quarta-feira, maio 12, 2021

Gripen para o Brasil

Começam os disparos de avaliação do míssil de ataque nuclear do Rafale

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Na última terça-feira, 19 de junho, foi feito o primeiro disparo de avaliação do sistema composto pelo reabastecedor C-135, o Rafale e o míssil ASMPA, de ataque nuclear, representando uma missão real

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Segundo nota divulgada pela Força Aérea Francesa (Armée de l’air), foi realizado o primeiro disparo de avaliação do sistema que emprega o míssil ASMPA (míssil ar-solo de médio alcance melhorado),  por um caça Rafale. O míssil, que é um dos componentes da dissuasão nuclear francesa, não estava com sua carga nuclear.

A missão compreendeu cinco horas de voo, com reabastecimento em voo com um reabastecedor C135 do esquadrão 2/91 “Bretagne”, que faz parte do sistema oferecendo o indispensável alcance estratégico, além de voo a alta altitude, penetração a baixa altitude e seguimento do terreno. A tripulação do esquadrão 1/91 “Gascogne”, cuja principal missão com o Rafale é o ataque nuclear, decolou da Base Aérea 113 de Saint-Dizier.

A operação envolveu também o centro de “ensaios de mísseis” da DGA (Direção geral de armamento) de Biscarrosse, pessoal do fabricante do míssil, a MBDA, comissários da energia atômica e de energias alternativas, além da Marinha Francesa (Marine Nationale), realizando vigilância sobre a zona marítima envolvida na missão. Segundo a nota da Força Aérea Francesa, o desempenho do sistema de armas foi comprovado com sucesso.

FONTE / FOTOS: Força Aérea Francesa (Armée de l’air)

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Marcos

Agora entendo a preferência pelo Rafale.

Com a aquisição dessa formidável aeronave, mais uns misseis nucleares que ainda haveremos de ter, dará para atacar os imperialistas do Norte.

Nick

Esse ASMPA poderia ser um bom substituto para o Exocet….

[]’s

Renato Oliveira

Olha só, a jaca tem uma vantagem pelo preço que custa, agora é só colocarmos umas nukes…

Renato Oliveira

Caramba, acabei de ver na Wikipedia, o ASMP custa 15 mi de euros CADA.

Com isso dá pra comprar vários Tomahawk, que tem mais que o triplo do alcance…

Os franceses e seus brinquedos caros…

RA5_Vigilante

Renato

Sua base comparativa é Tomahawks convencionais ou sabe o preço de um Tomahawk nuclear?

Enriquecer urânio e afins, o cuidado com a manipulação do material radioativo, tem o mesmo custo de preparar de uma ogiva convencional?

Se vc souber os custos, coloque aqui para nós, ai teremos uma comparação razoável.

Justin Case

Boa noite, Renato.

Acho que a comparação não é possível.
Tomahawk é míssil subsônico, de longo alcance. Pode (podia) ser lançado de um B-52.
ASMP-A é míssil supersônico, de médio alcance, que pode ser lançado de Mirage 2000N e Rafale.
Abraço,

Justin

Vader

Bem estranha essa insistência francesa de lançar artefatos nucleares de aviões de caça.

RA5_Vigilante

Vader

Que tipo de aeronave da USN baseada em PA seria o vetor de artefatos nucleares? Seria o SH-60 ou o E-2C?

Olhe a lista de armas:
*ttp://www.globalsecurity.org/military/systems/aircraft/f-18-specs.htm

Olhe a segunda foto:
*ttp://en.wikipedia.org/wiki/B61_nuclear_bomb

Ivan

MiLord Vader,

Pelo que li, a “insistência” em “lançar artefatos nucleares de aviões de caça” não é apenas francesa, mas de todos os países do clube nuclear. Inclusive durante a Guerra Fria tanto a URSS como a OTAN tinham nos seus planos reter parte dos caças-bombardeiros com capacidade para ataques com nukes táticas.

Na minha opnião não há nada de estranho nisso, pois há missões nucleares que cabem à um caça-bombardeiro.

Sds,
Ivan, o antigo.

Bosco

Os únicos países que não usam mais caças para lançar armas nucleares são os EUA e o Reino Unido. Todos os outros fazem uso desse vetor.
E mesmo assim, os F-16 e F-18 têm capacidade nuclear dormente já que são compatíveis com as bombas B-61, embora as mesmas não estejam disponibilizadas para eles, o que não implica que eles não “possam”.

Nick,
Na verdade na década de 80 quase que ele vira um míssil antinavio supersônico para substituir o Exocet. Seria o ANF (antinavio futuro).
Foi cancelado com o término da Guerra Fria.

Tadeu Mendes

Acho que os amigos ja devem ter conhecimento, mas a US Navy carrega ogivas nucleares taticas em seus NAes., e nesse caso, os SH. sao usados como vetor. A Forca Aerea de Israel tambem pode fazer uso de ogivas taticas, cujos vetores podem ser tanto os F-16I quanto os F-15I. A vantagen em usar cacas como vetores nucleares, seria a possibilidade do cancelamento da missao, e portanto o retorno da ogiva intacta para o arsenal. Outra vantagem, seria a velocidade inferior de um caca em relacao ao missil, o que daria tempo para modificar a missao se necessario. Uma vez… Read more »

Ivan

Tadeu, Acredito que vc abordou uma razão importante para tantos países disporem de aeronaves com capacidade de ataque nuclear: a flexibilidade operacional. Acredito que o melhor vetor para uma ogiva nuclear é um míssil balístico lançado de terra (fixo ou móvel) ou mar (SSBN), sendo o segundo melhor vetor um míssil de cruzeiro lançado por um submarino. Mas acredito também que dispor de aeronaves com capacidade de ataque nuclear é interessante em termos de flexibilidade de ação, principalmente considerando as seguintes situações: – uso tático de armas nucleares de pequeno porte; – escalada gradual de uma guerra nuclear; e –… Read more »

Renato Oliveira

Caro Vigilante, Não, não tenho estas informações, e creio ser difícil de obter. Mas duvido que a ogiva passe de 50% do valor do míssil. Os franceses dominam a tecnologia nuclear faz muito tempo, e produzem urânio altamente enriquecido em quantidades grandes, para uso em navios e submarinos de propulsão nuclear. Então acho que a ogiva é relativamente fácil de fazer (para os franceses). O ASMP tem propulsão dupla (ramjet + foguete), o que custa muito caro, ainda mais na época que o ASMP foi lançado. Outro fator que contribui para o custo elevado é a pouca quantidade produzida. De… Read more »

Renato Oliveira

Caro Justin, Ultimamente tem havido muito debate sobre qual a forma mais adequada para atacar um alvo, se um míssil supersônico com ogiva menor ou um subsônico stealth com ogiva maior. A tendência tem sido mísseis stealth subsônicos, por alguns motivos. Primeiro, um míssil supersônico a baixa altitude necessariamente estará em elevada temperatura. Isso limita as formas e os materiais que podem ser utilizados para sua construção, o que dificulta a redução no RCS. Os dois fatores facilitam sua detecção a distâncias maiores. Embora a alta velocidade diminua o tempo de voo, os sistemas de defesa antimíssil estão cada vez… Read more »

Justin Case

Boa noite, Renato. Muito bom e coerente seu comentário. Tenho ainda algumas observações, no entanto: 1. Um ramjet, por não possuir compressor e turbina, teoricamente deve ser bem mais barato do que um motor de míssil de cruzeiro subsônico. 2. O tamanho da ogiva provavelmente não é tão relevante para um míssil nuclear de aplicação tática. 3. A quantidade a ser produzida e utilizada também será muito pequena, de modo que o custo de produção talvez não seja tão fator determinante. É uma arma de dissuasão (que não deverá, em princípio, ser usada). 4. É importante notar as semelhanças do… Read more »

Bosco

Renato, Na verdade nunca foi adquirido um míssil Harpoon com mais de 130 km de alcance. A versão Block 1D nunca foi produzida (tinha 280 km de alcance) e era mais pesada que os Harpoons “normais”, sendo de 635 kg ao invés dos 540 kg. A versão Block 3, que teria grande alcance, foi cancelada. Isso de forma alguma desqualifica seu comentário e só coloco como curiosidade. Justin, O Ramjet usado no ASMP é de combustível líquido com um motor foguete integrado (não é ejetado) para dar o impulso inicial. O “Ramjet” no Meteor é de combustível sólido. Na verdade… Read more »

Justin Case

Bosco, boa tarde. Pelo que você comentou, a diferença está no motor foguete que dá o impulso inicial, para que o míssil atinja a velocidade em que seja possível operar o ramjet. Esse motor foguete, usado na fase inicial, pode utilizar propelente sólido ou líquido. Já o ramjet, em ambos os casos, deve acompanhar o conceito tradicional, queimando combustível de aviação e sem utilizar partes rotativas. A queima funciona quase como na pós-combustão de motores turbojato. Eventualmente, a única parte móvel é a que avança ou recua o cone interno, para ajustar a entrada de ar ao ângulo da onda… Read more »

joseboscojr

Justin, Nos dois casos o motor foguete de impulso inicial é de combustível sólido, mas os “combustíveis” dos propulsores ramjets dos dois misseis é diferente. Na verdade apenas o ASMP usa combustível, no caso, um hidrocarboneto, mais especificamente, o querosene, já o Meteor usa no “ramjet” um propelente sólido. Enquanto o ASMP não pode ser usado no vácuo já que precisa obrigatoriamente do comburente (oxigênio do ar) para inflamar, em tese o Meteor pode inflamar seu propulsor “ramjet” até no vácuo (assim como qualquer míssil com motor foguete) já que o ar não é essencial para o processo de queima… Read more »

Justin Case

Entendi, Bosco.

Pensei que o Meteor também utilizasse combustível líquido na segunda fase.
Grato pela aula!
Abraço,

Justin

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