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Sukhoi Su-35S deverá roubar a cena em Le Bourget

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Su-35 - foto 2 Sukhoi

Apesar de muitos considerarem que manobras de shows aéreos não se traduzem em capacidade de combate, elas desafiam sistemas de guiagem de mísseis, entre outras vantagens na luta aérea

Segundo artigo de Bill Sweetman publicado na Aviation Week na segunda-feira, 27 de maio, é esperado que o caça russo Sukhoi Su-35S roube a cena no Paris Air Show, em Le Bourget, neste mês de junho. Sweetman afirma que as apresentações de aviões de combate costumam cumprir esse papel no evento, mas que há um bom tempo não há uma “vedete” incontestável nas apresentações. O Su-35S promete ser essa vedete neste ano, em sua estreia em shows aéreos fora da Rússia.

Há dois anos, no evento MAKS de Moscou, o Su-35S mostrou manobras que nenhuma outra aeronave imitou publicamente, graças à comprovada manobrabilidade da família Flanker combinada um um novo sistema de controle de propulsão integrado, que inclui vetoração de empuxo 3D. Entre as manobras, estão uma transição direta de uma desaceleração dinâmica (a manobra “Cobra”) para uma curva de baixa velocidade, além de parafusos chatos sob total controle, em atitude normal ou invertida.

Su-35 - foto Sukhoi

Demonstração do tipo são seguidas do coro dos que dizem que “manobras de shows aéreos” não se igualam a capacidade de combate aéreo. Porém, demonstrações de voo não são truques de acrobacias. Cursos não previsíveis em voo desafiam os algoritmos de sistemas de guiagem de qualquer sistema de mísseis.

Além disso, a capacidade de poder apontar o nariz da aeronave rapidamente na direção de um alvo permite disparar um míssil de curto alcance com maior probabilidade de acerto, segundo Sweetman.

Su-35 - foto 3 Sukhoi

Possíveis presenças e ausências de outros caças

Quanto aos outros caças, evidentemente o Rafale estará em exposição estática e em voo. Embora a Dassault não tenha revelado planos específicos, será surpreendente se o novo radar AESA (varredura eletrônica ativa) desenvolvido para o caça pela Thales não estiver em exposição. Espera-se a presença de um Eurofighter Typhoon da Força Aérea Italiana, provavelmente com apresentações aéreas. Também são esperadas novidades quanto ao radar AESA do Typhoon, por parte dos parceiros internacionais do programa. O consórcio Eurofighter busca vender o caça aos Emirados Árabes Unidos, onde os esforços do Rafale foram brecados, participando também de seleções na Dinamarca e talvez no Canadá, e será essencial mostrar que um forte apoio dos parceiros para convencer clientes de que há um programa “robusto” de melhorias / modernizações.

A sueca Saab não divulgou se levará qualquer aeronave a Paris. Os testes no protótipo do Gripen Demo deveriam recomeçar neste mês e sua presença dependeria do progresso dos mesmos. Já a Boeing, que concorre com o Gripen e o Rafale no Brasil, não levará caças a Paris. Também não haverá presença oficial do escritório do projeto “Joint Strike Fighter” (F-35), assim como da Northrop Grumman.

Su-35 - foto 4 Sukhoi

Outra estreia russa, novidades e discussões

Além do Sukhoi Su-35S, o helicóptero russo Kamov Ka-52 Alligator deverá fazer sua estreia internacional em Le Bourget. Trata-se da nova versão de dois lugares lado a lado do Ka-50 (que esteve em Paris em 2003), equipado com armas ar-ar e ar-superfície guiadas por radar.

O treinador a jato Yakovlev Yak-130 voltará a Paris, agora em sua versão de produção, e poderá ser comparado ao seu agora distante primo italiano Alenia M-346.

A Alenia também mostrará sua versão “gunship” e de reconhecimento armado MC-27J, derivada do avião de transporte C-27J, desenvolvida em colaboração com a ATK, fornecedora do canhão Bushmaster de 30mm. Além dessa arma, a aeronave traz uma suíte de sensores multiespectrais, incluindo um radar com modos de abertura sintética e indicador de alvos móveis em terra, assim como um lançador paletizável de armas de precisão, montado na rampa traseira.

Também haverá novidades em sensores da Selex e em bombas guiadas da Rafael, e a discussões complicadas sobre programas conjuntos de aeronaves remotamente pilotadas na Europa deverão estar em pauta.

FONTE: Aviation Week (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

FOTOS: Sukhoi

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eduardo pereira
eduardo pereira
7 anos atrás

Eta nós , compra logo uns 60 destes DILMINHA só pra esperar a Embraer fabricar o nosso !! Queria ver se algum paisinho na AL iria querer encrenca conosco !!!

Guizmo
Guizmo
7 anos atrás

Sou fã da família Sukhoi porém vai ser fácil roubar a cena com a ausência da Boeing, Saab, Northrop, Grumman, Lockheed…..

Marcos
Marcos
7 anos atrás

O que me impressiona em relação ao russos é que seu PIB é menor que o nosso mas produzem todo um conjunto de armamentos.

Roberto F Santana
7 anos atrás

Esse Bill Sweetman deve ter lido o comentário do Bob Santana em:

http://www.aereo.jor.br/2013/04/28/su-35-fara-sua-primeira-aparicao-publica-internacional-em-le-bourget/

🙂

Wagner
Wagner
7 anos atrás

Exato Marcos, é que o setor industrial russo está intimamente ligado ao setor militar, ou seja, muitas das indústrias que sobreviveram a queda da URSS e ao inferno da era Yeltsin são militares, aliás como se aguentaram eu nem sei como. Na Rússia, se vc encomenda um navio de guerra, ele gera atividade econômica e isso aumenta o PIB, pq praticamente todos os componentes do navio são feitos lá mesmo. Já aqui no BR nem tanto : Vc gera emprego mas tem que importar muita coisa que o BR não sabe fazer, logo, aqui, o navio é quase um gasto… Read more »

joao.filho
joao.filho
7 anos atrás

O Sukhoi Su-35S seria um incrivel vetor para a FAB. Para quem anda de F-5, seria um salto incrivel.

Hamadjr
Hamadjr
7 anos atrás

Será que o Poder Aereo vai estar la para cobrir o evento? quanto a ter esse caça em nossa gloriosa FAB é só em sonho.

Nick
Nick
7 anos atrás

Apesar que considero hoje o PAKFA uma solução mais adequada e duradoura, não ficaria triste com uns 18 desses no GDA. 🙂

E nos demais esquadrões, 24 Gripen E/F em cada.

[]’s

Galeão Cumbica
Galeão Cumbica
7 anos atrás

Pessoal, alguem sabe me dizer qual destes protótipos foi para a produção final, o 703, 709, 901 e 902?

sds
GC

Antonio M
Antonio M
7 anos atrás

Wagner disse: 29 de maio de 2013 às 14:48 Se isso fosse tão verdade, o Canadá deveria ser mais subdesenvolvido que o Brasil. Um país que praticamente teve toda sua indústria formada por multinacionais e isso não impediu, ao contrário, que se tornasse um país desenvolvido, soube muito bem tirar proveito disso e duvido que em algum momento tenham impedido remessa de lucros das mesmas. A grande diferença deve ser a seriedade, a vontade de ser grande, decente. E a classe política colaborou para isso, não como aqui que “sobrevive” graças a líderes messiânicos, ideologia barata e olhando sempre para… Read more »

Wagner
Wagner
7 anos atrás

Antonio Eu nao disse que as multinacionais levam ao subdesenvolvimento. Eu apenas disse que a classificação de sexta economia global no Brasil deve ser interpretada com cautela. E não estou dizendo que devemos travar a remessa de lucros, mas apenas salientando que é melhor vc fazer um tanque e manter os lucros dentro de seu país do que fazer numa multi e ela tirar 40 % do lucro e mandar para o gringo. VC está comparando duas coisas distintas demais : o Canadá fez tudo certo, o BR tudo errado. A realidade deles, a cultura, foi tudo diferente. No caso… Read more »

champs
champs
7 anos atrás

Galeão Cumbica disse:
29 de maio de 2013 às 18:40

Se não me engano o 901 e o 902 foram os protótipos da versão final do Su-35BM, atuais Su-35S de produção.

O 703 e o 709 eram protótipos com canards que foram abandonados por aumentar o arrasto, rcs e peso, além de não trazer ganhos significativos, avaliaram que o empuxo vetorado era suficiente para a supermanobrabilidade.

Antonio M
Antonio M
7 anos atrás

Wagner disse:
29 de maio de 2013 às 21:33

De qualquer forma, comparar o Brasil com Rússia não faz muito sentido.

Fizemos errado por aqui mas, a Rússia é herdeira de uma política indústrial da URSS, da polarização com os EUA, o que não ocorreu conosco e poderiamos ter seguido o modelo canadense, por exemplo, e tal polarização ainda existe como pode ver no caso da Síria e até Ásia.
abç.

Nick
Nick
7 anos atrás

Caro Wagner,

O Brasil teve várias chances de implantar uma indústria militar(e não só militar) de controle e origem Nacional-brasileiro. Mas infelizmente isso exigiria uma classe diferente de políticos, uma classe que conseguisse visar não somente a próxima eleição e sim um projeto para décadas de investimentos contínuos. Temos exceções, mas infelizmente são exceções, e não a regra.

[]’s

Galeão Cumbica
Galeão Cumbica
7 anos atrás

Obrigado pela resposta Champs!

eu tenho uma miniatura do 703 da coleção DeAgostini, agora tenho que arrumar uma do 901 !!! este é mais dificil nao sei pq sendo que será a versão oficial.

sds
GC