at 15:12 #

    Não é propaganda.

    É o engulho com o cheiro de esgoto que exala do planalto e que respinga até em algumas compras militares.

    O problema é que a nossa classe política percebeu que nas compras de material militar é mais fácil burlar aquelas regrinhas chatas da Lei de Licitações.

    Se fosse outro o partido no Poder, fazendo a mesma sacanagem, todo mundo aqui estaria malhando de forma igual.

    Vader
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    Olha, é por essas e outras que estou cada vez postando menos aqui… Que “propaganda eleitoral” que eu fiz no meu comentário, ao só citar duas sujeiras da PeTralhada que são de amplo domínio público? Ora minha gente qualé… O FX2 acabou certo? Back to reality, senão a gente vai começar a discutir aqui só historinha da Galinha Pintadinha… NOTA DOS EDITORES: VADER, LEIA DE NOVO POR FAVOR A NOTA DO COMENTÁRIO ANTERIOR. NÃO DISSEMOS QUE VOCÊ FEZ PROPAGANDA POLÍTICA. PEDIMOS APENAS PARA QUE MODERASSE (E ISSO SERVE PARA TODOS, NÃO SÓ PARA VOCÊ) OS ATAQUES DE CUNHO POLÍTICO-PARTIDÁRIO POIS… Read more »

    Rinaldo Nery
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    Member
    Rinaldo Nery

    Classificação final do FX-2:
    1 – Gripen NG;
    2 – F-18; e
    3 – Rafale.
    Não perguntem de novo!

    tiagobap
    Visitante
    tiagobap

    No link abaixo, a visão da embaixadora brasileira na Suécia. O texto não trás nada de novo, mas tem uma visão mais otimista da compra dos Gripens.

    http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2014/01/08/artigo-o-lendario-gripen-em-ceu-brasileiro/

    Abraços

    Tiago