domingo, maio 9, 2021

Gripen para o Brasil

Italianos comemoram 200.000 horas de voo do AMX

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

AMX italiano - Ghibli - foto Força Aérea Italiana

Os sites da Força Aérea Italiana e da Alenia Aermacchi destacaram o marco de 200.000 horas de voo do AMX, comemorado na última quinta-feira, 30 de maio. Trata-se da quantidade de horas de voo tanto operacionais quanto em voos de testes (2.200) acumuladas desde 1984, quando voou o primeiro protótipo da aeronave de apoio tático resultante de um programa conjunto da Aeritalia  (46,5%), Aermacchi (23,8%) e Embraer (29,7%).

Apelidado de Ghibli na Força Aérea Italiana, o monomotor de ataque e reconhecimento produzido pela Itália e Brasil, seguindo especificações estabelecidas pelas forças aéreas dos dois países em 1981, destinava-se a substituir os jatos G.91Y na Itália e prover a Força Aérea Brasileira de um novo avião tático para se unir aos caças F-5 e Mirage IIIIE.

AMX 200.000 horas - foto 2 Força Aérea Italiana

Foram construídos seis protótipos (um deles perdido em acidente) e 136 exemplares de produção para a Força Aérea Italiana, sendo 110 monopostos e 26 bipostos. Já o Brasil adquiriu 56 unidades, denominadas como A-1. As entregas iniciaram em 1988

Na Itália, a Alenia Aermacchi finalizou em 2012 o programa de modernização ACOL (Upgrade of Operational and Logistic Capabilities – melhoria da capacidade operativa e logística) em 52 aeronaves para a Força Aérea Italiana, dez delas do modelo de dois lugares. A modernização incluiu sistema de navegação inercial/GPS, com integração de armamento guiado por GPS, além de melhorias no sistema de identificação amigo-inimigo (IFF) nos 42 monopostos e integração de capacidade de utilizar óculos de visão noturna. Também foi instalado uma moderna tela colorida multifunção e um gerador de símbolos computadorizado (computer symbol generator) mais poderoso.  A Selex ES é a principal fornecedora dos aviônicos da modernização ACOL.

AMX 200.000 horas - foto 3 Força Aérea Italiana

Segundo a Força Aérea Italiana, o AMX deverá atingir o limite de seu ciclo operativo na Itália daqui a dez anos, quando então será substituído. Já no Brasil, o programa de modernização A1-M  em andamento visa atualizar a frota para operar pelo menos até 2032, conforme nota da Alenia Aermacchi a respeito da celebração de 200.000 horas.

A Força Aérea Italiana celebrou esse importante marco no 51° Stormo de Istrana, destacando as operações de que já participaram as aeronaves italianas sob o mandato da ONU (Organização das Nações Unidas) e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), como em 1995 na Bósnia, em 1999 no Kosovo e em 2011 na Líbia. Desde 2009 os jatos também operam no Afeganistão onde, segundo a Alenia Aermacchi, já voaram mais de 7.000 horas demonstrando seu baixo custo operacional e perfeita adaptabilidade a diversos cenários.

AMX 200.000 horas - foto Força Aérea Italiana

FONTES / FOTOS: Força Aérea Italiana e Alenia Aermacchi (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de originais em italiano e inglês)

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Clésio Luiz

A pouco tempo eu soube que o modelo brasileiro do AMX leva mais combustível que o italiano. E que o reforço no trem de pouso foi exigência da FAB. Eu tenho uma Flap antiga com uma foto de 2 protótipos do AMX italiano sem os reforços no trem de pouso principal.

Colombelli

Uma aeronave que justificou o investimento e que, modernizada, ainda soma muito à defesa do Brasil.

Algem sabe se este que caiu estes dias atras implicará redução dos 43 a serem modernizados?

Control

Senhores

Um ponto interessante é que os italianos fizeram upgrade apenas de parte de suas aeronaves. Devem ter uma boa quantidade para reserva de peças. Dada a escassez de células aqui no Brasil, seria interessante comprar dos italianos algumas destas células, para reserva técnica.

Sds

Nick

Alguém sabe quantas horas os AMX da FAB já voaram?

Ou quantas horas por mês eles voam?

[]’s

Ivan

A Aeronautica Militare reaprendeu na campanha da Líbia o que nunca esqueceu: existem missões que podem ser realizadas por aeronaves mais simples e com menor custo operacional. Seus pequenos Ghiblis mostraram seu valor em combates reais na Bósnia, Kosovo, Afeganistão e Líbia. E olha que eles possuem caça-bombardeiros excelentes, os Tornados. Os Tornados em relação ao Ghibli tem o dobro dos motores, tripulantes e peso vazio. Claro que também tem o dobro do MTOW e do Payload. Mas se a missão precisa apenas de uma ou duas toneladas de armas, não há razão para pagar o custo operacional de um… Read more »

rommelqe

Control,

Diversas células e componentes estruturais SEM USO, estão (estavam?) armazenadas (sem corrosão?) em uma base carioca.

Assim, pelo menos do ponto de vista estrutural a compra de aviões a serem canibalizados não seria, pelo menos até onde me pareça, necessaria.

Quanto à aviônica embarcada e armamentos são bem diferentes (a começar pelo canhão orgânico, radar, etc) .

Tenho minhass dúvidas se não seria o caso de fabricar mais uma centena de novas aeronaves Super AMX..

Baschera

rommelqe disse:
1 de junho de 2013 às 12:09

São doze unidades as que sofreram com o problema de umidade excessiva no RJ.

Quanto a possibilidade de se “fabricar” mais AMX…. só se for possível na Itália… na EMB grande parte do ferramental já não existe mais.

Sds.

Almeida

Se os italianos voaram 200 mil horas, com mais que o dobro de unidades, com treinamento padrão OTAN de pelo menos 120h anuais por piloto e tendo operado os mesmos em combate em diversos conflitos, a FAB não deve ter voado nem 100 mil horas.

Não fosse a corrosão por falta de uso, nossos A-1 estariam praticamente seminovos.

rommelqe

Caro Baschera, Concordo que refazer gabaritos e outros dispositivos/ferramental já descartados (?) conduziria a custos e dificuldades relativamente altos para produzir o AMX. Mas…quando consideramos o montante de recursos que deveriam ser destinados a outros programas/opções, ainda acho que o retorno e a relação custo/benefício poderiam ser aceitáveis. Veja, por exemplo, que um dos maiores custos de fabricação estava concentrado nas extensas operações de usinagem do corpo central; essas, hoje, seriam extremamente simplificadas com o uso dos centros de usinagem, incluindo o emprego de fresas de cinco eixos comandadas por meio de recursos CAD/CAM com softwares plenamente dominados e que… Read more »

eduardo pereira

Yoda, digo,Baschera nao ha mesmo nenhuma chance de dar um grau no projeto do AMX e construir algumas células (120),de modo que sabe lá ficasse tao bom que despertasse o interesse da Itália ( e quem sabe dos vizinhos que estao sempre de olho no que se produz por aqui) no projeto remold nacional gerando dindin pra embraer e pros cofres publicos??

Sds.

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