domingo, agosto 14, 2022

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Entrevista: ‘Não sabemos qual é a intenção dos norte-americanos’

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Alexandre Galante
Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Ex-comandante-chefe do Arsenal de Mísseis de Destinação Estratégica da Rússia fala da ameaça dos aviões hipersônicos, capaz de alcançar uma velocidade seis vezes maior do que a do som

Militares norte-americanos informaram sobre outro lançamento do avião hipersônico X-51A WaveRider não tripulado. Assim como os testes anteriores, a tentativa atual não obteve êxito, mas não se fala em suspensão do programa.

O ex-chefe do Estado-Maior do Arsenal de Mísseis de Destinação Estratégica, coronel-general Víktor Essin, explicou ao jornal russo “Vzgliad” as particularidades desse tipo de míssil e a ameaça representada por ele.

Vzgliad: Qual é o grau de ameaça dessa tecnologia?

Víktor Essin: É prematuro falar sobre o tipo de ameaça que ela pode trazer. Ainda não ficou claro o que os norte-americanos pretendem fazer com esse equipamento. Se o avião for carregado com armas comuns, e não nucleares, trata-se apenas de um recurso da chamada estratégia de ataque global rápido. Isso é menos perigoso para a Rússia.

Mas se o sistema for abastecido com ogivas nucleares, o cenário muda. Quero dizer, no entanto, que a Rússia também está trabalhando na criação desse tipo de jato hipersônico. Inclusive, já realizamos testes, um dos últimos em 2011. Nosso experimento também não foi bem-sucedido, mas essas pesquisas envolvem um campo científico ainda não explorado, por isso não são possíveis avanços imediatos.

A Rússia não está atrasada nesse campo, estamos mais ou menos no mesmo nível.

Vzgliad: Qual é o principal problema da criação do protótipo?

V.E.: O problema está em garantir a estabilidade da estrutura diante das cargas de calor e de força que surgem em resultado da velocidade. O avião fica superaquecido; o material utilizado, pelo visto, perde a estabilidade e se desmantela.

Vzgliad: Quando o equipamento estiver adequadamente desenvolvido, poderá haver algum impedimento ao uso de cargas nucleares?

V.E.: Em princípio pode haver, é claro. Mas não podemos dizer que os americanos tenham informado algo a esse respeito. De acordo com declarações oficiais, esse equipamento não se destina ao uso de ogivas nucleares. Por enquanto, eles dizem que o avião está sendo desenvolvido para atacar alvos pontuais com armas comuns.

Vzgliad: Caso sejam carregados com armas nucleares, até que ponto esses mísseis balísticos intercontinentais podem ser perigosos?

V. E.: O efeito hipersônico consiste em que o avião voa a uma altura de 80, 100 km ou mais. Isso dificulta a identificação do objeto pelo sistema de defesa do espaço aéreo. Por isso o projeto é útil.

Fica difícil acompanhar a ogiva e, consequentemente, ela atinge o alvo com maior êxito do que o foguete balístico intercontinental, cuja trajetória pode ser calculada, permitindo a intercepção através do sistema de defesa antimísseis.

Vzgliad: Existe pelo menos algum projeto de contra-ataque para combater esses jatos?

V. E.: Por enquanto não. Esse tipo de tecnologia é desenvolvida diante de uma ameaça real. Quando isso acontece, é preciso criar um novo sistema. Pode ser que já tenha sido proposta a tarefa de trabalhar nesse sentido, mas eu não ouvi nada a respeito.

Vzgliad: Os sistemas de defesa antiaérea e antimísseis, presentes no equipamento dos exércitos mais avançados do mundo, são capazes de combater esse tipo de avião de algum modo?

V. Е.: Por enquanto, eles não têm condições de combater esse tipo de equipamento. Nem nos EUA nem na Rússia. Por isso, o desenvolvimento dessa tecnologia é prioritário: ela inutiliza os sistemas de defesa antimísseis existentes hoje. Mas a situação é temporária. Essa é uma luta incessante: quando alguém passa à frente, logo outros o alcançam.

 

FONTE: Gazeta Russa

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Nick

Interessante a declaração do coronel-general russo:

Esses mísseis tornam os sistemas de defesa aérea atuais inúteis. Sem dúvidas uma arma estratégica, se conseguirem transpor os desafios tecnologicos.

E o Brasil tem o 14-X

[]’s

Hamadjr

O que me deixa desanimado é que ainda somos á nação do futuro e nunca á do presente, temos capacidade intelectual, temos recursos em minérios, temos mão de obra, tudo e ao mesmo tempo não temos nada.
Ainda não saímos da condição de COLÔNIA PARA INDEPENDENTE.

Giordani

Saber é metade da Vitória…

Blind Man's Bluff

Não só estratégica, mas tatica também. Lançada de um submarino ou navio de superficie contra um porta aviões chines, operando do outro lado do Pacifico. Não existem contra-medidas e só o impacto desse “missel”, voando em velocidade terminal, já dispensa até mesmo a necessidade de carregar uma ogiva.

Edu Nicácio

E o projeto do nosso 14-X, a quantas anda? E aquele projeto em parceria com os EUA para estudo de propulsão a laser, alguma novidade?

joseboscojr

Edu, Se o projeto do 14-X estiver evoluindo o Brasil pode muito bem fazer um estoque de bombas nucleares e de ICBMs que ninguém irá descobrir e a nossa contrainteligência é o mais perfeita do mundo. Quanto à propulsão laser é um conceito interessante que usa a propulsão reativa de forma inusitada já que o veículo não precisa levar em seu interior nem o “fluído” e nem a fonte de energia. O fluído é a própria atmosfera ao redor do veículo e a fonte de energia fica em terra. Mas tudo indica que o conceito está muito além da tecnologia… Read more »

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