quarta-feira, maio 12, 2021

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Nunca chegue cedo demais

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Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

 

Por Roberto F. Santana

No dia 2 de setembro de 1980 um F-14 Tomcat da Força Aérea Iraniana (IRIAF) decolou para mais uma missão de rotina. O caça era pilotado pelo Major Reza Moradi tendo como seu RIO (operador de radar) o Capitão Najafi.

Para Najafi, essa seria a mais inusitada de suas missões. Sem saber, estava a bordo de uma aeronave comandada por um desertor.

No início dos anos oitenta o Iraque organizava um programa secreto para motivar pilotos iranianos a desertarem, trazendo preferencialmente seus aviões à bases iraquianas.

Com a ajuda da CIA, o planejamento e a realização da primeira fuga foi enfim acertada. Conforme o plano, o Maj. Moradi (IRIAF) deveria decolar com seu F-14 no dia 3 de setembro, e voar o mais baixo e rápido possível a partir de um determinado ponto. Chegando ao Iraque seria escoltado à base de destino, onde um comitê de recepção daria as boas-vindas ao piloto.

Com a aproximação da data do voo, Moradi começou a sentir a pressão psicológica, e foi tomado por ansiedade e nervosismo. Não se conteve e decolou um dia antes do combinado.

O que era para ser uma recepção calorosa e tranquila, virou uma perseguição fria e explosiva.  O Tomcat de Moradi rapidamente chegou ao Iraque, subindo em altitude logo que penetrou no espaço aéreo do país, com Najafi no assento traseiro, aos gritos, revoltado e inconformado com a deserção do colega.

Logo dois MiG-23MLs se aproximaram por baixo, sendo ordenados a subir e a engajar. O líder iraquiano teve problemas com seu radar mas, rapidamente, seu ala assumiu e teve o sinal de “lock-on”. Sem hesitar, disparou seu R-24T a menos de dez quilômetros do alvo, que detonou a poucos metros do F-14.

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O Tomcat de Moradi, agora mortalmente ferido, começou a deixar um rastro de fumaça. O piloto iraniano então deu o sinal universal de rendição baixando o trem de pouso de seu avião. Os MiGs se aproximaram um de cada lado do F-14, e reportaram o que estava acontecendo ao comando de interceptação. O Alto Comando Iraquiano percebeu então que era o desertor chegando um dia mais cedo. Os iraquianos apressaram-se para receber o Tomcat e o vetoraram à base próxima. Porém, Moradi perdia altitude, não mais conseguindo pilotar o F-14 danificado. Moradi e Najafi ejetaram, abandonando o avião, sendo capturados e levados a interrogatório.

O Tomcat caiu perto da cidade na-Nu’manya, deixando somente os destroços dos motores, uma asa e os estabilizadores. Para a inteligência iraquiana, inúteis escombros sem nenhuma novidade ou segredo.

O Capitão Najafi se recusou a colaborar com as autoridades iraquianas e foi feito prisioneiro, sendo repatriado em 1991.

O Major Moradi, por sua vez, colaborou com os interrogatórios.  Porém, fez isso com informações erradas, dizendo até mesmo que os F-14s iranianos eram incompatíveis com os mísseis Sparrow! Foi finalmente exilado para a Alemanha Ocidental, sendo assassinado três meses depois.

Em 1986, depois de algumas aeronaves iranianas terem desertado, como alguns F-5 e F-4, os técnicos iraquianos e americanos finalmente conseguiram colocar as mãos em um F-14 da IRIAF. No dia 31 de agosto um Tomcat pousava em uma base iraquiana, mais uma vez com uma tripulação dividida ideologicamente e, ironicamente, encontrariam o mesmo destino dos pilotos do primeiro Grumman Tomcat a desertar.

Bibliografia:

  • Internet
  • International Air Power Review
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mario.lira

Alguem pode explicar porque os americanos precisariam de saber se o F14 podia usar o Sparrow, se os deles estavam usando exatamente este míssil para a média distância?

Marcos

Vale ressaltar que naquele período da revolução iraniana, havia imensa perseguição contra militares, pois durante décadas serviram fielmente ao Xá do Irã. Assim, muitos tiveram bons motivos para desertar. Tanto o F-14, uma espécie de F-22 da época, e o Irã, com a Força Aérea mais bem equipada do Oriente Médio, foram essenciais para impedir os sucessivos avanços por parte do Iraque. Lembrando que os iranianos tiveram de fazer intensa engenharia reversa para conseguir dar manutenção às aeronaves. Quanto à guerra no solo, à título de curiosidade, imensa maioria de jovens, lutando em nome da “causa” -sempre ela, ” a… Read more »

Marcos

mario.lira

Os F-14 fornecidos ao Irã foram dos primeiros lotes, e muitos sistemas ainda não estava, integrados, quando então veio a revolução. Os EUA, evidente, bloquearam o fornecimento de peças, o que levou, como disse acima, os iranianos a fazerem intenso trabalho de engenharia reversa.

De modo geral, os iranianos utilizaram os F-14 do seguinte modo: os alvos eram detectados por radar em terra e os F-14, à baixa altitude, eram direcionados para os alvos, acionados seus radares bem próximo ao alvo, o que normalmente era fatal para o inimigo.

Marcos

Os iraquianos usaram boa quantidade de Mig 25, capazes de operar à mach 3. Normalmente os iranianos os identificavam por conta velocidade indicada no radar.

Dada à quantidade de baixas, os iraquianos chegaram a adquirir um lote emergencial de Mirage, mas ter equipamento sem doutrina, deu no que deu: perderam-se todos.

Marcos

Ou seja, quem salvou o Irã foram os equipamentos superiores do Grande Satã Imperialista.

Assim, para o FX-2, Boeing F-18 na cabeça.

Guilherme Poggio

Eu arrisco a dizer que este foi o primeiro combate ar-ar entre caças com asas de geometria variável.

Hamadjr

Pois a história se repete, durante a invasão do grande satã ao Iraque, para trazer a democracia aquele pais, kkkkkkkkkkk, o tio Sadam mandou seus Migs para o Iram como retribuição.

virgilio

Fantástico essa matéria.
Que venham mais historias como essa?

Fernando "Nunão" De Martini

Virão sim, Virgilio. Ou melhor, continuarão vindo.

E há um monte delas já publicadas aqui. Clique na tag (categoria) “História” lá perto do título e muitas outras matérias de história vão aparecer.

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